quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MOSTARDAS SEDIARÁ EVENTO ESTADUAL SOBRE ZONAS ÚMIDAS

Centro de Estudos Ambientais


 



 
MOSTARDAS SEDIARÁ EVENTO ESTADUAL SOBRE ZONAS ÚMIDAS
 
Capão Seco, Rio Grande/RS. Foto: Soler/CEA
O município de Mostardas, no litoral médio do Estado, recebe entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro o 1º Colóquio Sul-Riograndense de Conservação em Zonas Úmidas. Na oportunidade, gestores de Unidades de Conservação, pesquisadores, técnicos, representantes de ONGs e da sociedade civil se reunirão para trocar informações e articular ações para a proteção de banhados e outras zonas úmidas. O evento é alusivo ao Dia Mundial das Zonas Úmidas, celebrado no dia 2 de fevereiro.
A organização é do Instituto Chico Mendes – Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PNLP/ICMBio), Secretaria Estadual de Meio Ambiente – Divisão de Unidades de Conservação (DUC/Defap/Sema) e Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB).
Programação
31 de janeiroLocal – Auditório Municipal de Mostardas
19h30 – Abertura do Colóquio
20h15 – Palestra aberta ao público “Zonas Úmidas – a importância de sua conservação”. Palestrante: Bióloga Luiza Chomenko (FZB)
21h – Projeção de vídeos Local – praça em frente a administração do Parque Nacional da Lagoa do Peixe
1º de fevereiro8h30 – Ciclo de Palestras Local – Escola Municipal Fundamental Marcelo Gama (Rua Bento Gonçalves, 1049 – Centro, Mostardas – RS)
- Mapeamento das áreas úmidas do Rio Grande do Sul – Ricardo Aranha Ramos (FZB)
- O Banhado do Maçarico, Rio Grande-RS: uma prioridade de conservação em conflito com parques eólicos – Giovanni Mauricio (FURG)
- Efeito das características do hábitat e da matriz nas assembleias de aves aquáticas em áreas úmidas do entorno do Parque Nacional da Lagoa Do Peixe – Luiz Fernando Perello (ASSTEC/Sema)
- Zonas Úmidas com potencial de conservação in situ no Rio Grande do Sul – Eduardo Velez (UFRGS)
- Licenciamento, fiscalização e gestão ambiental em áreas de Irrigação Claudia Wolff (Fepam)
- A Convenção de Ramsar no Brasil – Mauricio dos Santos Pompeu (Ministério do Meio Ambiente)
- Conservação da biodiversidade como fator de contribuição ao desenvolvimento do RS – Projeto RS Biodiversidade – Dennis Patrocinio (Sema), Luiza Comencko (FZB) e Silvia Pagel (Fepam)
- Empreendedores do “Roteiro Lagoa do Peixe”
14h – Continuação do Ciclo de Palestras
- Parque Nacional da Lagoa do Peixe: características e desafios de gestão – Pablo Saldo (ICMBio)
- Estação Ecológica do Taim: Banhado de Vida – Henrique Ilha (ICMBio )
- Área de Proteção Ambiental – o desafio da sustentabilidade no complexo Banhado Grande – Luisa Lokschin e Denise Machado (Sema)
- Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos: Potencialidades e desafios para conservação de sua biodiversidade – Andre Rosa (Sema) 
- Reserva Biológica do Mato Grande – Luciano Soares (Sema) œ Reserva Biológica Mata Paludosa – Clara Liberato (Sema)
- Áreas úmidas protegidas no Parque Estadual de Itapeva e sua biodiversidade associada – Paulo Grubler (Sema)
- Áreas úmidas nos Campos de Cima da Serra / APA Rota do o Sol e PE Tainhas – Milene Prestes e Daniel Slomp (Sema)
16h – Intervalo
16h15 – Grupos de discussão
2 de fevereiroLocal – Escola Municipal Fundamental Marcelo Gama (Rua Bento Gonçalves, 1049 – Centro, Mostardas – RS)
8h30 – Plano de Ação referente à conservação de Zonas Úmidas no RS
15h – Divulgação da Exposição dos banhados e atividade de divulgação no Balneário Mostardense

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FONTE :
Texto: Daniel Hammes/FZB
Foto: Glayson Bencke/Divulgação
Edição: Redação Secom
Fonte: http://www.sema.rs.gov.br/conteudo.asp?cod_menu=4&cod_conteudo=8042

Manchetes Socioambientais - 31/jan/2013

STJ nega anistia de multas anteriores à nova lei
A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que multas emitidas com base no antigo Código Florestal, de 1965, continuam válidas mesmo com a promulgação da nova lei que trata do tema. O ministro Herman Benjamin rejeitou pedido de um proprietário rural que afirmou que a multa aplicada é anterior a julho de 2008 e por isso não se aplicava a ele. O artigo 59 do novo Código Florestal define que quem descumpriu a lei antes de 22 de julho de 2008 poderá regularizar lotes dentro de áreas de preservação permanentes (APPs) por meio dos Planos de Recuperação Ambiental. Segundo a decisão de Benjamin, o novo código não inclui "anistia universal e incondicionada" - Valor Econômico, 31/1, Política, p.A9.

Subprocuradora propõe ações contra Código Florestal
A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, disse que apresentou três ações pedindo a suspensão dos pontos essenciais do novo Código Florestal ao Supremo Tribunal federal (STF) com o objetivo de "aumentar as chances" de sucesso da iniciativa. "Nossa ideia era entrar com mais de uma ação para possibilitar o exame de mais um relator que, ao nosso ver, ampliaria as nossas possibilidades", afirmou. Sandra Cureau, que assumiu o comando da PGR interinamente no início do ano, espera um pronunciamento do STF sobre o tema no mês que vem, uma vez que a Corte está em recesso e trata-se de um pedido de liminar. Os relatores das Adins são os ministros Rosa Weber, Gilmar Mendes e Luiz Fux - Valor Econômico, 31/1, Política, p.A9.


Geral

É possível mudar de rumo, diz Al Gore
"A humanidade está hoje numa encruzilhada e precisa escolher um caminho. As duas rotas levam ao desconhecido, mas uma passa pela destruição do equilíbrio climático do qual dependemos e pela exaustão de recursos naturais não renováveis; a outra leva ao futuro". Assim Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ativista da luta contra o aquecimento global, conclui seu mais recente livro, no qual aponta os desafios que o mundo tem a enfrentar e propõe algumas saídas. "The Future - Six Drivers of Global Change" (O Futuro - seis forças motrizes da mudança global), lançado na terça-feira nos EUA, pinta o complexo panorama de um planeta cheio de desigualdades e desafios políticos. Seguindo a trilha presente, adverte, a humanidade cava sua destruição, mas é possível mudar de rumo - FSP, 31/1, Ciência, p.C12.

Agora é hora de falar com bilionários pelo mundo
O empresário e filantropo americano Bill Gates prepara uma série de viagens pelo mundo para convencer outros bilionários fora dos EUA a doar boa parte de suas fortunas para a filantropia -como ele mesmo já fez. Em entrevista, Gates se mostrou defensor dos Objetivos do Milênio da ONU. Afirmou que, ao contrário de tantos documentos que são arquivados e prontamente esquecidos, os objetivos, por terem números claros e metas realistas, foram sendo cumpridos. Mas disse que está na hora de "refinar" e de atualizar os tais objetivos. Incluindo, ainda, "objetivos climáticos". "Pode ser difícil colocar China e Estados Unidos para atingir essas metas, mas ainda há 193 países para chegar a um acordo", afirmou - FSP, 31/1, Mundo, p.A15.

Obras do Rodoanel Norte começam em fevereiro
O Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas deve começar a ser construído em fevereiro, afirmou ontem o governador de São Paulo. Geraldo Alckmin disse que todos os objetivos foram cumpridos, entre captação de financiamento, licitação, convênio com o governo federal e aprovações ambientais. As obras devem durar três anos e ser entregues em 2016. Esse trecho da rodovia, que terá 47 km de extensão, é o último dos quatro "pedaços" do Rodoanel a ser entregue. A construção do Trecho Norte, envolvida em polêmicas de cunho ambiental - a autoestrada cortará a Serra da Cantareira transversalmente, o que, para muitos ambientalistas, poderá afetar a fauna e a flora locais -, custará cerca de R$ 3,9 bilhões - OESP, 31/1, Metrópole, p.C12.

Pesquisadores fazem esgoto virar adubo
O esgoto doméstico pode se tornar um aliado da agricultura. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão desenvolvendo um adubo, feito com lodo produzido em estações de tratamento de esgoto, que se mostrou mais eficiente no desenvolvimento de plantas que os fertilizantes comerciais. Fruto de parceria da UFF com a prefeitura de Volta Redonda (RJ), os experimentos vêm sendo conduzidos em uma estação de tratamento do município desde 2011 - OESP, 31/1, Vida, p.A17.

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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 31/jan/2013
Portal EcoDebate- Edição 1.767, de 31 / janeiro / 2013
  
Na contramão das atitudes sustentáveis: a obsolescência programada, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira
Dossiê da Abrasco reúne pesquisas e relatos de comunidades diretamente atingidas pelos agrotóxicos
Resíduos sólidos não aproveitados dão prejuízo de R$ 10 bilhões anuais ao país
Aumento de produtividade agropecuária do Brasil daria lucro sem desmate
O livro ‘Gestão de áreas de riscos e desastres ambientais’ está disponível para leitura ou download gratuito
Aquecimento Global: Mais uma vez, o Ártico! artigo de Alexandre Costa
Os vegetarianos sofrem menos doenças cardíacas, revela um amplo estudo britânico
Dilma: o Holocausto também se repete quando é negado
MPF/SP denuncia três pessoas que mantinham 24 trabalhadores em condição análoga à de escravos
Brasil: um país com racismo, mas sem racistas, por Zuenir Ventura
Com liminar favorável no STJ, a construtora MRV deixa de integrar cadastro de trabalho escravo
Brasil perde nove posições em ranking mundial de liberdade de imprensa

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

BRASIL FARÁ MINUCIOSO INVENTÁRIO DA AMAZÔNIA


por Redação da Agência France Press
Amazonia2 Brasil fará inventário minucioso da Floresta Amazônica
A Amazônia é a maior reserva tropical do planeta. Foto: ©afp.com / Antonio Scorza
O governo brasileiro prepara um inventário minucioso da Amazônia, maior reserva tropical do planeta, com o qual pretende não só fazer um levantamento de suas riquezas, mas também avaliar a qualidade das florestas e das áreas degradadas, informou o Ministério do Meio Ambiente na sexta-feira 25.
O inventário, que será concluído em até quatro anos, inclui as espécies de árvores da Amazônia. O comunicado do ministério diz que isso “nos permitirá ter um panorama amplo de qualidade e as condições do que se conhece como cobertura florestal” e ajudará a “melhorar a implantação de políticas públicas”.
“Vamos conhecer a selva por dentro”, disse o diretor do serviço florestal, Antonio Carlos Hummel. O último inventário florestal do país foi realizado em 1970.
“Saberemos que tipo de florestas temos, sua qualidade, descobriremos espécies, saberemos mais sobre as espécies em extinção”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citada pela estatal Agência Brasil.
Entre agosto de 2011 e julho de 2012, a superfície desmatada da Amazônia foi de 4.656 km2, a menor desde que existem registros oficiais na área, o que supõe uma redução de 27% com relação aos doze meses anteriores.
O Brasil, um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global devido à destruição de suas florestas, se comprometeu em 2009 a reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, quando a destruição da floresta não deve superar os 3.925 km².
* Publicado originalmente na Agência France Press e retirado do site Carta Capital.
(Carta Capital)

Terreno ocioso vira horta urbana comunitária

por Tatiane Ribeiro*
so82 300x219 Terreno ocioso vira horta urbana comunitária
Terreno ocioso ganha canteiros de mudas e flores. Foto: Caio Kenji
Terrenos vazios podem ter outras utilidades além de estocar lixo e servir de estacionamento. Mais do que pensar sobre isso, grupos de diversos coletivos se reuniram para colocar a ideia em prática.
“Buscamos um espaço potencial onde pudéssemos ocupar com uma intervenção de agroecologia e usamos as redes sociais para convidar as pessoas”, conta a professora Diná Ramos, 38.
Em conjunto com um grupo de cerca de 40 pessoas, Diná iniciou a horta comunitária na Vila Pompéia”. No terreno, localizado entre as rua Francisco Bayardo e a rua Saramenha, na zona oeste de São Paulo, onde existia apenas mato e lixo, começaram a surgir flores, árvores frutíferas, temperos e verduras.
“Estamos no terceiro encontro e, desde o começo, nos organizamos de forma autogestionada, onde todos os participantes podem contribuir da forma que quiserem”, explica.
Com a ajuda dos lambe-lambes colados nos postes do bairro, jovens, adultos, crianças e idosos chegam no domingo para ajudar na horta.
Quem acorda cedo participa do café da manhã colaborativo e do bate papo sobre o planejamento das ações, os próximos passos e ainda um balanço do que foi feito.
“No primeiro encontro, o mato estava alto e havia muito entulho. Começamos a podar, fazer os canteiros, produzimos placas informativas e lixeira de garrafa PET”, conta.
Após três dias de ação conjunta, o espaço já conta com mudas de girassol, alface, alecrim, arruda, manjericão, batata-doce, acerola e couve, entre outras. Há ainda a preocupação com a visão estética: bromélias e orquídeas são penduradas nas árvores.
“Nosso objetivo maior é ocupar os espaços ociosos e assim gerar um processo de articulação social no entorno. Há muitas pessoas que foram do campo para a periferia e perderam esse contato com a terra. Ao mesmo tempo, há lugares que precisam exatamente disso”, diz Fonseca, 32, educador ambiental e um dos articuladores do grupo.
Com a cooperação de biólogos que aparecem nos encontros, a horta segue princípios agroecológicos, como controle natural de pragas, uso de sementes não transgênicas e ainda composteiras produzidas em apartamentos.
“A mudança é gradual, e a cada dia fica mais bonito. Para mim é excelente. Mexer com a terra me dá paz de espírito”, conta o consultor Adriano Sampaio, 41, que mora na mesma rua do espaço.
“Queremos que os vizinhos se conheçam mais e criem mais identidade com o local em que vivem. A ideia é que eles tomem conta do lugar, para que nós possamos replicar em outros bairros”, diz Átila Fragoso, 31, finalizador de vídeo no coletivo Casa da Lapa. “O que mais aprendo com tudo isso é que fazer algo transformador é simples. É só usar o que se tem.”
Para a cientista social Ana Godoy, 52, funciona como uma saída política. “Moro em um apartamento, então uso esse espaço como um jardim. Venho e cuido de algo que é para todo mundo.”
A professora Giulia Mendonça, que trouxe o filho Miguel, 3, também partilha da ideia de quintal coletivo. “Não tive na infância, mas acredito ser fundamental para meu filho, e a convivência com as outras pessoas do bairro torna essa experiência melhor ainda.”
A manutenção da horta fica a cargo dos moradores mais próximos do espaço. “Vou até a porta dos vizinhos para convidá-los. Muitos ainda não vieram. Mas acredito que a consciência de que o espaço público é nosso tende a crescer.”
A recém-formada em oceanografia Juliana Gonçalves, 23, veio de outro bairro para ajudar. “Eu quis participar dessa horta específica para acompanhar o processo desde o início, aprender como mobilizar as pessoas e assim replicar onde eu moro.”
Na mesma linha da troca de conhecimentos, nos próximos encontros na horta haverá oficinas de compostagem, minhocário e bioconstrução. “Convidamos o arquiteto Gugu Costa, que tem experiência com sustentabilidade, para ensinar como usar o entulho que existia aqui e assim criar o mobiliário da praça”, conta Diná.
Clique aqui e aprenda a fazer uma horta vertical.
* Publicado originalmente no site Prêmio Empreendedor Social/Folha de S.Paulo.

LITORAL SUSTENTÁVEL E PLANEJADO !!!!!

por Sophia Gebrim, da MMA
Praia Boa ViagemRecife. Litoral sustentável e planejado
Orla brasileira: uso precisa de ordenamento. Foto: Divulgação
Projeto busca organizar todas as atividades desenvolvidas ao longo da orla, marítima ou fluvial, desde o comércio até a gestão das comunidades.
Prefeitos e representantes de municípios do Amapá, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí e Rio Grande do Norte conheceram, na tarde desta segunda-feira (28), o funcionamento do Projeto Orla, iniciativa do governo federal que promove o planejamento das costas marinha e fluvial brasileiras. A apresentação faz parte da agenda de atendimento do Ministério do Meio Ambiente aos prefeitos participantes do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, que acontece de hoje até a próxima quarta-feira (30), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
O Projeto Orla é uma ação desenvolvida em parceria entre a Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, por meio da Gerência Costeira, e a Secretaria de Patrimônio da União do Ministério Público da União, e busca organizar todas as atividades desenvolvidas ao longo da orla, desde o comércio até a gestão das comunidades que vivem nessas áreas. “Viemos buscar mais informações sobre o projeto justamente por conta da preocupação que temos em conservar a nossa praia, ainda com muitas áreas de vegetação nativa”, disse a representante do município de Alcântara (MA) e primeira-dama, Vilciléia Costa Lima. Para ela, o planejamento do litoral irá contribuir para a preservação do meio ambiente, sustentabilidade local e geração de emprego e renda para a comunidade.
Rio Jari
Para o prefeito de Laranjal do Jari (AP), Zeca Madeireiro, a iniciativa do governo representa a preocupação em torno da preservação do que o Brasil tem de mais rico e diverso, que são suas praias e rios. No seu município, a orla é fluvial, e fica às margens do Rio Jari, em área de divisa entre os estados do Amapá e Pará. “O nosso objetivo é construir uma área às margens do rio, com quiosques, áreas de lazer, barraquinhas diversas e a famosa feira do peixe”, detalha o prefeito. Segundo ele, com as orientações do Ministério do Meio Ambiente e Secretaria de Patrimônio da União, agora já é possível pensar e projetar uma orla para o município.
O município que possui orla marinha ou fluvial interessado em aderir ao Projeto Orla deve procurar a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Após aderir ao projeto, cabe à prefeitura organizar oficinas de treinamento e capacitação de instrutores, que atuarão como multiplicadores. Toda a capacitação e treinamento técnico são promovidos pela Gerência Costeira do Ministério do Meio Ambiente e Secretaria de Patrimônio da União.
A responsável pela Gerência Costeira do Departamento de Zoneamento Territorial da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Leila Swerts explica que as oficinas buscam fomentar a participação cidadã nos municípios, como ferramenta para promover o uso sustentável dos recursos naturais e ordenamento da ocupação dos espaços litorâneos. Além de aprofundar o conhecimento sobre a metodologia do projeto, os alunos conheceram, também, o conjunto de leis e informações que regulamentam a Zona Costeira, bem como os instrumentos de gestão patrimonial.
Ordenamento
O Projeto Orla é uma iniciativa governamental com ações que buscam o ordenamento dos espaços litorâneos sob domínio da União, aproximando as políticas ambiental e patrimonial, com ampla articulação entre as três esferas de governo e a sociedade. Entre os objetivos estão o fortalecimento da capacidade de atuação e articulação de diferentes atores dos setores público e privado na gestão integrada da orla; desenvolvimento de mecanismos de participação e controle social e valorização de ações inovadoras de gestão voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais e da ocupação dos espaços litorâneos.
“Dessa forma, o projeto busca responder a uma série de desafios, como reflexo da fragilidade dos ecossistemas da orla, do crescimento do uso e ocupação de forma desordenada e irregular, do aumento dos processos erosivos e de fontes contaminantes”, diz Leila Swerts.
O atendimento do Projeto Orla aos prefeitos continua durante todo o Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas. Nesta terça-feira (29), às 18h, os municípios dos estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo serão recebidos pela equipe do Ministério do Meio Ambiente. Já na quarta-feira (30), às 12h30, será a vez do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
* Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente)

LIXÕES PREOCUPAM PREFEITOS

por Tinna Oliveira, do MMA
lixoes Lixões preocupam prefeitos
Lixões e CAR foram os temas mais debatidos. Foto: Martim Garcia/MMA
Gestores aproveitam primeiro dia de evento em Brasília para tirar dúvidas sobre assuntos ligados ao MMA
A sala de atendimento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), no Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília, foi bastante movimentada nesta segunda-feira (28), primeiro dia do encontro. Gestores, vindos de diferentes regiões do país aproveitaram a manhã para obter informações sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trata do fim dos lixões. Pela lei, estes depósitos de lixo a céu aberto precisam ser substituídos por aterros sanitários até 2014.
Representantes do MMA orientaram os gestores sobre quais instrumentos o governo federal oferece para auxiliar nesse processo. O prefeito de Tamarana (PR), Paulino de Souza, por exemplo, buscou informações sobre a formação de consórcios. O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Saburo Takahashi, afirmou que a maioria dos dirigentes municipais procurou se informar sobre os procedimentos do ministério e os recursos disponíveis, além de dados sobre a formação dos planos municipais de resíduos sólidos. Ele atendeu 14 prefeitos nesta manhã.
Prejuízo
O diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campelo, também reforça que o descarte incorreto dos resíduos sólidos afeta e envolve a todos. Os lençóis freáticos e os animais, como o gado, por exemplo, podem ser prejudicados se não houver o descarte adequado do lixo.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) também foi tema bastante solicitado. A prefeita de Torres (RS), Nívea Pereira, veio com sua equipe receber orientação sobre como deve proceder para cadastrar os imóveis rurais em seu município. ”Fui muito bem orientada”, disse a gestora, que conversou com o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Paulo Guilherme Cabral.
Os prefeitos também se informaram sobre o programa Bolsa Verde e Unidades de Conservação. O atendimento tem sido feito de forma compartilhada, pois todas as áreas do Ministério do Meio Ambiente estão relacionadas entre si, explica o gerente de Recursos Genéticos da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, Lídio Coradi. Os estados mais representados foram os de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Paraná e Piauí. A sala de atendimento permanece nesta segunda à tarde e segue até quarta-feira (30).
* Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente)

Calor emitido por cidades pode alterar padrões climáticos


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
cidades Calor emitido por cidades pode alterar padrões climáticosNovo estudo publicado na Nature Climate Change revela que ilhas de calor urbano não apenas modificam a temperatura das cidades e seus arredores, mas também podem influenciar sistemas climáticos a milhares de quilômetros de distância.
As ilhas de calor urbano (ICUs) são um fenômeno já bem conhecido pelos cientistas climáticos: as alterações na paisagem natural, bem como as atividades humanas, fazem com que mais calor seja produzido nas cidades, o que pode fazer com que a região seja até 5ºC mais quente do que as áreas mais distantes do perímetro urbano.
No entanto, uma nova pesquisa realizada por uma equipe da Instituição Scripps de Oceanografia e do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos revelou que esse calor gerado nas cidades não afeta apenas a temperatura do perímetro urbano e suas proximidades, mas pode alterar sistemas climáticos a milhares de quilômetros de distância e em diferentes épocas.
Segundo a análise, publicada neste domingo no periódico Nature Climate Change, as mudanças causadas pelo calor gerado em áreas urbanas do Hemisfério Norte pode levar a até 1ºC de aquecimento no inverno.
Para chegar a essa conclusão, Guang Zhang, líder do estudo, e seus colegas analisaram o consumo de energia que gera o calor liberado no perímetro urbano. Em 2006, o consumo mundial de energia foi de 16 terawatts (16 trilhões de watts). Destes, 6,7 TW foram consumidos em 86 áreas metropolitanas no Hemisfério Norte.
Avaliando os padrões de consumo de energia por computador, eles calcularam que o calor emitido seria suficiente para modificar as correntes de ar e para tornar algumas regiões notavelmente mais quentes. No geral, essas mudanças têm um efeito leve, mas perceptível, nas temperaturas mundiais, aumentando-as em média em 0,1ºC.
“O que descobrimos é que o uso de energia de diversas áreas urbanas coletivamente pode aquecer a atmosfera remotamente, a milhares de quilometros de distância das regiões de consumo de energia. Isso é realizado através de mudanças na circulação atmosférica”, comentou Zhang.
De acordo com os cientistas, esse fenômeno é diferente das ICUs porque afeta as correntes de ar e fortalece os fluxos atmosféricos nas latitudes médias, enquanto as ICUs se concentram nas proximidades das cidades.
Apesar de não estabelecer o quanto esse fenômeno contribui na aceleração do aquecimento global, os autores declararam que o efeito do aquecimento urbano colabora para a diferença entre a elevação das temperaturas observada na prática e o aquecimento de inverno simulado por modelos usados pela ciência para análise e previsão do clima.
Por isso, os pesquisadores sugerem que a influência do consumo de energia também seja usada, assim como a emissão de gases do efeito estufa e de aerossóis, como uma variável dos modelos climáticos de computador.
“Uma estimativa melhor e mais precisa do uso global de energia baseada em informação de cidade a cidade deve ser desenvolvida para dar conta plenamente do impacto climático devido ao consumo de energia nas futuras projeções de mudanças climáticas”, concluíram.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)
Portal EcoDebate- Edição 1.766, de 30 / janeiro / 2013
  
O decrescimento do ritmo do crescimento econômico, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Educação e Religião, artigo de Valdeci Pedro da Silva
Fiscalização destrói carvoaria no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, RJ
Segundo Pnuma, 8% da produção mundial de gás natural é perdida por ventilação, vazamento e queima
Exigências e restrições fundiárias e ambientais ao crédito rural ajudam na proteção da Amazônia
ISA solicita declaração de inviabilidade de projeto de mineração na região do Xingu
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o futuro incerto do lixo
Estudo estima que gatos matam bilhões de animais e ameaçam vida selvagem dos EUA
Movimento Slow Food vai além do incentivo às refeições sem pressa
Governo do Rio desiste da demolição do Museu do Índio
Lucro e impunidade impulsionam trabalho escravo no país, diz procurador
Governo de São Paulo aprova lei que fecha por dez anos empresas que usam mão de obra escrava
Desigualdade e pobreza extrema: Avançamos, mas há nuvens no horizonte, artigo de Washington Novaes
Especialista fala sobre sintomas, riscos e tratamento para a pneumonia química

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pesquisador alerta para ameaça de extinção de um dos menores golfinhos do mundo

por Alana Gandra, da Agência Brasil
toninha Pesquisador alerta para ameaça de extinção de um dos menores golfinhos do mundo
Indivíduo jovem de toninha acompahado da mãe. Foto: projetotoninhas
Rio de Janeiro – Cetáceo encontrado na América do Sul, a toninha está em risco de extinção, além de bastante ameaçada pela pesca de emalhe – modalidade feita com as chamadas redes de pesca passivas, nas quais os animais ficam presos em suas malhas devido ao seu próprio movimento. O alerta é do pesquisador do Laboratório de Mamíferos Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), Emanuel Carvalho Ferreira.
“A pescaria de emalhe é o que mais afeta e põe em risco esse animal. A toninha é uma espécie costeira que habita águas rasas e, muitas vezes, as áreas de pesca sobrepõem com as de ocorrência da toninha”. O cetáceo é uma das menores espécies de golfinho do mundo e pode ser encontrado em águas de até cerca de 35 metros de profundidade, da costa do Espírito Santo à Argentina. O animal tem coloração parda-marrom, bico comprido e mede entre 1,30 e 1,70 metro.
A pesca de emalhe acaba levando à captura acidental e à morte de quase mil toninhas por ano, somente no Rio Grande do Sul, disse o pesquisador à Agência Brasil. Ele é autor da pesquisa A Mortalidade de Toninhas nas Pescarias de Emalhe na Costa Sul do Rio Grande do Sul. O estudo constatou que, se fosse proibida a pesca em águas consideradas rasas, a área de proteção ambiental poderia diminuir em até 75% a captura desses animais. Ferreira explicou que a pescaria de emalhe vai de 5 a 150 metros de profundidade. “É uma pescaria direcionada para peixes de fundo”.
A pesca de emalhe é denominada passiva porque a rede é deixada na água por algumas horas antes de ser recolhida. “Hoje em dia o problema é com o tamanho das redes”, disse o pesquisador. Até pouco tempo encontravam-se redes com até 35 quilômetros de extensão. “Uma rede com 35 quilômetros de extensão deixada no mar por seis a oito horas, vira uma barreira não só para a toninha, mas para qualquer espécie de vida marinha que pode ser capturada pela pesca”.
Ferreira quer sensibilizar as autoridades governamentais para que delimitem a pesca de emalhe somente para águas profundas e que as redes atinjam o tamanho de 7,5 quilômetros de extensão, fixado como preferencial para essa prática no Plano Nacional para a Conservação da Toninha, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
No ano passado saiu a regulamentação desse tipo de pesca. A norma estabelece o escalonamento do tamanho das redes. Enquanto na costa do Rio Grande do Sul, as embarcações grandes não podem levar redes com mais de 16 quilômetros, em outros estados, como Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, são permitidas redes com até 18 quilômetros de extensão.
“É preciso diminuir mais”, disse Ferreira. Para ele, o escalonamento é um ponto de partida, embora o ideal, preconizado no Plano Nacional para a Conservação da Toninha, sejam redes com até 7,5 quilômetros. O plano determina que o tamanho das redes diminua de forma gradual ao longo dos anos. Ferreira defende que isso ocorra com urgência, uma vez que essa modalidade de pesca não ameaça somente a toninha.
“Atinge espécies de tartarugas, algumas aves e espécies de tubarões ameaçados de extinção, que se reproduzem em regiões rasas”. É o caso do tubarão-cação anjo, cuja captura comercial já está proibida. Se a pesca for proibida nessas regiões, o pesquisador acredita que o ecossistema marinho será preservado.
 
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FONTE : * Edição: Tereza Barbosa.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil.
(Agência Brasil)


Imazon: desmatamento na Amazônia volta a subir

por Fernanda B. Mûller, do CarbonoBrasil
a41 300x242 Imazon: desmatamento na Amazônia volta a subirAnálises de imagens de satélite indicam que 82 quilômetros quadrados foram desmatados em dezembro de 2012, um aumento de 107% em relação ao mesmo período de 2011.
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou seu mais recente Boletim de Desmatamento com dados até dezembro de 2012 e a tendência dos últimos meses é no mínimo preocupante.
O desmatamento acumulado no período de agosto a dezembro de 2012 totalizou 1.288 quilômetros quadrados, um aumento de 127% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isto significa que cerca de 66,5 milhões de toneladas de CO2e foram liberadas apenas nestes meses.
Os resultados das análises para dezembro de 2012, mostram que, apesar da grande cobertura de nuvens na região (56%), o que na realidade pode resultar em dados “subestimados”, segundo o Imazon, foram detectados 82 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal.
Isso representou um aumento de 107% em relação a dezembro de 2011 quando o desmatamento somou 40 quilômetros quadrados para uma cobertura de nuvens de 76%.
Grande parte deste desmatamento, 71%, ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse, o restante foi registrado em Unidades de Conservação (2%), Assentamento de Reforma Agrária (10%) e Terra Indígena (17%).
Nestas últimas, as áreas mais afetadas foram as Terras Maraiwatsede (MT), localizada entre os municípios de São Félix do Araguaia e Alto da Boa Vista, norte do Mato Grosso. O território abriga conflitos extremos devido à reivindicação de posse pelo povo Xavante, cujos 165 mil hectares foram invadidos por fazendeiros, posseiros e assentados de programa de reforma agrária.
A taxa de degradação registrada em dezembro de 2012 (261 Km2) é ainda mais marcante, subindo 178% ao se comparar com o mesmo mês em 2011. Entre agosto e dezembro de 2012, a degradação florestal somou 972 Km2, uma redução acumulada de 71% em relação a este período no ano anterior.
Tendências
Em longo prazo os números ainda indicam que o desmatamento na Amazônia tem caído.
Estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no final de dezembro mostram que a emissão de dióxido de carbono por desmatamento na Amazônia no ano de 2012 caiu 16% em relação a 2011. Foram liberados 352 MtonCO2/ano (milhões de toneladas de dióxido de carbono).
Os dados foram calculados a partir dos resultados do PRODES 2012, sistema baseado no monitoramento de satélites do próprio INPE, que estimou 4.665 km2 de corte raso na Amazônia Legal no último ano.
Porém, assim como o Imazon, dados preliminares do INPE também sugerem um aumento no desmatamento entre agosto e outubro, último mês com dados divulgados.
“Consideramos que um aumento de 127% é preocupante e serve de alerta à sociedade. Como representa a primeira metade do calendário do monitoramento, ainda é possível evitar uma reversão da tendência de queda observada nos últimos anos”, comentou Heron Martins, pesquisador do Imazon, ao Portal CarbonoBrasil.
“É provável que nos próximos meses (janeiro a abril) ocorra uma diminuição natural da detecção devido ao período de chuvas na Amazônia que dificulta tanto o monitoramento quanto o processo de desmatamento. Entretanto, pode ocorrer um novo aumento ao final desse período, que coincide com final do atual calendário de monitoramento e inicio do próximo”, alertou Martins.
Retrocesso
Embora ainda seja preciso uma análise contínua para confirmar a retomada do desmatamento na Amazônia Legal, o que seria um duro golpe para toda a propaganda que o governo tem feito sobre a queda na derrubada de florestas, é impossível não fazer a conexão entre os dados e a aprovação das mudanças no Código Florestal.
“Não possuímos informações concretas que liguem o aumento do desmatamento ao novo Código Florestal, mas é uma hipótese a ser estudada”, disse Martins.
Aprovado no Senado em setembro de 2012 e sancionado em outubro pela Presidente Dilma, o novo Código Florestal traz consigo diversas polêmicas e faz parte de uma série de políticas e projetos conduzidos pelo governo federal extremamente criticados por especialistas da área socioambiental.
“É importante lembrar que o desmatamento vem se concentrando em áreas específicas, como, por exemplo, a região da BR-163 e em Rondônia, que passam por investimentos de infraestrutura como asfaltamento de rodovias e a construções de hidrelétricas. Além disso, essas áreas tiveram várias reduções nos limites de unidades de conservação devido aos projetos de infraestrutura e a ocupação humana. Todo esse contexto em conjunto com o novo código florestal pode ajudar a entender esse aumento do desmatamento nos últimos 4 meses”, ressaltou o pesquisador do IMAZON.
A nova legislação é foco de críticas não apenas de ambientalistas. Até mesmo da Procuradoria Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 21 de janeiro três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que questionam dispositivos da Lei 12.651/2012.

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FONTE : * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


O PLANETA SUFOCA !


 por Julio Godoy*

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As altas temperaturas combinam com o aumento do nível médio do mar em um coquetel, inicialmente agradável, mas muito perigoso. Foto: Jorge Luis Baños/IPS
As ondas de calor extremo se intensificam no mundo, com casos dramáticos como em partes da Europa, África e Ásia meridional, um fenômeno “ligado ao consumismo absurdo”.
Berlim, Alemanha, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O aquecimento da Terra provocado pelas atividades humanas não é apenas uma realidade indiscutível como também sofreu uma aceleração desde 1970, com temperaturas cada vez mais altas, alertam novos estudos científicos, que situam 2012 como o nono ano mais quente desde 1880. As jornadas recorde de calor estival são mais frequentes e intensas do que antes de 1970, segundo investigação publicada este mês pelo Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático (PIK).
Para este estudo, intitulado Global Increase in Record-Breaking Monthly-Mean Temperatures (Aumento mundial nas médias mensais de temperaturas recordes), os cientistas do PIK utilizaram o banco de dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, que contém os registros mensais de temperatura no mundo desde 1880. Em média, os meses com temperaturas extraordinariamente elevadas quintuplicaram em relação ao que se poderia esperar se não existisse o aquecimento global de longo prazo, disse ao Terramérica o chefe da equipe do PIK, o geofísico holandês Dim Coumou.
A tarefa principal deste especialista desde que entrou no PIK, em 2008, é coprojetar um sistema climático computadorizado, os chamados Earth System Models of Intermediate Complexity (Modelos de complexidade intermédia do sistema terrestre). Com esta ferramenta se busca “cimentar o caminho para estudar de forma eficiente os elementos cruciais do sistema climático terrestre, alguns dos quais poderiam atravessar, no próximo século, um ponto de inflexão forçado pela ação dos seres humanos”, apontou Coumou.
O geofísico disse ao Terramérica que o estudo do PIK foi motivado pela frequência e intensidade de ondas de calor registradas nos últimos anos, como as ocorridas em 2003 na Europa, em 2010 na Rússia e no Sahel, a zona africana de transição entre o Deserto do Saara e o sul mais fértil, em 2012 na América do Norte, e, nas primeiras semanas deste ano, na Austrália. “Aplicamos nosso modelo de análise estatística aos dados da Nasa para estudar a frequência dos recordes de calor desde 1880 e, mais especificamente, desde 1970, tomando em conta que, nos últimos 40 anos, aumentaram as emissões antropogênicas de gases-estufa e o aquecimento global que causam”, explicou Coumou.
A pesquisa comprovou que globalmente os meses mais quentes quintuplicaram e também que a situação é ainda mais dramática em determinadas regiões do planeta. “Em partes da Europa, África e Ásia meridional, os meses com recordes de temperaturas altas se multiplicaram até por dez”, garantiu Coumou, destacando que 80% desses recordes observados não teriam ocorrido sem a intervenção humana.
Para o sociólogo alemão Harald Welzer, os resultados desta investigação não são uma novidade. “É claro que há muito tempo que nossa sociedade consumista, que é o modelo econômico imperante no mundo, nos levou a um atoleiro”, disse ao Terramérica. “Os dados sobre o aquecimento global estão diretamente ligados ao consumismo absurdo”, insistiu Welzer, diretor de uma fundação ambientalista dedicada a divulgar práticas sociais e econômicas que permitam “estilos de vida melhores, mais justos e que conduzam a mais felicidade”.
“Na Alemanha, com 80 milhões de habitantes, a cada ano são vendidos dez milhões de televisores de tela plana e os automóveis são tão grandes que já não cabem nos estacionamentos”, exemplificou Welzer. Na zona oeste, a mais desenvolvida do país, “um terço dos alimentos comprados é jogado no lixo”, acrescentou. Para contrapor a este modelo, Welzer defende um sistema de vida “com menos consumo, menos mobilidade, menos prosperidade, mas também com menos trabalho, menos tensão e, por conseguinte, mais tranquilidade”.
Um segundo estudo também divulgado este mês, realizado pela própria Nasa utilizando seu banco de dados, chega a conclusões semelhantes às do PIK, ao determinar que 2012 foi o nono ano mais quente desde 1880, confirmando a tendência de longo prazo de temperaturas globais crescentes. Também estabeleceu que os nove anos com maiores temperaturas desde então ocorreram a partir de 2000, com exceção de 1998. O recorde é detido por 2005 e 2010. Os pesquisadores do Instituto Goddard para Estudos Espaciais (Giss) da Nasa indicaram que a temperatura global média de 2012 foi de 14,6 graus, 0,6 grau maior do que a média-base de meados do século 20 e 1,4 grau maior do que a média dos últimos 132 anos.
Gavin Schmidt, climatológico do Giss, declarou, em um comunicado da Nasa, que os números correspondentes a um ano não são significativos em si mesmos. “O que importa é que esta década é mais quente do que a anterior, que, por sua vez, foi mais quente do que a que a antecedeu. O planeta está aquecendo, e o motivo é que estamos emitindo cada vez mais dióxido de carbono na atmosfera”, enfatizou. No mesmo comunicado, o diretor do Giss, James Hansen, afirmou que os “dados climáticos agora estão carregados”.
Embora algumas estações venham a ser mais frias do que média de longo prazo, as pessoas perceptivas já terão notado que a frequência das ondas de calor estão aumentando, e são estas temperaturas extremas as que mais afetam a vida sobre a Terra, acrescentou Hansen. O estudo do PIK coincide com esses alertas. Caso o aquecimento global continue no ritmo atual, os especialistas estimam que os recordes mensais de calor serão, dentro de 30 anos, 12 vezes maiores do que se não houvesse a mudança climática.
Entretanto, o aquecimento será ainda maior na África central e na região do Amazonas, alertou Coumou, que, apesar das claras conclusões de seu estudo, negou-se a fazer recomendações aos governos e à população em geral. “O único desejo é que os líderes políticos e as sociedades tenham plena consciência de que a mudança climática não é um assunto do futuro distante, e que seus primeiros impactos já estão ocorrendo, que o aquecimento global é real e é provocado por atividades humanas. Se todos aprendermos a agir com consciência, será muito melhor”, ressaltou.

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FONTE : Envolverde/Terramérica
* O autor é correspondente da IPS.

Manchetes Socioambientais - 28/janeiro/2013


ISA solicita declaração de inviabilidade de projeto de mineração na região do Xingu
Na última quarta-feira (23), o Instituto Socioambiental protocolou parecer técnico junto à Secretaria do Meio Ambiente do Pará solicitando a declaração da inviabilidade do projeto da mineradora Belo Sun, de instalar mineração de ouro na região da Volta Grande do Rio Xingu. O documento explica porque a área onde o Rio Xingu terá significativa redução da vazão não pode ter, além da terceira maior hidrelétrica do mundo, outro mega empreendimento licenciado - Notícias Socioambientais, 25/1.


Povos Indígenas

Índios 'alugam' terras para exploração ilegal de madeira
Índios da Amazônia têm "alugado" terras para madeireiros desmatarem e retirarem madeira de forma ilegal -e a preços módicos. A Folha identificou casos em ao menos 15 terras indígenas (no Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia), com base em investigações da Polícia Federal, Ministério Público e relatos de servidores da Funai. Nas transações, madeireiros pagam R$ 15 pelo m³ da madeira, depois revendida por preços na casa dos R$ 1.000, de acordo com a PF. Além de pagamento em dinheiro, os índios também aceitam aparelhos eletrônicos, bebidas ou até prostitutas, conforme relatos de funcionários da Funai. A madeira ganha aspecto de legalidade pelo uso de planos de manejo aprovados legalmente para outras áreas. Fora da Amazônia, a prática é menos comum, por haver menos madeira disponível - FSP, 26/1, Poder, p.A4.

Funai afirma que combate a extração ilegal é intenso
A Funai diz que está atuando "intensamente" no combate à extração ilegal de madeira em terras indígenas, com ações de fiscalização e de capacitação. O setor de monitoramento territorial da fundação afirma que, quando identifica a conivência de índios nesse tipo de atividade, desenvolve alternativas econômicas sustentáveis para que eles tenham outra fonte de renda. Se essas alternativas não têm efeito, afirma a coordenação, os casos são levados à PF e a outros órgãos de segurança pública - FSP, 26/1, Poder, p.A4.

Justiça concede liminar favorável ao Museu do Índio
Uma liminar do Tribunal de Justiça, expedida no sábado, impede a demolição do antigo prédio do Museu do Índio, situado ao lado do Estádio do Maracanã, no Rio. A decisão chegou às vésperas do encerramento do prazo dado pela procuradoria do estado para a desocupação do imóvel, prevista para hoje. A liminar estabelece ainda uma multa de R$ 60 milhões para o caso de descumprimento da medida. A construção, de 1862, está no centro de uma batalha jurídica entre o estado e índios de pelo menos cinco etnias que lá vivem desde 2006. A liminar foi concedida após ação da Defensoria Pública, diante do parecer favorável do Iphan ao tombamento do imóvel, mas cabe recurso - O Globo, 28/1, Rio, p.23.


Biodiversidade

Cientistas questionam previsões pessimistas
O número de espécies no planeta Terra não é tão grande quanto muitos acreditam ser. Assim como o número de espécies que estão sendo extintas pela ação do homem não é tão grande quanto muitos estimam ser. E, com um pouco mais de esforço e investimento, é possível descrever e proteger todas as espécies do planeta ainda neste século. São as conclusões de um artigo publicado hoje na revista Science, que promete se tornar um dos mais polêmicos da biologia nos últimos tempos. Assinado por três pesquisadores de renome na área - entre eles, o ecólogo Robert May, da Universidade de Oxford -, o trabalho questiona, de forma contundente, algumas das previsões mais pessimistas sobre o futuro da biodiversidade - OESP, 25/1, Vida, p.A20.

Deu cria
Seis espécies ameaçadas de extinção conseguem se reproduzir no parque ecológico de São Carlos (SP). No local, há 30 espécies nessa situação. Em 37 anos, seis delas procriaram - mico-leão-dourado, cervo-do-pantanal, papagaio-charão, urso-de-óculos, papagaio-de-cara-roxa e mico-leão-preto. Foram 50 nascimentos. O parque é o único no país dedicado exclusivamente à fauna sul-americana e virou referência na reprodução em cativeiro por praticar o manejo dos animais. O nascimento de um mico-leão-preto é raro porque há poucos exemplares criados em cativeiro - cerca de 50 em todo o planeta, segundo Fernando Magnani, diretor do parque - FSP, 27/1, Cotidiano, p.C4.


Energia

'Itaipu verde' não engrena e perde espaço
Com potencial para gerar, em 2021, volume de energia equivalente ao da hidrelétrica de Itaipu, o uso do bagaço da cana como fonte de energia está paralisado no país. Após forte crescimento entre 2006 e 2008, a venda de energia de biomassa despencou a partir de 2009. No ano passado, nem 1 MW foi comercializado nos leilões do governo. O único movimento é a entrega da energia vendida em anos anteriores. Em 2012, seria possível ofertar 5 mil MW médios com o bagaço de cana, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Mas apenas 26% do total (1.300 MW médios) foi entregue ao sistema. Em 2021, o país terá potencial para gerar 10 mil MW médios com o bagaço da cana, mas serão vendidos só 2 mil MW, ou 20% do total. A projeção da EPE reflete a ausência dessa fonte nos últimos leilões e a queda no nível dos investimentos - FSP, 26/1, Mercado, p.B4.

Europa alcança Brasil em biocombustível
Com subsídios de R$ 45 bilhões ao ano, a Europa já se iguala ao Brasil em consumo de biocombustível e, em dois anos, vai superar o País como um dos maiores mercados para as fontes alternativas de energia no mundo. Segundo as estimativas da Comissão Europeia, o setor ainda tem proporcionado o "crescimento mais dinâmico" na agricultura do continente, justamente para fornecer insumos para essa expansão do biocombustível. Mas enfrenta críticas cada vez mais duras por parte de ativistas e ambientalistas - OESP, 28/1, Economia, p.B1.


Fronteiras

Caminhões usam escâner para flagrar droga em carro
A nova fase do Plano Nacional de Fronteiras prevê infiltração em quadrilhas internacionais de tráfico e uso de tecnologia, como cinco caminhões capazes de escanear carros em movimento. Os caminhões escâner já estão em uso pela Polícia Rodoviária Federal. O caminhão passa ao lado de veículos e produz imagens em raio-x, na tentativa de rastrear drogas, armas e contrabando escondidos nas carrocerias. Além das novas tecnologias, o Ministério da Justiça autorizou o deslocamento de 618 novos policiais federais e 700 policiais rodoviários para a região de fronteira - FSP, 27/1, Cotidiano, p.C1.

Brasil tenta acordo com Bolívia para vigiar fronteira
Em uma tentativa de reforçar o programa de utilização dos Vants (veículos aéreos não tripulados) no combate ao tráfico na região de fronteira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, viajará a La Paz, na Bolívia, no próximo dia 8, para fechar acordo de uso compartilhado do equipamento. O acordo permitirá que os Vants da Polícia Federal possam sobrevoar o espaço aéreo da Bolívia em operações de combate ao narcotráfico - O Globo, 26/1, País, p.7.


Geral

Morte de sem terra tem características de execução
O assassinato de Cícero Guedes dos Santos, líder do MST em Campos dos Goytacazes (RJ) tem características de execução encomendada, de acordo com as primeiras investigações da Polícia Civil. Ele é o terceiro sem terra morto no município nos dois últimos meses, segundo o movimento. Guedes dos Santos foi morto a tiros na madrugada de anteontem. O trabalhador rural coordenava o assentamento Zumbi dos Palmares, no Sítio Brava Gente, em Campos, desde 2002. As investigações indicam que o líder sem terra sofreu uma emboscada ao sair de uma reunião no assentamento Luiz Maranhão, na usina Cambahyba - OESP, 28/1, Nacional, p.A7; O Globo, 28/1, Rio, p.24.

Centro-sul do País concentra crédito para reduzir emissões
O Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), uma linha de crédito rural criada para financiar ações que reduzam as emissões de gases de efeito estufa do setor, está sendo acessado mais pelo Centro-Sul do País que pela Região Norte, onde a pecuária de baixa produtividade e as pastagens degradadas são mais evidentes. Uma análise feita pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República mostra que 77% do valor do ABC aplicado na safra 2011/2012 foi para projetos de recuperação de pastagem degradada. E que a maior parte disso foi para Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Os três juntos respondem por 18% do pasto plantado no País, abrigam 20% do efetivo bovino e receberam 40% do valor do crédito distribuído na safra passada. Já Mato Grosso e Pará, que têm 23% do efetivo bovino e 26,2% do pasto plantado, receberam somente 11,9% do valor - OESP, 26/1, Vida, p.A13.

Sem nova lei, projetos de mineração travam
Desde novembro de 2011, foram praticamente interrompidas as autorizações para novos projetos de exploração e de pesquisa mineral, à espera da nova regulamentação. O Planalto retomou na sexta-feira a discussão do novo Código de Mineração. O intuito é mandar o texto para o Congresso até março. Entre os temas em discussão, estão a cobrança por parte da União de uma espécie de bônus quando a jazida for produtiva e muito rentável; exigências mais rigorosas, inclusive com punições, quando o explorador de minério obtiver a jazida e não explorá-la; e a criação de uma agência de regulação. Além de 55 empreendimentos de exploração represados, pelo menos outros 54 encontram-se no mesmo compasso de espera, segundo o Ibram), que estima em R$ 20 bilhões os investimentos parados - FSP, 27/1, Mercado, p.B6.

Demora para adotar diesel limpo causará 14 mil mortes
Uso do combustível foi adiado em três anos por pressão de montadoras e da Petrobrás. Pesquisadores do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP estimaram o impacto do atraso na adoção de um diesel mais limpo no País: pelo menos mais 13.984 mortes devem ocorrer até 2040. O estudo foi publicado na revista científica Clinics em 2012. No início deste mês, postos de combustíveis começaram a receber o diesel S10, com teor mais baixo de enxofre - OESP, 26/1, Vida, p.A13.

Um abismo diante de nós
"A Procuradora-Geral da República em exercício aproveitou sua interinidade para propor ao Supremo Tribunal Federal três Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra 23 dispositivos do novo Código Florestal, pedindo, aliás, suspensão de sua vigência enquanto estiver pendente o julgamento. Talvez seja a primeira vez que um diploma legal sofre uma arguição de constitucionalidade em tal extensão. Se reconhecida a condição alegada, cairá por terra todo um código debatido e votado nas duas Casas do Congresso, após dez anos de discussão e, enfim, sancionado com alguns vetos pelo Poder Executivo. E com ele cairá também, de forma irremediável, o modo democrático de funcionamento do Estado brasileiro. É disso que se trata", artigo de Kátia Abreu, senadora (PSD/TO) e presidente da CNA - FSP, 26/1, Mercado, p.B5.

Não darás falso testemunho
"Li, com surpresa, nesta Folha, um texto rancoroso e eivado de fúria acusatória e caluniosa (Apreensão no campo, em 23/1), assinado pelo bispo emérito de Goiás Velho, dom Tomás Balduino, atribuindo-me pecados que não cometi. Não é verdade que tenha perseguido, despejado e feito perseguir 'por 15 policiais armados' um pequeno agricultor em Campos Lindos, Tocantins. Tratava-se do grileiro Juarez Vieira, cuja crônica de violências e maldades qualquer morador da região atestará. Esclareço também que não sou responsável pela decisão da Advocacia-Geral da União de estender as condicionantes da demarcação de Raposa Serra do Sol às demais terras indígenas. Foi o Supremo Tribunal Federal que assim o determinou", artigo de Kátia Abreu, senadora (PSD-TO) e presidente da CNA - FSP, 25/1, Tendências/Debates, p.A3.

Avançamos, mas há nuvens no horizonte
"Os programas sociais são muito importantes, mas não chegam a alterar decisivamente as desigualdades. Seria necessária também uma reforma no campo tributário que reduzisse os impostos indiretos - que afetam todas as pessoas - e aumentasse os diretos, como o Imposto de Renda, para cobrar mais das maiores rendas. É preciso reconhecer que os programas sociais e de complementação de renda, que vêm desde antes dos governos FHC e Lula e se foram ampliando, têm tido uma atuação relevante, reduzido a pobreza extrema, melhorado as condições de vida das populações. Mas há muito ainda a fazer", artigo de Washington Novaes - OESP, 25/1, Espaço Aberto, p.A2.

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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 28/janeiro/2013.



 
 




 
 
 
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    SANTA MARIA, RS : TRAGÉDIA !!!!





    Luto por Santa Maria, RS
    Luto por Santa Maria, RS. Imagem em Web Notícias / Guia Me

    Tragédia começou às 2h30 de domingo, 27, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira
    O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, 231 pessoas – na maioria jovens – morreram na boate Kiss de Santa Maria – cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul. Outras 127 ficaram feridas. Matéria de Lucas Azevedo, em O Estado de S.Paulo.
    A tragédia começou às 2h30 de domingo, 27, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma fagulha atingiu o sistema de exaustão da casa noturna e o fogo se alastrou rapidamente pelo teto com papelão e material de proteção acústica. A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas – 90% morreram asfixiadas.
    Uma série de erros potencializou a tragédia. Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Para piorar, seguranças da casa tentaram impedir alguns frequentadores de sair antes de pagar a comanda. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo – eram pais e amigos em busca de informações.
    Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.
    Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso – ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria.
    Sem saída de emergência e sinalização, 90% das vítimas morreram asfixiadas
    Uma única porta, saída não sinalizada, escuridão, fumaça, falta de orientação e pânico aumentaram a tragédia na boate Kiss. Os bloqueios no caminho fizeram com que 90% das 231 vítimas fossem mortas por asfixia enquanto tentavam escapar, segundo bombeiros. Poucos corpos foram tirados da casa noturna queimados, mas muitos estavam cobertos de fuligem.
    O desastre aconteceu com a casa cheia. Por volta das 2h30, a banda Gurizada Fandangueira tocava no palco, durante a festa Agromerados. O evento, organizado por alunos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) reunia cerca de 2 mil pessoas, a maioria no primeiro ano de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio ou Pedagogia.
    Segundo testemunhas, em determinado momento do show, a banda usou um tipo de fogo de artifício conhecido como “sputnik” ou “chuva de prata”: faíscas prateadas saíram de um pequeno morteiro instalado no palco. Uma fagulha entrou no sistema de exaustão e o fogo atingiu o teto do salão, baixo e feito de papelão e material de proteção acústica.
    As chamas se espalharam rapidamente pela estrutura. Testemunhas contam que o vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, tentou apagar o incêndio com um extintor, mas o equipamento não funcionou.
    Fuga. Em pouco tempo, o público concentrado no salão onde fica o palco percebeu o fogo e começou a correr. Mas um curto-circuito apagou a luz. No escuro e sem indicações de saída, muitos se perderam no caminho. Alguns foram parar no banheiro.
    O Plano de Prevenção de Combate a Incêndio da boate Kiss estava vencido desde agosto de 2012, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo. A casa também não tinha saída de emergência: só havia um local de acesso, que funcionava como entrada e saída.
    Durante o incêndio, as primeiras pessoas que chegaram a essa única porta não conseguiram sair. Isso porque os seguranças impediram a saída de algumas pessoas (leia mais ao lado). Mesmo depois que a porta foi aberta, só havia uma saída, que não era suficiente para escoar todo o público. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate, voltadas para a Rua dos Andradas, para aumentar a passagem.
    Resgate. A via é estreita e os carros estacionados atrapalharam o resgate. Além disso, ao tentarem entrar no local, os bombeiros se depararam com uma barreira de corpos logo na porta – eram as vítimas que tentaram sair. “Os soldados tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando”, descreve o comandante-geral Guido Pedroso de Melo. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo – eram parentes e amigos em busca de informações.
    Pela mesma porta, bombeiros e voluntários entravam para combater as chamas. Aos poucos, os corpos foram sendo removidos e colocados na calçada na frente da boate. Até o fim da manhã, todas as vítimas já haviam sido levadas ao Centro Desportivo Municipal (CDM). Lá, foram organizadas por agentes do governo estadual e colocados à disposição dos parentes que foram fazer o reconhecimento das vítimas.
    EcoDebate, 28/01/2013