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sábado, 5 de dezembro de 2009

O MUNDO EM COPENHAGUE : as vozes catarinenses no debate - Parte 5

Santa Catarina terá uma presença tímida na COP15, que começa nesta segunda-feira, na capital dinamarquesa. Do governo do Estado, participam dois profissionais da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS) e dois da Fundação do Meio Ambiente (Fatma).

O diretor de proteção dos ecossistemas, Gilvani Voltolini, e a engenheira florestal Cristina Gerber João, representam a Fatma no evento.

– Todos os estados, de todos os países participantes do encontro, precisam se unir para isso. Esta não é uma luta para se enfrentar sozinho – defende Voltolini.

A engenheira Cristina diz que SC participa do encontro buscando informações, não só no sentido preventivo, mas também para trabalhar na adaptação necessária ao novo cenário climático.

– Mesmo se o mundo parasse de emitir gases hoje, não vamos estar daqui a 10 anos do mesmo jeito que estamos atualmente. É preciso se preparar para enfrentar mudanças que virão. Mas é tudo muito novo, ninguém sabe direito como caminhar ainda. É um aprendizado conjunto – avalia Cristina.

Representante catarinense em edições anteriores do encontro, o deputado estadual Sérgio Grando estará em Copenhague como delegado do Itamaraty. Ele cobra uma maior participação do Estado no debate internacional, principalmente diante de fenômenos extremos que ocorreram em Santa Catarina sem serem previstos, como o furacão Catarina (registrado em março de 2004) e a enchente do final do ano passado.

– Ninguém se salva sozinho da questão de mudanças climáticas. Santa Catarina tem que participar do debate. Em questões como estas, é preciso pensar globalmente para, então, poder agir localmente – defende o deputado estadual.
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FONTE : DC - edição de 5/12/2009

O MUNDO EM COPENHAGUE : SC não sabe o tamanho do problema - Parte 6

Para atacar uma doença, é preciso conhecer a origem do problema. E quando se trata do aquecimento global que assusta o mundo e será tema do encontro internacional em Copenhague, Santa Catarina ainda sabe pouco sobre os fatores que podem comprometer o futuro do clima no Estado. Ainda que em passos lentos, este cenário começa a mudar. O primeiro inventário catarinense que vai levantar a origem e o impacto dos gases que provocam o efeito estufa em SC começa a ganhar forma.

Uma parceira entre o governo estadual e o Instituto Dirceu Carneiro (IDC), uma ONG criada em Lages há dois anos, promete realizar o levantamento. O prazo para concluir o complexo trabalho não está definido. Do orçamento total previsto em R$ 600 mil, R$ 150 mil foram pagos pelo governo catarinense e os outros R$ 450 mil estão em fase de captação com a iniciativa privada.

A primeira fase do trabalho foi a capacitação de um grupo gestor, composto por 10 técnicos do IDC e 10 representantes de entidades vinculadas ao governo, como Epagri, Fatma, Celesc, Casan e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável. O próximo desafio é definir uma sistematização dos dados, buscando padronizar as informações já disponíveis com o modelo que será usado para o trabalho de coleta das novas informações.

A diretora do IDC e coordenadora do inventário, Ana Helena Carneiro, explica que o trabalho completo prevê mais do que a simples coleta dos dados. A ideia é gerar também um relatório de oportunidades e definir estratégias de adaptações.

– A tendência é de que a chuva aumente no Sul do país, logo, teremos mais energia por meio das hidrelétricas. Haverá também um movimento migratório de diferentes produtos agrícolas diante das mudanças de clima e queremos descobrir como Santa Catarina pode se adaptar ao novo cenário – exemplifica Ana Helena.

O diretor geral da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lauro Andrade, lembra que somente com um inventário concluído, Santa Catarina pode traçar metas de redução dos níveis de emissão dos gases poluentes, a exemplo do que fazem hoje os países de primeiro mundo. Ele afirma que no início de 2010, será iniciado um inventário que tratará exclusivamente dos gases poluentes emitidos pelos órgãos públicos do Estado. A proposta é concluir o levantamento, que servirá de base para ações práticas, no prazo de seis meses.

– O setor público deve dar o exemplo – defende Andrade.

Por enquanto, os maiores avanços ainda limitam-se ao papel. Andrade lembra que em agosto deste ano foi aprovado programa de Política Estadual sobre Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina.

Entre as ações previstas no documento, estão a certificação com um selo verde para empresas catarinenses que comprovarem iniciativas de contenção de gases poluentes e a promoção de um debate permanente por meio da criação do Fórum Catarinense de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, do qual Andrade foi nomeado vice-presidente executivo. Pelo programa, está prevista a possibilidade de o governo oferecer incentivos fiscais para indústrias que invistam no desenvolvimento de tecnologias limpas.

O discurso está pronto. O desafio, agora, é regulamentar, na prática, o programa que está no papel. Segundo Andrade, o Estado tem pressa, e o processo de regulamentação deve ser deflagrado em 2010.
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FONTE : jorn. Alexandre Lenzi, DIÁRIO CATARINENSE, edição de 5/12/2009

O MUNDO EM COPENHAGUE : Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas - Parte 7

Por 11 dias, a partir desta segunda-feira (7/12/2009), a bela Copenhague, a cidade das bicicletas e da Pequena Sereia, será a capital do mundo. Sem exagero. Mais de cem presidentes ou primeiros-ministros já confirmaram que estarão por lá em algum momento desses 11 dias.Afinal, a ocasião que leva o mundo a Copenhague é nobre: a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP15, que, entre 7 e 18 de dezembro, decide o futuro da luta contra o aquecimento global.

A partir desta segunda-feira, o futuro da luta contra o aquecimento global começa a ser definido na capital dinamarquesa, Copenhague, que recebe até 18 de dezembro a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas

E o que eu, morador de Santa Catarina, a mais de 10 mil quilômetros de distância, tenho a ver com isso? Não se engane. Os efeitos das alterações no clima atingem a todos. Os temporais que vem causando destruição no Estado e no Rio Grande do Sul podem ser os primeiros impactos com status de catástrofe a nos atingir diretamente.

Nesse sentido, a atenção global ao evento é uma ótima notícia, dizem especialistas, um indicativo de que, talvez, os líderes mundiais deixem a conversa de lado e aprovem um acordo que finalmente limite as emissões de gases causadores do efeito estufa na atmosfera – que, em excesso, provocam o aquecimento da Terra.

– Copenhague extrapolou tudo o que a gente pensou até hoje. Kyoto foi um evento extremamente importante, mas ainda estava circunscrito às pessoas que trabalhavam com o assunto. Hoje em dia, Copenhague é um assunto que qualquer pessoa em qualquer lugar está falando. Assumiu uma dimensão completamente diferente – diz Branca Americano, diretora do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente.

Em 1997, o Protocolo de Kyoto definiu uma modesta meta de 5,2% de redução das emissões, com base nos níveis de 1990, apenas aos países desenvolvidos – os Estados Unidos, à época maior emissor, não se comprometeram. Nações em desenvolvimento, como Brasil e China, entraram como voluntários.

Para o diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, Sérgio Leitão, não havia toda a base de conhecimento científico acumulado que se tem hoje sobre o tema para escancarar a enorme gravidade do problema.

– Kyoto foi uma espécie de rito de transição, uma etapa necessária que foi vencida. Agora, vamos começar outra: a discussão dos melhores remédios para a solução do problema.

Às vésperas do início da conferência, os países começaram a divulgar as suas metas de redução de emissões. Na conferência, esses números valem muito mais como um sinal das boas intenções e do comprometimento com o problema. Teoricamente, são medidas que deverão ser assumidas independentemente de acordo em Copenhague. Ainda assim, o significado de cada proposta é difícil de ser compreendido. Leitão garante que o Greenpeace ainda tenta traduzir os números:

– Estamos saudando o fato de todos os países, ao contrário de todas as expectativas iniciais, estarem se colocando na mesa com propostas. Mas precisamos entender ainda, na mecânica das relações internacionais, quem está fazendo o quê.

Que tipo de acordo sairá de Copenhague ainda é incerto. Branca explica que as negociações seguem em dois trilhos: um que tem como base a Convenção do Clima, firmada na Eco-92, no Rio de Janeiro, e outro que segue Kyoto. A primeira ideia é defendida por países como Estados Unidos, e a segunda, a bandeira das nações em desenvolvimento.

– O que o Brasil tem defendido é continuar nos dois trilhos e entrar num acordo para um segundo período do protocolo de Kyoto e aumentar a implementação da Convenção.

A partir desta segunda, o DC contará com reportagens diretamente de Copenhague, com o enviado especial à conferência, Gustavo Bonato.

PRISCILA DE MARTINI
Os protagonistas da conferência
Países que devem assumir papel fundamental nas negociações:
ESTADOS UNIDOS
Sem os EUA, segundo maior poluidor do mundo, um acordo efetivo é impossível. Após oito anos de governo George W. Bush, que não aceitava qualquer comprometimento com metas de redução de emissões, as chances nunca foram tão grandes de os EUA assinarem um acordo do tipo. O presidente Barack Obama declarou-se comprometido com a luta contra as mudanças climáticas e promete agir com vigor.
UNIÃO EUROPEIA
Os 27 países da UE votam em bloco. Juntos, eles ficam em terceiro lugar no ranking dos maiores poluidores – por isso, é tão importante que se engajem. O fato de grande parte dos países da UE serem desenvolvidos também fará do bloco um dos principais protagonistas da COP15. Suas nações – especialmente França, Grã-Bretanha e Alemanha, mais comprometidos com a luta contra o aquecimento – poderão puxar os EUA para um acordo.
CHINA E ÍNDIA
Primeiro e quarto colocados entre os maiores emissores de CO2 do mundo, respectivamente, lideram o grupo dos 130 países em desenvolvimento que resistem em assumir metas obrigatórias de controle. Acreditam que o mundo desenvolvido deve acatar a sua responsabilidade histórica pela atual situação do planeta, deixando as outras nações continuarem a se desenvolver. A prioridade seria o combate à fome e à pobreza.
BRASIL
Também tem um papel significativo no grupo dos países em desenvolvimento, ao lado de China e Índia. Outro trunfo coloca o presidente Lula entre as principais vozes da conferência: a Amazônia.
O desmatamento é uma das maiores fontes de emissões de CO2. Entre os principais assuntos da COP15, estará o REDD (sigla em inglês para Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação).
POSSÍVEIS CENÁRIOS
Como podem terminar as discussões em Copenhague: EVENTOS EXTREMOS
FOGO NA AUSTRÁLIA
No Sul, o país viveu em 2009 a pior onda de calor dos últimos cem anos, com temperaturas de até 46°C, matando dezenas de pessoas. Pelo menos outras 180 morreram em graves incêndios no Estado de Victoria. No Nordeste, o problema são as inundações. De todo o território do Estado de Queensland, 60% chegaram a ser declarados zona catastrófica.
FRIO NA EUROPA
Uma onda de frio congelou a Europa e os Estados Unidos no início deste ano. Em fevereiro, Londres teve a mais forte nevasca dos últimos 18 anos. Na Alemanha, o inverno passado ficou entre os cinco ou 10 mais frios dos últimos cem anos, segundo o Serviço Alemão de Meteorologia, com temperatura de até -37°C. Nos Estados Unidos, a onda de frio causou dezenas de mortes.
ÁRTICO A PERIGO
O Ártico talvez seja alvo das previsões mais catastróficas dos pesquisadores quando o assunto é aquecimento global – e também dos impactos reais mais evidentes. Estudos mostram que as geleiras têm derretido a uma taxa assustadora. Em 20 ou 30 anos, a camada de gelo que cobre o Polo Norte poderá desaparecer completamente durante os meses de verão.
SECA NA ARGENTINA
Treze das 24 províncias argentinas estão em emergência agropecuária desde o início do mês devido à seca que atingiu boa parte do país neste ano. Segundo o Ministério da Agricultura da Argentina, a estiagem registrada até o mês passado foi a pior em sete décadas. Em outras regiões, a seca deu lugar a precipitações elevadas, causando novos problemas.
Países que devem assumir papel fundamental nas negociações:
ESTADOS UNIDOS
Sem os EUA, segundo maior poluidor do mundo, um acordo efetivo é impossível. Após oito anos de governo George W. Bush, que não aceitava qualquer comprometimento com metas de redução de emissões, as chances nunca foram tão grandes de os EUA assinarem um acordo do tipo. O presidente Barack Obama declarou-se comprometido com a luta contra as mudanças climáticas e promete agir com vigor.
UNIÃO EUROPEIA
Os 27 países da UE votam em bloco. Juntos, eles ficam em terceiro lugar no ranking dos maiores poluidores – por isso, é tão importante que se engajem. O fato de grande parte dos países da UE serem desenvolvidos também fará do bloco um dos principais protagonistas da COP15. Suas nações – especialmente França, Grã-Bretanha e Alemanha, mais comprometidos com a luta contra o aquecimento – poderão puxar os EUA para um acordo.
CHINA E ÍNDIA
Primeiro e quarto colocados entre os maiores emissores de CO2 do mundo, respectivamente, lideram o grupo dos 130 países em desenvolvimento que resistem em assumir metas obrigatórias de controle. Acreditam que o mundo desenvolvido deve acatar a sua responsabilidade histórica pela atual situação do planeta, deixando as outras nações continuarem a se desenvolver. A prioridade seria o combate à fome e à pobreza.
BRASIL
Também tem um papel significativo no grupo dos países em desenvolvimento, ao lado de China e Índia. Outro trunfo coloca o presidente Lula entre as principais vozes da conferência: a Amazônia.
O desmatamento é uma das maiores fontes de emissões de CO2. Entre os principais assuntos da COP15, estará o REDD (sigla em inglês para Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação).
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FONTE : DC - edição de 5/12/2009

Rua 25 de Março evidencia complexidade da poluição visual

Apesar de poluída visualmente, a Rua 25 de Março, localizada na área central de São Paulo, consegue atrair diariamente milhares de pessoas interessadas nas mais diversas mercadorias, principalmente pelos preços acessíveis. “O local é um misto de detalhes históricos, culturais, sociais, econômicos e políticos”, descreve a arquiteta Juliana Gazza Amaral. Segundo ela, tudo isso somado aos fios e postes da rua, à infraestrutura existente, torna a rua um verdadeiro “circo a céu aberto”.

Em sua dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Juliana analisa a complexidade envolvida na questão da poluição visual. “Em primeiro lugar vale lembrar que não temos um conceito muito bem definido sobre o termo ‘poluição visual’. Trata-se de um tema novo. Quando falamos de poluição ambiental ou sonora, por exemplo, temos referências muito bem delimitadas”, explica, ressaltando que “a poluição visual presente nas grandes metrópoles está intimamente ligada à cultura de consumo, onde o bem estar da população é medido por intermédio do seu poder de compra”.

O estudo de Juliana, orientado pelo professor Sérgio Regis Moreira Martins, além de buscar contribuir para o entendimento do conceito “poluição visual” traça um histórico da rua e mostra dados que evidenciam toda a complexidade, fragmentação e dinâmica da realidade do local. “Podemos considerá-la como exemplo de uma realidade periférica por intermédio da ótica pós-moderna”, define Juliana.

Comércio tradicional
A pesquisadora conta que a rua possui caráter comercial desde sua inauguração, em 1859. Primeiramente denominada Rua de Baixo, ficava às margens do rio Tamanduateí. “Era um local onde o rio Tamanduateí dava 7 voltas e foi instalado um porto geral. Daí o nome da Ladeira Porto Geral, que fica próxima à 25 de Março”, conta Juliana.

Somente em 1865, a então Rua de Baixo teve seu nome alterado para 25 de Março, em homenagem à primeira Constituição do Brasil. “Desde esses tempos, a via era um ponto de comércio e de concentração de imigrantes sírio-libaneses e árabes. “Devido à facilidade de alagamento daquela região, os terrenos eram baratos. Em sua maioria, os comerciantes tinham suas lojas em baixo e residiam na parte de cima do imóvel”, descreve Juliana.

Números expressivos
Juliana informa em sua pesquisa que, de acordo com matéria veiculada no Jornal da Tarde, já em 1982, eram comercializados na 25 de Março 300 mil grampos, 150 milhões de botões, 1 milhão de fivelas, 140 mil dedais e 15 milhões de metros de renda. Ela também cita as características dos consumidores que frequentam a rua. “Segundo pesquisa de uma empresa especializada, a maior parte dos compradores da rua não pertencem à classe C”, diz. Os números mostram que 44% são da classe B, 35% da classe C e apenas 9% da classe D. “A classe A é representada por 12% entre os compradores da 25 de Março”, relata Juliana.
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Rua movimenta mais de R$ 16 bilhões em vendas diretas ao consumidores

A mesma empresa levantou que os 251 shopping centers do País faturam algo em torno de R$ 40 bilhões anualmente. Em São Paulo, o shopping Aricanduva, o maior da cidade, atinge um faturamento de R$ 1,2 bilhões ao ano. Enquanto isso, a 25 de Março comercializa somente no varejo, ou seja, ao consumidor, um total de R$ 16 bilhões anuais. Os dados são referentes a 2008.

“Esses números mostram a complexidade e a diversidade da 25 de Março. Apesar disso, as pessoas vão até lá porque gostam do que encontram e há uma grande vitalidade no local”, afirma Juliana. Segundo a pesquisadora, essa “vitalidade” chega a ser natural do ser humano. “Quantas vezes deixamos de entrar num restaurante por ele estar vazio? Fazemos a conexão direta entre o local estar vazio e a comida não ser de boa qualidade”, exemplifica.

Apesar de não ter como medir a poluição visual, a pesquisadora acredita que a recente legislação da Prefeitura de São Paulo, eliminando outdoors e limitando anúncios não chega a ser uma “solução”. “No meu entender esse processo poderia ser mais discutido e mais democrático. Há pontos da cidade, como nas impenas [paredes de prédios sem janelas] de prédios, em que os outdoors ainda poderiam cumprir alguma função”, opina. Ela cita como exemplo cidades como Nova Iorque, em que existem áreas em que a veiculação de anúncios e exposição de outdoors é liberada, enquanto em outras, há algumas restrições. “Como a própria definição do termo ‘poluição visual’ ainda não é bem definida, acredito que deveria haver mais debates sobre o tema.”
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FONTE : Antonio Carlos Quinto, Agência USP de Notícias (Envolverde/Agência USP de Notícias)

Mudança Climática: Países Emergentes

Enquanto parecem não existir mais dúvidas sobre a ocorrência de mudanças climáticas, o impasse sobre os cortes nas emissões de carbono continua entre os países desenvolvidos.

As nações emergentes ainda falham em construir diferenças decisivas em questões urgentes, como o estabelecimento de metas concretas para redução, transferência de tecnologia e suporte financeiro.

Desenvolvimento

Como emissores de crescimento mais rápido, países em desenvolvimento como Brasil, China ou Índia deveriam liderar o caminho para um futuro com baixo teor de carbono?

Ou as nações industrializadas deveriam pagar a conta das alterações climáticas por sua histórica responsabilidade cumulativa?

Em mais um programa de uma série sobre o assunto, a Rádio ONU analisa os desafios e esperanças do mundo em desenvolvimento na abordagem sobre esta crise global.

Mercado de maderia

Como o país mais populoso do mundo, a taxa absoluta de expansão econômica da China, abastecida principalmente por carvão poluente, assegura que não irá perder logo o lugar como um dos maiores emissores.

Suas políticas e estratégias em combater o aquecimento global se tornaram foco de crescente escrutínio.

Entretanto, na corrida para a Conferência da ONU sobre Mudança Climática em Copenhague, a China tem sido chamada para exercer papel de liderança no combate às alterações e agora está na frente como um 'modelo' para os países em desenvolvimento.

O professor Zou Ji, especialista em políticas da Universidade Renmin, tem servido como membro da delegação chinesa para os debates sobre o clima desde 2000. Ele disse à Rádio ONU que países industrializados tem explorado os benefícios de emissões irrestritas nos últimos 200 anos.

Atmosfera

Zou Ji afirma que os direitos de viver são universais e iguais. Ele pergunta se os americanos podem lançar mais gases de efeito estufa na atmosfera e os chineses não?

De acordo com o Banco Mundial, mais de 250 milhões de pessoas na China vivem com menos de U$ 1,25 por dia. O professor ressalta que a prioridade chinesa agora é estimular a economia, erradicar a pobreza e melhorar as condições de vida da população. Mudanças climáticas estão no final da lista.

Urumqi é a capital da Região Autônoma Xinjiang Uyghur, na parte mais oeste da China. É uma palavra mongól, que significa 'belas pastagens'. De acordo com o Guiness, o Livro dos Recordes, é a cidade do mundo considerada mais afastada de qualquer mar.

Água é uma fonte preciosa para a população local. O pastor Aibulyhan, de 58 anos, pertence a um dos 13 grupos étnicos que habitam a região. Ele diz que não entende o significado das mudanças climáticas. Mas está claro que o tempo está ficando seco, as terras estão diminuindo e tornando-se menos férteis.

Seca Sazonal

Aibulyhan afirma que tem 15 cabeças de gado, 20 cavalos e 50 cabras e que a primavera é mais difícil devido à seca sazonal.

Mas o que grandes países emergentes como a China e o Brasil estão fazendo para combater o problema e liderar os debates para a confiança internacional.

Em entrevista à Rádio ONU em julho, o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon pediu aos países em desenvolvimento para injetarem ânimo sobre o impasse diante das discussões sobre o clima.

Ban Ki-moon disse que o crescimento verde e a economia verde podem criar mais empregos e uma recuperação mais rápida diante da crise financeira global.

Para o diretor-técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Eneas Salati, essa recuperação depende da posição da China e dos Estados Unidos.

Redução de emissões

Ele afirmou que a China e os Estados Unidos, juntos, representam praticamente 50% das emissões do planeta. E que a solução para a redução dessas emissões é muito ampla.

"São várias as situações. Em primeiro lugar é a matriz energética do planeta. Mudança na matriz energética é uma coisa fundamental, isto é, você ter energias alternativas e uma série de tecnologias já disponíveis e que nem sempre são utilizadas, são utilizadas por alguns países e não por outros", afirmou.

A solução para o Brasil, segundo Eneas Salati, está na Amazônia.

"À medida que se desmata, que se queima, você está emitindo gases de efeito estufa. No Brasil praticamente a maior parte, quase 70% da responsabilidade brasileira vem exatamente do desmatamento da Amazônia".

A uma semana da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, com o relógio correndo para Copenhague, será que os líderes mundiais irão alcançar um acordo histórico e selar um consenso?

É preciso mais tempo para encontrar todas as respostas que o mundo está buscando. Mas uma coisa é certa: os seres humanos tem as ferramentas e podem agora mover a sociedade longe do aquecimento global.

Apresentação: Daniela Traldi
Produção: Hao Cheng
Produção Executiva: Donn Bobb
Direção: Michelle DuBach

Para ouvir esta notícia clique em: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2009/09120419i.rm ou acesse:
http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/173596.html
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FONTE : (Envolverde/Rádio ONU)

Refúgio na Antártica

O maior episódio de extinção em massa na história da Terra, ocorrido há cerca de 252 milhões de anos no fim do período Permiano, pode ter sido causado pelo aquecimento global.

E uma espécie fossilizada descoberta em nova pesquisa sugere que alguns animais terrestres podem ter sobrevivido à extinção por terem se refugiado em locais mais frios, como a Antártica.

Denominada Kombuisia antarctica, a espécie foi identificada por Jörg Fröbisch e Kenneth Angielczyk, do Museu Field, em Chicago, e Christian Sidor, da Universidade de Washington. A descoberta foi publicada nesta quinta-feira (3/12) na revista Naturwissenschaften.

A espécie pertence a um grande e extinto grupo de parentes distantes dos mamíferos, chamados anomodontes, que eram os herbívoros mais frequentes e dominantes no período.

“Havia membros desse grupo que cavavam a terra, andavam na superfície e viviam nas árvores. Entretanto, a Kombuisia antarctica, que tinha o tamanho de um gato doméstico atual, era consideravelmente diferente dos mamíferos atuais. Ela colocava ovos, não cuidava das crias pequenas e não tinha pelo. Talvez nem mesmo tivesse sangue quente”, disse Angielczyk.

A espécie não era ancestral direto dos mamíferos atuais, mas estava entre as poucas linhagens de animais que sobreviveram em um momento em que a maior parte das formas de vida simplesmente desapareceu.

Os cientistas ainda debatem o que teria causado a extinção do fim do Permiano. Mas estima-se que o fenômeno tenha sido associado com uma atividade vulcânica de grandes proporções na atual Sibéria que pode ter provocado o aquecimento global.

Quando a Antártica serviu de refúgio naquele momento de temperaturas que se elevavam, o continente estava ao norte de sua localização atual, era mais quente e não estava coberto permanentemente com um manto de gelo.

O refúgio da Kombuisia antarctica na Antártica, segundo os autores do estudo, provavelmente não foi resultado de uma migração sazonal mas de uma alteração que levou o hábitat do animal mais para o sul do planeta.

Evidências fósseis sugerem que animais de pequeno e médio porte foram mais bem-sucedidos na hora de escapar de uma extinção em massa do que os animais maiores. O motivo é que os menores podem ter adotado comportamentos como hibernação, torpor e encontrar abrigo sob a superfície.

“A nova descoberta preenche uma lacuna no registro fóssil e contribui para um melhor entendimento da sobrevivência dos vertebrados durante a extinção em massa do fim do Permiano tanto do ponto de vista geológico como ecológico”, disse Fröbisch.

Os pesquisadores encontraram os fósseis da nova espécie entre exemplares coletados há mais de três décadas na Antártica e que fazem parte de uma coleção do Museu Americano de História Natural, em Nova York.

“Na época em que esses fósseis foram coletados, paleontólogos trabalhando na Antártica procuravam evidências da existência do supercontinente Pangeia, que depois se dividiu em massas terrestres distintas”, disse Angielczyk.

Segundo ele, os fósseis encontrados forneceram algumas das primeiras evidências da existência de Pangeia e a continuação de sua análise poderá ampliar o conhecimento humano a respeito de eventos que ocorreram há 250 milhões de anos.

O artigo pode ser lido por assinantes da Naturwissenschaften em http://www.springerlink.com/content/100479.
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FONTE : (Envolverde/Agência Fapesp)

A alternativa do carvão vegetal

Utilização do eucalipto como fonte de carbono ajuda a diminuir o desmatamento.

O economista Thiago Fonseca Morello estudou o uso e alguns problemas do eucalipto como fonte de energia para siderúrgicas em seu mestrado – Carvão vegetal e siderurgia: de elo perdido a solução para um mundo pós-Kioto – orientado pelo professor Ricardo Abramovay e com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). O pesquisador busca entender de que maneira o carvão vegetal e o uso do eucalipto como fonte de carbono trouxeram soluções para siderúrgicas que passaram a utilizar essa fonte de energia.

Morello observa que um dos fatores que permite ao Brasil ser o único país do mundo a utilizar o carvão vegetal em siderúrgicas é a baixa quantidade de jazidas de carvão mineral no País. “Esse fato pode ser uma explicação para a insistência no uso de carvão vegetal. É necessário que as empresas importem o carvão mineral em grande escala, para baratear o preço, e isso tem uma série de implicações logísticas e ambientais. Por outro lado, somos um País rico em florestas e estas acabaram sendo utilizadas como fonte alternativa e mais barata de carbono”, explica.

Um dos maiores problemas na utilização do carvão vegetal é o desmatamento florestal. Muitas siderúrgicas só passaram a investir no cultivo e manutenção das plantações de eucalipto quando perceberam a exaustão das florestas das quais costumavam retirar seu carvão. Morello salienta que essa opção das empresas por cultivar sua fonte de carbono trouxe fatores positivos, como a diminuição do desmatamento da floresta, e aspectos negativos, como o aumento das grandes plantações e da concentração de terras.

O uso do eucalipto como fonte de energia no Brasil tem benefícios não apenas no âmbito ecológico, mas também em relação ao marketing. “Com a opção de plantar eucalipto, as empresas têm vantagens em vários sentidos: em relação à qualidade, pois usam mudas geneticamente adaptadas a cada região, conseguindo assim o melhor rendimento possível. Há benefícios ambientais, pois evita a destruição da floresta a qual desempenha diversas funções ecológicas e também culturais para a comunidade local. Além disso, as indústrias estão, cada vez mais, se esforçando para se desconectar das florestas e do desmatamento, pois assim criam uma imagem mais favorável nacional e internacionalmente”, ressalta o pesquisador.

O economista mostra também os problemas para as siderúrgicas provenientes do uso de carvão vegetal. O primeiro deles decorre da inversão do relativo de preço na década de 1980, quando o carvão mineral passou a ser mais barato do que o vegetal. Há também os malefícios oriundos da produção de eucalipto, a qual favorece a concentração de terras, além de gerar problemas em relação a instabilidade ecológica, isso por conta da monoespecificidade das plantações.

Tendo em vista os fatores negativos, o que levaria as siderúrgicas mineiras a manter o uso de carvão de eucalipto como fonte de carbono? “Quanto a isso, um fato atual relevante é o de que as duas maiores siderúrgicas mineiras a carvão vegetal foram compradas pela maior corporação siderúrgica do mundo – a anglo-indiana Mittal Steel – a qual tem o interesse em ter sua imagem associada ao fato de existirem membros de seu grupo que produzem aço com base no carvão vegetal, dado que todos os demais membros dependem pesadamente do carvão mineral”, explica o economista.

Fomento Florestal

Entre os modelos atuais de cultivo que têm atraído investimentos de siderúrgicas está o fomento florestal. É uma alternativa ao cultivo de plantação de eucalipto realizado em escala menor àquela dos grandes maciços mantidos pelas siderúrgicas mineiras. Esse modelo permite a pulverização das áreas de cultivo e resolve, em alguma medida, o problema da concentração de terras e da instabilidade ecológica por conta da monocultura.“Isso é interessante, pois tem englobado também proprietários de baixa renda e é uma possibilidade de ajudar na transferência tecnológica entre as populações que tem menos possibilidades de geração de renda”, diz Morello.

Apesar da siderurgia de carvão vegetal não chegar a 30% da produção de ferro-gusa e a 20% da produção de aço, o interesse das empresas por fontes alternativas de carbono tende a crescer enquanto houver cobranças internacional relacionadas ao aquecimento global. “O fomento florestal é interessante e pode ser estudado como uma possível trajetória para produzir ferro e aço de maneira a não intensificar o aquecimento global, mas não acredito que exista potencial para haver uma conversão em massa da siderurgia no mundo e no Brasil para o carvão de eucalipto. Entretanto, enquanto a temática ambiental e ecológica se mantiver relevante internacionalmente, o uso de carvão de eucalipto continuará existindo no Brasil, mesmo como algo minoritário”, conclui.

Mais informações: email tfmrs@usp.br, com o pesquisador Thiago Fonseca Morello
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FONTE : Ana Carolina Athanásio, da Agência USP (Envolverde/Agência USP)