quinta-feira, 30 de abril de 2015

Abertas as inscrições para a Virada Sustentável 2015

por Virada Sustentável
ViradaSustentavelcapa

Edital permite inscrição para adesão e financiamento de projetos ligados à sustentabilidadee que serão realizados durante evento, em agosto deste ano
São Paulo, abril de 2015 – Estão abertas as inscrições para atrações, atividades e conteúdos da quinta edição da Virada Sustentável, que acontece entre os dias 27 e 31 de agosto em diferentes locais da Grande São Paulo. As inscrições para o evento deste ano seguem até o dia 31 de maio, no site da Virada.
Em formato de edital, as inscrições são abertas a artistas e grupos de diferentes modalidades (teatro, cinema, música, fotografia, artes plásticas etc.), organizações da sociedade civil, coletivos e movimentos sociais, entidades e escolas, cujos projetos tenham como conteúdo principal um ou mais temas relacionados a sustentabilidade, tais como consumo consciente, água, biodiversidade, mudanças climáticas, mobilidade urbana, cidadania e inclusão social, entre outros.
“Quem disse que a sustentabilidade não pode ser alegre e inspiradora? A ideia do edital é abrirmos espaço para pessoas e projetos sociais e culturais que encantem o público e ao mesmo tempo eduquem para os temas da sustentabilidade”, explica o jornalista André Palhano, um dos coordenadores do evento. “Queremos promover uma abordagem positiva, propositiva, que não aponte somente problemas, mas também caminhos e soluções possíveis para a sociedade que queremos”, comenta.
Cada proponente, sendo pessoa jurídica ou física, pode se inscrever individualmente ou como representante de um grupo e apresentar um ou mais projetos. O conteúdo apresentado será analisado pela equipe de produção do evento e organizações parceiras, e a divulgação dos selecionados ocorrerá no dia 10 de julho. Poderão participar desde projetos que necessitem de cachê, estrutura e espaços para sua realização, até projetos que só necessitem de divulgação (adesões) e queiram constar da programação oficial da Virada Sustentável, além dos apoios e do voluntariado. Não serão aceitos projetos de cunho partidário ou religioso ou que estimulem qualquer tipo de discriminação em função da raça, credo ou condição social.
Assim como em 2014, a Virada Sustentável terá quatro dias de programação gratuita e contará com diversas novidades, entre elas a presença de convidados internacionais.  Em 2014, o evento reuniu 715 atrações e atividades distribuídas em 152 locais, com público aproximado de 900 mil pessoas. (Virada Sustentável/ #Envolverde)
(Virada Sustentável) 

Recém descoberta, nova espécie de lagarto já está ameaçada de extinção

por Fundação Grupo Boticário
A coloração é cinza e marrom com manchas salpicadas. Foto: Tobias Kunz
A coloração é cinza e marrom com manchas salpicadas. Foto: Tobias Kunz

Uma nova espécie de lagarto foi descoberta no litoral catarinense, nas praias de Imbituba, a 90 km de Florianópolis. O Tropidurus imbituba, que foi descrito na revista científica Zootaxa, era confundido com outro lagarto, o Tropidurus torquatus, espécie que tem ampla área de ocorrência no Brasil, do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul.
De acordo com o orientador da pesquisa de mestrado responsável pela descoberta e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcio Borges-Martins, a espécie de lagarto já conhecida está presente com maior frequência em ambientes de interior.
Por isso, ao verificarem a possível presença dela no litoral, ficaram desconfiados de que poderia se tratar de uma nova espécie. “Vimos os lagartos na Praia de Imbituba [o nome do novo lagarto homenageia o município e achamos que o ambiente não era condizente para espécie, então começamos a estudá-la e verificamos que se tratava de um animal ainda não descrito”, explica Martins.
Para o pesquisador, a nova descoberta representa um passo importante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. “É um trabalho em conjunto que depende de esforços coletivos, desde o interesse dos pesquisadores e das universidades até o financiamento de instituições de fomento à pesquisa”, ressalta.
Descoberta surpreendeu
Segundo Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoiou a pesquisa, esse tipo de resultado é fundamental. “Buscamos oferecer as ferramentas necessárias para que os projetos que apoiamos ou empreendemos possam promover a conservação efetiva das espécies e dos biomas brasileiros e permitir a melhoria das políticas públicas ambientais”, explica a diretora, que completa: “a descrição de novas espéciesé um dos caminhos para atingirmos esse objetivo, pois representa o ponto de partida para conhecermos melhor espécies que corriam o risco de desaparecer, sem jamais terem sido descritas”, comenta.
Tobias Kunz, pesquisador orientando que trabalhou em conjunto com Martins, conta que, por ele conhecer muito bem o litoral catarinense, a descoberta dessa população em uma área tão restrita foi uma grande surpresa. “Inicialmente, acreditei que pudesse ser uma população da espécie já conhecida e que havia sido introduzida a partir do Porto de Imbituba, que fica adjacente à área. Por isso, iniciei as análises um pouco relutante, mas conforme pude comparar essa população com outros lagartos percebi que se tratava realmente de uma espécie distinta”, destaca.
Trabalho árduo
O pesquisador afirma que a descoberta de novas espécies é a base que possibilita estudos futuros. “Às vezes, as pessoas e até mesmo a comunidade científica não valorizam as descrições taxonômicas, porém é a partir delas que conseguimos entender de modo mais completo a nossa biodiversidade”, enfatiza.
Martins explica ainda que o processo de descoberta de uma nova espécie é minucioso e depende do banco de dados de materiais coletados. “Usamos informações geradas por outros pesquisadores para efeito de comparação e análise. Por exemplo, nesse estudo consultamos materiais de naturalistas do século 19 para embasar a descoberta da nova espécie”, ressalta.
Segundo o professor, esse foi apenas o primeiro passo, pois falta compreender muita coisa sobre o Tropidurus imbituba. “Nesse momento, fizemos apenas estudos de morfologia, como tamanho, formato e cores presentes no corpo, mas não sabemos quais são os hábitos dessa nova espécie, qual sua alimentação preferida, entre outros fatores importantes”, destaca.
Marcio Martins comenta que um ponto já percebido é a ausência de outras espécies de lagarto na região, o que torna a nova espécie responsável pelo controle de populações de invertebrados como os cupins.
Ameaças
Durante a pesquisa percebeu-se que a ocorrência da nova espécie é restrita apenas a Imbituba e arredores, por isso resolveram chamar o lagarto de Tropidurus imbituba. “Por conta de seu grande endemismo e das ameaças que sofre, o novo lagarto já está correndo risco de extinção”, alerta Márcio Martins.
As principais pressões antrópicas na região são a alteração do ambiente natural por conta de atividades portuárias e a visitação turística intensa. “O turismo pode ser grande aliado da conservação, quando é realizado levando em conta os fatores que garantem a manutenção do equilíbrio da biodiversidade”, conclui o pesquisador. Oréptil já consta na lista de espécies da fauna brasileira ameaças de extinção.
Características da nova espécie
O tamanho do corpo do Tropidurus imbituba varia entre nove e 12 centímetros quando adulto. Com a cauda, a espécie chega aos 20 centímetros. A coloração é cinza e marrom com manchas salpicadas. Uma das diferenças para as outras espécies de lagartos é uma mancha de tom alaranjado na altura do ventre, além de uma faixa preta no pescoço, lembrando um pequeno colar. (Fundação Grupo Boticário/ #Envolverde)
(Fundação Grupo Boticário) 

Granada se prepara para enfrentar a mudança climática

por Desmond Brown, da IPS
Pescadores de Granada se preparam para sair ao mar. Eles se queixam que nos últimos tempos a pesca diminuiu e seu modo de obter renda está em perigo por causa da mudança climática. Foto: Desmond Brown
Pescadores de Granada se preparam para sair ao mar. Eles se queixam que nos últimos tempos a pesca diminuiu e seu modo de obter renda está em perigo por causa da mudança climática. Foto: Desmond Brown

Palmiste, Granada, 30/4/2015 – Henry Prince, de 67 anos, viveu toda sua vida neste povoado de pescadores de Granada, e há algum tempo nota que a captura é cada vez menor, o que prejudica sua renda, e também a dos seus colegas.
“Ouvi falar sobre mudança climática, mas nunca prestei muita atenção. Já não pescamos jacks (Caranx lugubris) como antes”, contou Prince à IPS.
Estes pequenos peixes costumam ser usados como isca, mas também são consumidos fritos como alimento, especialmente entre as famílias mais pobres, pois são uma fonte barata de proteínas neste país insular e o segundo menor do Caribe.
Nos últimos anos os jacks começaram a ficar escassos; antes costumavam ser abundantes em meados de novembro. Diante de sua diminuição, os pescadores têm que importar sardinhas dos Estados Unidos para usar como isca.
O ministro de Agricultura, Terras, Pesca e Meio Ambiente de Granada, Roland Bhola, acredita que a redução de peixes em suas águas territoriais é resultado direto da mudança climática. “Nossos pescadores denunciam que cada vez pescam menos onde antes havia um mercado próspero”, relatou Bhola. “Pudemos associar esse fato com a mudança climática, a destruição de nossos arrecifes de coral e de outros ecossistemas, como os mangues”, acrescentou.
“Para mim, a pesca um dia é boa e outro dia é ruim”, disse à IPS outro pescador de Palmiste, Ralph Crewney. “Nos últimos meses apenas pescamos alguns. Em junho do ano passado conseguimos uma pesca grande de último momento”, contou.
Os pescadores de Granada Henry Prince (direita) e Ralph Crewney consideram o território costeiro com um virtual direito de nascimento, apesar dos riscos que representa a mudança climática. Foto: Desmond Brown/IPS
Os pescadores de Granada Henry Prince (direita) e Ralph Crewney consideram o território costeiro com um virtual direito de nascimento, apesar dos riscos que representa a mudança climática. Foto: Desmond Brown/IPS

Crewney, de 68 anos, há 20 vive na costa, e também nota que nos últimos meses o mar se aproxima de sua pequena choça. Mas não tem planos de se mudar em breve. “Estou cômodo porque gosto de ficar longe do barulho”, explicou.
Outras famílias da zona pensam em se reassentar nas comunidades dos morros, mas se mostram reticentes em se afastar muito de sua fonte de renda. As famílias de pescadores do Caribe consideram os terrenos de frente ao mar como um virtual direito de nascimento, com a alarmante proporção de 70% da população caribenha assentada na faixa costeira.
Na região da Comunidade do Caribe (Caricom) a população depende da pesca para seu desenvolvimento econômico e social. O recurso também contribui para sua segurança alimentar, o alivio da pobreza, emprego, entrada de divisas, desenvolvimento e estabilidade das comunidades rurais e costeiras, bem como para cultura, lazer e turismo.
O setor oferece emprego direto a mais de 120 mil pescadores, e indireto a milhares de outras pessoas, especialmente mulheres, que se dedicam ao processamento, à comercialização, construção de barcos, fabricação de redes e outros serviços vinculados.
As tempestades e a erosão sempre deram forma à geografia da costa, mas se prevê que a elevação do mar e o aumento das tempestades mais intensas traga uma transformação drástica da faixa costeira nas próximas décadas, o que acarretará enormes custos econômicos e sociais.
Segundo cientistas e modelos informatizados, a elevação do nível do mar em escala global poderá ser de pelo menos um metro até 2100, como consequência da maior distribuição das correntes mais quentes e do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida.
O nível do mar global aumentou, em média, três centímetros nos 10 anos posteriores a 1993, segundo especialistas em clima, e as consequências poderiam se amplificar em diferentes áreas de acordo com a topografia, entre outros fatores.
No dia 16 deste mês, delegados que participaram da Consulta Nacional de Atores pediram urgência às autoridades no sentido de restabelecer o Conselho Nacional de mudança climática, já que a ilha se encaminha para fortalecer as medidas a fim de enfrentar o impacto do fenômeno. Segundo eles, embora Gratinada tenha avançado em matéria de mudança climática e ambiente, ainda há muito por fazer sobre a resiliência e o desenvolvimento de capacidades para implantar medidas concretas.
A consulta, organizada pelo Banco Mundial e governo, durou um dia.
O reestabelecimento do conselho ajudará “a impulsionar a agenda sobre mudança climática e integrar o fenômeno ao planejamento nacional e à incorporação da adaptação”, bem como o monitoramento e o registro, diz um comunicado governamental.
O Programa para a Resiliência Climática (CIF), do Fundo de Investimento Climático, aprovou esse ano um pacto de US$ 10,39 milhões para financiar um projeto-piloto vinculado à resiliência.
O ministro do Meio Ambiente de Granada, Roland Bhola, disse que seu pequeno país insular é muito vulnerável à mudança climática. Foto: Desmond Brown/IPS
O ministro do Meio Ambiente de Granada, Roland Bhola, disse que seu pequeno país insular é muito vulnerável à mudança climática. Foto: Desmond Brown/IPS

O informe do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a mudança climática (IPCC), diz que a devastação deixada pelo furacão Ivã em Granada em 2004 “é um poderoso reflexo da realidade da vulnerabilidade das pequenas ilhas”. O furacão deixou 28 mortos, prejuízos que chegaram ao dobro do produto interno bruto, destruição de 90% do parque habitacional e hoteleiro e afundamento da economia que vinha crescendo 6% ao ano.
Estima-se que tanto Granada quanto seus vizinhos do Caribe, que dependem do turismo, estejam entre os países mais vulneráveis à mudança climática. Inúmeros cientistas concordam que esta nação insular tem alto risco de sofrer um impacto negativo devido à mudança climática em várias áreas, com inundação costeira por desastres naturais e aumento de tempestades.
Também afirmam que o ecossistema marinho é afetado pelo aumento da temperatura do oceano e que a maior corrente de água doce é responsável pela destruição dos arrecifes de coral e interrupção da cadeia alimentícia, afetando a pesca e o turismo. Nos últimos 25 anos, as frágeis ilhas granadinas de Carriacou e Petite Martinique também sofreram as consequências de tempestades, furacões, agitação das ondas e elevação do nível do mar.
Isto causou severa perda de vegetação de mangue ao longo da costa, bem como uma erosão costeira, danos ao solo e uma séria ameaça ao turismo, que depende em grande parte das condições da praia e da saúde da vida marinha.
Enquanto isso, na medida em que os países se preparam para adotar um novo acordo internacional vinculante em Paris, no mês de dezembro, quando acontecerá a 21ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, Bhola disse que Granada aspira sua implantação com grande êxito. “Granada é um pequeno país em desenvolvimento, é muito vulnerável à mudança climática. Um acordo de sucesso deve reduzir o risco que enfrentamos e nos ajudar a fazer frente às consequências que tem para nosso país, nosso povo e nosso modo de vida”, acrescentou. Envolverde/IPS
(IPS) 

ONU vê risco de violação de direitos humanos na crise de abastecimento de água

por Bruno Bocchini, da Agência Brasil
O relator das Nações Unidas para Água e Saneamento, Leo Heller, disse ontem, (29) que a crise de abastecimento de água no estado de São Paulo põe em risco o cumprimento dos direitos humanos, em relação ao acesso ao líquido. Heller reuniu-se nesta quarta-feira com organizações da sociedade civil, na capital paulista, para colher informações sobre a crise de abastecimento.
“Tenho certeza de que esse é um problema muito relevante, que tem muitos riscos de violação dos direitos humanos. Não quero afirmar que eles já estejam sendo violados, para não ser leviano, mas muitos depoimentos indicam essa direção. Atinge número expressivo de pessoas, pode ter enormes repercussões na vida dessas pessoas, no seu bem-estar e nos vários direitos humanos que essas pessoas têm”, disse ele, após audiência na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), organizada pela Aliança pela Água – rede formada por quase 50 entidades.
Perguntado sobre o programa da Empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que oferece tarifas especiais a grandes consumidores de água (o preço cai à medida que o consumo aumenta), Heller disse que o procedimento, caso agrave a crise de abastecimento, precisa ser repensado.
“Eu diria que, primeiro, é inaceitável negar acesso à água às populações, em detrimento de outros usos. A prioridade deve ser o acesso à água às populações. Não conheço esses contratos [com grandes consumidores], mas se eles estão levando a esse tipo de consequência, isso precisa ser repensado”, destacou.
Ele ainda comentou a proposta da Sabesp de aumentar em mais de 20% o preço da água na região atendida pela empresa. “Caso haja um aumento de tarifa, deve haver um cuidado muito grande em relação à acessibilidade financeira das populações mais pobres. Se o aumento de tarifa provocar falta de pagamento, por incapacidade financeira, e isso levar a cortes, a desconexões, isso pode caracterizar uma violação ao direito humano.”
O relator das Nações Unidas colheu informações e denúncias de entidades da sociedade civil. Um documento oficial deverá ser enviado a ele pelas entidades, com detalhamento dos problemas encontrados. Caso encontre violações de direitos humanos em relação ao acesso à água, Leo Heller deverá enviar ao país uma manifestação, chamada de Carta de Alegação, cobrando explicações. O processo é sigiloso. Mas caso a resposta não seja satisfatória, o relator poderá dar publicidade ao caso.
A reportagem procurou a Sabesp, na noite de hoje, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria. (Agência Brasil/ #Envolverde)
* Edição: Stênio Ribeiro.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

Câmara aprova fim do símbolo de transgênicos nos rótulos

por Redação do Greenpeace Brasil
Rotulagem deixa de ser obrigatória mesmo para produtos alimentares à base de matéria-prima 100% transgênica; Congresso Nacional priva o consumidor de seu direito básico
A Câmara dos Deputados aprovou ontem o Projeto de Lei (PL) 4148/08, de autoria do Dep. Luis Carlos Heinze (PP-RS), que altera a legislação de rotulagem para transgênicos, existente desde 2003. Com a nova lei, apenas produtos que apresentem mais de 1% de transgênicos em sua composição final precisam ser rotulados e o símbolo do “T” preto em triângulo amarelo deixa de ser obrigatório.
rotulo TNa prática, isso significa que a maior parte dos produtos que hoje são rotulados, garantindo aos consumidores brasileiros o direito à informação e escolha, não precisam mais exibir essa informação no rótulo, mesmo que tenham sido fabricados com matéria-prima 100% transgênica.
“O óleo de soja, por exemplo, amplamente usado pela população brasileira, não tem como ser testado para presença de transgênicos porque seu processo de fabricação destrói o DNA. Ou seja, você pode usar só grãos transgênicos na fabricação e ainda assim o teste não irá detectar”, explica Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace. O mesmo vale para margarinas, produtos contendo lecitina de soja (como chocolates e outros produtos industrializados), fubá, amido de milho e cervejas que contenham milho em sua composição – todos esses produtos têm o DNA destruído durante seu processamento sendo impossível, portanto, detectar a transgenia na composição final do produto.
A proposta aprovada ontem também extingue a exigência de rotulagem para produtos de origem animal e rações, e abre uma brecha para que produtos que não apresentem DNA transgênico em sua composição final sejam rotulados como “livres de transgênicos” – mesmo que tenham sido fabricados com matéria-prima 100% transgênica. Basta, para isso, que o teste realizado no produto final não apresente o DNA transgênico.
Retrocesso… e mais retrocesso
“Nesta semana tivemos a aprovação do Projeto de Lei da Biodiversidade, o PL 7735/14, que privilegia interesses privados em detrimento de comunidades tradicionais e pequenos produtores rurais. E agora este Projeto de Lei que aniquila o direito dos brasileiros de saber o que estão comendo”, atesta Vuolo. Ela lembra que também existem propostas para flexibilizar a legislação sobre terras indígenas, trabalho escravo e agrotóxicos
A relação íntima entre a bancada ruralista e grandes empresas do agronegócio não é de hoje. Em 2010, um parecer do Dep. Candido Vacarezza foi denunciado por ter sido redidigo por uma advogada ligada à Monsanto. O parecer em questão era justamente a respeito do PL 4148, do Dep. Luis Carlos Heinze, aprovado ontem. Atualmente, tanto o Dep. Heinze quanto o Dep. Vacarezza estão sendo investigados pela Operação Lava-Jato.
“Afinal, a quem serve o Congresso? Por que os interesses de grandes empresas são sempre colocados acima dos interesses da população?”, questiona Gabriela Vuolo. O PL 4148 segue agora para o Senado. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.
(Greenpeace Brasil) 

Expo 2015 propõe um Pacto sobre Políticas Alimentares Urbanas

por Maurizio Baruffi, da IPS
Como parte da campanha de Milão para promover uma política alimentar urbana que seja sustentável, os estudantes são exortados a levarem para suas casas as sobras dos alimentos não perecíveis em um saquinho onde se lê “Eu não desperdiço”. Foto: Municipalidade de Milão
Como parte da campanha de Milão para promover uma política alimentar urbana que seja sustentável, os estudantes são exortados a levarem para suas casas as sobras dos alimentos não perecíveis em um saquinho onde se lê “Eu não desperdiço”. Foto: Municipalidade de Milão

Milão, Itália, 30/4/2015 – Como podemos dar alimentos saudáveis a todos sem colocar em perigo a sobrevivência de nosso planeta? Esse é o assunto primordial da Exposição Internacional de 2015 (Expo 2015), cujo tema central,Alimentar o planeta, energia para a vida, é um enorme desafio para as cidades. Cerca de 50% da população mundial vive atualmente em zonas urbanas e se prevê que essa proporção aumentará para 66% até 2050. Garantir o direito à alimentação de todos os cidadãos e cidadãs, especialmente da população pobre urbana, é chave para promover o desenvolvimento sustentável e equitativo.
Como cidade anfitriã da Expo 2015, que começará amanhã, 1º de maio, Milão tem uma grande visibilidade e uma oportunidade política extraordinária para trabalhar pela construção de sistemas alimentares urbanos mais residentes. Esta é uma visão que a prefeitura decidiu realizar mediante a formulação de sua própria política alimentar e a adesão de tantas cidades quantas forem possível ao Pacto sobre Políticas Alimentares Urbanas, um compromisso mundial para “alimentar as cidades” de uma maneira mais justa e sustentável. A política alimentar que será implementada pelo governo de Milão nos próximos cinco anos é elaborada mediante um amplo processo participativo, a partir da avaliação das fortalezas e fraquezas do sistema atual da cidade.
Este é um panorama complexo, com algumas luzes e sombras que destacam várias áreas temáticas que a política alimentar deve considerar, como o acesso aos alimentos, o impacto socioambiental de sua produção e distribuição, os resíduos alimentares e a educação.
Milão tem mais de 1,3 milhão de habitantes, mas quase dois milhões de pessoas vão todos os dias à essa cidade italiana para trabalhar, estudar, se divertir ou receber cuidados médicos.
Com sua empresa pública de alimentação, Milano Ristorazione, a cidade prepara e distribui mais de 80 mil refeições diárias para escolas, asilos de idosos e centros de alojamento. Portanto, há muito que a cidade pode fazer para melhorar e difundir as boas práticas, por exemplo, ao abordar o problema dos resíduos e melhorar a sustentabilidade da cadeia alimentar.
Muitos projetos já estão em andamento. Mais de um terço das frutas e verduras servidas por Milano Ristorazione é orgânico, 57% têm sua origem em lugares próximos, e aos estudantes se pede que levem para suas casas as sobras dos alimentos não perecíveis.
A cada ano as famílias de Milão desperdiçam alimentos equivalentes a um mês de consumo, mas várias organizações sem fins lucrativos guardam os excedentes dos supermercados e cafeterias e os distribuem a mais de uma centena de organizações beneficentes na cidade.
Mas, como a pobreza aumenta em consequência da prolongada crise econômica, a sociedade civil e as instituições públicas trabalham ativamente para ajudar os necessitados. Os restaurantes populares oferecem cerca de dois milhões de refeições por ano e o próprio município de Milão entrega outras quase 250 mil às pessoas idosas e deficientes.
Atualmente a prefeitura consulta os cidadão, organizações da sociedade civil, acadêmicos, empresários e cozinheiros inovadores, entre outros, para saber sua opinião sobre os temas que deveriam ser abordados pela política alimentar da cidade. O objetivo é elaborar um documento estratégico a ser discutido no conselho municipal em maio, quando começarão a trabalhar as várias mesas de planejamento, cuja tarefa será converter essas diretrizes em projetos-piloto.
O processo culminará na adoção da política alimentar pela municipalidade de Milão e o lançamento de uma série de projetos-piloto que abordarão alguns dos temas expostos nessa política nos próximos anos.
Enquanto isso, o Pacto de Política Alimentar Urbana avança em bom ritmo. A ideia de um protocolo internacional sobre as políticas alimentares locais foi proposta em fevereiro de 2014 pelo prefeito da cidade, Giuliano Pisapia, na cúpula do Grupo de Liderança Climática, conhecido com C40, em Johannesburgo, na África do Sul.Alguns meses mais tarde, Milão e mais de 30 cidades de todo o mundo começaram a analisar o Pacto, mediante a troca de dados, metas e melhores práticas através de seminários pela Internet realizados no contexto do projeto Cidades com Inteligência Alimentar pelo Desenvolvimento, financiado pelo programa Desenvolvimento, Educação e Sensibilização (DEAR), da União Europeia.
É emocionante ver como áreas urbanas muito diferentes, como Nova Iorque, São Paulo, Gante, Daegu, Abidjã e Melbourne compartilham projetos, ideias, problemas e soluções com um objetivo comum, a construção de uma rede de cidades decididas a trabalharem juntas para transformar seu futuro, com o tema da comida como uma prioridade da agenda política.
Um grupo de especialistas internacionais trabalha em um projeto de protocolo do Pacto que será submetido a um conselho assessor e às cidades. A tarefa do conselho, integrado por organizações internacionais como Organização para a Alimentação e a Agricultura, Organização Mundial da Saúde, Programa Mundial de Alimentos e Comissão Europeia, é revisar o pacto e garantir que seja compatível com outras iniciativas internacionais sobre temas semelhantes.
Muitas cidades demonstraram interesse em aderir ao Pacto de Política Alimentar Urbana, que será assinado em outubro por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, e seus defensores esperam que seja um dos legados mais importantes da Expo 2015. No futuro próximo, o Pacto também estará presente na Conferência sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) que acontecerá em Paris no próximo mês de dezembro.
A agricultura e a produção de alimentos são os principais contribuintes para as emissões de gases-estufa, e a mudança climática afetará enormemente nossa capacidade produtiva. A construção de um mundo mais resistente, onde se garanta o direito de todos à alimentação, é um processo que precisa começar a partir das cidades e de sua capacidade para desenvolver políticas sustentáveis. Envolverde/IPS
*Maurizio Baruffi é chefe de pessoal da prefeitura de Milão, a cidade anfitriã da Exposição Internacional de 2015.
(IPS) 

Agricultores do Nepal terão dificuldades em colher arroz até 2016

por Leda Letra, da Rádio ONU
1,7 milhões de crianças precisam urgentemente de ajuda. Foto: Unicef/Nybo
1,7 milhões de crianças precisam urgentemente de ajuda. Foto: Unicef/Nybo
Previsão é da agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO; impactos do terremoto também afetarão colheita de trigo e de milho; dois terços dos nepaleses dependem da agricultura para sobreviver.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, calcula que vão ser necessários US$ 8 milhões para ajudar com urgência os agricultores do Nepal.
A agência prevê que o impacto do terremoto na segurança alimentar e no setor agrícola será muito grande. Os agricultores que perderem a temporada de plantio de arroz, prevista para começar no fim de maio, só poderão colher arroz no final de 2016.
Perdas
As colheitas de trigo e de milho também serão afetadas e isso limitará de forma severa os estoques de comida e a renda das famílias no Nepal, onde dois terços dos habitantes dependem da agricultura como meio de subsistência.
A FAO destaca que muitas áreas agrícolas, em especial as vilas nas regiões das montanhas, foram muito atingidas pelo desastre. Ainda não foi feito um balanço completo dos impactos do terremoto no setor, mas a agência da ONU acredita que as famílias perderam gado, plantações e estoques de comida. O terremoto deve ter destruído também canais de irrigação e de drenagem.
Visita
Cerca de 20 mil famílias que dependem da agricultura receberão o apoio da FAO, que está focada em ajudar os produtores a conseguir plantar arroz ainda no próximo mês.
A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, chegou esta quinta-feira ao Nepal, onde fica até sábado.
Saúde
Conseguir chegar a áreas remotas no Nepal também é uma preocupação da Organização Mundial da Saúde, OMS. Em apoio ao governo, a agência tenta levar ajuda médica a áreas além da capital Katmandu, onde as estradas foram danificadas pelo terremoto.
A OMS já enviou equipes médicas para um distrito nas montanhas, a 75 km da capital nepalesa, onde pelo menos 1,4 mil pessoas morreram. Em Gorkha, epicentro do terremoto, vários médicos internacionais já estão ajudando a população.
Crianças e Grávidas
Segundo a OMS, o acesso a áreas muito remotas é extremamente difícil, numa jornada que pode levar entre 10 e 12 dias a pé. Helicópteros do Nepal e da Índia levam medicamentos e profissionais de saúde para essas as regiões.
O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, calcula que 1,7 milhões de crianças precisam urgentemente de ajuda no Nepal. O desastre natural também afetou a vida de 126 mil grávidas.
As Nações Unidas acreditam que 8 milhões de nepaleses estão sofrendo com os impactos do terremoto, sendo que muitos estão desabrigados. A tragédia do sábado matou pelo menos 5 mil pessoas. (Rádio ONU/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Rádio ONU.
(Rádio ONU) 

Câmara retrocede e marco legal da biodiversidade reduz direitos

por Jaime Gesisky, do WWF Brasil
indigenas
Indígenas Kayapó com planta medicinal © Mauri Rautkari / WWF
Foi um retrocesso para os povos indígenas e comunidades tradicionais detentores de conhecimentos e provedores de biodiversidade. Na madrugada desta quarta-feira, 28/4, a Câmara dos Deputados rejeitou as principais emendas feitas pelo Senado ao projeto de lei 7735/14, do Poder Executivo, conhecido como “novo marco legal da biodiversidade” e que trata sobre os recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade e agrobiodiversidade.
Os deputados – em sua maioria da bancada ruralista – foram implacáveis. Excluíram 11 emendas que garantiam o essencial do ponto de vista dos direitos dos povos tradicionais, afrontando princípios da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas – CDB e da Constituição Federal, ambos mecanismos legais sacramentados ali mesmo naquele plenário.
O texto que agora vai à sanção da presidente Dilma Rousseff abre o acesso para empresas e pesquisadores ao patrimônio genético brasileiro, beneficiando principalmente as indústrias de remédios e cosméticos. Para os povos e comunidades tradicionais, a principal derrota é que a lei restringe a repartição de benefícios.
Além de restringir os direitos dessas populações, o texto aprovado da Câmara permite anistia de multas de empresas que tenham cometido infrações por exploração indevida do patrimônio genético, que é um bem sob responsabilidade da União.
Os deputados rejeitaram, por exemplo, o ponto que tornava obrigatório o pagamento de royalties sobre “qualquer” elemento [substância] de agregação de valor ao produto resultante do acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado. O texto agora prevê o pagamento apenas no caso em que a substância pesquisada seja o ingrediente principal do produto.
Na votação, ficou garantido que se um produto foi criado a partir de material existente na biodiversidade nativa, a empresa terá que repassar ao futuro Fundo Nacional de Repartição dos Benefícios de 0,1% a 1% da receita líquida anual obtida com a sua exploração econômica. As emendas que aumentariam alcances dos royalties foram rejeitadas.
Para o CEO do WWF-Brasil, Carlos Nomoto, a repartição de benefícios seria uma forma justa e mais duradoura de inclusão econômica das comunidades da floresta, que precisam de incentivos econômicos para continuar a proteger as matas nativas onde vivem há séculos.
Segundo ele, a justa repartição seria também uma maneira de estimular a economia de baixo carbono a partir do uso sustentável da biodiversidade, reconhecendo e respeitando direitos já consagrados na Constituição Federal e acordos internacionais, como o Protocolo de Nagoya e a Convenção da Diversidade Biológica (CDB/ONU).
Origem
O desequilíbrio de interesses entre os segmentos sociais diretamente envolvidos no tema do acesso e repartição de benefícios já veio impresso no texto enviado pela Casa Civil da Presidência da República, no final do ano passado. O Executivo foi quem formulou a primeira versão, encaminhada ao Congresso Nacional “em regime de urgência”, que fez com que o projeto tramitasse rapidamente, sem tempo de debates mais amplos com a sociedade.
“O Senado recuperou em parte essa disparidade. Chamou indústria, cientistas e comunidades, resgatando um pouco do processo democrático que se espera do Estado. Houve acordos entre os segmentos. Mas os deputados foram ainda mais conservadores do que a própria indústria e romperam esse tecido”, lamentou Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Perdas
As perdas impostas pela Câmara atingiram também as áreas protegidas (unidades de conservação da natureza de domínio público, terras indígenas, territórios Quilombolas e áreas prioritárias para a conservação). Os senadores propuseram que nos casos em que os royalties fossem na modalidade não monetária – quando o pagamento é feito com serviços ou materiais –, o usuário (empresa) indicaria o beneficiário da repartição, que poderia ser uma dessas áreas, no entendimento do Senado.
O Plenário da Câmara também derrubou o artigo que obrigava os órgãos oficiais de defesa dos direitos de populações indígenas (Funai) e de comunidades tradicionais (ICMbio, MDA) a serem ouvidos na hora dos acordos setoriais no caso de acesso a conhecimento tradicional associado de origem não identificável. O texto da Câmara trata essa consulta como uma “possibilidade”.
O Ibama também perdeu prerrogativas e não será mais um dos responsáveis pela fiscalização das pesquisas agropecuárias, juntamente com o Ministério da Agricultura. Prevaleceu o texto da Câmara, elaborado a pedido da Frente Parlamentar Agropecuária, que determina a fiscalização apenas pelo Ministério da Agricultura. (WWF Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.
(WWF Brasil) 

Clima: “Pressa é inimiga da ambição”, diz negociador

Por Redação do Observatório do Clima
img_0359
Segundo embaixador José Antônio Marcondes, Brasil apresentará proposta para o acordo de Paris no prazo estabelecido, mas sem atropelo
O negociador-chefe do Brasil na Convenção do Clima, José Antônio Marcondes, disse nesta quarta-feira que o país não tem pressa para apresentar sua proposta de redução de emissões de gases de efeito estufa para o acordo de Paris. “A pressa é inimiga da ambição”, afirmou, citando uma frase da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente).
O governo brasileiro havia sinalizado no ano passado que a chamada INDC (contribuição nacionalmente determinada pretendida, na sigla em inglês) poderia ser submetida à ONU em junho. Neste ano, porém, o Itamaraty passou a sinalizar que poderia esperar até o fim do prazo final dado pelas Nações Unidas, 1o de outubro.
“Estamos trabalhando no sentido de ter um compromisso sério, que não seja em cima da perna”, afirmou o embaixador, após uma audiência pública da Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso para discutir a conferência de Paris. “Esse acordo vai começar a ter vigência em 2020. Por que a pressa de agora? É um sinal, é politicamente compreensível, mas temos que ter em conta o objetivo de longo prazo, que é ficar nos 2oC”, prosseguiu Marcondes, em referência ao objetivo de longo prazo, acordado por todos os países, de tentar manter o aquecimento global abaixo de 2oC em relação ao período pré-industrial até o fim deste século. “Apresentaremos nossa INDC no prazo previsto pela convenção, mas estamos mais preocupados com a ambição do que com a pressa.
O diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santiago, disse durante o mesmo evento que o Brasil não apresentará sua proposta “aos 45 do segundo tempo” – ou seja, no final de setembro –, mas que acha difícil que a proposta esteja pronta em junho.
Segundo Santiago, as INDCs apresentadas até agora “não significam necessariamente ambição”. Ele citou, por exemplo, a meta proposta pelos EUA, de reduzir emissões de 26% a 28% em relação a 2005. “O Brasil em relação a 2005 reduziu 41%”, disse. “O México, se considerarmos 2030, vai aumentar emissões.”
O conteúdo da INDC brasileira ainda é um mistério. No entanto, Marcondes adiantou que o Brasil tratará na sua proposta tanto corte de emissões (mitigação) quanto adaptação às mudanças do clima. Como o Plano Nacional de Adaptação só deve entrar em consulta pública em junho ou julho, incorporá-lo à proposta brasileira provavelmente significará esticar a data de submissão.
Santiago disse que deverá haver compromissos para a área de agricultura, um aumento da participação de renováveis na matriz e também uma meta na área de florestas. “[Estamos] pensando numa ampla discussão sobre desmatamento líquido zero”, afirmou.
O coordenador do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), Tasso Azevedo, afirmou que, para que os 2oC tenham chance de ser atingidos, é preciso que o chamado “espaço de carbono” seja mantido. Segundo essa conta, a humanidade não pode emitir mais do que 1 trilhão de toneladas de CO2 até o fim do século – e metade disso já foi emitido no último século.
Para manter o espaço de carbono, afirmou, o nível de ambição de todos os países grandes precisaria crescer muito – inclusive a do Brasil. Para o país, isso significaria chegar a 1 bilhão de toneladas de CO2 em 2025 (hoje o país emite 1,56 bilhão) e zerar as emissões líquidas em 2050. “Poderíamos apresentar isso como um desafio aos países desenvolvidos: a gente está disposto a zerar as nossas emissões líquidas, mas só se vocês botarem na mesa uma proposta compatível com esse nível de emissões.” (Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
(Observatório do Clima) 

Cidades educadoras: O espaço urbano no centro da aprendizagem

por Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz
A cidade é o lugar onde a maioria de nós vive, desde 2007, quando 50% da população mundial passou a viver em ambientes urbanos. Mas o que fazemos deste espaço? O geógrafo David Harvey, citando Robert Park, nos lembra que a humanidade, ao tentar recriar o mundo de sua forma, mesmo sem clara consciência de sua tarefa, fez as cidades e assim, refez a si mesmo. Com essa lição de casa em andamento constante, convém parar para pensar: que cidade queremos?
A dimensão é gigantesca: dentre as milhares de urbes que temos, são muitos modos de viver, de organizar o espaço e a vida de seus habitantes. Mas, desde os anos noventa, uma proposta provoca, e assim, ajuda a criar, uma outra concepção urbana: e se a cidade for uma escola?
Essa é a noção que sublinha a atuação das 470 Cidades Educadoras, distribuídas em 36 países pelo mundo, organizadas em rede pela Associação das Cidades Educadoras (AICE), fundada em 1990 em um congresso em Barcelona.
A Carta das Cidades Educadoras, fruto do evento, defende que as cidades têm um potencial educativo em estado inercial, que precisa ser ativado. Que além de desenvolver atividades sociais e econômicas, também é preciso transformar o espaço comum em uma escola a céu aberto, em contato permanente com a comunidade. Que cidadania, participação social e educação caminham ao lado da democracia, solidariedade e tolerância. E que a aprendizagem é algo orgânico e inerente ao ser humano, e que nos acompanha pela vida inteira.
“Hoje mais do que nunca as cidades, grandes ou pequenas, dispõem de inúmeras possibilidades educadoras, mas podem ser igualmente sujeitas a forças e inércias deseducadoras. De uma maneira ou de outra, a cidade oferece importantes elementos para uma formação integral: é um sistema complexo e ao mesmo tempo um agente educativo permanente, plural e poliédrico, capaz de contrariar os fatores deseducativos”, descreve o preâmbulo da carta (disponível em português aqui).
Cidade das crianças
Jaúme Martínez Bonafé, professor titular do Departamento de Didática e Organização Escolar na Faculdade de Filosofia da Universidade de Valencia, retoma a proposta de uma Cidade das Crianças, criada pelo italiano Francesco Tonnuci. Segundo Boanfé, esse conceito apresenta uma cidade “pensada para todos, para os idosos, uma cidade de espaços de encontro, diálogo, passeio”. E mais do que isso: sendo uma construção humana, formada por diversas subjetividades e processos históricos, a cidade também é um currículo, repleto de aprendizagens.
“A educação tem que sair da escola”, acredita Bonafé. “A escola tem que sair de si mesma. Tem que buscar outros percursos, descobertas, a busca de algo novo, ter menos regras e colocar a possibilidade da descoberta. O século 21 precisa de uma educação que passe pela análise crítica do discurso, ou como diria [o educador Paulo] Freire, uma leitura crítica da realidade”.
De acordo com ele, não basta conectar espaços tradicionais e institucionais como museus e centros culturais com a escola: é preciso que o espaço público, comum, local de debate e convivência, tenha suas potências exploradas de maneira educativa. “O educador tem que sair da compreensão restrita do currículo e das fragmentação das disciplinas clássicas, para abrir projetos de investigação, de descoberta, do olhar interdisciplinar. Enquanto falarmos de matemática e língua de maneira separada, não se chegará a nada. A cidade já integra todas essas dimensões”, avalia.
Educação contra a desigualdade
Em sua visita por São Paulo, em outubro de 2014, o economista inglês Gareth Jones da London School of Economics (LSE), afirmou que, para diminuir desigualdades sociais, não há saída melhor que a educação. “Não podemos contar sempre com crescimento, produção e estabilidade. Nesse sentido, o melhor investimento social, e existem milhares de estudos comprovando isso, está na educação. Uma boa escola em um bairro pobre é capaz de transformar uma realidade e a vida de seus habitantes”.
Essa parece ter sido uma das lições que Rosario, a terceira maior cidade da Argentina, atrás de Córdoba e Buenos Aires, e próxima sede do Congresso Internacional de Cidades Educadoras, que acontecerá em 2016, tirou da prática de Cidade Educadora, que exercita desde 1996. Laura Alfonso, diretora do Escritório Regional da América Latina para a AICE, contou um pouco deste percurso ao Portal Aprendiz.
Segundo ela, desde que a cidade se viu como Cidade Educadora, uma série de políticas públicas acompanharam essa definição. “Começamos com uma descentralização institucional, com a ideia de que era necessário ter um governo mais próximo e amigável. Também se desenvolveram muito as políticas sociais, de maneira integrada com transportes e lazer, sempre tendo em mente a necessidade de oferecer aos mais vulneráveis oportunidades iguais”, explica Laura.
Criação de espaços culturais e de brincar, escolas de música, integração de práticas esportivas com promoção social, fortalecimento de instituições de bairro, economia social, hortas urbanas, aproximação entre educação, saúde e cultura. Para Rosario, tudo isso passou a fazer parte de uma política de educação que transcende o dia a dia da escola para refletir e impactar o cotidiano do município.
Além disso, a cidade adotou o modelo de orçamento participativo, já experimentado em muitas cidades brasileiras, que tem representado uma oportunidade de participação e aprendizado para todos os envolvidos. “Construímos também um Conselhos das Crianças, nas quais nossos jovens são instados a pensar que cidade querem e a oferecer ideias para o poder público”, revela Laura.
Conceber a cidade como um espaço educador, então, pode ser uma forma de reduzir desigualdades e aprofundar a democracia? Laura não têm dúvidas: “Uma cidade educadora tem tudo a ver com mecanismos de participação. É importante que nos sintamos responsáveis pelo nosso entorno, pela nossa vida política e cidadania. E uma Cidade Educadora tem que ser inclusiva, para que todos tenham seu direito à cidade garantido, para que cresçamos juntos”, finaliza.
No Brasil
Belo Horizonte (MG), Caxias do Sul, Santiago e Porto Alegre (RS), Jequié (BA), Vitória (ES), Itapetininga, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, Sao Carlos, São Paulo, São Pedro e Sorocaba (SP), são as quatorze cidades brasileiras que se declaram educadoras, segundo a AICE. Cada uma delas se propôs a dedicar esforços na tarefa de transformar suas cidades.
Para Venuzia Fernandes, Secretária de Educação de Santos, no litoral paulista, educação tem que ser uma prioridade na formação de um cidadão atuante sobre deveres e direitos na cidade, trabalho que deve ser feito de forma integrada com as demais secretarias e a com comunidade em geral. “Queremos que a educação vá além dos muros da escola. Para nós, uma cidade educadora se preocupa com todos seus habitantes”.
Para garantir esse processo, a Secretaria investe em políticas públicas que fortaleçam a ligação da comunidade com a escola, como “Santos da Gente”, que visa apresentar a cidade, seu patrimônio histórico e cultural, para os estudantes. Se aproveitando do fato de que cerca de 19% da população da cidade é composta por idosos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi pensado o projeto “Vovô Sabe Tudo”, que leva idosos para participar da educação como condutores de bondes, contadores de história e cuidadores de hortas comunitárias.
O município do litoral paulista também incentiva a formação de grêmios escolares desde o Ciclo I do Ensino Básico e oferece uma Câmara Jovem, onde as crianças e adolescentes podem debater o futuro da cidade e entender os trâmites da democracia. Ao final deste mês, haverá uma Semana do Brincar, que pretende instaurar o lúdico nos ambientes públicos da cidade, esperando também aproximar a família da educação das crianças.
“É um grande desafio trazer a família para participar da educação dos filhos, mas tentamos incentivar de diversas maneiras. Uma delas passa por oferecer bibliotecas e programas de acompanhamento que incentivam a escolha e leitura conjunta de livros entre pais e filhos. Também tentamos abrir a escola para a comunidade, fazendo ela um ponto para serviços de saúde, prestação de serviços e emissão de documentos”, aposta Venuzia.
Para além das instituições
Mas não é apenas a partir da iniciativa de governos e secretarias, que a cidade pode se converter em um território educativo. Propostas como a Virada Educação (SP), o Ecomuseu de Maranguape (PE) e o Bairro-escola Rio Vermelho (BA), revelam como é possível romper com o modelo tradicional de educação e de urbanidade que temos, potencializando aprendizagens e transformando a realidade local de uma comunidade.
Outra reconfiguração necessária abrange o papel dos educadores nesse processo de uma cidade que educa. Micaela Altamirano, professora de Artes da rede pública e particular de ensino paulistana, se confronta diariamente com esse desafio: ela resolveu adotar a cidade como um espaço de reconhecimento histórico e cultural e reorientou seu trabalho com os jovens para as diferentes estéticas urbanas.
Foto: Ednilson Maia/ Portal Aprendiz
Foto: Ednilson Maia/ Portal Aprendiz

A atividade proposta por ela teve início com a leitura de um livro de um autor indígena, Daniel Munduruku, que narra a histórias dos nomes dos bairros de São Paulo. Partindo disso, e associada a professoras de outras disciplinas, Micaela levou os estudantes para conhecer as cinco zonas de São Paulo. Em sua opinião, era fundamental revelar a história da cidade, vinculando a trajetória das regiões às vidas dos estudantes.
“Por muito tempo o espaço público foi abandonado pelo poder público e tem sido visto como um espaço de guerra, de violência, de aridez. Isso incentiva as pessoas a quererem se isolar, a se desumanizarem, a deixarem de fazer parte”, pondera a educadora, que aponta a ocupação da cidade como uma das formas de reverter essa lógica.
“Não dá para, como professor, achar que a experiência está pronta, que você vai passar um conteúdo em sala e aí está. Eu vejo tantos educadores brigando com celular, disputando a atenção do aluno, sem pensar nas oportunidades educativas na cidade. Eu acho que é impossível que a experiência educacional aconteça fechada, em um lugar inóspito, militarizado, fechado a tudo que seu entorno oferece”, analisa.
Micaela observou, a partir de sua prática, que o estudante que vivencia o espaço acaba por transformar aquilo em conteúdo. Citando uma situação tensa que vivenciou, quando embarcou no trem das seis com seus estudantes, a educadora chama atenção para as oportunidades educativas que a vida na cidade oferece.
“O imprevisto dá leitura: para a questão do transporte público, para a dinâmica da cidade, para a questão de centro e periferia. A cidade tem todos os conteúdos e, se você usa, é menor a luta para chamar a atenção do jovem e maior a apropriação do espaço por ele, a compreensão de sua presença ali, e de como ele pode devolver o que aprendeu para o mundo”, conclui. (Portal Aprendiz/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
(Portal Aprendiz) 

Mais de 80% do desmatamento futuro estarão concentrados em apenas 11 lugares

por Redação do WWF Brasil
Vista aérea de plantação de soja em área de Cerrado nativo, na região de Ribeiro Gonçalves, Piauí, Brasil. © Adriano Gambarini/WWF-Brasil
Vista aérea de plantação de soja em área de Cerrado nativo, na região de Ribeiro Gonçalves, Piauí, Brasil.
© Adriano Gambarini/WWF-Brasil
Jacarta, Indonésia – Onze lugares do mundo – dos quais 10 estão localizados na região tropical – serão responsáveis por mais de 80% da perda mundial de florestas até 2030, de acordo com uma pesquisa divulgada hoje pela Rede WWF.
Até 170 milhões de hectares de florestas poderão desaparecer entre 2010 e 2030 nessas “frentes do desmatamento”, caso se mantenha a tendência atual, segundo as descobertas reveladas no último capítulo da série Relatório Florestas Vivas, da Rede WWF. Essas frentes estão localizadas na Amazônia, na Mata Atlântica e no Grande Chaco (Bolívia, Paraguai e Argentina), em Bornéu, no Cerrado, no Choco-Darien (no Oeste do Equador), na Bacia do Congo, na África Oriental, no Leste da Austrália, no Grande Mekong, na Nova Guiné e em Sumatra.
Esses locais possuem uma das maiores riquezas em termos de vida silvestre, inclusive espécies ameaçadas de extinção. E todos eles abrigam comunidades indígenas.
“Imagine uma floresta que se estende através da Alemanha, França, Espanha e Portugal, e que seja destruída em apenas 20 anos”, exemplifica Rod Taylor, diretor do Programa Mundial de Florestas da Rede WWF. “Estamos examinando como se pode salvar as comunidades e as culturas que dependem das florestas e assegurar que as florestas continuem a estocar carbono, filtrar nossa água, fornecer madeira e servir de habitat para milhões de espécies”.
O relatório está baseado numa análise anterior realizada pela Rede WWF, que mostra que mais de 230 milhões de hectares de florestas irão desaparecer até 2050 se não forem adotadas ações para enfrentar essa situação e, ainda, que a perda florestal precisa ser reduzida até alcançar o nível quase zero até 2020, de forma a evitar a ocorrência de mudanças climáticas perigosas e perdas econômicas.
Soluções em nível de paisagem são vitais para acabar com o desmatamento
O documento intitulado “Living Forests Report: Saving Forests at Risk” (Relatório Florestas Vivas: salvar as florestas ameaçadas” analisa onde é mais provável que ocorra desmatamento em curto prazo, as principais causas e as soluções para reverter a tendência projetada. Em termos mundiais, a maior causa do desmatamento é a expansão agrícola – inclusive a pecuária comercial, a produção de óleo de palma (azeite de dendê) e a produção da soja, assim como a agricultora de pequena escala. A extração não-sustentável de madeira e a coleta de lenha podem contribuir para a degradação florestal, enquanto a mineração, as hidrelétricas e outros projetos de infraestrutura resultam em novas rodovias que abrem as florestas para os colonos e a agricultura.
“As ameaças sobre as florestas vão além de uma empresa ou indústria e muitas vezes atravessam as fronteiras nacionais. Elas exigem soluções que levem em conta toda a paisagem”, afirma Taylor, que conclui: “Isso significa uma colaboração na tomada de decisão sobre o uso da terra, levando em conta as necessidades das empresas, das comunidades e da natureza”.
A divulgação desse relatório acontece na Cúpula de Paisagens Tropicais: uma oportunidade de investimento global, uma reunião internacional de líderes políticos, empresariais e da sociedade civil, que se realiza em Jacarta, na Indonésia.
“A cúpula é uma oportunidade de se avançar no investimento verde e desenvolver parcerias público-privadas que sejam transformadoras”, afirma o diretor geral da Rede WWF, Marco Lambertini, que irá discursar no evento. “A Indonésia tem uma grande oportunidade de fazer uma transição para uma economia verde inovadora, que priorize a prosperidade e o bem-estar dos seres humanos tanto quando um meio ambiente saudável. Escolher manter as florestas naturais saudáveis para múltiplas finalidades e otimizar a produtividade das terras adjacentes constituirá um exemplo arrebatador dessa abordagem. Precisamos um planejamento inteligente do uso da terra, que reconheça o valor em longo prazo das paisagens florestais saudáveis.”
A Indonésia em foco
Apesar de uma recente desaceleração, o desmatamento continua sendo uma questão importante na Indonésia. A ilha de Sumatra perdeu mais da metade de suas florestas naturais devido às plantações para suprir as indústrias de papel e de óleo de palma (azeite de dendê); e as florestas remanescentes estão gravemente fragmentadas. Projeções da Rede WWF mostram que até 2030 a perda florestal atingirá outros 5 milhões de hectares de florestas. Caso a tendência atual se mantenha, a cobertura florestal na frente do desmatamento na ilha de Bornéu, inclusive nas partes pertencentes à Malásia e ao Brunei, poderá, até 2020, ficar reduzida a menos de uma quarta parte de sua área original. A ilha de Nova Guiné (que inclui uma parte pertencente à Indonésia e outra que é a Papua Nova Guiné) poderá perder até 7 milhões de hectares de floresta entre 2010 e 2030, caso os planos de desenvolvimento agrícola em grande escala sejam concretizados.
“O governo indonésio e os formuladores locais de políticas podem alterar os planos de desenvolvimento e passar de abordagens com foco em ganhos de curto prazo para outras que se baseiem no uso da terra, salvaguardem as florestas e propiciem oportunidades econômicas”, afirma Taylor. “A moratória sobre novas permissões para conversão florestal significa uma oportunidade de avaliar o que pode ser feito para deter as frentes de desmatamento e desenvolver uma economia mais verde e mais inclusiva”.
Três biomas do Brasil aparecem na lista
Os biomas Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado são três biomas brasileiros mencionados no relatório.
O bioma Amazônia compreende 6.7 milhões de km2, uma área compartilhada por nove países: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, e Guiana Francesa. Mais de 34 milhões de pessoas vivem na região Amazônica. Entre elas, incluem-se 385 grupos indígenas, 60 dos quais vivem em isolamento voluntário. A maior floresta do mundo é também o local onde são esperadas as maiores perdas. Se for mantida a recente tendência de desmatamento, até 2030 mais de uma quarta parte da Amazônica ficará sem árvores.
As principais ameaças provêm dos crescentes interesses políticos e econômicos e de uma visão de curtíssimo prazo sobre como devem ser usadas as terras e as riquezas naturais da Amazônia. As ameaças variam conforme o país e mesmo dentro do mesmo país, mas elas podem ser caracterizadas como especulação e apropriação ilegal de terra (grilagem), agricultura mecanizada em grande escala, e a pecuária extensiva, infraestrutura de transportes e, em menor grau, agricultura de subsistência em pequena escala. Mais importante do que separar as causas, no entanto, é compreender a relação geográfica e econômica entre elas, bem como o efeito multiplicador de sua combinação.
Outro bioma que aparece no relatório é a Mata Atlântica, que teve sua vegetação reduzida a 11,7% da original, está distribuída em milhares de fragmentos florestais. Ela é considerada um dos ecossistemas insubstituíveis do mundo e convive hoje com ambientes intensamente urbanizados, onde se concentram mais de 120 milhões de brasileiros (75% da população) e atividades econômicas que respondem por mais de 70% do PIB nacional, como a agropecuária. Apesar das profundas transformações que sofreu ao longo da história, o bioma ainda abriga diversas e raras formas de vida, fornece 60% da água consumida pela população brasileira, opções de lazer, proteção de encostas e outros serviços ambientais indispensáveis ao desenvolvimento e à manutenção da qualidade de vida das populações. O bioma conta com controle cada vez mais restritivo das leis para proteção dos fragmentos restantes.
O Cerrado brasileiro é o terceiro mais ameaçado. É a segunda formação vegetal em extensão na América do Sul após a Amazônica. O Cerrado ocupa ¼ do território brasileiro, o que corresponde a uma área de mais de 2 milhões de km², ligando nove estados brasileiros. Sua localização diz muito sobre sua importância, pois ele faz conexão com os com 4 dos 5 biomas do país – Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal -, por isso compartilha animais e plantas com estas regiões. Além de abrigar exemplares únicos da biodiversidade. Ele contém quase 5% de todas as espécies do planeta, mas menos de 3% (do bioma) está em unidades de conservação de proteção integral.
As principais ameaças do Cerrado estão relacionadas à expansão de pasto para criação de gado e aos monocultivos de eucaliptos e de soja que, desde a década de 1970 geram muitos impactos ambientais, acarretando em grandes desmatamentos e conflitos socioambientais. Também se somam como fatores de risco para o bioma os incêndios florestais e a ampla demanda por produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica. O desmatamento e as queimadas já devastaram 100 milhões de hectares do Cerrado, ou seja, metade do bioma. Tais práticas de uso do solo são as principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa no Brasil. (WWF Brasil/ #Envolvere)
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.
(WWF Brasil) 

"LUSH PRIZE" - Empresa oferece £250,000 à ciência livre de animais

30 de abril de 2015 

Por Karina Bentes (em colaboração para a ANDA)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A maior premiação global anual do setor de testes em animais abriu suas inscrições nessa semana, com um fundo de £250,000 para premiar cientistas e ativistas.
As inscrições para o Lush Prize 2015 foram abertas no dia 24 de Abril, Dia Mundial dos Animais de Laboratórios. Esse quarto ano da premiação Lush Prize chega a um milhão de libras que foram entregues para iniciativas de apoio ao fim do uso de animais em pesquisas de toxicologia (testes químicos).
Um projeto conjunto entre a empresa de cosméticos Lush e o grupo de pesquisa Ethical Consumer, a premiação foi criada para impulsionar a substituição completa de animais em experimentos.
As cinco categorias principais da premiação cobrem cientistas, treinadores, jovem pesquisadores, conscientização pública e lobby, criando uma ponte entre toda a rede necessária para criar alternativas cientificas humanas e relevantes que sirvam como alternativa para o uso de animais. Existe uma sexta categoria, Black Box Prize (O Prêmio da Caixa Preta), disponível pra qualquer cientista ou equipe responsável por uma descoberta chave para a trajetória da toxicologia humana. Nessa ocasião, o montante de £250,000 será entregue para essa categoria exclusivamente.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Trinta e sete cientistas e organizações em 19 países já foram beneficiados do fundo de £750,000 do Lush Prize por suas ‘contribuições espetaculares’ para a substituição dos testes em animais. Os ganhadores de 2014 refletiram a natureza global da premiação, representando 11 países, incluindo os primeiros ganhadores da África e América do Sul, sendo um dos ganhadores o jovem pesquisador brasileiro Róber Bachinski.
O porta voz do Lush Prize, Craig Redmond, diz: “Os testes em animais estão cada vez mais sendo reconhecidos como não científicos e duvidosos. Para completar, um relatório do Oxford Centre for Animal Ethics (Centro Oxford para Ética Animal) descreveu esses experimentos como ‘moralmente impensáveis’. O Lush Prize une cientistas, ativistas e lobistas que incentivam o progresso em atividades científicas mais humanas e mais relevantes para o fim dos testes em animais. Nós estamos animados de estarmos novamente recompensando trabalhos incríveis por todo o mundo.”
As inscrições para o Lush Prize podem ser feitas online no site oficial e encerram no dia 24 de julho. Um painel de jurados especialistas de todo o mundo, incluindo o brasileiro Thales Trez que participa pelo segundo ano consecutivo, irão se reunir em setembro e os vencedores receberão seus prêmios durante uma conferência e jantar de premiação em Londres em novembro.
O Lush Prize é uma parceria entre a Lush e a Ethical Consumer para apoiar a toxicologia livre de animais e foi desenvolvido para recompensar grupos ou indivíduos que trabalham no campo de pesquisas científicas livres de crueldade, conscientização e lobby para ajudar a acabar com os testes em animais. O fundo anual de £250,000 é o maior prêmio do setor de testes alternativos sem animais, e o único a focar apenas na substituição de animais em testes. Ele pretende colocar pressão para testes seguros para produtos de consume de uma maneira que complemente projetos já existentes direcionados aos testes de medicamentos.

VEGETARIANDO POR AÍ - DANIELE E TIAGO : 10 blogs de viagens veganas para você seguir

Nós adoramos ver fotos e relatos pessoais de viagens! A gente se transporta para o lugar e se inspira a viver e conhecer cada vez mais. Quando estamos planejando uma viagem, sempre buscamos antes o máximo de informação sobre o lugar de destino, desde a história, cultura, pontos turísticos, e claro, quais opções veganas existem por lá.
Procurar se já existem relatos de viagem na cidade feito por veganos é a melhor forma de obter dicas, pois haverá a descrição da experiência pessoal no local, fotos diferentes das comerciais e quais valem a pena. Informações mais completas e atualizadas. Além disso, haverá dicas de descobertas veganas “não oficiais”.
Seguem abaixo dicas de blogs de veganos viajantes que descobrimos ao longo do caminho. Mas não poderíamos deixar de incluir o nosso na lista também, claro! :)
1. Vegetariando Por Aí
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Criado para ser um registro das descobertas veganas durante viagens, formando roteiros especiais. O Vegetariando por aí é feito por um casal brasileiro com uma visão diferenciada de cada cidade, vivenciando e relatando não só a comida, mas a cultura e atividades do ponto de vista dos Direitos Animais. Há roteiros de cidades nas diferentes regiões brasileiras e alguns paises sulamericanos.
Clique aqui e conheceça.
2. The Walking Vegan
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Eles são brasileiros e estão com esse blog novinho escrito em inglês com dicas veganas pelo mundo, como Austrália, Fiji, Tailândia, Hong Kong e Nova Zelândia.
Clique aqui e conheça.
3. Vegan4You
Um casal vegano de São Paulo, criadores também do app SPveg, viajam e compartilham dicas de restaurantes. No site tem Buenos Aires, Kuala Lampur e muitos outros.
Clique aqui e conheça.
4. Comedores de Paisagem
Ela é de Portugal, vegana e viaja sozinha, com preferência pelos lugares “fora do mapa”. Já veio para a América do Sul e tem relatos de lugares como Grécia, Madagascar, Moçambique, Paquistão, China ou mesmo Itália. As fotos são incríveis.
Clique aqui e conheça.
5. Viagem Vegana
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Mais direto, impossível. Dicas veganas no Atacama, Peru, Londres, Turquia, Barcelona, …
Clique aqui e conheça
6. Vegan Trip
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Diário de viagem gastronômico (ou um guia de sobrevivência vegan para mochileiros). Feito por um casal vegano em viagem para Barcelona, Paris e Amsterdam.
Clique aqui e conheça.
7. The hungry vegan
Anne-Marie é uma australiana que se apaixonou pelas Américas! Relata aventuras e desventuras de maneira bem informal e pessoal. Tem muitas dicas.
Clique aqui e conheça.
8. Vegan World Trekker
Americana viaja por todos os continentes mostrando muitas dicas de restaurantes veganos em cada lugar. Muito bom!
Clique aqui e conheça.
9. Vegan Miam
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Humm em português, Yamy em inglês, Miam em francês. Mas o casal blogueiro é de Oregon, e viajam o mundo para descobrir cada vez mais da gastronomia vegana. Dos continentes, só não passaram pela África ainda. O objetivo do blog são as comidas veganas em cada viagem.Tem México, Colômbia, Alemanha, Hungria, Nova Zelândia, Coréia do Sul, etc. Os dois são fotógrafos, então fique sabendo que as fotos são espetaculares.
Clique aqui e conheça.
10. Vegan backpackers
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Jill e John são canadenses e viajam o mundo desde 2010 relatando as descobertas veganas. Já deram uma rápida passada pelo Brasil, e também pelo Egito, Canadá, EUA, Londres, Irlanda, República Checa, Bélgica, etc.
Clique aqui e conheça.
Nós falamos que seriam 10? Mentira! São 11!
11. Heart of a Vagabond
Blog da Yara, uma portuguesa vegana que viaja sozinha por países da Ásia e Europa com o mínimo de recursos e muita independencia. Os destinos são mais alternativos, como Malásia, Índia, Nepal, Tailândia e Turquia. Mas também Reino Unido, Portugal, EUA,… É escrito em inglês.
Clique aqui e conheça.