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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Incêndio no Parque Delta do Jacuí se espalha, mas casas estão a salvo
Bombeiros de Porto Alegre, Guaíba e voluntários de Eldorado do Sul seguiam combatendo um incêndio de grandes proporções no Parque Estadual do Delta do Jacuí, na noite desta terça-feira. Apesar das chamas não estarem controladas, o tenente Lauro Henkes relatou que não há risco para residências das vilas Cidade Verde e da Paz, que ficam nas proximidades da área atingida.
"A situação está relativamente tranquila, pois o vento está nos ajudando, soprando em direção ao rio", informou o bombeiro. "É o sentido contrário às residências o que ajuda a diminuir o risco de fogo nas casas", explicou.
Equipes trabalham desde o meio da tarde de segunda-feira no controle do incêndio. O fogo começou na faixa de domínio da Concepa, às margens da BR 290, no km 106, em Eldorado do Sul, e se alastrou por cerca de dois hectares. A área total do Parque é de 23 mil hectares.
Henkes afirmou que não é possível enfrentar o fogo no meio da área de banhado entre a vegetação. "Não tem como entrar. Precisamos esperar as chamas se aproximarem e, então, fazer o controle", detalhou o tenente.
Duas viaturas e dez homens, de Guaíba e Porto Alegre, trabalham no incêndio. Eles também recebem auxílio dos bombeiros voluntários de Eldorado do Sul. A chefe da Divisão de unidades de Conservação da Secretaira do Meio Ambiente do Estado (Sema), Vânia Mara Ângelo da Costa, informou que a secretária do Meio Ambiente, Jussara Cony, solicitou à Secretaria da Segurança Pública um helicóptero da Brigada Militar para ajudar no combate ao incêndio.
Incêndio no Delta do Jacuí não oferece risco imediato para residências | Foto: Fernando Mainar / Especial CP
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FONTE : Correio do Povo, 3/janeiro/2012.
"A situação está relativamente tranquila, pois o vento está nos ajudando, soprando em direção ao rio", informou o bombeiro. "É o sentido contrário às residências o que ajuda a diminuir o risco de fogo nas casas", explicou.
Equipes trabalham desde o meio da tarde de segunda-feira no controle do incêndio. O fogo começou na faixa de domínio da Concepa, às margens da BR 290, no km 106, em Eldorado do Sul, e se alastrou por cerca de dois hectares. A área total do Parque é de 23 mil hectares.
Henkes afirmou que não é possível enfrentar o fogo no meio da área de banhado entre a vegetação. "Não tem como entrar. Precisamos esperar as chamas se aproximarem e, então, fazer o controle", detalhou o tenente.
Duas viaturas e dez homens, de Guaíba e Porto Alegre, trabalham no incêndio. Eles também recebem auxílio dos bombeiros voluntários de Eldorado do Sul. A chefe da Divisão de unidades de Conservação da Secretaira do Meio Ambiente do Estado (Sema), Vânia Mara Ângelo da Costa, informou que a secretária do Meio Ambiente, Jussara Cony, solicitou à Secretaria da Segurança Pública um helicóptero da Brigada Militar para ajudar no combate ao incêndio.
Incêndio no Delta do Jacuí não oferece risco imediato para residências | Foto: Fernando Mainar / Especial CP
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FONTE : Correio do Povo, 3/janeiro/2012.
ONU diz que temperatura mais quente do oceano pode diminuir produção de peixes
Em 24 anos, temperatura de ambientes marinhos subiu cerca 1,5 ºC. Regiões pobres do planeta podem ser as mais prejudicadas pelo aquecimento.
Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) afirma que o aquecimento das águas superficiais dos oceanos limita o movimento dos nutrientes e pode resultar em diminuição da produção de peixes, o que afetaria o cotidiano da população. Matéria do Globo Natureza, em São Paulo, no G1.
Segundo as projeções apontadas no documento, a limitação do movimento ascendente dos nutrientes das águas mais profundas e frias (fenômeno conhecido como ressurgência) afetaria os grandes ecossistemas marinhos de países em desenvolvimento situados em áreas mais quentes na Ásia, África e América Latina, regiões que são dependentes dos recursos costeiros para segurança alimentar.
Foram analisadas 64 áreas classificadas como grandes ecossistemas marinhos (que incluem bacias hidrográficas e estuários) e verificou-se que entre 1982 e 2006, houve elevação da temperatura em 61 zonas (sendo que três delas estão no Brasil).
Além disso, em cerca de um terço dessas áreas a temperatura tem se elevado até quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento global relatadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
Consequências
Uma das regiões onde foi constatada elevação rápida da temperatura é a do Mar Báltico, no nordeste da Europa e que banha nove países. Segundo o órgão da ONU, em 24 anos a temperatura na superfície do oceano se elevou em 1,35 ºC.
O documento aponta que o degelo nas regiões próximas ao Ártico poderia amornar a água e elevar a quantidade de pesca nesta região (que inclui também o Mar da Noruega), porém, o tamanho dos peixes diminuiria.
Este efeito sobre a população reprodutora, de acordo com o Pnud, pode resultar no colapso de outras espécies de peixes. O relatório recomenda neste caso providências para estabelecer níveis de captura sustentáveis para a pesca em latitudes mais quentes.
Outro ponto abordado pelo estudo é a inclusão de medidas para sustentar a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, principalmente os sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluentes no oceano.
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FONTE : EcoDebate, 04/01/2012
Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) afirma que o aquecimento das águas superficiais dos oceanos limita o movimento dos nutrientes e pode resultar em diminuição da produção de peixes, o que afetaria o cotidiano da população. Matéria do Globo Natureza, em São Paulo, no G1.
Segundo as projeções apontadas no documento, a limitação do movimento ascendente dos nutrientes das águas mais profundas e frias (fenômeno conhecido como ressurgência) afetaria os grandes ecossistemas marinhos de países em desenvolvimento situados em áreas mais quentes na Ásia, África e América Latina, regiões que são dependentes dos recursos costeiros para segurança alimentar.
Foram analisadas 64 áreas classificadas como grandes ecossistemas marinhos (que incluem bacias hidrográficas e estuários) e verificou-se que entre 1982 e 2006, houve elevação da temperatura em 61 zonas (sendo que três delas estão no Brasil).
Além disso, em cerca de um terço dessas áreas a temperatura tem se elevado até quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento global relatadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
Consequências
Uma das regiões onde foi constatada elevação rápida da temperatura é a do Mar Báltico, no nordeste da Europa e que banha nove países. Segundo o órgão da ONU, em 24 anos a temperatura na superfície do oceano se elevou em 1,35 ºC.
O documento aponta que o degelo nas regiões próximas ao Ártico poderia amornar a água e elevar a quantidade de pesca nesta região (que inclui também o Mar da Noruega), porém, o tamanho dos peixes diminuiria.
Este efeito sobre a população reprodutora, de acordo com o Pnud, pode resultar no colapso de outras espécies de peixes. O relatório recomenda neste caso providências para estabelecer níveis de captura sustentáveis para a pesca em latitudes mais quentes.
Outro ponto abordado pelo estudo é a inclusão de medidas para sustentar a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, principalmente os sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluentes no oceano.
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FONTE : EcoDebate, 04/01/2012
ONU: 2012 será o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos
Objetivo é aumentar conscientização sobre eficiência energética e acesso sustentável aos recursos da área; em junho próximo, líderes internacionais se reunirão no Rio de Janeiro para Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável.
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2012, o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos.
O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para a importância de se aumentar o acesso à energia renovável em todas as partes do mundo.
Fontes Modernas
Segundo as Nações Unidas, cerca de 1,4 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a fontes modernas de energia.
E 3 bilhões dependem de recursos da “biomassa tradicional” como o carvão para atividades diárias como aquecimento e cozimento de alimentos.
Os serviços de energia têm um efeito profundo na produtividade, na saúde e na educação, além da segurança alimentar e serviços de comunicação.
De acordo com especialistas, a falta de acesso à energia limpa e barata impede o desenvolvimento sócio-econômico e humano de comunidades inteiras.
O acesso à energia sustentável é também uma das ferramentas para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
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Fonte: Rádio ONU
EcoDebate, 04/01/2012
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2012, o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos.
O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para a importância de se aumentar o acesso à energia renovável em todas as partes do mundo.
Fontes Modernas
Segundo as Nações Unidas, cerca de 1,4 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a fontes modernas de energia.
E 3 bilhões dependem de recursos da “biomassa tradicional” como o carvão para atividades diárias como aquecimento e cozimento de alimentos.
Os serviços de energia têm um efeito profundo na produtividade, na saúde e na educação, além da segurança alimentar e serviços de comunicação.
De acordo com especialistas, a falta de acesso à energia limpa e barata impede o desenvolvimento sócio-econômico e humano de comunidades inteiras.
O acesso à energia sustentável é também uma das ferramentas para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
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Fonte: Rádio ONU
EcoDebate, 04/01/2012
Nogueira Neto, decano dos ecólogos, teme pelo futuro da Serra do Mar
Bastaram vinte minutos de conversa para Paulo Nogueira Neto demonstrar lucidez e modéstia. Um andar calmo, porém dificultado pelos 89 anos de idade, deixa ainda evidente o perfil de um ambientalista de discurso bastante moderado. Não é por menos: em plena ditadura militar – governo que incentivou fortemente a agricultura e indústria – ele conseguiu criar as bases para o que se pode chamar de uma política nacional de defesa do meio ambiente.Em 1973 – então naturalista e barachel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) – Nogueira Neto foi convidado pelo governo militar de Ernesto Geisel para criar e dirigir, em Brasília, a Secretaria Especial do Meio Ambiente, hoje embrião do Ministério de Meio Ambiente. Por lá ficou 12 anos. “Os ministros hoje me consideram ministro honoris causa porque nas fotografias na parede do ministério a minha aparece em primeiro. Mas na realidade eu nunca fui ministro”, supõe.
Em uma época em que pessoas preocupadas com o meio ambiente “enchiam uma Kombi”, como brinca, ele conseguiu criar quase 5 milhões de hectares de reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental. Também ajudou a formar o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e foi responsável pela elaboração das primeiras legislações ambientais do país: as Leis 6.902 e 6.938, de 1981. “Nós conseguimos elaborar a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que está em vigor até hoje. Fizemos com que ela fosse unanimemente aprovada pelo governo e oposição. Inclusive, tem até um detalhe curioso: a minha mulher era uma das maiores amigas da esposa do Ulysses Guimarães, que era um dos líderes da oposição. Por isso eu frequentava a casa do líder da oposição, mesmo sendo do governo. E essa lei foi feita com a colaboração de governo e oposição – coisa rara naquele período”, orgulha-se.
Nogueira Neto esteve na Unicamp na tarde de segunda-feira (19), a convite do Programa de Pós-Graduação em Ecologia do Instituto de Biologia (IB). Ele participou da banca examinadora do doutorando Carlos Barros de Araújo, que pesquisou os psitacídeos do cerrado. “Os psitacídeos são os papagaios, araras e periquitos. A livre-docência do doutor Paulo Nogueira foi sobre psitacídeos. Historicamente no Brasil há muito pouca gente trabalhando com esses bichos”, justificou Carlos de Araújo, que já foi aluno do ornitólogo Jacques Vielliard, falecido no final de 2009. O trabalho foi orientado e co-orientado, respectivamente, pelos professores Luiz Octavio Marcondes Machado e Gabriel Correia Costa. Também participaram da banca, os docentes Wesley Rodrigues Silva, José Augusto Mannis e Carlos da Cruz Bianchi.
Na entrevista, concedida minutos antes da defesa da tese, Nogueira Neto falou sobre os desafios do período em que esteve à frente do principal órgão ambiental do país. Também tratou de questões atuais, como as propostas de mudanças no Código Florestal, a instalação da Usina de Belo Monte e a Conferência do Clima em Durban, na África do Sul. Defendeu uma compensação ambiental para o carbono gerado pela exploração do pré-sal. E ainda alertou para o fato de que a Serra do Mar poderá se tornar “uma grande ocupação porque o pré-sal está em frente”. A população que vai trabalhar na extração do pré-sal poderá morar junto à Serra do Mar numa espécie de invasão a um dos maiores patrimônios do país. “Ou nos organizamos ou então as pessoas vão invadir a Serra do Mar”, prevê.
Ainda ativo, toda semana ele vai a Brasília cuidar dos assuntos ambientais, garante. Membro do Conama, presidente emérito da W.W.F Brasil, Nogueira Neto continua fazendo palestras e escrevendo artigos sobre meio ambiente e a criação de abelhas indígenas sem ferrão, uma paixão que mantém por toda a vida.
Portal Unicamp – A sua trajetória é marcada desde a década de 50 pela defesa das questões ambientais. Como avalia, de lá pra cá, esse movimento em defesa do meio ambiente?
Paulo Nogueira Neto - A avaliação pode ser marcada pelo seguinte fato: quando me convidaram para ser secretário de meio ambiente, para cuidar do meio ambiente do Brasil todo, eles me deram três salas e cinco funcionários. Isso foi em 1973. As pessoas preocupadas com o meio ambiente cabiam em uma Kombi. Era um pequeno grupo no Rio de Janeiro… No Nordeste as pessoas cabiam em meia Kombi (risos), no Sul tinha mais gente, já eram necessárias, talvez, duas kombis… Enfim era nada.
A minha entrada para a política de meio ambiente aconteceu de maneira muito curiosa: pediram para eu fazer uma crítica ao decreto que tinha saído criando a Sema – Secretaria Especial de Meio Ambiente. E eu lasquei o decreto, critiquei muito, disse que era muito fraco… Quando eu acabei de criticar o decreto me perguntaram se eu concordaria em ser o secretário. Aí eu disse pra eles (risos): se minha mulher concordar, eu aceito. Porque minha mulher tinha uma vida familiar muito intensa. Para mudar para Brasília seria um sacrifício muito grande pra ela. Mas ela concordou e nós fomos para lá. E eu fiquei em Brasília pelo curto prazo de 14 anos, 12 anos e meio na área federal e um ano e meio criando a organização ambiental do Distrito Federal, a Sematec – Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia. Então, eu vi nascer esse movimento todo, que hoje é o Ministério. Inclusive, os ministros hoje me consideram ministro honoris causa porque nas fotografias na parede do ministério a minha aparece em primeiro. Mas na realidade eu nunca fui ministro.
Agora, a avaliação atual que podemos fazer é utilizando o exemplo da última eleição para presidente, pelo voto do povo. A Marina Silva, em uma semana de campanha ambiental intensa, praticamente dobrou os votos e teve cerca de 19 milhões de votos. Isso mostra que o meio ambiente mexe com todo mundo, que a população está de acordo e que tem uma repercussão muito ampla. A própria Dilma sempre deu importância ao tema, eu mesmo já conversei algumas vezes com ela.
No momento, o meio ambiente está servindo para criar uma nova ideologia: ideologia política, no sentido de governo, de governança. Não é no sentido de partido político. Por uma boa qualidade de vida, as pessoas não podem dispensar os brados ambientais, juntamente com educação de um lado e saúde do outro. São coisas básicas para o bem-estar da população. Eu até digo: essa nova ideologia foi criada há dois mil anos, quando Cristo instituiu o mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo.
Portal Unicamp - O senhor acha que a situação mundial é crítica em relação às questões ambientais, principalmente com o aquecimento global?
Paulo Nogueira Neto – Ou o mundo toma medidas fortes para combater o aquecimento climático ou nós vamos ter um aumento da temperatura média superior a dois graus. E isso vai ser um desastre completo. No Brasil, o aquecimento climático já é um grande desastre que passa despercebido por muita gente. Por exemplo: no estado do Rio de Janeiro, no ano passado, na época de chuva, morreram duas mil pessoas. Duas mil pessoas é o número de mortos que teve a revolução constitucionalista de 1932, em São Paulo. Não é pouca coisa. Temos que tomar medidas sérias para dar condições de habitação e também para melhorar o nível de vida de toda a população.
Portal Unicamp – O senhor concorda que os recentes vazamentos de petróleo na costa brasileira evidenciam a questão da fiscalização como um dos grandes problemas ao meio ambiente do Brasil?
Paulo Nogueira Neto – Eu concordo que os desastres no Caribe e esse mais recente aqui no país mostram que cuidados especiais precisam ser tomados. Quem vai buscar petróleo a sete ou oito quilômetros de profundidade tem que tomar todos os cuidados porque os perigos e riscos são muitos.
E aqui no Estado de São Paulo eu digo mais: numa certa ocasião eu tive a oportunidade de dizer isso para o governador, quando ele me concedeu um prêmio de meio ambiente no mês passado. Eu disse: ‘olhe, nós aqui temos que evitar que a Serra do Mar se torne uma grande ocupação porque o pré-sal está em frente. E a população que vai trabalhar na extração do pré-sal poderá morar junto a Serra do Mar’. Ou nós organizamos ou então as pessoas vão invadir a Serra do Mar… Numa noite o sujeito faz um rancho… Aqui já houve isso na Via Anchieta. Temos que imediatamente tomarmos medidas para que a exploração do pré-sal seja feita com todo cuidado.
É preciso levar em conta o carbono que o pré-sal vai trazer para a superfície. Isso precisa ser combatido e só se faz somente de um jeito: protegendo as florestas existentes e plantando mais florestas. O dinheiro do pré-sal deve ser usado para compensar a emissão deste carbono.
Portal Unicamp – O senhor tocou na questão da ocupação, um dos pontos discutidos pelo Código Florestal. Qual sua opinião sobre as propostas de mudanças?
Paulo Nogueira Neto – As propostas de mudança do Código desagradaram a todos os ambientalistas, embora achássemos que ele poderia ser modificado para melhor. Mas o Senado melhorou, saiu do Senado bem melhor do que entrou. Vamos ver se a Câmara vai aprovar ou não. Agora, os ambientalistas de um modo geral não estão satisfeitos porque muita coisa poderia ser melhorada. E os ruralistas também não estão satisfeitos porque eles gostariam de aumentar ainda mais suas plantações. Eu também acho que podem aumentar a plantação, desde que isso seja feito respeitando o meio ambiente, dentro do que seja admissível. Temos esperança de que a nova legislação vai contribuir de certo modo para que o meio ambiente seja respeitado, principalmente face ao aquecimento climático.
Portal Unicamp – Outra polêmica é a implantação da Usina de Belo Monte. Como avalia o debate sobre este tema no país?
Paulo Nogueira Neto – A Usina de Belo Monte recebeu tantos estudos contrários que por medida de prudência deveríamos substituir Belo Monte por outras formas de energia. A minha esperança pelas experiências que vem sendo feitas em vários países – inclusive a USP tem um núcleo trabalhando nisso – é a fusão nuclear, que é a energia que provém do sol. A fusão é muito pouco poluente e produziria eletricidade em grande quantidade a partir do teste com dois isótopos de hidrogênio. Teríamos que ter uma discussão sobre isso a longo prazo, para os próximos 20 anos.
Portal Unicamp – O senhor acompanhou as discussões sobre a Conferência do Clima em Durban?
Paulo Nogueira Neto – Estou acompanhado de longe… Na reunião anterior, há muitos anos, eu estive lá. Esta última conferência teve um resultado muito bom: China e EUA concordam que não basta o falatório, que é preciso agir. Só isso já valeu a reunião, embora não tenha sido o ideal, porque não houve assinatura do projeto detalhado. Mas já foi dito que estes países estarão de acordo em colaborar para as medidas necessárias para evitar que mais carbono seja jogado na atmosfera.
Portal Unicamp – Como acadêmico e cientista, gostaria que analisasse o papel das universidades e a da própria ciência para as questões relacionadas à preservação ambiental?
Paulo Nogueira Neto – É fundamental e básico. Tudo que se possa fazer e que tenha um grande impacto na humanidade tem que ser feito de uma maneira cientificamente aceitável. E a base é a universidade. O papel da universidade sempre foi e sempre será absolutamente essencial. E inclusive a minha vida foi toda essa: junto com a universidade, dentro da universidade e com apoio da universidade é que eu pude fazer alguma coisa em favor do meio ambiente pelo país. E continuo fazendo porque ainda sou membro do Conselho Federal de Meio Ambiente. Toda semana eu passo em Brasília para cuidar dos assuntos ambientais.
Portal Unicamp – O senhor é autor, entre outros, de o Diário de Paulo Nogueira-Neto – Uma trajetória ambientalista. Neste seu diário, a sua trajetória profissional é relatada em detalhes. Que fato de sua vida profissional em defesa do meio ambiente lhe marcou e que é relatada em seu livro?
São muitas estórias. Mas tem uma que foi decisiva para o meio ambiente e que é pouco conhecida. Nós conseguimos elaborar a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que está em vigor até hoje. Conseguimos fazer com que ela fosse unanimemente aprovada pelo governo e pela oposição. Inclusive, tem até um detalhe curioso: a minha mulher era uma das maiores amigas da esposa do Ulysses Guimarães, que era um dos líderes da oposição. Por isso eu frequentava a casa do líder da oposição, mesmo sendo do governo. E essa lei foi feita com a colaboração de governo e oposição – coisa rara naquele período. E saiu a Lei e uma parte da indústria pediu ao Figueiredo que vetasse 13 artigos – a Lei tinha 26. Aí eu escrevi para o Figueiredo: ‘ou nós aprovamos esta Lei de verdade ou não poderemos ter um bom meio ambiente’. E entre a minha opinião e a opinião da indústria, ele seguiu exatamente a minha opinião. Então foi a nossa primeira grande vitória.
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FONTE : Entrevista socializada pelo Portal Unicamp e publicada pelo EcoDebate, 04/01/2012
[ O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
Em uma época em que pessoas preocupadas com o meio ambiente “enchiam uma Kombi”, como brinca, ele conseguiu criar quase 5 milhões de hectares de reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental. Também ajudou a formar o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e foi responsável pela elaboração das primeiras legislações ambientais do país: as Leis 6.902 e 6.938, de 1981. “Nós conseguimos elaborar a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que está em vigor até hoje. Fizemos com que ela fosse unanimemente aprovada pelo governo e oposição. Inclusive, tem até um detalhe curioso: a minha mulher era uma das maiores amigas da esposa do Ulysses Guimarães, que era um dos líderes da oposição. Por isso eu frequentava a casa do líder da oposição, mesmo sendo do governo. E essa lei foi feita com a colaboração de governo e oposição – coisa rara naquele período”, orgulha-se.
Nogueira Neto esteve na Unicamp na tarde de segunda-feira (19), a convite do Programa de Pós-Graduação em Ecologia do Instituto de Biologia (IB). Ele participou da banca examinadora do doutorando Carlos Barros de Araújo, que pesquisou os psitacídeos do cerrado. “Os psitacídeos são os papagaios, araras e periquitos. A livre-docência do doutor Paulo Nogueira foi sobre psitacídeos. Historicamente no Brasil há muito pouca gente trabalhando com esses bichos”, justificou Carlos de Araújo, que já foi aluno do ornitólogo Jacques Vielliard, falecido no final de 2009. O trabalho foi orientado e co-orientado, respectivamente, pelos professores Luiz Octavio Marcondes Machado e Gabriel Correia Costa. Também participaram da banca, os docentes Wesley Rodrigues Silva, José Augusto Mannis e Carlos da Cruz Bianchi.
Na entrevista, concedida minutos antes da defesa da tese, Nogueira Neto falou sobre os desafios do período em que esteve à frente do principal órgão ambiental do país. Também tratou de questões atuais, como as propostas de mudanças no Código Florestal, a instalação da Usina de Belo Monte e a Conferência do Clima em Durban, na África do Sul. Defendeu uma compensação ambiental para o carbono gerado pela exploração do pré-sal. E ainda alertou para o fato de que a Serra do Mar poderá se tornar “uma grande ocupação porque o pré-sal está em frente”. A população que vai trabalhar na extração do pré-sal poderá morar junto à Serra do Mar numa espécie de invasão a um dos maiores patrimônios do país. “Ou nos organizamos ou então as pessoas vão invadir a Serra do Mar”, prevê.
Ainda ativo, toda semana ele vai a Brasília cuidar dos assuntos ambientais, garante. Membro do Conama, presidente emérito da W.W.F Brasil, Nogueira Neto continua fazendo palestras e escrevendo artigos sobre meio ambiente e a criação de abelhas indígenas sem ferrão, uma paixão que mantém por toda a vida.
Portal Unicamp – A sua trajetória é marcada desde a década de 50 pela defesa das questões ambientais. Como avalia, de lá pra cá, esse movimento em defesa do meio ambiente?
Paulo Nogueira Neto - A avaliação pode ser marcada pelo seguinte fato: quando me convidaram para ser secretário de meio ambiente, para cuidar do meio ambiente do Brasil todo, eles me deram três salas e cinco funcionários. Isso foi em 1973. As pessoas preocupadas com o meio ambiente cabiam em uma Kombi. Era um pequeno grupo no Rio de Janeiro… No Nordeste as pessoas cabiam em meia Kombi (risos), no Sul tinha mais gente, já eram necessárias, talvez, duas kombis… Enfim era nada.
A minha entrada para a política de meio ambiente aconteceu de maneira muito curiosa: pediram para eu fazer uma crítica ao decreto que tinha saído criando a Sema – Secretaria Especial de Meio Ambiente. E eu lasquei o decreto, critiquei muito, disse que era muito fraco… Quando eu acabei de criticar o decreto me perguntaram se eu concordaria em ser o secretário. Aí eu disse pra eles (risos): se minha mulher concordar, eu aceito. Porque minha mulher tinha uma vida familiar muito intensa. Para mudar para Brasília seria um sacrifício muito grande pra ela. Mas ela concordou e nós fomos para lá. E eu fiquei em Brasília pelo curto prazo de 14 anos, 12 anos e meio na área federal e um ano e meio criando a organização ambiental do Distrito Federal, a Sematec – Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia. Então, eu vi nascer esse movimento todo, que hoje é o Ministério. Inclusive, os ministros hoje me consideram ministro honoris causa porque nas fotografias na parede do ministério a minha aparece em primeiro. Mas na realidade eu nunca fui ministro.
Agora, a avaliação atual que podemos fazer é utilizando o exemplo da última eleição para presidente, pelo voto do povo. A Marina Silva, em uma semana de campanha ambiental intensa, praticamente dobrou os votos e teve cerca de 19 milhões de votos. Isso mostra que o meio ambiente mexe com todo mundo, que a população está de acordo e que tem uma repercussão muito ampla. A própria Dilma sempre deu importância ao tema, eu mesmo já conversei algumas vezes com ela.
No momento, o meio ambiente está servindo para criar uma nova ideologia: ideologia política, no sentido de governo, de governança. Não é no sentido de partido político. Por uma boa qualidade de vida, as pessoas não podem dispensar os brados ambientais, juntamente com educação de um lado e saúde do outro. São coisas básicas para o bem-estar da população. Eu até digo: essa nova ideologia foi criada há dois mil anos, quando Cristo instituiu o mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo.
Paulo Nogueira Neto – Ou o mundo toma medidas fortes para combater o aquecimento climático ou nós vamos ter um aumento da temperatura média superior a dois graus. E isso vai ser um desastre completo. No Brasil, o aquecimento climático já é um grande desastre que passa despercebido por muita gente. Por exemplo: no estado do Rio de Janeiro, no ano passado, na época de chuva, morreram duas mil pessoas. Duas mil pessoas é o número de mortos que teve a revolução constitucionalista de 1932, em São Paulo. Não é pouca coisa. Temos que tomar medidas sérias para dar condições de habitação e também para melhorar o nível de vida de toda a população.
Portal Unicamp – O senhor concorda que os recentes vazamentos de petróleo na costa brasileira evidenciam a questão da fiscalização como um dos grandes problemas ao meio ambiente do Brasil?
Paulo Nogueira Neto – Eu concordo que os desastres no Caribe e esse mais recente aqui no país mostram que cuidados especiais precisam ser tomados. Quem vai buscar petróleo a sete ou oito quilômetros de profundidade tem que tomar todos os cuidados porque os perigos e riscos são muitos.
E aqui no Estado de São Paulo eu digo mais: numa certa ocasião eu tive a oportunidade de dizer isso para o governador, quando ele me concedeu um prêmio de meio ambiente no mês passado. Eu disse: ‘olhe, nós aqui temos que evitar que a Serra do Mar se torne uma grande ocupação porque o pré-sal está em frente. E a população que vai trabalhar na extração do pré-sal poderá morar junto a Serra do Mar’. Ou nós organizamos ou então as pessoas vão invadir a Serra do Mar… Numa noite o sujeito faz um rancho… Aqui já houve isso na Via Anchieta. Temos que imediatamente tomarmos medidas para que a exploração do pré-sal seja feita com todo cuidado.
É preciso levar em conta o carbono que o pré-sal vai trazer para a superfície. Isso precisa ser combatido e só se faz somente de um jeito: protegendo as florestas existentes e plantando mais florestas. O dinheiro do pré-sal deve ser usado para compensar a emissão deste carbono.
Portal Unicamp – O senhor tocou na questão da ocupação, um dos pontos discutidos pelo Código Florestal. Qual sua opinião sobre as propostas de mudanças?
Paulo Nogueira Neto – As propostas de mudança do Código desagradaram a todos os ambientalistas, embora achássemos que ele poderia ser modificado para melhor. Mas o Senado melhorou, saiu do Senado bem melhor do que entrou. Vamos ver se a Câmara vai aprovar ou não. Agora, os ambientalistas de um modo geral não estão satisfeitos porque muita coisa poderia ser melhorada. E os ruralistas também não estão satisfeitos porque eles gostariam de aumentar ainda mais suas plantações. Eu também acho que podem aumentar a plantação, desde que isso seja feito respeitando o meio ambiente, dentro do que seja admissível. Temos esperança de que a nova legislação vai contribuir de certo modo para que o meio ambiente seja respeitado, principalmente face ao aquecimento climático.
Portal Unicamp – Outra polêmica é a implantação da Usina de Belo Monte. Como avalia o debate sobre este tema no país?
Paulo Nogueira Neto – A Usina de Belo Monte recebeu tantos estudos contrários que por medida de prudência deveríamos substituir Belo Monte por outras formas de energia. A minha esperança pelas experiências que vem sendo feitas em vários países – inclusive a USP tem um núcleo trabalhando nisso – é a fusão nuclear, que é a energia que provém do sol. A fusão é muito pouco poluente e produziria eletricidade em grande quantidade a partir do teste com dois isótopos de hidrogênio. Teríamos que ter uma discussão sobre isso a longo prazo, para os próximos 20 anos.
Portal Unicamp – O senhor acompanhou as discussões sobre a Conferência do Clima em Durban?
Paulo Nogueira Neto – Estou acompanhado de longe… Na reunião anterior, há muitos anos, eu estive lá. Esta última conferência teve um resultado muito bom: China e EUA concordam que não basta o falatório, que é preciso agir. Só isso já valeu a reunião, embora não tenha sido o ideal, porque não houve assinatura do projeto detalhado. Mas já foi dito que estes países estarão de acordo em colaborar para as medidas necessárias para evitar que mais carbono seja jogado na atmosfera.
Portal Unicamp – Como acadêmico e cientista, gostaria que analisasse o papel das universidades e a da própria ciência para as questões relacionadas à preservação ambiental?
Paulo Nogueira Neto – É fundamental e básico. Tudo que se possa fazer e que tenha um grande impacto na humanidade tem que ser feito de uma maneira cientificamente aceitável. E a base é a universidade. O papel da universidade sempre foi e sempre será absolutamente essencial. E inclusive a minha vida foi toda essa: junto com a universidade, dentro da universidade e com apoio da universidade é que eu pude fazer alguma coisa em favor do meio ambiente pelo país. E continuo fazendo porque ainda sou membro do Conselho Federal de Meio Ambiente. Toda semana eu passo em Brasília para cuidar dos assuntos ambientais.
Portal Unicamp – O senhor é autor, entre outros, de o Diário de Paulo Nogueira-Neto – Uma trajetória ambientalista. Neste seu diário, a sua trajetória profissional é relatada em detalhes. Que fato de sua vida profissional em defesa do meio ambiente lhe marcou e que é relatada em seu livro?
São muitas estórias. Mas tem uma que foi decisiva para o meio ambiente e que é pouco conhecida. Nós conseguimos elaborar a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que está em vigor até hoje. Conseguimos fazer com que ela fosse unanimemente aprovada pelo governo e pela oposição. Inclusive, tem até um detalhe curioso: a minha mulher era uma das maiores amigas da esposa do Ulysses Guimarães, que era um dos líderes da oposição. Por isso eu frequentava a casa do líder da oposição, mesmo sendo do governo. E essa lei foi feita com a colaboração de governo e oposição – coisa rara naquele período. E saiu a Lei e uma parte da indústria pediu ao Figueiredo que vetasse 13 artigos – a Lei tinha 26. Aí eu escrevi para o Figueiredo: ‘ou nós aprovamos esta Lei de verdade ou não poderemos ter um bom meio ambiente’. E entre a minha opinião e a opinião da indústria, ele seguiu exatamente a minha opinião. Então foi a nossa primeira grande vitória.
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FONTE : Entrevista socializada pelo Portal Unicamp e publicada pelo EcoDebate, 04/01/2012
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População humana e seus animais domesticados, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
O ser humano começou a dominar a agricultura e a domesticar os animais durante a chamada “revolução neolítica”, há cerca de 10 mil anos. Com o acesso regular aos grãos e às carnes, houve uma melhora na alimentação, o que possibilitou que o aumento demográfico se mantivesse lento, mas crescente ao longo dos séculos. Calcula-se que no ano 1 da Era Cristã a população mundial estivesse em 250 milhões de habitantes, passando para 500 milhões por volta do ano 1500, um bilhão por volta do ano 1800 e sete bilhões de habitantes em 2011.
De revolução em revolução, o homo sapiens se espalhou por todos os cantos do Planeta e se tornou uma espécie onipresente e quase onipotente. Mas existem pessoas que consideram que o ser humano é muito “espaçoso” e não se importa com a biodiversidade e a sobrevivência de outras espécies. Inúmeras pesquisadores consideram grave o fato de o ser humano já ter uma pegada ecológica maior do que a Terra pode sustentar.
Outros, como a revista National Geographic, acham que, colocados lado a lado, os sete bilhões de habitantes do mundo cabem dentro dos limites de uma cidade grande, como a região metropolitana de São Paulo.
Porém, as pessoas não vivem em pé, lado a lado, e precisam de casas para morar, escolas para estudar, hospitais para se tratar, áreas de lazer, etc. Principalmente, precisam de terras para cultivar grãos, legumes, hortaliças e espalhar os rebanhos que são fontes ricas e fartas de proteína. Desta forma, a ação humana vai muito além dos seus limites físicos. Para medir o impacto ecológico da humanidade é preciso levar em consideração o conjunto das atividades antrópicas.
Vejamos apenas o número dos principais rebanhos terrestres a serviço dos interesses dos sete bilhões de humanos. Segundo dados de 2009 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) existiam no mundo 19 bilhões de galinhas, 1,4 bilhão de bovinos, 1 bilhão de porcos, 1 bilhão de ovelhas e um número considerável de cabritos, búfalos, coelhos, capivaras, javalis, avestruzes, gansos, perus, patos, etc. Sem contar outros animais domesticados (humanificados) como cavalos, camelos, gatos, cachorros, etc.
A China tinha 4,7 bilhões de galinhas (3,6 por habitante), 451 milhões de porcos, 128 milhões de ovelhas e 80 milhões de vacas e bois. Assim, em 2009, a China era proprietária dos maiores rebanhos suíno, ovino e avícolo. O Brasil, com o maior rebanho bovino do mundo, tinha 210 milhões de vacas e bois (o Brasil tem mais gado do que gente). Tinha também 1,2 bilhão de galinhas (6,5 por habitante), 40 milhões de porcos e 16 milhões de ovelhas. Os Estados Unidos tinham 2 bilhões de galinhas (6,8 por habitante), 100 milhões de vacas e bois, 65 milhões de porcos e 6 milhões de ovelhas. A Índia também possui consideráveis rebanhos bovino, suíno, ovino e forte avicultura.
Não é preciso muito esforço para imaginar o quanto de terra, água e ar é preciso para alimentar todo estes rebanhos que servem para saciar a fome e até a gula dos seres humanos. O gado bovino, por exemplo, tem um impacto ecológico enorme. Além da grande quantidade de terras necessárias para as pastagens (muitas delas obtidas por meio de desmatamento de florestas, cerrados e savanas), calcula-se que na produção de um quilo de carne bovina são gastos 15 mil litros de água, conforme estimativa do pesquisador John Anthony Allan, que usa a metodologia da chamada “água virtual”, considerando todas as etapas da cadeia produtiva.
Além disto, o boi e a vaca são animais ruminantes, cujo processo digestivo provoca uma fermentação que faz o animal liberar muito gás metano. O metano é o segundo gás que mais contribui para o efeito estufa, sendo 21 vezes mais poluente do que o gás carbônico (CO2). Cada animal bovino adulto libera cerca de 56 quilos de metano por ano. Portanto, os 1,4 bilhão de bois e vacas do mundo liberam algo em torno de 78 milhões de toneladas de metano por ano, o que é uma contribuição significativa para o aquecimento global.
O impacto ecológico de todos os animais domesticados para uso alimentar (galinhas, vacas e bois, ovelhas, porcos, búfalos, patos, etc) ou para lazer e outros desfrutes (cavalos, cachorros, gatos, etc.) é enorme. Por exemplo, o desmate das franjas da floresta amazônica não está sendo feito tanto pela ocupação propriamente humana, mas sim para a venda de madeiras, a propriedade do solo e a criação de áreas de pastagens para o gado. A densidade demográfica da Amazônia legal é baixa, mas as áreas devastadas, a ferro e fogo, são enormes. Segundo o jornalista Leão Serva (FSP, 20/12/2011), 35% da floresta amazônica foi desmatada ou degradada nos últimos 23 anos.
A cada dia fica mais claro que a continuidade do crescimento da população e de seus rebanhos é uma séria ameaça ao meio ambiente e à biodiversidade. Além disto, o consumo excessivo de carnes provoca a obesidade e diversos problemas de saúde. Atualmente, em várias regiões do mundo, a obesidade mata mais do que a fome.
Assim, para minorar o impacto ambiental e melhorar a saúde individual existem campanhas para a diminuição do consumo de carne, tais como: “Um dia sem carne: o planeta agradece!” (Meatless Day). Nestas campanhas se considera que a alimentação sem produtos de origem animal aumenta a disposição e diminui os estragos no planeta, pois ajuda a) evitar câncer; b) perder peso; c) baixar o colesterol.
Além das campanhas de um dia sem carne existe a dieta vegetariana que propõe diminuir ao máximo o uso de carnes e até mesmo evitar qualquer alimento de origem animal. As dietas vegetarianas buscam substituir as proteínas animais por alimentos ricos em carboidratos, fibras dietéticas, magnésio, potássio, etc. Uma alimentação vegetariana adequada pode ser capaz de atender às necessidades nutricionais do organismo, na medida em que se garanta a adequada combinação dos alimentos.
Porém, o vegetarianismo é muito mais do que uma preocupação com o aquecimento global. Antes de tudo é uma filosofia que remonta à antiguidade e se baseia na concepção de respeito aos animais e na negação da suposta superioridade humana. O vegetarianismo filosófico defende a vida animal e condena o consumo de carne por motivos morais e por solidariedade entre as espécies. Entre grandes personalidades vegetarianas da história se destacam Buda, Plutarco, Ovídio, Leonardo da Vinci, Tolstoi, Mahatma Gandhi, etc.
Nesta mesma linha, o Veganismo é uma filosofia de vida motivada por princípios filosóficos e éticos, tendo como base os direitos inalienáveis de todos os animais. Os veganos defendem o boicote a qualquer produto de origem animal ou de produtos que tenham sido testados em animais, incluindo o não uso de vestuário proveniente de animais (como couro e peles); cosméticos, produtos de limpeza, alimentos, os esportes como corridas de cachorros, touradas e até os animais usados em circos. O vegano é contra o antropocentrismo e considera que os animais possuem existência própria e não foram feitos para a alimentação ou o desfrute humano. Os animais devem ser sujeitos de direitos, assim com existem os direitos humanos. Os veganos consideram o especismo uma forma de discriminação e também combatem o uso de animais em experiências de laboratórios.
Por tudo isto, pode-se até concordar que ao longo da história a domesticação dos animais tenha provocado uma revolução na economia e na alimentação humana. Porém, se a humanidade, no passado, soube tirar proveito da natureza e dos animais, ganhando densidade, volume e espaços em todos os cantos do mundo, isto se deveu muito mais ao egoísmo e ao desfrute da biodiversidade para interesse próprio, do que do uso da sabedoria, da inteligência e dos princípios ambientais éticos e morais. O ser humano se domesticou domesticando animais. A radicalização desta trajetória leva à substituição de uma possível sinergia pela entropia.
É cada vez maior a percepção de que o domínio humano sobre a natureza e sobre as outras espécies está seguindo uma rota rumo ao precipício. A visão utilitarista do uso indiscriminado do meio ambiente e dos demais seres vivos para satisfazer o apetite e consumo próprio pode levar a espécie humana ao suicídio e, pior ainda, ao biocídio, pois o ser humano esta se tornando o “predador de outras espécies”.
A ideia de que o ser humano é a espécie mais avançada do mundo, e até mesmo do universo, se desnuda, a cada dia, parecendo mais uma simples manifestação de arrogância. Isto é o que se chama de especismo, que é a discriminação de uma espécie sobre outras, ocorrendo, em geral, quando os seres racionais se consideram superiores aos seres sencientes não racionais.
Para estar no ápice da evolução, uma espécie precisa, antes de tudo, saber respeitar a sua casa (Gaia, Pachamama, etc.) e seus vizinhos (biodiversidade). Por meio da dominação e da exploração e sem uma convivência respeitosa entre todos os seres vivos, o que cresce são os riscos de que a diversidade da vida sucumba em um futuro cada vez menos distante.
**********************
FONTE : José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 04/01/2012
De revolução em revolução, o homo sapiens se espalhou por todos os cantos do Planeta e se tornou uma espécie onipresente e quase onipotente. Mas existem pessoas que consideram que o ser humano é muito “espaçoso” e não se importa com a biodiversidade e a sobrevivência de outras espécies. Inúmeras pesquisadores consideram grave o fato de o ser humano já ter uma pegada ecológica maior do que a Terra pode sustentar.
Outros, como a revista National Geographic, acham que, colocados lado a lado, os sete bilhões de habitantes do mundo cabem dentro dos limites de uma cidade grande, como a região metropolitana de São Paulo.
Porém, as pessoas não vivem em pé, lado a lado, e precisam de casas para morar, escolas para estudar, hospitais para se tratar, áreas de lazer, etc. Principalmente, precisam de terras para cultivar grãos, legumes, hortaliças e espalhar os rebanhos que são fontes ricas e fartas de proteína. Desta forma, a ação humana vai muito além dos seus limites físicos. Para medir o impacto ecológico da humanidade é preciso levar em consideração o conjunto das atividades antrópicas.
Vejamos apenas o número dos principais rebanhos terrestres a serviço dos interesses dos sete bilhões de humanos. Segundo dados de 2009 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) existiam no mundo 19 bilhões de galinhas, 1,4 bilhão de bovinos, 1 bilhão de porcos, 1 bilhão de ovelhas e um número considerável de cabritos, búfalos, coelhos, capivaras, javalis, avestruzes, gansos, perus, patos, etc. Sem contar outros animais domesticados (humanificados) como cavalos, camelos, gatos, cachorros, etc.
A China tinha 4,7 bilhões de galinhas (3,6 por habitante), 451 milhões de porcos, 128 milhões de ovelhas e 80 milhões de vacas e bois. Assim, em 2009, a China era proprietária dos maiores rebanhos suíno, ovino e avícolo. O Brasil, com o maior rebanho bovino do mundo, tinha 210 milhões de vacas e bois (o Brasil tem mais gado do que gente). Tinha também 1,2 bilhão de galinhas (6,5 por habitante), 40 milhões de porcos e 16 milhões de ovelhas. Os Estados Unidos tinham 2 bilhões de galinhas (6,8 por habitante), 100 milhões de vacas e bois, 65 milhões de porcos e 6 milhões de ovelhas. A Índia também possui consideráveis rebanhos bovino, suíno, ovino e forte avicultura.
Não é preciso muito esforço para imaginar o quanto de terra, água e ar é preciso para alimentar todo estes rebanhos que servem para saciar a fome e até a gula dos seres humanos. O gado bovino, por exemplo, tem um impacto ecológico enorme. Além da grande quantidade de terras necessárias para as pastagens (muitas delas obtidas por meio de desmatamento de florestas, cerrados e savanas), calcula-se que na produção de um quilo de carne bovina são gastos 15 mil litros de água, conforme estimativa do pesquisador John Anthony Allan, que usa a metodologia da chamada “água virtual”, considerando todas as etapas da cadeia produtiva.
Além disto, o boi e a vaca são animais ruminantes, cujo processo digestivo provoca uma fermentação que faz o animal liberar muito gás metano. O metano é o segundo gás que mais contribui para o efeito estufa, sendo 21 vezes mais poluente do que o gás carbônico (CO2). Cada animal bovino adulto libera cerca de 56 quilos de metano por ano. Portanto, os 1,4 bilhão de bois e vacas do mundo liberam algo em torno de 78 milhões de toneladas de metano por ano, o que é uma contribuição significativa para o aquecimento global.
O impacto ecológico de todos os animais domesticados para uso alimentar (galinhas, vacas e bois, ovelhas, porcos, búfalos, patos, etc) ou para lazer e outros desfrutes (cavalos, cachorros, gatos, etc.) é enorme. Por exemplo, o desmate das franjas da floresta amazônica não está sendo feito tanto pela ocupação propriamente humana, mas sim para a venda de madeiras, a propriedade do solo e a criação de áreas de pastagens para o gado. A densidade demográfica da Amazônia legal é baixa, mas as áreas devastadas, a ferro e fogo, são enormes. Segundo o jornalista Leão Serva (FSP, 20/12/2011), 35% da floresta amazônica foi desmatada ou degradada nos últimos 23 anos.
A cada dia fica mais claro que a continuidade do crescimento da população e de seus rebanhos é uma séria ameaça ao meio ambiente e à biodiversidade. Além disto, o consumo excessivo de carnes provoca a obesidade e diversos problemas de saúde. Atualmente, em várias regiões do mundo, a obesidade mata mais do que a fome.
Assim, para minorar o impacto ambiental e melhorar a saúde individual existem campanhas para a diminuição do consumo de carne, tais como: “Um dia sem carne: o planeta agradece!” (Meatless Day). Nestas campanhas se considera que a alimentação sem produtos de origem animal aumenta a disposição e diminui os estragos no planeta, pois ajuda a) evitar câncer; b) perder peso; c) baixar o colesterol.
Além das campanhas de um dia sem carne existe a dieta vegetariana que propõe diminuir ao máximo o uso de carnes e até mesmo evitar qualquer alimento de origem animal. As dietas vegetarianas buscam substituir as proteínas animais por alimentos ricos em carboidratos, fibras dietéticas, magnésio, potássio, etc. Uma alimentação vegetariana adequada pode ser capaz de atender às necessidades nutricionais do organismo, na medida em que se garanta a adequada combinação dos alimentos.
Porém, o vegetarianismo é muito mais do que uma preocupação com o aquecimento global. Antes de tudo é uma filosofia que remonta à antiguidade e se baseia na concepção de respeito aos animais e na negação da suposta superioridade humana. O vegetarianismo filosófico defende a vida animal e condena o consumo de carne por motivos morais e por solidariedade entre as espécies. Entre grandes personalidades vegetarianas da história se destacam Buda, Plutarco, Ovídio, Leonardo da Vinci, Tolstoi, Mahatma Gandhi, etc.
Nesta mesma linha, o Veganismo é uma filosofia de vida motivada por princípios filosóficos e éticos, tendo como base os direitos inalienáveis de todos os animais. Os veganos defendem o boicote a qualquer produto de origem animal ou de produtos que tenham sido testados em animais, incluindo o não uso de vestuário proveniente de animais (como couro e peles); cosméticos, produtos de limpeza, alimentos, os esportes como corridas de cachorros, touradas e até os animais usados em circos. O vegano é contra o antropocentrismo e considera que os animais possuem existência própria e não foram feitos para a alimentação ou o desfrute humano. Os animais devem ser sujeitos de direitos, assim com existem os direitos humanos. Os veganos consideram o especismo uma forma de discriminação e também combatem o uso de animais em experiências de laboratórios.
Por tudo isto, pode-se até concordar que ao longo da história a domesticação dos animais tenha provocado uma revolução na economia e na alimentação humana. Porém, se a humanidade, no passado, soube tirar proveito da natureza e dos animais, ganhando densidade, volume e espaços em todos os cantos do mundo, isto se deveu muito mais ao egoísmo e ao desfrute da biodiversidade para interesse próprio, do que do uso da sabedoria, da inteligência e dos princípios ambientais éticos e morais. O ser humano se domesticou domesticando animais. A radicalização desta trajetória leva à substituição de uma possível sinergia pela entropia.
É cada vez maior a percepção de que o domínio humano sobre a natureza e sobre as outras espécies está seguindo uma rota rumo ao precipício. A visão utilitarista do uso indiscriminado do meio ambiente e dos demais seres vivos para satisfazer o apetite e consumo próprio pode levar a espécie humana ao suicídio e, pior ainda, ao biocídio, pois o ser humano esta se tornando o “predador de outras espécies”.
A ideia de que o ser humano é a espécie mais avançada do mundo, e até mesmo do universo, se desnuda, a cada dia, parecendo mais uma simples manifestação de arrogância. Isto é o que se chama de especismo, que é a discriminação de uma espécie sobre outras, ocorrendo, em geral, quando os seres racionais se consideram superiores aos seres sencientes não racionais.
Para estar no ápice da evolução, uma espécie precisa, antes de tudo, saber respeitar a sua casa (Gaia, Pachamama, etc.) e seus vizinhos (biodiversidade). Por meio da dominação e da exploração e sem uma convivência respeitosa entre todos os seres vivos, o que cresce são os riscos de que a diversidade da vida sucumba em um futuro cada vez menos distante.
**********************
FONTE : José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
EcoDebate, 04/01/2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
*Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção*
*As espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção representam hoje
três vezes mais que o número divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA) em 1989. Este é o registro da edição lançada, em novembro, pelo órgão
ambiental. O “Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção”
traz uma lista de 627 espécies de animais em situação de risco. A cerimônia
de lançamento contou com a presença do ministro Carlos Minc, da
secretária-executiva do MMA, Izabella Teixeira, da secretária de
Biodiversidade e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito, do presidente
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),
Rômulo Mello, e do presidente do IBAMA, Roberto Messias. Minc e Rômulo Mello
assinaram portaria que define procedimentos e atribuições do MMA e do
ICMBio quando da atualização de Listas Nacionais Oficiais de Espécies
Ameaçadas de Extinção.*
*Os livros vermelhos trazem as descrições das espécies consideradas
sob ameaça de extinção e servem para alertar os tomadores de decisão,
especialistas e opinião pública quanto às conseqüências sobre o
patrimônio genético do planeta. As Listas Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna
Ameaçadas de Extinção constituem a base dos livros vermelhos e são
consideradas importantes ferramentas para a conservação dessas
espécies.
Por meio delas, são concebidos os programas de recuperação das
espécies
ameaçadas, as propostas de implantação de unidades de conservação, as
medidas mitigadoras de impactos ambientais e os programas de pesquisa.
Com
as listas, é possível identificar como as ações humanas afetam a
possibilidade de extinção das espécies.*
*Ameaça*
*As listas de espécies ameaçadas também referenciam a aplicação da Lei
9605/98 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9605.htm>, de
Crimes
Ambientais. De acordo com o Artigo 15, entre as circunstâncias que
agravam
a pena, quando não constituem ou qualificam o crime, está o ato de
atingir
espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades
competentes.*
*A edição em dois volumes reúne dados sobre a biologia, distribuição
geográfica, presença em unidades de conservação, principais ameaças,
estratégias de conservação, indicações de especialistas e de núcleos
de
pesquisa e conservação envolvidos com as espécies.*
*Das 627 espécies, 618 estão classificadas em três categorias de risco
de
extinção - "criticamente em perigo, em perigo, e vulnerável". Outras
nove
espécies estão em uma das duas categorias de extinção: "extinta e
extinta
na natureza".*
*A análise geográfica revela que a ameaça não está distribuída de
forma
homogênea no território nacional. Os biomas Mata Atlântica e Cerrado
respondem por mais de 72% das espécies da lista, com um total de 458
espécies. Mais de 60% das espécies presentes na lista estão
distribuídas na
Mata Atlântica.*
*Para o ministro Minc, o desmatamento, a expansão do plantio de soja e
o
modelo predador de ocupação territorial são responsáveis pelo aumento
do
número de espécies ameaçadas. Segundo ele, é preciso haver um esforço
de
toda a sociedade para reduzir o número de espécies da lista. O
ministro
anunciou a intenção de somar esforços com Fernando Haddad, da
Educação,
para que todas as escolas brasileiras recebam um exemplar do Livro
Vermelho.
*
*Confira no quadro alguns dados registrados no Livro Vermelho da Fauna
Brasileira Ameaçada de Extinção.*
*Regitros da Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada
de
Extinção:*
- Em 15 anos o número de espécies ameaçadas triplicou.
- 627 espécies estão em situação de risco (618 espécies estão em
uma das
categorias de ameaça - "criticamente em perigo, em perigo,
vulnerável").
- Nove espécies figuram em uma das duas categorias de extinção
(extinta
ou extinta na natureza).
- Os vertebrados correspondem a 67% do total de espécies ameaçadas.
Aves
e peixes correspondem a 50% do total de espécies brasileiras
ameaçadas.
- Os insetos correspondem ao terceiro grupo com mais espécies na
lista
de ameaçadas (pouco mais de 15% do total).
- Mamíferos apresentam a maior parcela de espécies ameaçadas em
relação
ao total de espécies no país (cerca de 10% das espécies de
mamíferos brasileiras estão na lista).
- 7% das espécies de vertebrados do país estão ameaçados de
extinção.
- 79% das espécies na atual lista de ameaça não estavam presentes
na
lista anterior (correspondente a 489 espécies).
- 79 espécies foram retiradas da lista de ameaçadas.
- Os biomas Mata Atlântica e Caatinga apresentam mais de 22% de
espécies
na categoria "criticamente em perigo".
- Os biomas Pantanal e Cerrado possuem as maiores proporções de
espécies
na categoria "vulnerável".
******************
FONTE : Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume I
<http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_publicacao/147_public...>
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume II
<http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_publicacao/147_public...>
três vezes mais que o número divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA) em 1989. Este é o registro da edição lançada, em novembro, pelo órgão
ambiental. O “Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção”
traz uma lista de 627 espécies de animais em situação de risco. A cerimônia
de lançamento contou com a presença do ministro Carlos Minc, da
secretária-executiva do MMA, Izabella Teixeira, da secretária de
Biodiversidade e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito, do presidente
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),
Rômulo Mello, e do presidente do IBAMA, Roberto Messias. Minc e Rômulo Mello
assinaram portaria que define procedimentos e atribuições do MMA e do
ICMBio quando da atualização de Listas Nacionais Oficiais de Espécies
Ameaçadas de Extinção.*
*Os livros vermelhos trazem as descrições das espécies consideradas
sob ameaça de extinção e servem para alertar os tomadores de decisão,
especialistas e opinião pública quanto às conseqüências sobre o
patrimônio genético do planeta. As Listas Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna
Ameaçadas de Extinção constituem a base dos livros vermelhos e são
consideradas importantes ferramentas para a conservação dessas
espécies.
Por meio delas, são concebidos os programas de recuperação das
espécies
ameaçadas, as propostas de implantação de unidades de conservação, as
medidas mitigadoras de impactos ambientais e os programas de pesquisa.
Com
as listas, é possível identificar como as ações humanas afetam a
possibilidade de extinção das espécies.*
*Ameaça*
*As listas de espécies ameaçadas também referenciam a aplicação da Lei
9605/98 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9605.htm>, de
Crimes
Ambientais. De acordo com o Artigo 15, entre as circunstâncias que
agravam
a pena, quando não constituem ou qualificam o crime, está o ato de
atingir
espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades
competentes.*
*A edição em dois volumes reúne dados sobre a biologia, distribuição
geográfica, presença em unidades de conservação, principais ameaças,
estratégias de conservação, indicações de especialistas e de núcleos
de
pesquisa e conservação envolvidos com as espécies.*
*Das 627 espécies, 618 estão classificadas em três categorias de risco
de
extinção - "criticamente em perigo, em perigo, e vulnerável". Outras
nove
espécies estão em uma das duas categorias de extinção: "extinta e
extinta
na natureza".*
*A análise geográfica revela que a ameaça não está distribuída de
forma
homogênea no território nacional. Os biomas Mata Atlântica e Cerrado
respondem por mais de 72% das espécies da lista, com um total de 458
espécies. Mais de 60% das espécies presentes na lista estão
distribuídas na
Mata Atlântica.*
*Para o ministro Minc, o desmatamento, a expansão do plantio de soja e
o
modelo predador de ocupação territorial são responsáveis pelo aumento
do
número de espécies ameaçadas. Segundo ele, é preciso haver um esforço
de
toda a sociedade para reduzir o número de espécies da lista. O
ministro
anunciou a intenção de somar esforços com Fernando Haddad, da
Educação,
para que todas as escolas brasileiras recebam um exemplar do Livro
Vermelho.
*
*Confira no quadro alguns dados registrados no Livro Vermelho da Fauna
Brasileira Ameaçada de Extinção.*
*Regitros da Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada
de
Extinção:*
- Em 15 anos o número de espécies ameaçadas triplicou.
- 627 espécies estão em situação de risco (618 espécies estão em
uma das
categorias de ameaça - "criticamente em perigo, em perigo,
vulnerável").
- Nove espécies figuram em uma das duas categorias de extinção
(extinta
ou extinta na natureza).
- Os vertebrados correspondem a 67% do total de espécies ameaçadas.
Aves
e peixes correspondem a 50% do total de espécies brasileiras
ameaçadas.
- Os insetos correspondem ao terceiro grupo com mais espécies na
lista
de ameaçadas (pouco mais de 15% do total).
- Mamíferos apresentam a maior parcela de espécies ameaçadas em
relação
ao total de espécies no país (cerca de 10% das espécies de
mamíferos brasileiras estão na lista).
- 7% das espécies de vertebrados do país estão ameaçados de
extinção.
- 79% das espécies na atual lista de ameaça não estavam presentes
na
lista anterior (correspondente a 489 espécies).
- 79 espécies foram retiradas da lista de ameaçadas.
- Os biomas Mata Atlântica e Caatinga apresentam mais de 22% de
espécies
na categoria "criticamente em perigo".
- Os biomas Pantanal e Cerrado possuem as maiores proporções de
espécies
na categoria "vulnerável".
******************
FONTE : Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume I
<http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_publicacao/147_public...>
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume II
<http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_publicacao/147_public...>
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