Powered By Blogger

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SOBRE GOLFINHOS


Cuspir em público não é grosseria na sociedade dos golfinhos-de-Heinsohn - é algo esperado. Os raros mamíferos marinhos caçam juntos perseguindo peixes até a superfície e então "cuspindo" água neles para encurralá-los e matá-los, pesquisadores do fundo de preservação sem fins lucrativos WWF recentemente descobriram.

Esses golfinhos australianos possuem nadadeiras dorsais particularmente curtas, mas são mais conhecidos por suas cabeças no formato de melão e perfis sem bico. Tais animais sociais vivem em grupos de no mínimo seis indivíduos.

O golfinho-de-Heinsohn, que chega a dois metros, é hoje a segunda espécie de golfinho conhecida que usa a técnica de caça cooperativa, na qual os animais lançam jatos de água de suas bocas para levar os peixes em direção a outros golfinhos.

"É um comportamento incrivelmente fora do comum, que só foi notado antes nos golfinhos-de-Irrawaddy," disse a diretora do WWF para o mar e costa da Austrália, Lydia Gibson. "É um técnica bizarra. Alguns animais foram vistos cuspindo água para cima e (outros) direto na superfície da água. É um comportamento fascinante, mas ainda sabemos muito pouco sobre esses golfinhos e como eles fazem isso."

Acreditava-se que os golfinhos de Heinsohn e de Irrawaddy fossem a mesma espécie até 2005, quando cientistas descobriram que os golfinhos-de-Heinsohn eram uma espécie única que habita mangues, rios, estuários e águas da costa do norte da Austrália.

Os golfinhos-de-Heinsohn são habitantes das costas e parecem viver em pequenos territórios, por isso podem ser especialmente afetados pela poluição, pelo desenvolvimento costeiro e outras ameaças aos sistemas de mangue, Gibson observou.

"Sua presença indica um ecossistema saudável, por isso temos uma oportunidade (importante)" de aprender mais sobre o estilo de vida desse golfinho misterioso e, assim, tomar decisões melhores sobre a preservação de seu habitat, ela disse.

"É crucial fazer o que podemos para proteger nossos ecossistemas costeiros."
********************************************
FONTE : National Geographic (Tradução: Amy Traduções)

A NATUREZA É FANTÁSTICA MESMO !!!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

“O lucro é o inimigo número um do meio ambiente”


A débâcle financeira global é uma prova de que o capitalismo “está mais vivo do que nunca”, e que só seria freado com políticas que extingam toda forma de lucro ou com o fim da vida sobre a Terra, sentencia o chileno Marcel Claude, professor e ativista. A iminente recessão mundial pode reduzir a pressão sobre os recursos naturais, devido a uma produção menor, mas também pode relaxar as práticas de proteção ambiental, alerta Claude, cujo informe sobre o desaparecimento dentro de duas décadas das florestas autóctones de seu país causou considerável alvoroço em 1995, quando era um qualificado técnico do Banco Central. A bolha especulativa do setor hipotecário dos Estados Unidos foi apenas o detonador. Uma explicação mais profunda é a queda da “economia real”, porque os Estados permitiram a concentração da propriedade e o aumento da desigualdade e da pobreza em favor da progressão da “economia financeira", afirma Claude neste diálogo com o Terramérica. Mestre em Economia pela Universidade do Chile e candidato a doutor na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, Claude é professor em três altas casas de estudo de seu país e tem uma ampla trajetória como ativista ecológico. Em 2006, ganhou um litígio contra o Estado chileno no Tribunal Internacional de Direitos Humanos por acesso a informação pública e enfrentou com êxito uma querela judicial por denunciar conflitos de interesses na discussão da Lei de Pesca.

TERRAMÉRICA - Atualmente, todo mundo teoriza sobre o capitalismo a propósito da crise financeira global. O que o senhor entende por capitalismo?

MARCEL CLAUDE - Menos mal que as pessoas estejam voltando a falar do capitalismo. Apenas se falava da globalização, do neoliberalismo. Mas o capitalismo existe, está mais vivo do que nunca e continuará vivo por muito tempo. A atual crise é uma mostra disso. O capitalismo construiu uma tremenda capacidade de desenvolver sua razão de ser: o lucro. A essência do capitalismo não é a propriedade privada, embora às vezes esta funcione como instrumento legal para materializar o lucro, nem são os governos de direita. O capitalismo é a busca do lucro, da taxa de ganhos. O que move o capitalismo são dois pecados capitais: a avareza e a cobiça. Não são virtudes humanas como a solidariedade, a justiça, a verdade e o amor. Todas as instituições capitalistas tendem a favorecer isto. Se a propriedade privada promove o lucro, tudo bem; se não promove, se passa por cima dela. O mesmo ocorre com a constituição política do Estado ou com o sistema de regulamentação financeira. O problema é que o lucro sempre é obtido com base na exploração. Sempre se trata de obter uma riqueza que está do outro lado. E as fontes dessa riqueza são duas: o trabalho da humanidade e a produtividade dos ecossistemas naturais. O capitalista sustenta que a atividade produtiva “cria” riqueza, mas simplesmente há uma “conversão”, uma “transformação” de riqueza, que vem fundamentalmente da natureza. A riqueza é a produtividade biológica dos ecossistemas naturais. O capitalismo é uma intervenção brutal, diabólica, nos sistemas vitais, que se convertem em produtos econômicos pela necessidade de sustentar a vida humana. Mas, como os capitalistas controlam todo o processo produtivo, acabam se apropriando desses direitos de vida.

TERRAMÉRICA - Quais efeitos podem ter as atuais turbulências na reprodução do capitalismo? Passaremos para outra fase ou estamos perto do fim?

MARCEL CLAUDE - Enquanto houver finalidade de lucro haverá capitalismo. Como a avareza e a ambição sempre existirão, a maneira de o lucro não ser determinante é regulamentá-lo, fazer com que na definição das políticas de Estado outros valores tenham maior preponderância. O outro fator possível de destruição do capitalismo é o desaparecimento de toda vida sobre o planeta. No melhor dos casos, poderíamos avançar para uma fase mais responsável. Isso se não a impedirem as grandes corporações multinacionais e os influentes homens de negócios. Quarenta por cento do produto interno bruto mundial está nas mãos de 200 multinacionais. Passarmos para outra fase dependerá da magnitude da crise e de os Estados conseguirem ordená-la e recuperá-la, coisa que me parece difícil.

TERRAMÉRICA - Quem serão os principais prejudicados?

MARCEL CLAUDE - Sempre são os pobres. Os Estados privilegiam sustentar o sistema financeiro com recursos provenientes dos contribuintes, uma atitude que enfraquece sua capacidade de gerar emprego, expandir a economia e enfrentar os problemas sociais. Estão preferindo deixar de gastar em educação, saúde, infra-estrutura e pesquisa. Isto significará menor atividade econômica, aumento do desemprego e queda da demanda. Pode ser que diminua a pressão sobre os recursos naturais, devido a uma produção menor, mas também pode haver um relaxamento nas práticas de proteção ambiental, para tornar factíveis outros projetos.

TERRAMÉRICA - Se o capitalismo não é sustentável, qual é a alternativa?

MARCEL CLAUDE - Até agora ninguém construiu outra alternativa e não sei se será preciso. Não se pode mudar um sistema de um dia para outro, mas pode-se intervir de forma politicamente decidida. As políticas estatais deveriam orientar-se praticamente para extinguir toda forma de lucro. Porque entendo o lucro como aquele ganho que não provêm de seu trabalho. As políticas de Estado deveriam se voltar para uma sociedade baseada no trabalho. Hoje, não há correspondência entre a riqueza de alguns e seu trabalho. Os Estados deveriam construir uma ordem econômica, política e social sustentada no trabalho. O lucro é o inimigo número um da sociedade e do meio ambiente, é veneno, e o ópio dos povos. A lógica do capital é o acúmulo e a lógica do trabalho é a subsistência, a manutenção da vida, que é mais funcional com a natureza.

* A autora é correspondente da IPS.

LINKS

Chile: Isabel Allende em polêmica campanha por florestas
http://www.tierramerica.net/2002/0728/noticias4.shtml

Os pecados da indústria do salmão
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=617

Blog de Marcel Claude
http://www.marcelclaude.blogspot.com/

Universidade do Chile
http://www.uchile.cl/

Universidade Diego Portales
http://www.udp.cl/

Universidade Arcis
http://www.uarcis.cl/

Crédito de imagem: Daniela Estrada/IPS
Legenda: Marcel Claude, economista e ativista ecológico.
**************************
FONTE : Daniela Estrada (Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde).

TEOLOGIA AMAZÔNICA


Com mais de seis milhões de quilometros quadrados (km2) - cada quilometro quadrado possui 100 hectares - a Amazônia, reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, tem tanta diversidade natural que está dividida em 23 eco-regiões. Cerca de 60% de toda essa diversidade fica em território brasileiro, dando vida a nove Estados do país.

Não é novidade nenhuma, porém, a relevância dos riscos que esse imenso ecossistema vem enfrentando por causa da ganância do homem. Mas como seu próprio nome indica, essa guerreira, como as amazonas da mitologia grega, está na vanguarda da nossa civilização.

“O que acontecer à Amazônia aponta para o que pode acontecer ao planeta”, afirma o doutor em Teologia Antonio Carlos Teles da Silva. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o estudioso da cultura e da religiosidade da Amazônia afirma que a região tem uma “importância simbólica crucial no atual momento, como símbolo do desafio ecológico”.

Teles, que irá participar dos debates do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, em Belém do Pará, nos próximos dias 21 a 25, é graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte e licenciado em História pelo Centro Universitário Metodista do Sul (IPA). É também mestre e doutor em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), de São Leopoldo, com pesquisas que abordam, respectivamente, “As origens do Movimento Ecumênico na Amazônia Paraense” e “O Ethos Cultural Amazônico em Dalcídio Jurandir”, em que aborda a obra do escritor marajoara como aporte para a construção de uma Teologia Amazônica.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quais são as principais questões, críticas e desafios que o debate ecológico apresenta à teologia?

Antonio Carlos Teles da Silva - Sem dúvida, o principal acento é de natureza ética, de responsabilidade amorosa para com a criação de Deus. De certa forma, o cristianismo justificou, historicamente, o antropocentrismo que está na raiz da atual crise ecológico-ambiental. Isso significa a necessidade de elaboração de uma nova antropologia, que tenha a competência reintegradora e que reaproxime amorosamente o ser humano e a natureza. É obvio que essa reconstrução contém uma inerente crítica aos padrões atuais de desenvolvimento e progresso, bem como ao estilo de vida das sociedades atuais, voltados para a competição e o consumo.

IHU On-Line - Que contribuições e críticas os recursos éticos e espirituais das tradições religiosas podem oferecer para contribuir com o debate sobre desenvolvimento e sustentabilidade e para o enfrentamento da crise ambiental atual?

Antonio Carlos Teles da Silva - Aqui, temos a necessidade de perceber a surpreendente convergência entre os novos rumos da ciência moderna e de algumas tradições espirituais milenares. Desde Einstein e a relatividade, as novas percepções sobre a natureza da realidade, possibilitadas pela física quântica, por exemplo, demonstram que a nova ciência se aproxima de tradições como o Taoísmo, das religiosidades andinas e, no caso específico, da religiosidade de culturas amazônicas originárias. Não há saída para a atual crise ecológica planetária sem uma profunda transformação cultural, que passe pela compreensão da integralidade da criação, que é uma percepção presente em muitas dessas tradições.

IHU On-Line - Como o imaginário de sobre o “futuro” que caracteriza a escatologia cristã se situa em relação às preocupação com o futuro próprias da ecologia atual? Em que ajuda? Em que atrapalha?

Antonio Carlos Teles da Silva - Existe uma escatologia elaborada nos centros hegemônicos que aponta para o abandono das preocupações históricas presentes em função de uma visão fatalista e muitas vezes catastrófica em relação ao futuro do planeta. Trata-se de um determinismo pré-milenista [1], que transfere todas as esperanças humanas para o âmbito da transcendentalidade. Sem dúvida, essa é uma visão condicionada ideologicamente que exerce uma função politicamente desmobilizadora. Há um texto bastante conhecido no Apocalipse, capítulo 21, dentre tantos outros, que apontam para outra forma de compreensão: o Reino de Deus se concretiza historicamente, dentro do mundo presente, através de novos céus e de uma nova terra, transformada e redimida pela boa vontade e pela harmonia entre os seres humanos. A obra redentora de Deus em Jesus Cristo concretiza o grande propósito divino de harmonia tanto dos seres humanos entre si, como entre os seres humanos e a natureza. O Reino de Deus se concretiza historicamente nesse convívio belo e benfazejo sobre esta terra. A esperança cristã é antes de tudo a realização desse propósito divino.

IHU On-Line - Quais podem ou devem ser os traços de uma teologia ou paradigma teológico que assume o compromisso com a causa ecológica?

Antonio Carlos Teles da Silva - O compromisso libertador ecológico da teologia deve partir da compreensão de que a miséria e a crise ecológica são faces de uma mesma realidade, e têm causas comuns, como a ambição e a sede ilimitada de poder e consumo. Dessa forma, a intuição básica da teologia da libertação de opção pelos mais fracos continua pertinente ante as agressões ao meio ambiente. São realidades indissociáveis, e, como enfatiza Leonardo Boff, numa situação de desastre ecológico, as primeiras vítimas são os mais pobres. Ao mesmo tempo, esse compromisso deve partir de uma compreensão adequada da realidade. Os novos paradigmas científicos referidos apontam para a necessidade de uma concepção integral da realidade, das múltiplas interconexões e da teia de relações que constitui a vida. É necessária a superação do paradigma científico da modernidade, não por ser errado, mas por ter se tornado obsoleto e não dar mais conta da complexidade que se apresenta. Superação do paradigma mecanicista cartesiano baseado em causa-efeito pelo paradigma holístico de múltiplas inter-relações. A teologia há de perceber a complexidade da realidade que, ao invés de estranha, é bela e convidativa. É necessário que a elaboração teológica se deixe enredar por aquilo que Fritjof Capra [2] chama de Teia da Vida. Assim, a teologia contribuirá na construção de uma nova cultura planetária, integrada e ecológica.

IHU On-Line - O senhor afirma que a Amazônia não pode mais ser uma “espécie de subtema da questão ecológica”. Como a teologia interpreta a importância dessa região?

Antonio Carlos Teles da Silva - A teologia ainda não consegue interpretar a importância da Amazônia. De forma geral, há uma enorme ignorância nacional sobre o que é a Amazônia e quem são os amazônidas. Na verdade o processo de destruição da região assenta-se nessa ignorância. A Amazônia adquiriu uma importância simbólica crucial no atual momento, como símbolo do desafio ecológico. De certa forma, penso que o que acontecer à Amazônia aponta para o que pode acontecer ao planeta. Isso tem sido percebido especialmente no exterior, e, infelizmente, no Brasil, ainda impera esse desconhecimento, ou, no mínimo, a não-consideração dessa importância. A concepção hegemônica sobre a Amazônia descreve um império do natural, do selvagem e do exótico, ao mesmo tempo em que invisibiliza o histórico, o humano e o cultural. Isso está no cerne da sequência de políticas oficiais equivocadas, implantadas sem consideração às peculiaridades regionais, como por exemplo as grandes migrações compulsórias sob o discurso do vazio demográfico, entre outras tantas. As representações construídas sobre a região, “pulmão do mundo”, “inferno verde” etc., também colaboram para a construção mítica em detrimento do real cotidiano das populações. Proponho uma releitura da Amazônia a partir de sua própria culturalidade, ou uma leitura do mundo a partir da cosmologia cabocla. Essa releitura, privilegiando a cosmovisão cabocla ribeirinha, é meu suporte para uma reflexão teológica sobre a Amazônia. Levo em conta que esse ethos cultural passa por uma violenta erosão, com evidente perda de capacidade de convívio harmonioso com o meio. Ao mesmo tempo, qualquer alternativa para a região passa, necessariamente, pela redescoberta dessa culturalidade herdada das antigas populações indígenas. Penso que, diante dessa realidade, a teologia tem uma enorme tarefa em repensar a região a partir de sua opção pelo invisibilizados, compreendendo essa culturalidade única como fundamental para o enfrentamento do desafio ecológico.

IHU On-Line - Qual é o papel das populações locais, dos governos e das igrejas para manter vivo esse ecossistema?

Antonio Carlos Teles da Silva - O movimento ecumênico na Amazônia tem uma história rica de defesa das causas da região. Nasceu no inicio da década de 1980, a partir das mobilizações populares contra a violência agrária no Araguaia e pela libertação dos padres franceses Aristides Camió e François Gouriou, presos injustamente com mais 13 posseiros, dando origem ao Movimento pela Libertação dos Presos do Araguaia (MLPA). O Ecumenismo na Amazônia tem compromissos de origem com a defesa da região, de seu povo e de sua cultura. Infelizmente, com raras e honrosas exceções, esse movimento tem sua articulação enfraquecida ultimamente, por conta principalmente da submissão de algumas igrejas à lógica do mercado religioso e à competitividade eclesiástica. Em muitos casos, os compromissos de luta e solidariedade têm sido substituídos pela prioridade ao crescimento institucional. Os compromissos assumidos com a unidade e com as lutas populares diluem-se em função de práticas religiosas de resultados imediatos. Isso é trágico. Na prática isso tem se constituído numa enorme perda na capacidade de mobilização e luta. Perde-se uma oportunidade histórica de mobilização da população local em defesa da Amazônia, desperdiçando a possibilidade do testemunho de uma espiritualidade envolvida na causa amazônica e ecológica junto tanto às populações locais, como junto aos governos.

IHU On-Line - Como a cultura amazônica pode nos ensinar a lidar com os símbolos e as realidades da água e da terra?

Antonio Carlos Teles da Silva - As culturas originárias amazônicas, herdadas das milenares culturas indígenas possuem uma tradição profunda e inerentemente ecológica. Fugindo aqui de qualquer idealização, é possível afirmar que, nessas culturas, água, terra, árvores, animais, enfim, todos os elementos que constituem a natureza são considerados como possuidores de consciência e vida. Todos são seres de relações, que geram uma cultura de comunhão e que se manifesta em intensas relações simbióticas de harmonia e complementariedade mútua. A modernidade chegou à Amazônia como crise, de forma distorcida e incompleta, baseada no pressuposto de oposição inerente entre cultura e natureza. A natureza-lar-aconchego passou a ser tratada como empecilho ao progresso e ao desenvolvimento. Essa concepção está explicita em muitas das primeiras visões sobre a Amazônia e nos escritos dos primeiros intérpretes da região, como grande exemplo, Euclides da Cunha. Essas concepções, baseada ainda no positivismo, se concretizam na região por meio das políticas de governo, especialmente no período militar. Os resultados são óbvios: a violenta erosão do ethos cultural originário pela imposição da mentalidade de competição e consumo. O caboclo amazônico tornou-se o principal poluidor de seu mundo. Isso é o pano de fundo da devastação que a região sofre.

IHU On-Line - Como se dá a mobilização social e ecumênica pela defesa da Amazônia e pelo compromisso com a realidade local?

Antonio Carlos Teles da Silva - Alguns pressupostos da Teologia da Libertação precisaram ser necessariamente revistos, o que gerou uma grande diversificação de temas e enfoques, com aprofundamento de temas específicos, trazendo à tona a questão ecológica como um dos temas mais urgentes e decisivos. Essa reciclagem mantém os pressupostos e intuições básicas fundamentais, como a opção pelo desfavorecidos e o compromisso com a dimensão humana acima da dimensão econômica, mantendo-se assim a postura crítica à estrutura de desigualdade e à economia de mercado. Como já foi dito, a questão dos pobres e a questão ecológica são indissociáveis. A Teologia libertadora-ecológica que se desenha parte do pressuposto elementar que, mantendo-se o atual nível de exploração e exaustão dos recursos naturais, o planeta chegará a um ponto irreversível, colocando em risco a própria existência da vida sobre sua face. Fica evidente a dimensão da urgência e a necessidade da teologia ultrapassar sua índole especulativa e tornar-se fator de mobilização. Penso que o Fórum realizado na Amazônia pode representar um marco decisivo, desde que não se repitam os erros cometidos sobre a região, de apenas se trazer respostas prontas, sem perceber e entender a região como ela é. Um exercício fundamental nesse momento crucial de reflexão será ouvi-la, perscrutar seu povo e sua cultura, e perceber, nessa cultura periférica e em franca erosão, pistas decisivas para uma teologia profundamente ecológica.

IHU On-Line - Quais são os principais desafios e possibilidades que a Teologia da Libertação enfrenta hoje, no que se refere à temática da ecologia?

Antonio Carlos Teles da Silva - Logicamente o próprio tema já indica o eixo principal de compromisso libertador-ecológico para outro mundo possível. Como já foi dito, ecologia e libertação são eixos indissociáveis. Penso que referências de uma cultura inerentemente ecológica podem ser encontradas na vivência dos próprios caboclos amazônicos. Minha preocupação principal é fazer uma releitura da Amazônia a partir de sua culturalidade como suporte para uma Teologia amazônica. Penso que mais do que teologia na Amazônia seja possível uma Teologia Amazônica, que considere, além da culturalidade, a cosmovisão e a índole cabocla, incluindo sua condição humana e existencial.

IHU On-Line - Pode esboçar alguns pontos principais que vão ser debatidos no Fórum, especialmente na conferência que o senhor vai apresentar?

Antonio Carlos Teles da Silva - Proponho algumas ênfases específicas, como a questão identitária, ante a rejeição da condição cabocla, consequência da invisibilização histórico-cultural. Faço essa leitura a partir da obra do escritor caboclo marajoara Dalcídio Jurandir, cujo ciclo enfoca essa condição de vida. Dalcidio Jurandir, embora possa ser incluído entre os melhores escritores da literatura nacional, sofre igualmente a mesma invisibilização, sendo praticamente um desconhecido do público leitor.

Outra ênfase que julgo fundamental é a importância da água como definidor de um determinado modo de vida e, consequentemente, da identidade cultural cabocla. A partir da relação peculiar das populações caboclas ribeirinhas do Marajó com a água, refletida nos seus modos de vida, na sua cosmologia e no seu ethos cultural, tão íntima e profundamente retratados por Dalcídio Jurandir, podemos intuir uma Teologia cujo nexo central de compreensão seja essa relação ontológica entre o ser humano e a natureza-água. Portanto, numa perspectiva libertadora-ecológica, uma possível Teologia das Águas Amazônicas deve pretender ir muito além de uma postura e de um apelo meramente preservacionista em relação à natureza. Mesmo não podendo prescindir dessa defesa ambiental, vislumbramos a possibilidade de um mergulho de alma e corpo inteiros nas implicações ontológicas dessa vivência simbiótica, abrindo outras possibilidades promissoras de uma Teologia de reencanto e reencontro entre o ser humano e a natureza. Dessa forma, a proposta de uma Teologia das Águas Amazônicas, de cunho inerentemente libertador e ecológico, deve ter como ênfases norteadoras, entre outras possíveis, alguns pressupostos essenciais:

Reconhecimento do lugar vital da água não apenas para a sobrevivência humana, mas também para seu auto-reconhecimento, enquanto parte de um projeto criador no qual há propósito e amor. Reconhecimento da culturalidade das águas como elemento decisivo para um convívio amigável e parceiro, numa nova dimensão na relação entre o ser humano e a natureza. Percepção da extraordinária capacidade de auto-regulação e auto-regeneração do mundo das águas amazônico, como sistema aberto a novas possibilidades de convívio simbiótico. Reconhecimento da convergência entre as percepções da nova ciência multidisciplinar holística, e o ethos cultural original amazônico, naquilo que possui de intimo entrelaçamento com a natureza-água, e o ser humano como partícipe dela, tendo-a como parte de si próprio.

Notas:

1. O pré-milenismo defende que a segunda vinda de Cristo se dará antes da inauguração do reino que durará mil anos (o milênio). Então, inaugura-se um novo milênio de paz, quando Ele estará na terra reinando. Os pré-milenistas ensinam que, na segunda vinda de Cristo, os santos que estiverem vivos e os que estiverem mortos receberão corpos glorificados e imortais. Eles encontrarão Cristo nos ares e retornarão para governar com ele a terra por mil anos. Esse período anos será de paz e justiça mundial. No final desses mil anos, Satanás será solto de sua prisão e reunirá um exército de incrédulos. Haverá um período de perturbação, com uma grande batalha (a do Armagedon). Cristo, então, ressuscitará todos os incrédulos que tiverem morrido ao longo da história, e estes comparecerão diante dele para o julgamento final. [voltar ao texto]

2. Fritjof Capra nasceu em 1939 e é um físico austríaco, cientista, ambientalista, educador e ativista. Ganhou fama internacional após lançar “O tao da física” (Cultrix, 2000), no qual discorre sobre os paralelos entre a física quântica e o misticismo oriental. Também é de sua autoria “O ponto de mutação” (Cultrix, 1982), que já está em sua 25º edição, em que explora as mudanças no paradigma social que acompanham as descobertas científicas. Atualmente, vive em Berkeley, na Califórnia. Fundou o Center for Ecoliteracy, uma instituição que forma profissionais para ensinar ecologia nas escolas. É professor do Schumacher College, um centro de estudos ecológicos na Inglaterra. Em português, foram publicados, entre outros, os livros: “A teia da vida” (Cultrix, 1997), “Alfaetização ecológica” (Cultrix, 2003) e “A ciência de Leonardo Da Vinci” (Cultrix, 2008).
*************************************
FONTE : Redação do IHU - Unisinos
Crédito da imagem: Amazonia - Berenice Barreto Fernandes(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

REVISTA "TERRA DA GENTE" : 5 anos !


Edição foca a biodiversidade brasileira e lembra que pelo menos 150 espécies nativas de flora e fauna já foram destaque na revista. A reportagem de capa mostra como a desinformação ajuda a roubar de nossos ecossistemas 38 milhões de animais por ano.

Cinco anos de vida, 61 edições com uma verdadeira coleção sobre as características e o estado de conservação de pelo menos 150 espécies da flora e fauna brasileiras. Eis um pequeno balanço da revista Terra da Gente desde seu primeiro número, em 2004. Nascida de um programa homônimo de televisão que surgiu há 12 anos e faz sucesso no Brasil e no Exterior pela Globo Internacional, a revista comemora também sua condição de referência para o ensino de ciências, biodiversidade e meio ambiente nas boas escolas brasileiras – do Ensino Fundamental a Universidade −, e a marca de 25 mil exemplares/mês. O aniversário ensejou a produção de uma edição duplamente especial, já que no próximo dia 22 comemora-se o Dia Mundial da Biodiversidade.

Na capa, Terra da Gente traz o papagaio de cara roxa, espécie que é alvo comum da ação de traficantes de animais. A matéria Não compre, da repórter Maura Campanili (página 38), salienta que só uma mudança radical de atitude por parte da população pode acabar com o tráfico de animais silvestres. Com base em números da ONG Renctas – Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres −, a revista enfatiza que esse comércio movimenta cerca de US$ 20 bilhões anuais e faz com que 38 milhões de animais silvestres sejam roubados, a cada ano, dos ecossistemas brasileiros.

Logo depois, na página 49, o repórter Marcos Correia conta como é difícil o caminho de volta dos animais à natureza, quando recuperados pelas autoridades em ações de combate ao tráfico. A reportagem é ilustrada pela impressionante imagem de uma arara-canindé com a cabeça pelada − resultado de estresse causado pelo cativeiro − e alerta para a crueldade da violência cometida contra espécies silvestres. Ouvida pela revista, a ONG Bichos da Mata diz que só consegue recuperar em torno de 60% dos animais que recebe. A entidade presidida pelo ambientalista Valdomiro Livenko cuida atualmente de mais de 700 aves.

A editora executiva Liana John assina a matéria de 12 páginas Mais e Melhores da Biodiversidade Nativa, centrada na fauna. “Não temos os maiores animais do mundo, mas aqui é a casa de algumas das espécies mais habilidosas, mais eficientes, mais interessantes e mais simpáticas do Planeta”, resume a jornalista. Quer saber quais são? Leia Terra da Gente 61 e delicie-se com a preguiça-de-coleira, a capivara, a onça-parda, pererecas, lagartos, o misterioso olingo e muito mais.

O diretor editorial, Ciro Porto, escolheu para a seção Observador (página 36) o perfil do mais veloz pássaro do mundo: o falcão-peregrino, capaz de atingir velocidades de até 320 quilômetros por hora!

E você já ouviu falar de Margaret Mee? Pois confira na edição de maio de Terra da Gente por que o Brasil tem centenas de motivos para comemorar o centenário de nascimento dessa artista britânica, que morreu em 1988 e foi uma persistente defensora da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. Suas ilustrações botânicas tornaram a flora brasileira conhecida no Exterior e ainda hoje inspiram artistas brasileiros a trilhar o mesmo caminho. Os 100 anos de Margaret Mee estão na página 56, no texto assinado pelo editor Luiz Figueiredo.

Na página 65, Fernando Kassab brinda o leitor com uma receita exclusiva do famoso doce ‘bem-casados’, que ele chamou de ‘bem-casados Terra da Gente’ por uma razão especial: sua receita tem como principal ingrediente a baga ou vagem de baunilha, um fruto encontrado nas orquídeas de caule longo e flores claras do gênero Vanilla.

Mudando de doce para peixe, a editora Maraísa Ribeiro traça um perfil do dourado na reportagem Sua Majestade, o Dourado (página 68). Ela retrata o maior predador de escamas da Bacia do Prata, que é também um dos maiores migradores. E revela ainda que, hoje, os maiores exemplares desse peixe se concentram na fronteira da Argentina com o Paraguai.
***************************************
FONTE : http://www.terradagente.com.br

CAMADA DE OZÔNIO E HCFC


O governo federal lançou nesta terça-feira (05/05) as bases do Programa Brasileiro de Eliminação de HCFC (PBH) idealizado para banir o gás - usado como fluido refrigerante em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado - que destrói a camada de ozônio e possui potencial de aquecimento global. O PBH será desenvolvido pelo Comitê Executivo Interministerial para a Proteção da Camada de Ozônio (Prozon), composto por sete ministérios e coordenado pelo MMA, em parceria com as agências de cooperação técnica GTZ e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e deverá estar concluído em novembro de 2010.

O programa ajudará o Brasil a cumprir os prazos acordados entre as partes do Protocolo de Montreal, que estabelece a redução gradativa do uso e consumo do HCFC em países em desenvolvimento, até a eliminação total em 2040. A primeira etapa define o congelamento dos níveis de consumo em 2013 e a diminuição de 10% do uso do gás em 2015, com base na média de 2009/2010.

Nesta terça-feira (5), o Ministério do Meio Ambiente realizou o seminário "Governo e Sociedade a Caminho da Eliminação dos HCFC", em Brasília, iniciando o debate em torno das propostas para a criação do PBH. A coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do MMA, Magna Luduvice, disse que o Brasil tem total condição de atingir as metas de redução do HCFC. Ela também ressaltou o investimento de US$ 400 mil do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal para a elaboração dos programa.

O PBH será desenvolvido pelo Comitê Executivo Interministerial para a Proteção da Camada de Ozônio (Prozon), composto por sete ministérios e coordenado pelo MMA, em parceria com as agências de cooperação técnica GTZ e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e deverá ser concluído em novembro de 2010. O governo considera fundamental a participação de todos os setores envolvidos.

Para este trabalho serão levadas em consideração particularidades de cada setor produtivo que utiliza o HCFC. Assim, serão desenvolvidos planos setoriais para quatro áreas: refrigeradores, ar- condicionado, espumas e solventes. Os planos serão integrados ao PBH. Técnicos visitarão empresas para mapear o consumo do HCFC no Brasil e gerar um banco de dados que facilitarão na busca de alternativas. A analista ambiental do MMA Tatiana Zanette disse que o governo já está tomando medidas, como a portaria do Ibama que estabelece limites para importações anuais de HCFC.

Para ajudar no desenvolvimento do programa, serão realizados três seminários, em diferentes regiões do país, para debater a questão local do consumo e manutenção de equipamentos com HCFC. O programa será avaliado por técnicos estrangeiros, que analisarão seu potencial de execução. Em seguida, o plano será disponibilizado para consulta pública.

Umas das idéias apresentadas no seminário é adotar modelos de países desenvolvidos, que já em 2010 deverão ter reduzido em 75% o consumo de HCFC. Um dos focos do trabalho é a capacitação de prestadores de serviços de manutenção de equipamentos com o gás e no certificado de boas práticas. Segundo a representante da GTZ, Flávia Franca, o setor de serviço é responsável por 53% do gás liberado na atmosfera.
*************************************
FONTE : Carlos Américo, do MMA

terça-feira, 5 de maio de 2009

É preciso construir o futuro, não sustentar o passado

Para o Greenpeace, líderes mundiais precisam adotar medidas sustentáveis para salvar a economia e o planeta “ao-mesmo-tempo-agora”.

Os líderes dos G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo, se reúnem em Londres amanhã para discutir a crise financeira global. No entanto, esta não é a única – e nem a mais importante – crise a assombrar o planeta. Só que, pior do que não falar, é não fazer nada para combater as mudanças climáticas. “O G20 têm uma oportunidade única de resolver a crise econômica e a crise climática simultaneamente: basta investir na construção de uma economia sem carbono”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, no Rio de Janeiro

Trinta ativistas abriram hoje uma faixa de 50m x 30m no vão principal da ponte Rio-Niterói para enviar uma mensagem clara ao G20: “Líderes mundiais: o clima e as pessoas em primeiro lugar”.

Para o Greenpeace, as nações do G20 devem comprometer pelo menos 1% de seu PIB em medidas econômicas sustentáveis, além de abandonarem os subsídios e outros incentivos econômicos que contribuem com as mudanças climáticas. Os demais países devem fazer tudo o que tiver ao seu alcance para sair do modelo de desenvolvimento baseado em carbono por um futuro de energias renováveis. Além de reduzir emissões, tais iniciativas vão fortalecer os esforços em direção a um acordo global forte e efetivo na Convenção de Clima que acontece em Copenhague, em dezembro.
O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa principalmente por causa do desmatamento na Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 70 milhões de hectares de floresta amazônica já desmatados na Amazônia Brasileira, cerca de 29 milhões de hectares foram destruídos depois da criação da Convenção de Clima da ONU em 1992, liberando 8 Giga tons de CO2 na atmosfera no período (1992-2009). Isso é mais do que as emissões anuais dos Estados Unidos em 2000 (6,6 Gt) e da China (5,1 Gt) e quase quatro vezes mais que o total emitido pelo Brasil (2,2 Gt) naquele ano.

“Zerar o desmatamento da Amazônia é a maior contribuição que o Brasil pode fazer na luta contra as mudanças climáticas. O Brasil deve ainda assumir a liderança apoiando o estabelecimento de um mecanismo financeiro global para acabar com o desmatamento e, consequentemente, com as emissões provenientes da destruição florestal”, disse Adario.

A ciência tem apresentado evidências claras de que as mudanças climáticas estão acontecendo em um ritmo muito mais acelerado do que se esperava e que há uma forte relação entre a sobrevivência econômica e climática do planeta. Estima-se que uma crise climática a todo o vapor resultaria no deslocamento de milhões de pessoas, ondas de fome, extinções em massa, com pobreza permanente em países em desenvolvimento e estrangulamento do crescimento econômico nos países desenvolvidos.

Os países do G20 representam 75% PIB global, 75% do consumo de energia e 75% das emissões de carbono. Mas, até agora eles parecem não entender que a contínua prosperidade de seus países não é conflitante com a preservação do meio ambiente, mas dependente dela. No longo prazo, a escolha que teremos de fazer não será entre empregos verdes e trabalho sujo, e sim entre empregos sustentáveis versus o colapso ecológico e social. “Até que as mudanças climáticas sejam a prioridade das comunicações do G20 e estejam no centro do seu raciocínio, o grupo não será apenas ignorante do ponto de vista científico, mas também do ponto de vista econômico”, disse John Sauven, diretor-executivo do Greenpeace na Inglaterra.
Veja o vídeo: