segunda-feira, 31 de março de 2014

Cidades usam o seu poder rumo ao desenvolvimento sustentável



por Redação do WWF Brasil
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Igreja da Pampulha será um dos ícones apagados em Belo Horizonte na Hora do Planeta 2014. Foto: © Prefeitura Municipal de Belo Horizonte/Divino Advincula

Cidades de todas as regiões do mundo estão se unindo no compromisso de um futuro de energia renovável. Durante a cerimônia oficial de premiação do Desafio das Cidades da Hora do Planeta, em Vancouver (Canadá), realizado nesta semana, Belo Horizonte demonstrou o seu apoio ao movimento de cidades cada vez mais limpas e sustentáveis.
Junto com outras oito cidades de diferentes continente que foram eleitas capitais nacionais da Hora do Planeta durante a edição deste ano do Desafio, BH se integrou ao chamado para governos e instituições financeiras ao redor do mundo de ampliar significativamente os investimentos em energias renováveis.
Além de Belo Horizonte, Bruxelas (Bélgica), Copenhagen (Dinamarca), Lappeenranta (Finlândia), Monteria (Colômbia), Seoul (Córeia do Sul), Estocolmo (Suécia) e Coimbatore (Índia) assinaram o termo e se comprometeram com soluções de desenvolvimento sustentável cada vez mais distantes de carvão, petróleo e gás.
A campanha global da Rede WWF Use o Seu Poder (Seize Your Power, em inglês) busca aumentar o investimento em energias renováveis em 40 bilhões de dólares até junho de 2014. Atores importantes nos governos mundiais e no setor financeiro estão sendo procurados para investimento significante e compromissos público rumo a um futuro de energia verde e distante dos combustíveis fósseis.
Você também pode participar assinando a petição.
Use o Seu Poder também é o slogan global da Hora do Planeta 2014. Todos estão convidados a apagarem as luzes das 20h30 às 21h30 deste sábado (29/03) e unirem-se ao WWF além da hora com ações e práticas mais sustentáveis no nosso cotidiano. Saiba mais no site oficial da campanha.
Belo Horizonte é uma das capitais brasileiras que terá monumentos apagados. A Igreja da Pampulha, Praça da Bandeira, edifício-sede da Prefeitura e Secretaria de Meio Ambiente estão na lista. Veja todas as cidades do País que aderiram à Hora do Planeta aqui.
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.
(WWF Brasil)

Gás de xisto e terremotos crescem lado a lado no México



por Emilio Godoy, da IPS
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Mapa sismológico do Estado de Nuevo León, nordeste do México, entre outubro de 2013 e março de 2014. Foto: Universidade Autônoma de Nuevo León

Cidade do México, México, 31/3/2014 – Os cientistas alertam: a exploração em grande escala de gás depositado em rochas de xisto, programada pelo consórcio estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), vai agravar o quadro sismológico do norte do país, uma região já propensa aos tremores de terra. Os especialistas vinculam a sequência de tremores de 2013, nos Estados de Tamaulipas e Nuevo León, no norte, com a exploração e prospecção de gás nas bacias gasíferas de Burgos e Eagle Ford, esta última compartilhada com o Estado do Texas, nos Estados Unidos.
A conclusão do pesquisador Ruperto de la Garza é clara, ao identificar uma ligação entre os movimentos telúricos e a fratura hidráulica, conhecida como fracking por seu nome em inglês. Esse método extrai o gás das rochas de xisto, ardósia ou argila compactada onde está represado, mediante seu rompimento horizontal a grande profundidade.
“O resultado final é o deslocamento da estrutura geológica, para permitir que, ao ser pulverizado, o gás possa escapar”, contou à IPS esse especialista da consultoria Gestão Ambiental e de Riscos, de Saltillo, capital do Estado de Coahuila, também no norte. Com esse objetivo são introduzidas substâncias químicas o que, “ao desagregar as partículas de lutitas (rochas sedimentares), faz com que a terra se reacomode”, afirmou. “Não é surpresa haver acomodações de terra. No pecado está a penitência”, assegurou.
De la Garza também traçou um exaustivo mapeamento dos movimentos sísmicos de 2013 e das áreas gasíferas de prospecção ou perfuração comercial. Sua descoberta, divulgada no dia 22, é que existe coincidência entre as duas atividades.
Estatísticas do Serviço Sismológico Nacional mostram um aumento na intensidade e na frequência dos tremores em Nuevo León, onde foram registrados pelo menos 31 entre 3,1 e 4,3 graus de intensidade na escala Richter. A maioria desses sismos ocorreu em 2013. Também foram registrados, de 2 a 3 deste mês, os de maior intensidade, segundo registraram os sismógrafos oficiais. De la Garza considera maiores as quantidades de tremores nesse Estado no ano passado e no que vai de 2014.
A bacia de Burgos se estende pelos Estados de Nuevo León, Tamaulipas e Coahuila (ao norte) e abriga grandes reservas de gás convencional, que começaram a ser explorados na década passada. Nesses depósitos também há, segundo prospecções, gás de rochas. Desde 2011, a Pemex perfurou ao menos seis poços em rochas de xisto, ardósia ou argila compacta em Nuevo León e Coahuila. Também desenvolve um novo projeto exploratório no norte do Estado de Veracruz.
A empresa identificou cinco regiões com potenciais recursos de gás não convencional, do norte de Veracruz até Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos. A Administração de Informação de Energia (EIA), dos Estados Unidos, situa o México em sexto lugar mundial em reservas de gás não convencional tecnicamente recuperável, atrás de China, Argentina, Argélia, Estados Unidos e Canadá, em um exame de 137 depósitos em 41 países.
A recuperação do gás de xisto exige grande volume de água, e a escavação e fratura horizontal geram enorme quantidade de resíduos líquidos. Estes podem conter químicos dissolvidos e outros contaminantes que requerem tratamento antes de serem jogados fora, segundo a organização ambientalista Greenpeace.
O estudo Sismologia no Estado de Nuevo León, publicado em janeiro, conclui que os tremores no nordeste do México estão associados tanto a estruturas naturais com a ações humanas que modificam as rochas e as pressões nos fluidos próximos à superfície. O informe, elaborado por acadêmicos da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Autônoma de Nuevo León, atribui vários tremores ocorridos desde 2004 a atividades como a extração de gás natural e não convencional na bacia de Burgos.
O relatório assegura que também influi a superexploração de aquíferos por cultivo de batata na zona limítrofe entre Coahuila e Nuevo León, bem como a exploração de barita neste último Estado. Até 2044, foram perfurados 4.881 poços de água na bacia, e atualmente o número chega aos sete mil.
O estudo sobre o impacto ambiental do Projeto Regional Petroleiro Poza Rica Altamira e Aceite Terciario do Golfo 2013-2035, que se estende pelos Estados de Veracruz, Hidalgo (centro) e Puebla (sul), antecipa uma alta da demanda de água para o fracking e exploração do gás de xisto no norte do país, onde é escassa. O documento, de 844 páginas, ao qual a IPS teve acesso, foi enviado no dia 10 deste mês pela Pemex ao Ministério do Meio Ambiente para seu aval, e enumera obras projetadas, como construção de caminhos e represas metálicas, os grandes tanques de armazenamento da água destinada à multifratura.
O documento estabelece que para cada dez multifraturas seriam necessários cerca de 12.718 metros cúbicos de água. Além disso, calcula que a produção mexicana de gás atingirá, em 2026, cerca de 11,472 bilhões de pés cúbicos por dia, os quais viriam da maior produção de gás de xisto dos depósitos de Eagle Ford e La Casita, que cruzam Chihuahua, Coahuila, Nuevo León e Tamaulipas.
Em 2026, o gás natural não associado representará 55% da produção total desse hidrocarbono, enquanto o restante será fornecido pelas jazidas não convencionais do norte do país, cuja produção se prevê que aumentará até então ao ritmo de 8,6% ao ano. A previsão é de que a produção de gás não convencional estará a cargo de empresas privadas, após a reforma energética que foi promulgada em dezembro e que abre os setores dos hidrocarbonos e da eletricidade ao capital estrangeiro.
Os estudos mexicanos se somam a outros feitos nos Estados Unidos, que também vinculam as cadeias de sismos no centro e sul do país vizinho com a exploração de gás de xisto. A análise Terremotos Significativos (Induzidos?) no Centro e Leste dos Estados Unidos Desde 2008, realizada em 2012 por três investigadores do Serviço Geológico norte-americano, identificou 683 tremores desde 2008 de magnitude 4 na escala Richter.
Esse documento, que também menciona sismos em Chihuahua e Nuevo León, detalha seis modalidades de injeção de fluidos em profundidade, entre elas líquidos para a fratura hidráulica. Segundo De la Garza, os tremores “vão se agravar com a maior exploração. No governo estão enganados. O fracking deve ser proibido”. Envolverde/IPS
(IPS)

IPCC: Impactos da mudança climática serão severos e irreversíveis

por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
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Mundo está mal preparado para o aquecimento global.
Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc, afirmou que mundo tem que conter o aquecimento global e fazer escolhas sobre riscos; estudo de 309 cientistas foi divulgado no domingo em Yokohama, Japão.
Os impactos da mudança climática serão severos e irreversíveis para a humanidade. A conclusão é parte do relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc.
O documento “Mudança Climática 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade” foi apresentado, no domingo, em Yokohama, no Japão.
Peixes
Segundo o estudo, se nada for feito, nos próximos 20 ou 30 anos, os oceanos estarão mais ácidos, o que afetará diretamente a vida marinha ameaçando arrecifes de corais. O aquecimento global levará ainda muitas espécies de peixe a mudar de região por causa das águas mais quentes.
Em algumas partes da Antártida, potenciais pescas podem cair em mais de 50%. Os especialistas trabalham com a hipótese de uma subida de temperatura entre 2º e 4ºC.
O relatório foi compilado com a ajuda de 309 autores de 70 países. Os cientistas manifestaram preocupação também com a segurança alimentar. Plantações de milho, arroz e trigo serão todas afetadas, até 2050, de acordo com as previsões. As perdas podem chegar até 25%.
Um dos autores do relatório, o professor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, José Antonio Marengo Orsini, falou à Rádio ONU, de São Paulo. Ele participou da apresentação do relatório no Japão. Segundo o professor Marengo, as medidas têm que vir dos governos em parceria com a sociedade.
Nordeste e São Paulo
“Os governos têm que colocar a agenda do clima, da mudança climática dentro da agenda política. Se não pode ser muito tarde, poderemos ter problemas como os que já temos agora com a seca do nordeste e a situação de seca na região de São Paulo.”
O estudo da ONU revela que o nível de mortalidade por cheias e secas também pode subir em todo o mundo.
Os autores do relatório afirmaram ainda que os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos em todos os continentes e em todos os oceanos. O Ipcc acredita que, em muitos casos, o mundo está mal preparado para os riscos do aquecimento global.
Ainda na entrevista à Rádio ONU, o professor José Marengo disse que o stress causado pela escassez de água e por crises no setor agrícola podem levar a conflitos políticos.
Eventos Passados
Mas segundo o relatório, ainda há oportunidades para se responder aos riscos mesmo com as dificuldades causadas pela subida de temperatura.
O documento revela que a resposta à mudança climática inclui escolhas sobre riscos num mundo de rápidas transformações.
Um dos co-presidentes do Grupo de Trabalho II, Vicente Barros, disse que o mundo está vivendo numa era de mudança climática provocada por seres humanos. Um outro co-presidente, Chris Field, disse que as medidas de combate à mudança climática não podem ser focadas em eventos passados, mas sim no futuro.
Cooperação
Os cientistas do Ipcc lembram que o setor agrícola, os ecossistemas e a saúde humana já estão sentindo os efeitos do aquecimento global.Paraos autores, a situação é de vulnerabilidade.
O presidente do Ipcc, Rajendra Pachauri, finalizou, afirmando que o relatório do Grupo de Trabalho II é mais um passo importante para ajudar a reduzir os riscos da mudança climática. Ele agradeceu a colaboração de mais de 430 especialistas e a cooperação de mais de 1,7 mil revisore ajudaram a produzir o relatório.
* Publicado originalmente no site Rádio ONU.
(Rádio ONU)

IPCC alerta para mais secas, inundações e incêndios florestais

por Redação do EcoD
Haiti IPCC alerta para mais secas, inundações e incêndios florestais
Inundação no Haiti, em novembro de 2012: eventos climáticos extremos são cada vez mais constantes. Foto: Logan Abassi/UN

O Painel Intergovernamental da ONU sobre Alterações Climáticas (IPCC) alertou nesta segunda-feira, 31 de março, que crescentes emissões de carbono vão ampliar o risco de conflitos, fome, cheias e migrações durante este século e advertiu que, se nada for feito, as emissões de gases de efeito estufa poderão custar bilhões de dólares, principalmente em danos em propriedades e ecossistemas.
A conclusão consta do relatório apresentado em Yokohama (Japão), elaborado por cerca de 500 cientistas e representantes políticos, em que é analisado o conhecimento atual das mudanças climáticas e o seu impacto no homem e na natureza em diferentes pontos do mundo.
Trata-se de “um dos mais completos relatórios científicos da história”, definiu o secretário da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Michel Jarraud, em entrevista durante a apresentação do documento. “Não há nenhuma dúvida de que o clima está mudando”, acrescentou, e que “95% dessas mudanças devem-se à ação humana”.
O relatório apresentado pelo IPCC – criado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) e pela OMM – analisa os efeitos das alterações climáticas atualmente, a médio (entre 2030 e 2040) e a longo prazo (2080-2100), tendo em conta um aquecimento global entre 2 e 4 graus centígrados, baseado em projeções atuais.
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IPCC se reuniu em Yokohama nos últimos dias. Foto: IISD.CA

No caso da Europa, as mudanças climáticas vão provocar um aumento das restrições de água devido à “significativa redução da extração dos rios e aquíferos subterrâneos” combinada com o aumento da procura para irrigação, energia, indústria e uso doméstico, diz o documento citado pelas agências internacionais.
O processo será intensificado em determinadas áreas do continente, devido à maior perda de água por meio do seu processo natural de evaporação, particularmente no Sul da Europa”, acrescenta o relatório.
Eventos extremos
Outro risco para a Europa refere-se ao aumento do calor, que pode ter impacto negativo na saúde e no bem-estar da população, na produtividade, na produção agrícola e na qualidade do ar, bem como ao risco de incêndios florestais “no Sul do continente e no Extremo Norte da Rússia”.
No relatório, o IPCC alerta, além disso, para a maior probabilidade de inundações nas zonas costeiras devido à crescente urbanização, ao aumento do nível do mar e à erosão da costa.
A fim de atenuar esses riscos, o IPCC apela aos líderes políticos para que tomem medidas a fim de reforçar os sistemas de vigilância, advertindo para “eventos climáticos extremos”, melhorem a gestão de recursos hídricos e as políticas para promover a poupança de água ou para combater os incêndios florestais.
Consequências catastróficas
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, alertou que se não houver uma ação imediata diante das alterações climáticas, o mundo vai enfrentar consequências “catastróficas” .
“Se não agirmos de forma dramática e rápida, a ciência diz que o nosso clima e o nosso modo de vida estão literalmente em perigo”, ressaltou Kerry em comunicado divulgado em Paris, onde se deslocou para conversações com a Rússia sobre a crise ucraniana.
O secretário de Estado norte-americano destacou que “negar a ciência é negligência”, advertindo que “os custos da inércia são catastróficos”.
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Connie Hadegaard lembrou que mais conhecimento é sempre bom, “mais ação seria ainda melhor”. Foto: Eskinder Debebe/UN

Os Estados Unidos e a China encontram-se no grupo dos principais poluidores do mundo, mas John Kerry lembra que não é apenas um país que provoca alterações climáticas, da mesma forma que não é apenas uma nação que as pode travar.
Atuação urgente
A comissária europeia da Ação pelo Clima, Connie Hedegaard, advertiu que não se pode suspender as alterações climáticas e pediu aos parceiros internacionais que atuem urgentemente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
“Carregar no botão ‘adiar’ não funciona quando se trata do clima”, observou Hedegaard em comunicado, após conhecer os resultados do relatório divulgado hoje.
“Mais conhecimento é sempre bom, mais ação seria ainda melhor”, lembrou Hedegaard, destacando que é hora de “despertar e atuar da forma necessária”.
A comissária disse que a União Europeia prepara a adoção de um objetivo “ambicioso” de redução em 40% das emissões de gases de efeito de estufa até 2030, em relação aos níveis de 1990. Ela espera que a meta seja adotada até ao fim deste ano, após a aprovação pelos Estados-Membros e pelo Parlamento europeu.
Hedegaard pediu a “todos os grandes emissores” desses gases contaminantes que “façam o mesmo com urgência”, e insistiu que não se pode deixar de atuar contra as alterações climáticas.
“Ao acordar com o alarme do relógio todas as manhãs, carregar no botão de ‘repetição’ pode parecer que nos dá mais um momento de calma antes de termos de nos levantar e enfrentar o dia. Mas esse tempo adicional será uma ajuda?. Não quando se trata do clima”, comparou Hedegaard.
- Conheça aqui mais detalhes do relatório do IPCC em PDF (em espanhol) -
* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

IPCC: Novo relatório é alerta para governos e sociedade

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
ipcc143 IPCC: Novo relatório é alerta para governos e sociedadePainel Intergovernamental de Mudanças Climáticas destaca que as transformações no clima podem ser vistas por todo o planeta e que ainda não estamos preparados para elas
Os impactos das mudanças climáticas já afetam agricultura, ecossistemas, recursos hídricos, oceanos, setores econômicos e a saúde humana. Felizmente, ainda há tempo para ações de mitigação e adaptação que reduzam os prejuízos desses efeitos. Porém, atualmente, não estamos prontos para enfrentar as piores consequências do aquecimento global.
Essa é a principal mensagem do relatório “Impactos da Mudança Climática, Adaptação e Vulnerabilidade”, apresentado nesta segunda-feira (31) pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, entidade que reúne milhares de cientistas de mais de uma centena de países.
“Vivemos na era das mudanças climáticas produzidas pelo homem. Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos que já enfrentamos. Investimentos em uma melhor preparação podem render benefícios no presente e no futuro”, declarou Vicente Barros, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC, responsável pelo documento.
Para ser escrito, o relatório, que possui mais de duas mil páginas, contou com 309 autores, 436 colaboradores e 66 revisores de 70 países. No total, mais de 12 mil referências científicas foram citadas.
Uma das conclusões do trabalho é a de que, apesar de as mudanças climáticas afetarem a todos, serão os pobres os mais impactados. A alteração do clima está agindo como um multiplicador de outras ameaças, como a dificuldade em conseguir alimentos e moradia.
“As pessoas, sociedades e ecossistemas por todo o mundo são vulneráveis em escalas diferentes. As mudanças climáticas interagem com outras ameaças e aumentam seus riscos”, disse Chris Fields, co-presidente do GT II.
O IPCC destaca que, quanto mais demorarmos para adotar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, piores elas serão.
IPCC142 IPCC: Novo relatório é alerta para governos e sociedadeA entidade tenta convencer governos, empresas e a sociedade de que existem oportunidades na adaptação, com ganhos econômicos e de saúde pública a serem conquistados por aqueles que fizerem investimentos em setores como energias limpas, conservação ambiental e manutenção de serviços ecossistêmicos.
“Compreender que as mudanças climáticas são um desafio de gestão de risco abre uma ampla variedade de oportunidades para integrar a adaptação ao desenvolvimento social e econômico (…) Lidar com o aquecimento global de forma criativa é uma importante forma de melhorar o mundo”, disse Fields.
Impactos
O relatório é dividido em 30 capítulos, a maioria destinada a indicar os impactos já vistos e projetados das mudanças climáticas em determinada região ou ecossistema.
Entre os efeitos que já possuem sólidas evidências de estarem acontecendo, o IPCC destaca:
- Pessoas em desvantagem social ou geográfica estão tendo suas vidas ainda mais prejudicadas por efeitos das mudanças climáticas;
- Espécies marinhas e terrestres estão alterando sua abrangência, atividades sazonais, padrões de migração e interação;
- Os eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, estão mais frequentes e intensos;
- Os preços dos alimentos têm sofrido com momentos de altas drásticas, causadas por eventos climáticos extremos;
- O nível dos oceanos está subindo devido ao maior calor absorvido e ao derretimento de geleiras e dos polos.
- O processo crescente de acidificação dos oceanos está relacionado ao aumento da concentração de CO2.
Já entre as previsões classificadas como altamente confiáveis e com evidências robustas, aparecem, por exemplo:
- Para cada um grau de aumento da temperatura média global, ocorrerá uma queda de 20% na disponibilidade de recursos hídricos para 7% da população mundial;
- Se as emissões de gases do efeito estufa seguirem subindo, no pior cenário, até o fim do século XXI, o número de pessoas expostas a grandes enchentes será três vezes maior do que se as emissões tiverem sido reduzidas;
- Maiores riscos de mortes resultantes de ondas de calor;
- Maior exposição a doenças transmitidas pela água e por alimentos;
- O aquecimento global colocará em risco a produtividade pesqueira e os serviços ecossistêmicos dos oceanos;
América do Sul
No capítulo sobre a nossa região, o IPCC destaca que o aquecimento global pode ser de 1,7°C, no melhor cenário de redução de emissões, a até 6,7°C, no pior cenário.
A questão dos recursos hídricos preocupa, com o Nordeste brasileiro, por exemplo, podendo enfrentar uma redução de 22% na precipitação até 2100. Além disso, com o degelo contínuo dos Andes, o fornecimento de água na região poderá estar ameaçado no futuro.
No Brasil, o aumento das temperaturas resultará na migração de espécies para o Sul e Sudeste, o que deve aumentar os riscos de extinções, visto que essas regiões não possuem tantas áreas naturais.
O relatório indica, com alta confiança, que uma série de doenças, como malária, cólera, problemas cardiovasculares e respiratórias, ficará mais comum na América do Sul.
Uma boa notícia é a redução das previsões negativas sobre o futuro da Amazônia. O processo de transformação da floresta em uma savana, causado principalmente pela redução da precipitação, está mais lento do que se pensava. Um dos motivos para isso pode ser a diminuição do desmatamento: uma floresta mais preservada e menos fragmentada seria mais resiliente.
kiribati2 IPCC: Novo relatório é alerta para governos e sociedadeAdaptação
O IPCC afirma que esse relatório representa um sinal de alerta para os governos e sociedade, mostrando que é preciso desde já minimizar os efeitos das mudanças climáticas.
A entidade tenta deixar claro que além de úteis para lidar com o clima, as ações nesse sentido podem resultar na geração de emprego, melhorias na saúde pública e crescimento econômico.
Por exemplo, na América do Sul e Central, já há acordos para a conservação de áreas naturais que envolvem comunidades locais para garantir o fornecimento de serviços ecossistêmicos. Trata-se de um tipo de iniciativa que representa diversos benefícios, como a manutenção dos recursos hídricos e o aumento da renda dos povos nativos.
“A adaptação às mudanças climáticas não demanda uma agenda exótica de ações nunca antes tentadas”, explica Fields, destacando que a maioria das medidas, como obras de saneamento básico, remoção de pessoas de áreas de risco e melhor tecnologia para a agricultura, deveriam ser realizadas mesmo se a transformação no clima não estivesse ocorrendo.
“Os principais climatologistas do mundo estão nos dizendo que devemos transformar a maneira que utilizamos nossos recursos naturais – das florestas ao petróleo – para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Essa transformação já está a caminho, mas não na velocidade necessária”, declarou Christiana Figueres, secretária-geral da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC).
O “Impactos da Mudança Climática, Adaptação e Vulnerabilidade” é a segunda parte da quinta avaliação do IPCC (IPCC Fifth Assessment Report – AR5), que será apresentada em dezembro durante a Conferência do Clima de Lima (COP 20), no Peru.
A primeira parte, “Base Científica da Mudança Climática“, foi publicada em dezembro e a terceira, “Mitigação da Mudança Climática”, será divulgada em abril.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

SECA, APAGÃO E ÁRVORES

por Roberto Ulisses Resende*
mudancasclimaticas1 300x230 Seca, apagão e árvores
Nos últimos meses a questão ambiental tem se tronando bem presente na vida dos brasileiros pela falta de chuvas que se reflete em problemas de abastecimento de água e de energia elétrica. Além da adequada gestão dos recursos hídricos (como operação dos reservatórios, controle de perdas e outros pontos) e sem entrar no mérito da questão maior das mudanças climáticas é oportuno falar também das árvores, em uma escala regional.
As matas ciliares não produzem água, entretanto ajudam a regularizar a vazão dos cursos d’agua atenuando os picos das enxurradas e liberando a água aos poucos no solo. Também contribuem para evitar o assoreamento dos reservatórios, evitando que a erosão leve terra para dentro destes, diminuindo sua capacidade.
Com as usinas construídas a fio d’água isso tudo tem maior importância, pois os lagos ficam sempre cheios e não variam de volume; o excesso de água não é usado para gerar energia, e é liberado. Nestes casos a água “excedente” das chuvas deve ser armazenada fora do reservatório, ou seja, no solo e na vegetação.
É evidente então a importância de um bom manejo do solo e da vegetação. Na discussão da reforma do Código Florestal tivemos posições bastante divergentes. Entretanto agora é hora de pelo menos cumprir a lei que está aí.
A nova lei florestal prevê a recomposição obrigatória das matas ciliares, em limites menores que os antes previstos. Mesmo que mínima esta recuperação já contribuiria para a conservação de solo e água. Entretanto a nova lei ainda não funciona. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) que é obrigatório e que servirá para identificar a situação de cada imóvel rural, inclusive se precisa reflorestar, ainda não funciona.
O mesmo vale para os instrumentos econômicos previstos para ajudar os proprietários a cumprir a lei, como incentivos tributários, pagamentos por serviços ambientais e outras formas de apoio. Como exemplo, as poucas linhas de crédito disponíveis, como o Programa Agricultura de Baixo Carbono, são desconhecidas pelos agricultores, técnicos e organizações, tendo desempenho bem abaixo do esperado. Por sua vez os órgãos ambientais ainda não se adaptaram, o que significa que quem desenvolve ações de adequação ambiental ainda enfrenta incertezas normativas, custos e burocracia.
Para o enfrentamento destas questões é importante se ter ações conjuntas, descentralizadas, porém articuladas, dos governos, ONGs, empresas, proprietários rurais e população em geral.
Dos governos é importante além da clareza normativa a efetiva operacionalização dos instrumentos legais. A começar pela implantação do CAR, de forma mais descentralizada e efetiva. As empresas podem contribuir de diversas formas, por exemplo, desenvolvendo projetos de compensação voluntária de suas emissões através do plantio de florestas nativas.
Os proprietários e suas organizações também devem assumir seu papel na promoção da adequação ambiental das áreas rurais, executando ações ao seu alcance, como a recuperação de matas ciliares e a inscrição no CAR. Mais do que isso é importante também é se organizarem, para cobrar, sugerir e mesmo executar a efetivação das políticas públicas previstas. A recuperação florestal não pode ser apenas um ônus para os agricultores, mas também tem resultados positivos, na melhoria dos recursos hídricos, do clima e na produção florestal e agroflorestal sustentável.
Por fim, a sociedade é importante que a sociedade observe a interligação destas diversas questões, acompanhado, reivindicando e propondo soluções igualmente integradas, que coíbam o mau uso dos recursos naturais e que promovam a utilização sustentável.
* Roberto Ulisses Resende é agrônomo, presidente da ONG Iniciativa Verde.
(O Autor)

A Amazônia como esperança e solução

por Washington Novaes*
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Foto: Divulgação/Internet
As maiores inundações das últimas décadas em Rondônia, principalmente em Porto Velho, por causa do Rio Madeira e das hidrelétricas nele construídas, segundo muitos especialistas; as enchentes no Acre e o bloqueio de rodovias abertas há décadas; a polêmica sobre deficiências no estudo de impacto ambiental no Rio Madeira – tudo isso trouxe a Amazônia de volta ao centro de discussões, em que se envolveu até a presidente da República.
Na questão do Rio Madeira, segundo técnicos, o problema da contribuição das hidrelétricas para as enchentes calamitosas se deve a que seu estudo de impacto ambiental (EIA) não levou em consideração os aumentos dos fluxos de água vertida pelos reservatórios, vindos para o Brasil em decorrência do derretimento de gelos nos Andes – fenômeno observado há décadas pelos cientistas da área do clima. Mas a presidente da República criticou a visão dos técnicos.
O debate logo se ampliou para toda a questão de hidrelétricas na Amazônia, já que estão planejadas também usinas para a bacia do Tapajós e para a área do Rio Teles Pires (igualmente criticadas por técnicos e ambientalistas). Em meio a tudo, voltou à cena parecer do Ibama, de 2007, que sugerira se dobrasse a área alagável prevista nos projetos do Madeira e sugerira um EIA-Rima mais abrangente, incluindo a Bolívia. Também na Amazônia, a Justiça de Rondônia mandou agora rever os estudos do EIA-Rima de outra usina, Belo Monte. A Fundação Nacional do Índio lembrou (Estado, 19/3) que, das 31 condicionantes estabelecidas para essa usina, 22 estão atrasadas ou não saíram do papel – principalmente as que são de responsabilidade do próprio governo.
Polêmicas sobre hidrelétricas na Amazônia são antigas. Basta lembrar a que cercou a construção da Usina de Tucuruí, principalmente para fornecer energia mais barata que a do mercado a empresas fabricantes de alumínio, que vieram até de outros países. Ou a própria polêmica sobre a Usina de Belo Monte, em que a construtora se recusa agora a assinar termos de compromisso para garantir a execução dos projetos de mitigação de impactos para grupos indígenas.
Outra discussão é a dos impactos decorrentes dos fluxos de migrantes gerados por projetos como esses – e outros. Agora mesmo, em Porto Velho, um dos problemas está exatamente na ausência de infraestruturas para receber esses fluxos, centenas de milhares de pessoas (que já se fixaram em Porto Velho). Em Tucuruí também foi assim, como já está sendo em Altamira, por causa de Belo Monte. E já ocorrera em projetos de outras áreas, como o Jari. Ao todo, há 366 projetos hidrelétricos em oito países amazônicos, já planejados (soldepandobolivia, 19/3), em implantação ou em operação.
Usinas não são a única questão na Amazônia. Quem se preocupa em quantificar os efeitos das migrações de centenas de milhares de pessoas para áreas beneficiadas por projetos de incentivos fiscais (isenção de impostos) para indústrias? Que ocorreu em Manaus, por exemplo, onde, por causa da poluição, grande parte da população que migrou tem de consumir apenas água subterrânea, embora a cidade seja cercada por rios do porte do Solimões e do Negro. E em Belém, onde apenas 8% da população dispõe de coleta de esgotos e estes são despejados nos rios.
Mas nada demove os planejadores oficiais. Não anunciou a própria presidente o lançamento de edital para a implantação da Hidrovia Tocantins-Araguaia, que começará pelo derrocamento (remoção de pedras submersas) do Pedral do Lourenço, com a construção de um canal de calado mínimo de 3 metros e largura de 145 a 160 metros no Tocantins (Agência Brasil, 21/3)? Projeto semelhante tem sido defendido para um canal no Rio Araguaia, mais extenso que o Canal do Panamá, para assegurar um leito navegável, já que o rio recebe resíduos de erosões que mudam o leito navegável de lugar de ano para ano (milhões de metros cúbicos anuais, já medidos por hidrólogos da Universidade Federal de Goiás). Nas duas obras, quem pagará? Que fará para remover os resíduos conduzidos pelo rio e os o que forem retirados na implantação? E não é para finalidades como as da hidrovia que se está acabando de implantar a Ferrovia Norte-Sul?
O Brasil precisa de uma estratégia para a Amazônia, que deixe de considerar a floresta ou os povos que a habitam como “obstáculos” ao progresso. A floresta é um dos hábitats da biodiversidade brasileira (pelo menos 15% da planetária), fonte de novos medicamentos, novos alimentos, novos materiais que substituirão os que se esgotarem. E vários estudos mostram que áreas indígenas são o melhor caminho para a conservação dessa biodiversidade, mais eficiente até que parques e áreas de proteção legalizados. A Floresta Amazônica é também essencial para a parte brasileira (12%) da água superficial no planeta – alto privilégio. E para o clima. O mundo continua a perder áreas florestais -15,5 milhões de hectares por ano, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em 21/3). Mesmo aqui, embora tenha diminuído bastante o desmatamento, há lugares (Mato Grosso, principalmente) e períodos em que ele recrudesce.
Também não se pode postergar mais a preparação de projetos competentes para a área do clima. O Ministério do Meio Ambiente tem dito que não consegue aplicar R$ 90 milhões com essa destinação, que poderiam ir para convênios com Estados e municípios, que não os fazem. Os graves problemas do clima que estamos enfrentando podem repetir-se.
Não podemos fazer da Amazônia um problema – ela deve ser uma solução. Nem podemos perder a esperança. Há uns 20 anos o autor destas linhas perguntou a uma jovem nordestina, que carregava um recém-nascido no colo e migrara para a última fronteira da penetração em Rondônia, se ela e o marido tinham esperança de enriquecer ali. E ela, serena, respondeu: “Nós já semo rico de esperança”.
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmetne no site O Estado de S. Paulo.
(O Estado de S. Paulo)

IPCC: Mudanças climáticas já são uma realidade e não estamos preparados para enfrentar suas piores consequências



por Bruno Toledo, do Observatório do Clima
Glaciers 1024x694 IPCC: Mudanças climáticas já são uma realidade e não estamos preparados para enfrentar suas piores consequências
Segunda parte do 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas aborda os impactos globais já evidentes e previstos do aumento da temperatura global. 
Para IPCC, ações efetivas de mitigação são cada vez mais urgentes, pois o mundo não está preparado para lidar com as piores consequências das mudanças do clima.
Depois de uma semana de trabalho intenso, dentro e fora das salas de conferência em Yokohama, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) divulgou hoje a segunda parte de seu 5º relatório de avaliação (AR5), que aborda especificamente a questão dos impactos evidentes e previstos do aumento da temperatura média global hoje e nas próximas décadas.
A mensagem central do texto já tinha sido antecipada por vazamentos de informações nas últimas semanas, mas continua bastante contundente: as mudanças do clima podem causar impactos graves, abrangentes e irreversíveis, afetando a saúde humana, moradia, alimentação e segurança da humanidade neste século XXI. Muitos desses impactos já estão sendo sentidos na pele, mas ainda não estamos preparados para enfrentar os piores impactos possíveis desse fenômeno.
O relatório destaca que o aumento da temperatura média global levará ao aumento na frequência de eventos climáticos extremos em todo o planeta, o que pode afetar especialmente comunidades pobres e a biodiversidade em geral. O degelo do Ártico, fenomeno já evidente na última década, pode acelerar e causar o aumento do nível dos oceanos numa velocidade para a qual nenhuma comunidade humana está preparada para enfrentar.
As mudanças do clima também afetarão a agricultura, diminuindo a sua produtividade num contexto de aumento previsto da demanda de alimento até a metade desse século.
Este volume do AR5 é a avaliação mais completa já realizada sobre os impactos das mudanças do clima. O texto contou com 309 autores, 436 colaboradores e 66 revisores técnicos de 70 países.
A expectativa agora é saber como essas novas e temerosas informações influenciarão o processo político de negociação do novo acordo climático dentro das Nações Unidas, que enfrenta muitos problemas e ameaças de retrocesso no combate ao aquecimento global.
Para saber mais sobre o novo volume do AR5 do IPCC, selecionamos algumas matérias que aprofundam os destaques apresentados no texto de Yokohama. Para acessar o novo volume na íntegra, clique aqui.
IPCC report: Arctic, crops and coral reefs on climate frontline (RTCC, 31/03/2014)
IPCC Live Blogging: UN science panel releases impacts report (RTCC, 31/03/2014)
Painel da ONU prevê maior impacto do aquecimento, com mais incerteza (Folha de S. Paulo, 30/03/2014)
Relatório do IPCC sugere adaptação baseada em ecossistemas (O Estado de S. Paulo, 31/03/2014)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
(Observatório do Clima)

Nike usa couro de canguru e de cabra na fabricação de chuteiras !!!

Por Ana Rita Negrini Hermes (da Redação da ANDA)
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(Foto: Camillo Bachelmeier/Getty Images)
A cara e onipresente campanha publicitária da Nike diz ao público que ela realmente se preocupa com conforto e desempenho atléticos. Mas a empresa pode ter que fazer sacrifícios nas áreas de “tração” e “toque suave” se uma nova campanha de ativistas for bem-sucedida: A companhia está sofrendo críticas pesadas por usar couro de canguru em algumas de suas chuteiras. As informações são do Take Part.
A descrição do produto no site elogia o “couro flexível de canguru e de cabra” com que ele é feito. A tração de alto desempenho resultante, de acordo com a Nike, “ajuda você a acelerar e a correr rapidamente em múltiplas superfícies.”
Ativistas dos direitos animais criticaram o uso do couro de cangurus e de cabras e uma família em Portland, Oregon, quer que a produção pare. “Toda nossa família ama futebol”, escreveu a família Fish na página da petição. “Nós também amamos animais e é por isto que achamos doloroso e triste imaginar matar até mesmo um único canguru para fazer um tênis.” Quase 300 mil apoiadores já assinaram a petição até agora.
Produto da Nike feito com couro de canguru e de cabra
Produto da Nike feito com couro de canguru e de cabra
A pele de canguru é conhecida como um dos couros mais leves e mais fortes disponíveis e a Austrália fatura $33 milhões com sua exportação, todos os anos. Os métodos de matança dos caçadores é extremamente cruel: O código da prática no país diz que se uma fêmea assassinada tiver um filhote em sua bolsa, o filhote também deve ser “morto imediatamente, por decapitação ou por um golpe pesado no crânio para destruir o cérebro, ou por tiro.”
O uso de qualquer produto de origem animal levanta questões éticas. Comer carne não é mais necessário para o sustento humano do que é o uso de calçados adequados durante atividades atléticas. Além disso, os amantes de cangurus deveriam aumentar sua compaixão para todos os seres vivos, como as vacas (e as cabras), por exemplo, também exploradas nessa indústria.
O jogador de futebol David Beckham parou de usar chuteiras de couro de canguru em 2006 depois que um grupo de lobistas enviou a ele um vídeo com os filhotes de canguru sendo violentamente puxados de dentro de suas mães durante a caça anual de cangurus na Austrália. A Adidas concordou em parar de usar o couro em 2012.
Assine a petição contra o uso do couro de canguru pela Nike.

Fotógrafo registra as emoções vividas por cães resgatados que esperam por um lar

31 de março de 2014

(da Redação da ANDA)

Shelter é um ensaio do fotógrafo português Fábio M. Roque que aborda a vida em um abrigo de animais. É a documentação das condições na qual centenas de cães vivem todos os dias na esperança de encontrar um novo lar.
“Este projeto nasceu da minha necessidade de mostrar estas questões de maneira detalhada, por duas razões distintas: em primeiro lugar, eu sempre fui apaixonado por animais e, segundo, porque eu acho que a importância dada a esta questão tem diminuído muito”. afirmou Fábio em reportagem do site The Dodo. ”Temos que lembrar que estamos falando de animais abandonados, que sabem em seus corações que foram deixados para trás por seus tutores, as mesmas pessoas que alimentaram e cuidaram deles por muitos anos”, disse.
Apesar de existirem inúmeras instituições no mundo inteiro dedicadas a resgatar esses animais e dar a eles todos os cuidados de que necessitam, de alimentação a tratamentos veterinários, não é o suficiente para resolver a questão do abandono. “Este projeto foi a maneira que encontrei para aumentar a conscientização sobre o assunto. É um problema muito atual que precisa de mais ajuda e boa vontade das pessoas.”
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BALEIAS : MATANÇA CONTINUA !!!

Japoneses diminuem interesse por carne de baleia, mas a caça continua

31 de março de 2014


(da Redação da ANDA)
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Surgiu uma grande ameaça para a indústria de caça às baleias no Japão, e não se trata dos ambientalistas e ativistas, mas sim dos consumidores japoneses. Segundo pesquisas recentes, eles estão perdendo o interesse pela carne de baleias. As informações são da Associated Press e do One Green Planet.
A quantidade de carne de baleia estocada por falta de compradores praticamente dobrou nos últimos dez anos. Atualmente há mais de 2.300 baleias-minke em freezers no Japão. No entanto, baleeiros ainda planejam capturar 1.300 desses animais neste ano.
No passado recente, a enorme demanda por proteína de baleias para alimentação humana foi a motivação para as grandes e caras expedições de caça, subsidiadas pelo governo japonês. Apesar da tendência de queda no interesse na carne de cetáceos, que já vinha se observando nos últimos anos, o governo investiu cerca de 2,3 bilhões de Ienes na caça às baleias em 2011, época na qual o país estava lutando pela sua reconstrução após os devastadores terremotos e tsunami. Já havia sido provado que a prática era insustentável economicamente – e mesmo quando o resto do mundo proibiu, a caça às baleias continuou sendo permitida no Japão, desta vez “em nome da ciência”.
Em uma última tentativa para justificar a matança desumana e cruel, o Japão criou um programa de pesquisas em baleias (convenientemente, um ano depois da caça ter sido banida internacionalmente) e toda a carne que não fosse usada para “pesquisas” seria vendida para alimentação humana. De acordo com Akyako Okubo, pesquisador marinho da Univesidade de Tokai, “a caça para pesquisas tornou-se uma mera desculpa para continuar a caça comercial…O programa é usado para interesses escusos”. Essencialmente, a ciência é uma falsa desculpa para continuar a caça e a venda de carne de baleias, que quase mais ninguém quer comprar.

Brasil, 31 de Mar�o de 2014
Segunda parte do 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) destaca que ações efetivas de mitigação são cada vez mais urgentes, pois
o mundo não está preparado para lidar com as piores consequências das mudanças do clima. A Envolverde selecionou hoje (31) matérias especiais sobre o assunto. Acesse e confira!
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Cidade do México, México, 31/3/2014 – Os cientistas alertam: a exploração em grande escala de gás depositado em rochas de xisto, programada pelo consórcio estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), vai agravar o quadro sismológico do norte do país, uma região já propensa aos tremores de terra. Os especialistas vinculam a sequ ência de tremores de 2013, [ … ]
empreendedorsocial
Por Prêmio Empreendedor Social
Principal concurso de empreendedorismo da América Latina reconhece líderes de iniciativas inovadoras com mais de três anos de atuação. Já o Empreendedor Social de Futuro laureia mentores de projetos mais recentes, com um até tr ês anos de experi ência. Inscrições vão até 27 de abril, somente pela internet. Estão abertas as inscrições para o Pr êmio Empreendedor [ … ]
capaplurale39
Por Sônia Araripe e Carlos Franco*
O número 39 de Plurale em revista, editada pelos jornalistas Sônia Araripe e Carlos Franco e dedicada a discutir temas relacionados à sustentabilidade, traz um verdadeiro “caldeirão” de temas: diversidade, a Bahia de afrodescentes, Ilhéus e Dorival Caymmi, culinária sustentável em Paraty, Camboja, Granada, artigos inéditos e muito mais. Esta edição está diversa como se [ … ]

7 motivos para sua empresa ter um Plano de Resíduos Sólidos em 2014

Publicado . em Lixo & Reciclagem
Resíduos acumulados na área externa Resíduos acumulados na área externa Você já se perguntou qual é o maior problema ambiental da atualidade?
Se essa mesma pergunta fosse feita para um especialista de meio ambiente, para um prefeito, ou para gestor de uma indústria, provavelmente, todos eles responderiam que é o lixo. O problema dos resíduos sólidos é global.
A falta de locais adequados para a disposição e o excesso de resíduos gerados são problemas que atingem desde países pobres a países de primeiro mundo, municípios grandes e pequenos, empresas de todos os portes e diversos seguimentos. Esses fatores refletem na política, na sociedade e no meio ambiente. No âmbito legal, a Lei nº 12.305/2010 estipulou 4 anos para uma mudança do cenário atual. A lei prevê uma melhoria nessa questão em todo o país. Por isso, 2014 é um ano chave para a questão dos resíduos sólidos no Brasil. O prazo para elaboração dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) não será prorrogado, continua sendo agosto de 2014. A partir disso, os municípios passarão a exigir das empresas um Plano de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos. A obrigatoriedade legal não é a única razão para se elaborar um Plano de Resíduos Sólidos Empresarial. As vantagens de se ter um Plano de Resíduo são inúmeras. Foram selecionas 7 motivos que as empresas devem tem em mente a respeito dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos:
1. Reduz custos com o armazenamento, descarte de resíduos e compra de matéria-prima
O Plano de Resíduos Sólidos para empresas prevê metas de redução de resíduos. Se bem implementado, o plano pode reduzir consideravelmente a quantidade de resíduos na empresa e consequentemente os custos associados.
Inclusive, os custos com resíduos sólidos podem ser bem altos nas empresas. Existem casos em que há espaços destinados exclusivamente aos resíduos, e não é raro empresas alugarem ou construírem novos espaços exclusivos para o armazenamento dos resíduos, o que pode significar grande parcela dos custos . Existem ainda situações em que os resíduos ocupam áreas produtivas, o que afeta a produção e os lucros. No caso do descarte, paga-se para destinar em aterros de inertes ou incineração, sendo que esses processos são bastante onerosos para as empresas. Além de todos esses custos, deve ser contabilizado ainda os gastos com matérias-primas que foram descartadas. Resíduo nada mais é do que matéria-prima não devidamente aproveitada. Assim, reduzir os resíduos promove redução dos custos no armazenamento, no descarte e na compra de matéria-prima.
2. Promove a organização e liberação de espaço
Os resíduos podem ficar meses, ou até anos, nas empresas até serem descartados, ou terem outro uso, ou passarem pela reciclagem. Caso sua disposição não seja bem planejada isto pode comprometer a organização interna da empresa. O planejamento do local dos resíduos pode até liberar espaço que antes era mal utilizado.
O Plano de Resíduos Sólidos tem por objetivo identificar os resíduos e definir procedimentos para lidar com esses materiais em vários momentos, desde a sua geração, transporte até destinação final. A liberação do espaço pode estar associada também com a velocidade de destinação e transporte dos resíduos promovido pelos procedimentos específicos.
3. Contribui com a limpeza e evita proliferação de animais
A organização facilita a limpeza. Antes da limpeza é necessário que cada coisa esteja no seu devido lugar, inclusive os resíduos.
Os espaços destinados ao armazenamento de resíduos sólidos podem estar localizados em áreas abertas, sem proteção ao sol, chuva e vento. Animais a procura de abrigo, alimento e locais para proliferação podem ser atraídos para os locais onde se encontram os resíduos. Mesmo em locais fechados, podem existir a proliferação de animais, principalmente, quando os resíduos são pouco movimentados e quando recebem pouca atenção da equipe de limpeza. Assim, possuir um procedimento para que evite o acúmulo de resíduos numa empresa contribui para a limpeza e higiene do local de trabalho.
4. Aumenta a segurança do trabalho e bem estar no ambiente de trabalho
Uma das consequências de um ambiente de trabalho organizado, limpo e sem animais é a melhoria da segurança do trabalho. Além disso, o bem estar também está associado a esses fatores.
5. Promove melhoria e aumento da produtividade
A organização é diretamente proporcional à produtividade, ou seja, quanto mais organizado, maior a produtividade. Reduzir os resíduos significa produzir mais com menos recursos.
6. Reduz impacto ambiental
Cada resíduo sólido está associado a um grau de periculosidade. Analisar a periculosidade dos resíduos e destiná-los corretamente evita danos ao meio ambiente.
7. Melhora a imagem da empresa e mais lucros
O Plano de Resíduos Sólidos impacta também na melhoria da imagem tanto externamente - com os clientes, fornecedores e parceiros - como internamente - colaboradores. O valor da sua marca pode aumentar para quem perceber que sua empresa está cuidando das pessoas e do meio ambiente.
O Plano de Resíduos Sólidos vai ao encontro da excelência. Você já deve ter ouvido a frase, se quiser ganhar dinheiro faça seu trabalho da melhor forma possível. Com os resíduos não é diferente, busque as melhores formas de lidar com eles e verá retorno.

Fonte: genos Blog.