sábado, 30 de abril de 2011

CIDADES POSSÍVEIS !!!


A idéia de um sistema subterrâneo de coleta de lixo em Barcelona é de 1992, quando a cidade sediou os Jogos Olímpicos. Desde então, o projeto tem sido implantado sistematicamente e 70% da área metropolitana já possui bocas de lixo conectadas diretamente aos centros de coleta. Plástico, latas e papel são reciclados e o lixo orgânico vira energia. Em cinco anos, a capital da Catalunha eliminará definitivamente os caminhões de lixo.
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FONTE : Cidades Possíveis - por uma cidade plural: Sociologia, Economia, Política, Comunicação, Arquitetura e Urbanismo. (http://www.cidadespossiveis.com/post/606689809/a-ideia-de-um-sistema-subterraneo-de-coleta-de).

Jogador que chutou uma coruja é multado e prestará serviço num zoológico

O zagueiro panamenho Luis Moreno, do Deportivo Pereira, que chutou e matou uma coruja em campo, no dia 27 de fevereiro, terá que pagar uma multa de cerca de R$ 23 mil e prestar serviço comunitário no zoológico de Barranquilla, declarou o Departamento do Meio Ambiente da cidade colombiana.

Agapan defende há 40 anos a natureza

Aniversário da associação foi festejado, nesta semana, em Porto Alegre.

Com uma história rica, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) celebrou 40 anos, na última quarta-feira de olho no futuro. A entidade, fundada por José Lutzenberger e Augusto Carneiro para combater a poda indiscriminada de árvores e incentivar a criação de praças e parques, tem hoje entre suas prioridades a luta contra o novo Código Florestal Brasileiro e o combate à energia nuclear e ao aquecimento global.

O aniversário de quatro décadas da instituição foi celebrado, nesta semana, com uma confraternização entre associados, conselheiros e simpatizantes da causa. Outras atividades serão desenvolvidas ao longo do ano. Para o advogado Eduardo Finardi, presidente da Agapan, desde 2009, a importância da entidade torna-se mais clara ao ser analisada 40 anos após as primeiras manifestações. "Começou com Augusto Carneiro mobilizando-se pela poda indiscriminada de árvores em Porto Alegre. Hoje a cidade é uma das capitais mais arborizadas do país", observa.

Ações como a defesa das árvores situadas em frente à Faculdade de Direito da Ufrgs, em 1975 - quando o militante Carlos Dayrell subiu em uma tipuana para evitar sua derrubada - e a subida na chaminé da Usina do Gasômetro, em 1988, tornaram-se símbolos do movimento ambientalista. "Continuamos na mesma luta. Sempre mantivemos contato com todos os poderes com o objetivo de diminuir a devastação", explica Finardi.

Alvo de críticas da Agapan, o novo Código Florestal defendido pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) é, segundo o presidente da entidade, trágico para o meio ambiente. "Ele reduz pela metade a distância obrigatória de manutenção de mata na beira dos rios, o que atinge também o ambiente urbano", ressalta Finardi. A emissão de gás carbônico, por sua vez, é apontada como responsável pelo aquecimento global e por uma série de catástrofes climáticas recentes. "O CO2 é um gás isolante. Ele impede que o calor que chega à Terra volte em um nível adequado para o espaço. Então, esse calor vai esquentando o planeta graças à queima de combustíveis fósseis", afirma o presidente.

Apesar de suas ações extrapolarem os limites de Porto Alegre, a cidade em que a Agapan foi fundada continua a receber atenção especial dos ambientalistas. Em conformidade com o lema do ambientalismo - "pensar global e agir local" -, a associação tem hoje, entre suas maiores preocupações, a ocupação da orla do Guaíba. A entidade é contra a execução dos projetos do Cais Mauá e Pontal do Estaleiro. "A tendência é a ocupação da orla por prédios, o que não podemos admitir", ressalta Finardi.
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FONTE : CORREIO DO POVO,ANO 116 Nº 211 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2011

Casa de Lutzenberger é tombada

A casa localizada em Porto Alegre onde viveram três gerações da família Lutzenberger - incluindo o ambientalista José Antônio, fundador da Agapan, falecido no ano de 2002 - foi tombada pelo município. O ato foi concretizado na última terça-feira pelo prefeito José Fortunati. A edificação, construída há 80 anos, está situada na rua Jacinto Gomes, no bairro Santana.

O local foi palco de várias reuniões em defesa ao meio ambiente, tanto da Agapan quanto como da Fundação Gaia - fundada por Lutzenberger em 1987. "Isso, por si só, já justifica o tombamento e o investimento para a preservação", explica a atual presidente da Fundação Gaia e filha do ambientalista, Lara Lutzenberger.

Ela acredita que o tombamento resgata a memória do pai e do avô, o arquiteto e artista plástico Joseph Franz Seraph Lutzenberger (1882-1951), alemão radicado em Porto Alegre que projetou e construiu a casa. "É um dos últimos exemplares de residência do início do século passado que ainda existem", observa Lara.

A casa - que já abrigou jabutis - está desocupada há oito anos. Após uma obra de restauração, que encontra-se em andamento, ela será ocupada pela empresa Vida, que Lutzenberger fundou para atuar na reciclagem de resíduos industriais.
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FONTE : CORREIO DO POVO, ANO 116 Nº 211 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2011.

Rústico e moderno, combinação sustentável

A decoração da casa também pode ser uma opção sustentável, na qual é possível preservar árvores, reduzir o gasto de energia e ainda gastar bem menos com móveis e utensílios. Segundo o arquiteto Glaucio Gonçalves, do Espaço Brasileiro de Arquitetura, na capital paulista, dar uma nova roupagem aos móveis velhos ou aproveitar materiais como a madeira dos postes ou dos trilhos de trem é uma forma de colaborar com a preservação do meio ambiente, "um caminho que não tem mais volta".

O arquiteto enumera uma série de itens que podem compor os ambientes e espaços da residência dentro da proposta de sustentabilidade. "Em relação ao mobiliário, está acontecendo bastante o reaproveitamento de peças desgastadas, como sofás, que recebem um tecido novo ou fibras naturais, que também podem ser aplicadas a mesas e cadeiras", cita. Conforme ele, também a madeira de demolição, os dormentes dos trilhos de trem e as cruzetas (hastes onde passam a fiação dos postes de luz) são bastante utilizadas nos móveis.

Estas madeiras, como outros materiais, podem ter diversas aplicações, como decks, painéis e pergolados (suportes mais leves que caramanchões e que podem ocupar espaços menores). De acordo com Gonçalves, existem diversas empresas que vendem as madeiras recicladas por um custo baixo, pois são materiais descartáveis. "E são produtos extremamente resistentes, que não necessitam de manutenção e duram muito tempo", enfatiza o profissional.

Ele destaca porcelanato que imita a madeira na substituição do recurso natural. "Podemos abusar da sua aplicação, até em ambientes onde seria inviável a utilização do material, como o box no banheiro, onde já utilizei. E as vantagens do produto são ótimas, pois não tem desgaste e nem manutenção", ressalta. Gonçalves também aponta o uso do LED na iluminação como item de menor consumo de energia (economia de 30%), que não esquenta e tem uma alta durabilidade. "Usamos os LEDs em tons de amarelo, o que dá o mesmo efeito que uma croica, destacando a peça ou o ambiente", completa.

Gonçalves conta que, às vezes, até encontra um pouco de resistência em relação à utilização destes produtos, mas, ao final do projeto, o dono da casa acaba gostando do resultado e aprova a escolha. Para o arquiteto, é possível unir o rústico ao contemporâneo, o que considera uma ótima combinação. "Um exemplo disso, é uma proposta que fiz em um banheiro usando uma bancada com cruzeta e uma pia de vidro. Um contraste interessante", relata.
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FONTE : CORREIO DO POVO - edição de 29/abril/2011.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Oficina de estudo no III SPI - Seminário de Pesquisa Interdisciplinar

Estamos auxiliando na divulgação da oficina de estudo que está sendo ofertada no III SPI (Seminário de Pesquisa Interdisciplinar) : a atividade é aberta a todos que queiram participar e tem como título: Cartografia geotécnica e mapeamentos de risco como subsídio a projetos urbanísticos de ocupação de encostas para redução de desastres naturais. Será ministrada pelo pesquisador AGOSTINHO TADASHI OGURA do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) especialista em gestão de riscos e desastres naturais.

Local: UNISUL - Campus Norte da Ilha

Dia: 10/05/2010 Sala: B101

Duração de 4 horas – Inicio as 13:30 horas com termino as 17:30 horas.

A inscrição na oficina deve ser feita mediante encaminhamento de e-mail para o endereço 2spi@unisul.br, com assunto Inscrição oficina Ogura.

Será emitido certificado.

Atenção vagas limitadas.
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FONTE : Prof. Nilzo Ladwig e Prof. Rogério Costa.
Informações complementares na página do evento - http://www.unisul.br/hotsites/3spi.html

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pesquisa mostra aumento no derretimento de arquipélago ártico canadense

A região já é a terceira maior responsável pelo aumento do nível do mar

Até agora, a grande preocupação dos ambientalistas quanto ao aumento do nível do mar concentrava-se nas regiões da Groenlândia e da Antártida. Mas uma área de 212 mil quilômetros quadrados, próxima ao Canadá, também contribui para a elevação das águas, em mais uma evidência dos efeitos adversos do aquecimento global. Estudo publicado na edição on-line da revista especializada Nature alerta que as geleiras das 30 mil ilhas do Arquipélago Ártico Canadense estão sofrendo um processo acelerado de derretimento. Entre 2004 e 2009, a região perdeu o equivalente a três quartos de água, escoadas no Lago Erie, que desemboca no Oceano Atlântico. Reportagem de Paloma Oliveto, no Correio Braziliense.

As temperaturas mais quentes que o normal durante os seis anos de medições são a causa do derretimento do gelo e da neve, de acordo com Alex Gardner, pesquisador do Departamento de Ciências Espaciais, Oceânicas e Atmosféricas dos Estados Unidos e principal autor do estudo. ‘Essa é uma região que não imaginávamos que estivesse contribuindo muito para o aumento do nível do mar’, disse ao Correio. ‘Agora, percebemos que, depois da Antártida e da Groenlândia, esse local foi o que mais contribuiu para o fenômeno entre 2007 e 2009, anos em que o derretimento foi maior. Como o arquipélago é muito sensível a alterações climáticas, vamos ver muito mais derretimentos’, alerta Gardner.

Noventa por cento de toda a superfície gelada da Terra estão concentrados na Antártida e na Groenlândia. Mas, apesar do tamanho, elas são responsáveis apenas por metade do gelo que derrete e desemboca nos oceanos. Isso acontece porque, nessas regiões, o frio é tão intenso que a água congelada derrete somente nas margens. A outra parte de gelo derretido que aumenta a superfície dos mares provém de pequenas montanhas nevadas e de calotas do Ártico Canadense, do Alasca e da Patagônia. ‘Nosso estudo revela a importância dessas numerosas, pequenas e subestimadas regiões’, afirma o pesquisador.

Gardner conta que nos primeiros três anos do estudo, de 2004 ao fim de 2006, a região perdeu, em média, 29km³ de água por ano. A quantidade anual aumentou dramaticamente para 91km³ (aproximadamente 88 trilhões de litros) na parte final da pesquisa. Ao longo dos seis anos de estudo, a região adicionou 1mm ao nível dos oceanos. Embora não pareça muito, o especialista lembra que pequenas quantidades podem fazer grande diferença no total.

De acordo com ele, um aumento médio de 1ºC na temperatura atmosférica resulta no derretimento de 15 mil litros de gelo. ‘Essa é uma grande resposta a pequenas mudanças no clima’, diz o pesquisador. ‘Se o aquecimento continuar e começarmos a verificar respostas similares em outras regiões glaciais, eu diria que temos de nos preocupar’, afirma.

Metade do volume
Segundo pesquisadores da Universidade de British Columbia (UCB, na sigla em inglês), no Canadá, o derretimento de pequenas montanhas geladas e calotas vai contribuir para aumentar em até 18cm o nível do mar até 2100. A equipe publicou um estudo na Nature Geoscience alertando que, além do Arquipélago Ártico Canadense e do Alasca, os alpes da Europa, da Nova Zelândia, do oeste dos Estados Unidos e do Cáucaso, aos quais se atribuía uma pequena contribuição para o fenômeno, devem perder mais de 50% de seu volume atual de gelo.

O estudo, cujo modelo foi baseado no derretimento do gelo de 120 montanhas nevadas e calotas, é o primeiro a mostrar projeções detalhadas para essas regiões. Mesmo pequenas, contendo menos do que 1% de toda a água congelada da Terra, elas são responsáveis por um aumento desproporcional no nível do mar, dizem os pesquisadores. ‘Os cientistas focam muito as grandes massas geladas, mas poucos estudos em escala global quantificam quanto derretimento pode se esperar desses pequenos glaciares’, disse ao Correio Valentina Radic, pesquisadora do Departamento de Ciências da Terra e do Oceano da UCB.

Ela conta que, na pesquisa, o aumento no nível do mar provocado pelos derretimentos na Groenlândia e na Antártida foi excluído, possibilitando a análise específica das pequenas regiões afetadas. ‘Para calcular o volume futuro de derretimento, fizemos projeções usando níveis de precipitação e quantidade de aumento de temperatura global de 10 modelos usados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas’, conta. ‘Apesar de termos trabalhado com as projeções sobre aumento do nível dos oceanos do IPCC, nossos resultados são mais detalhados e localizados’, diz Valentina. ‘Isso nos ajuda a ter um retrato melhor das mudanças no volume de gelo de algumas regiões, assim como os potenciais impactos na distribuição dos blocos de gelo e no fornecimento de água nesses locais’, diz.

Cadeia alimentar
A perda das geleiras vinculada ao aumento da temperatura em regiões alpinas está provocando impactos em raros insetos aquáticos, segundo estudo publicado na revista Climatic Change Letters. A presença desses pequenos organismos, chamados Lednia tumana, pode ser usada como indicador de mudanças climáticas em ecossistemas montanhosos, dizem os pesquisadores. Como preferem regiões geladas, eles tendem a desaparecer, desequilibrando a cadeia alimentar.
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FONTE : EcoDebate, 25/04/2011

Rios que alimentam o Pantanal podem ganhar 62 novas hidrelétricas

Esse é o número de projetos em construção ou estudo. Quase todas são pequenas centrais que produzem pouca energia.

Queimadas, exploração agropecuária desordenada, pesca predatória – essas ameaças ao ecossistema do Pantanal são conhecidas. Hoje, no entanto, ambientalistas apontam para um problema novo: a construção de hidrelétricas na região. Do Globo Natureza, com informações do Jornal Nacional.

As usinas tiram proveito da queda natural entre o Planalto Central do Brasil e a planície onde fica o Pantanal. Hoje já existem 37 barragens em rios que alimentam a região e mais 62 hidrelétricas estão em construção ou em estudos. Quase todas são pequenas centrais que produzem pouca energia.

O pesquisador Paulo Petry, de uma entidade internacional de proteção do meio ambiente, diz que as usinas alteram o regime anual de cheias e secas que é responsável pela biodiversidade do Pantanal. Ele compara os barramentos a coágulos na circulação sanguínea de uma pessoa.

Pesca afetada
O município de Barão do Melgaço já foi um dos maiores produtores de peixe de água doce do Pantanal. Os pescadores das margens do Rio Cuiabá tiravam os pintados, os pacus, que eram vendidos em vários estados do brasil. Já não é assim. Muita coisa mudou por aqui.

Os pescadores são unânimes: a construção de uma barragem rio acima provocou uma queda drástica na quantidade de peixes.

Eles não estão conseguindo mais chegar aonde eles chegavam antes e a água não tem mais as mesmas características quando eles sobem os rios. isso dificulta o processo de reprodução deles.

As secretarias de Meio Ambiente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, responsáveis pela aprovação de quase todas as usinas da região, negam a existência de um grande impacto ambiental. E não pretendem barrar o plano de expansão das hidrelétricas.

“Nós precisamos de estudos cientificos, de algo concreto a fim de que possamos mudar procedimento, mudar os nossos roteiros e acompanhar como esta se desenvolvendo toda utilizaçao desta regiao do pantanal”, diz o secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia.

“Até o momento, não existe nenhum estudo que indique enfim alguma coisa de alto risco, ou coisa que o valha”, afirma o secretário de Meio Ambiente de Mato grossso do Sul, Carlos Alberto Said Menezes.

Cachoeira
As usinas também são acusadas de destruir belezas naturais.

A cachoeira Sumidouro do Rio Correntes já foi a maior atração turística da cidade de Sonora. Mas a barragem Ponte de Pedra desviou 70% do volume de água para as comportas. Com apenas 30%, o lugar ainda é bonito, mas perdeu a antiga força natural que maravilhava os turistas que vinham de longe para conhecer este lugar.

“Foi discutido na época do projeto, todos sabiam que ia perder essa beleza natural, infelizmente é o preço que temos que pagar. Você nao consegue gerar energia eletrica se não aproveitar essa queda natural que existe”, diz o gerente de Meio Ambiente da usina, José Lourival Magri.
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FONTE : EcoDebate, 25/04/2011

Quando a informação mudará nossa consciência e nos fará ter pressa? - Washington Novaes

É cansativo, recorrente, mas não há como não voltar ao tema das mudanças climáticas, tão angustiante parece ele depois de mais um ineficaz encontro preparatório, na Tailândia, para a próxima reunião da Convenção do Clima, programada para dezembro, na África do Sul. Em Bangcoc ficou patente a tendência de muitos países de descrer da possibilidade de acordo na convenção ou para prorrogação do Protocolo de Kyoto e entender que o caminho estará em legislações nacionais, não em transnacionais.

Na capital tailandesa, Japão e Nova Zelândia disseram com todas as letras e enfaticamente que não aceitam prolongar o prazo de vigência do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e, bem ou mal, é o único compromisso vigente dos países industrializados de reduzir suas emissões em 5,2% sobre os níveis de 1990. A China anunciou que até 2015 reduzirá em 16% a intensidade de energia por unidade produzida, mas não assume compromisso de reduzir as emissões totais (que aumentarão). Todd Stern, o representante norte-americano, afirmou também que o acordo de Copenhague (2009), de caminhar para compromissos obrigatórios de redução de emissões, é “impraticável”; só seriam viáveis “leis nacionais” nessa direção – na hora em que a Câmara dos Deputados de seu país proibia a Agência de Proteção Ambiental de impor cotas de emissões a setores econômicos (ainda assim, o presidente Barack Obama continua afirmando que o país reduzirá suas emissões em 17%, calculadas sobre as de 2005).

Enquanto isso, tão corriqueiras já parecem informações sobre “desastres climáticos” que a comunicação parece se habituar a dedicar-lhes apenas meia dúzia de linhas. Foi assim, por exemplo, com a notícia de 156 municípios de Minas Gerais em “estado de emergência” com as chuvas que afetaram 1,58 milhão de pessoas; com as inundações no litoral do Paraná; oito mortos e centenas de desabrigados em São Lourenço do Sul; a cidade de Ilhota perdendo 70% das obras de infraestrutura que fizera para se recuperar dos eventos muito fortes há três anos; 3,5 metros de água na área da Universidade de Brasília; desabamento em Blumenau; destruição de dezenas de pontes rodoviárias em Goiás e perda de pelo menos 10% da safra de soja, com o município de Rio Verde e 13 outros em “estado de emergência”; e inundações no Acre e na Bacia do Araguaia. Este jornal chegou a mencionar (14/3) 11 mortos e 21 mil desalojados na Região Sul; 89,8 mil atingidos em 18 municípios capixabas, e 2.577 desabrigados.

Enquanto isso, o simpósio Vulnerabilidade das Cidades Brasileiras a Mudanças Climáticas, com participação do Inpe, da Unicamp, da Fiocruz e da UFRJ, advertia (Estado, 7/4) que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro poderá ter aumento de temperatura de 4,8 graus Celsius até o fim do século e perder até 10% da área litorânea com a elevação do nível do oceano. Segundo a revista Nature (BBC, 17/2), os “eventos extremos” aumentarão 20%, pelo menos, no horizonte previsível. E o Asian Development Bank advertiu que China, Paquistão, Filipinas, Tailândia e Malásia devem preparar-se para um aumento forte de migrações, com mais ciclones, tufões, secas, inundações (China Daily, 7/2). As previsões sobre degelo total no Ártico, com elevação do nível dos oceanos, continuam presentes, embora oscilem de 2013 a 2016 (Folha de S.Paulo, 9/4.). Na Patagônia, a perda de gelo “já é dramática” (The New York Times, 6/4).

Diante desse quadro, é inacreditável que o Brasil continue sem aplicar um só centavo do plano nacional aprovado em 2010, que destinava R$ 2 bilhões a ações nesse campo, principalmente com a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o aumento de 8 milhões de hectares no plantio direto (Folha de S.Paulo, 9/4). Um boletim do PSDB (13/4), com fortes críticas à inação federal nessa área, atribui à Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia a informação de que em 2010 morreram em eventos extremos no Brasil 1.910 pessoas (10 por milhão de habitantes, ante 2 a 3 por milhão no restante da América do Sul). E 735 municípios teriam pelo menos cinco áreas de risco cada um, só 23 cidades teriam suas regiões de risco mapeadas; 90% das 500 estações meteorológicas não teriam condições de comunicar suas previsões.

Para o professor José Marengo, do Inpe, faltam-nos profissionais qualificados para previsões. Temos muitos especialistas acadêmicos, mas faltam os especializados em leitura de mapas e dados (O Globo, 5/4). O professor Paulo Artaxo, da USP, preocupa-se com a falta de previsões corretas sobre enchentes e secas. “A América Latina está parada em tecnologias energéticas obsoletas”, disse na Tailândia a secretária da Convenção do Clima, Christiana Figueres, que considera “alarmante a fossilização das matrizes energéticas na região”. Segundo o Banco Mundial, o Brasil precisa de US$ 400 bilhões para reduzir suas emissões de gases até 2030.

Mas que se fará até lá, no campo mais imediato dos problemas? Diz a Prefeitura de São Paulo que em seis anos (!) não haverá mais áreas de risco na cidade. Mas o Instituto de Pesquisas Tecnológicas afirma que há 115 mil pessoas em locais de risco; dependendo do critério, podem ser 500 mil (Folha de S.Paulo, 22/2). As dimensões do problema podem ser mais bem avaliadas lembrando o cálculo da Accenture e da Barclays Capital de que a Europa precisará investir 2,9 trilhões até 2050 para modernizar suas fontes de energia e infraestruturas (a Alemanha aumentou suas emissões de gases em 4,3% em 2010); 27% dos recursos seriam para a área de transportes, outro tanto para a de edifícios, 23% para fontes de energia de baixo carbono e igual proporção para infraestruturas energéticas.

Quando a informação mudará nossa consciência e nos fará ter pressa?**********************************
FONTE : Washington Novaes é jornalista. Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo. EcoDebate, 25/04/2011.

Prefeitura do Rio inaugura novo aterro sanitário em cima do Aquífero Piranema

A prefeitura do Rio deu início, no dia 20/4, à descarga de lixo no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) em Seropédica, município da região metropolitana onde está o Aquífero Piranema, reserva de água subterrânea com capacidade de abastecer a população carioca, em caso de necessidade.

A primeira carga de lixo foi de três carretas, cada uma carregada com 30 toneladas. Mas o planejamento é despejar no local mil toneladas diárias pelos próximos meses, até atingir o total de 6 mil toneladas produzidas pelo município do Rio. O objetivo é que Seropédica absorva, até o início do próximo ano, os resíduos que eram levados para o Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, à beira da Baía de Guanabara, e que será finalmente fechado.

A prefeitura do Rio escolheu Seropédica depois de ver barrada sua intenção de levar o lixo urbano para o bairro de Paciência, na zona oeste, por pressões dos moradores, às vésperas da eleição municipal de 2008. O novo aterro será administrado de forma privada pela empresa Ciclus, que receberá pelo trabalho e também poderá explorar a geração de energia elétrica, por meio de uma usina que usará o biogás da decomposição do lixo.

O secretário de Conservação e Serviços Públicos do Rio, Carlos Roberto Osório, defendeu a operação do CTR e disse que o maior benefício será o fechamento definitivo de Gramacho.

“O Rio de Janeiro está pagando uma grande dívida ambiental que tínhamos na região metropolitana. Com o início das operações do CTR de Seropédica, que é o mais moderno do Brasil, nós iniciamos o fechamento do aterro de Gramacho. O Rio sai de uma situação de grande fragilidade ambiental para uma situação de vanguarda e modernidade no tratamento dos resíduos sólidos da nossa cidade”, disse Osório.

Ele sustentou que não haverá risco de contaminação do Aquífero Piranema, como apontam ambientalistas e especialistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Entre outras alegações, apontou que haverá três camadas impermeabilizantes entre os detritos e o solo, além de sensores que darão o alerta em caso de vazamento.

“Isso [a contaminação do aquífero] não é possível. Esses ambientalistas são poucas pessoas que – por motivos que não conhecemos – lutam contra evidências científicas. O processo de licenciamento do CTR de Seropédica foi o mais rigoroso possível. Temos equipamentos que garantem segurança máxima na colocação dos resíduos sólidos lá”, garantiu Osório.

Entre os críticos da instalação do depósito, está a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Sirlei de Oliveira, doutora em geologia e integrante do Conselho do Meio Ambiente de Seropédica. “Eu e os demais pesquisadores da UFRRJ somos absolutamente contra, devido a área que foi escolhida, que é a mais inadequada possível. O solo onde eles estão colocando o lixo é composto de areia. Por mais que falem em fazer camadas de proteção, não será suficiente. Em algum momento, podemos ter um comprometimento muito sério do corpo d´água que está abaixo, o Aquífero Piranema”, alertou a geóloga.

Ela discorda da forma como está sendo tratado o aquífero, que representa uma reserva estratégica em caso de acidente com o principal fornecedor de água para a cidade do Rio de Janeiro, o Rio Guandu, afluente do rio Paraíba.

“Hoje o mundo todo está preocupado com a quantidade de água doce que temos à disposição num futuro próximo. Este aqufero é suficiente para abastecer o Rio de Janeiro por mais de um mês, se houver qualquer tipo de contaminação no principal corpo hídrico, que é o Guandu”, advertiu Sirlei.

Para a geóloga, o agravante foi a escolha do local, que é justamente onde acontece a recarga de água, próximo a uma serra, que funciona como uma grande calha para as chuvas, que em seguida se infiltram no solo, garantindo novo suprimento de água.

Já o ambientalista Mário Moscateli, que tem se dedicado à proteção do entorno da Baía de Guanabara, promovendo reflorestamentos com espécies nativas, também critica a iniciativa, mas de forma branda. Ele considera que a principal vantagem será a possibilidade de se evitar um desastre maior, um vazamento em grandes proporções do Aterro de Gramacho para o mar. Mesmo assim, Moscateli diz que é preciso haver transparência na administração do CTR, com a participação da sociedade no acesso às informações.

“Na medida em que todas as normas técnicas sejam devidamente respeitadas, não vejo grandes problemas para este novo local que receberá os resíduos sólidos. O que precisa ser exigido é que todas as normas, as técnicas e a legislação sejam permanentemente fiscalizadas pelos órgãos ambientais, pelas universidades e pelo Ministério Público. Porque muitas vezes a coisa começa direito e desanda em um determinado momento”, salientou Moscateli.
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FONTE : reportagem de Vladimir Platonow, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 25/04/2011

Tomate agroecológico custa 84% menos para ser produzido, mostra estudo

Sem usar pesticidas ou outros tipo de defensivos, a produção agroecológica pode reduzir os custos do cultivo de tomate em cerca de 84%. É o que defende o engenheiro agrônomo Fábio Leonardo Tomas em sua dissertação de mestrado desenvolvida na Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) .

Na pesquisa, Tomas avaliou os custos, produtividade e rentabilidade de culturas de tomate feitas em pequenas clareiras na Mata Atlântica, na região de Apiai, sudeste paulista. “Eu supus que a floresta poderia ser considerada um insumo agrícola, um instrumento da produção”, explicou o agrônomo.

A plantação sem agrotóxicos ou aditivos químicos foi comparada a outras, na mesma região, feitas de maneira tradicional. “Nós pudemos perceber que a taxa de infestação por bactérias, fungos e doenças foi muito menor”, conta Tomas.

Com isso, foram necessários gastos muito menores para manutenção da cultura. Na produção tradicional cada pé de tomate teve um custo de manutenção médio de R$ 5, enquanto no cultivo orgânico o gasto foi de apenas R$ 0, 80 por tomateiro.

A produtividade das culturas agroecológicas foi, entretanto, substancialmente menor do que a das lavouras convencionais. Na produção orgânica se obteve uma média de 100 caixas de 25 quilos por mil pés cultivados. As tradicionais alcançaram a marca de 250 caixas a cada mil pés.

O preço de venda foi o diferencial. Segundo o pesquisador, o preço médio por caixa do tomate tradicional foi R$ 15, contra R$ 70 do produto orgânico. “A menor produtividade se compensa em um menor custo e uma maior renda”, destacou Tomas.

O pesquisador acredita que os resultados obtidos com o tomate também possam ser alcançados em outras culturas. “A gente acredita que o efeito regulador serve para os demais cultivos, porque na floresta estão aranhas, vespas, que são predadores das pragas”, explica.

Para Tomas, esse tipo de constatação deve entrar na discussão sobre o papel da reserva legal e áreas de preservação permanente dentro das propriedades rurais. “O produtor convencional muitas vezes enxerga a floresta dentro da sua propriedade, como um estorvo. Ele não considera aquela floresta como um apoio a sua atividade econômica”.
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FONTE : reportagem de Daniel Mello, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 25/04/2011

sábado, 23 de abril de 2011

SANTA MARIA, UMA CIDADE RUIM PARA SE MORAR ? - Carlinhos Costa Beber (23/04/2011).

Uma pergunta cruel, não é ?
Pois saibam que Santa Maria, se não sofrer as MUDANÇAS necessárias e NÃO RECEBER OS INVESTIMENTOS exigidos pelo seu crescimento,se tornará "inabitável" no futuro. Já existem cidades de porte médio (Caxias do Sul é um exemplo bem próximo), que cresceram tanto e sem planejamento, que estão perdendo a qualidade de vida que ofereciam aos seus habitantes.
Santa Maria tem o privilégio de ter uma excelente qualidade de vida. Temos uma estrutura de saúde e de ensino de 1o. mundo e custo de vida relativamente baixo. TODOS QUEREM MORAR AQUI !!!!!!
Mas os problemas já se fazem sentir, com maior ou menor intensidade:
(01) Trânsito infernal nas horas de pique;
(02) Rede de coleta de esgotos deficiente (metade da cidade não é atendida, sendo inexistente em toda a Camobi);
(03) Insuficiente cobertura vegetal (nunca houve preocupação com o plantio de árvores em nossas ruas);
(04) Estradas do interior, como para Santa Flora, que nunca receberam investimetos definitivos;
(05) Rede de Internet que não privilegia áreas comerciais importantes;
(06) Obras do PAC que não tiveram sequência, como a perimetral do Cadena;
(07) Ruas importantes com piso asfáltico vencido ou simplesmente de terra-batida, como em Camobi ;
(08) Calçadas públicas em estado lastimável (os caminhantes que o digam....)
(09) Poluição visual do centro da cidade, com painéis, luminosos, e placas das empresas e de prestadores de serviços;
(10) Problemas de vandalismo e depredação do patrimônio público e privado;
(11) Falta de fiscalização em todas as áreas de responsabilidade da Prefeitura;
(12) Falta de diálogo entre as lideranças locais;
(14) Segurança pública que precisa do apoio de uma Guarda Municipal armada;
(13) Etc., etc., etc..............

Mas os avanços continuam, como escrevi aqui na semana passada. A confirmação da nova Travessia Urbana, e a vinda da indústria alemã KMW para Santa Maria, projetam uma "nova cara" para a cidade.
Já a SAÚDE PÚBLICA, sempre, sempre problemática, deverá se consolidar com os novos investimetos, como o Hospital Regional.
A Prefeitura Municipal apresentou as conclusões do evento denominado "A Cidade Que Queremos". Todas elas vieram só confirmar o que todos já sabemos. Mas o importate é que agora se tem um instrumento com as prioridades a serem atendidas pelo poder público.
Vejam bem !!!!
Hoje, VIVEMOS NUMA BELISSIMA CIDADE !
Mas se não houver um PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO, e a cidade NÃO RECEBER OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS EM INFRAESTRUTURA que se fazem necessários, teremos UMA CIDADE RUIM PARA SE MORAR.
O Prefeito Cezar Schirmer tem boas chances de se reeleger no ano que vem. É a oportunidade para trabalhar em programas de médio e longo prazos, dando uma continuidade que é rara de se encontrar no poder público.
O ALERTA está dado, pois corremos contra o tempo.
Tudo o que se fizer de bom daqui para a frente, na verdade, já deveria ter sido feito.
Mas as nossas perspectivas são muito alentadoras, graças a Deus !!!!
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FONTE : Carlinhos Costa Beber, Prof. da UFSM, 23/04/2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sobre os lixões - Ana Echevenguá

Basta uma caminhada por Florianópolis-SC pra constatar que o pessoal adora jogar lixo no chão. Terreno baldio ou em construção, praça, areia de praia... tudo é local para disposição de lixo. Em Jurerê Internacional, na Costeira do Pirajubaé... A postura é a mesma!



Em Canasvieiras, ao lado do Mercado Jardim - na rua Madre Maria Vilac - há um camping desativado que virou lixão. Entre a vegetação alta tem de tudo: cachorro morto, sacolas com lixo dentro... até sofá. A vizinhança já reclamou a vários órgãos. Mas o lixão continua crescendo.



Ontem, soube que o terreno atrás do supermercado Imperatriz, onde será construído um colégio, também está recebendo lixo. Fui lá e confirmei: tem muito lixo depositado. E um vazamento de esgoto.



Do lado deste terreno fica uma das creches de Canas.



Será que ninguém sabe que essa prática corriqueira é uma das principais fontes de contaminação ambiental? É um foco de vetores de doenças infecto-contagiosas: formiga, barata, rato, mosca, urubu... E implica inúmeros prejuízos de natureza econômica e socioambiental.

Não quero me aprofundar muito no assunto. Mas há uma farta legislação ambiental a respeito do assunto. E essas regras - que foram feitas pra proteger a nossa saúde e a nossa sadia qualidade de vida - dizem que:

- o gerador do resíduo (aquele que produziu o lixo) como o proprietário da área onde é jogado o lixo,

- o motorista que levou o lixo até o local,

- o vizinho que olha e 'não vê',

- o servidor público que recebe a notícia da irregularidade e cruza os braços...

Todos são 'farinha do mesmo saco'. Ou seja: todos têm sua parcela de culpa e devem ser punidos. Ta na Lei dos Crimes Ambientais.

Art. 2º. da Lei 9.605/1998 - Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.

Dura Lex, sed Lex!

Viram pra quem vai sobrar a nossa conivência com a Fiscalização Zero??
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FONTE : Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Águas, e-mail: ana@ecoeacao.com.br, website: http://www.ecoeacao.com.br.

Companhia catarinense é multada por poluir praias

A falta de controle custou caro. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) está sendo multada em R$ 12 milhões por causar poluição às praias de Florianópolis. A reportagem de Portogente já mostrou que mais da metade das praias da atraente capital catarinense estão impróprias para banho. É hora do Poder Executivo tomar as rédeas antes que seja tarde. Além de destino turístico de brasileiros e "gringos" de todo o mundo, Florianópolis fornece recursos naturais para a sobrevivência de milhares de famílias catarinenses.

Leia abaixo a reportagem do Diário Catarinense sobre o tema.

A diretoria da Casan Companhia Catarinense de Águas e Saneamento está examinando documento entregue pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água, Saneamento e Meio Ambiente (Sintaema) para submeter proposta ao governador sobre sua nova estrutura. Avalia, também, a delicada situação do saneamento da Ilha de Santa Catarina. A Vigilância Sanitária da prefeitura aplicou multas de R$ 12 milhões à companhia por provocar poluição ambiental de várias praias da Capital. Tem, além disso, outro dilema a enfrentar: entre os principais municípios de Santa Catarina, o sistema de água pela Casan está mantido apenas em Florianópolis, São José, Chapecó e Criciúma. Em todos eles há queixas sobre a distribuição da água e, especialmente, em relação ao sistema de esgoto sanitário. Na Capital, o prefeito Dário Berger tem sido instado por lideranças políticas e comunitárias a jogar duro com a Casan, exigindo o cumprimento do contrato de concessão, recentemente renovado. Na cidade de Criciúma, os números sobre investimentos são contestados. E, em Chapecó, a Casan só mantém os serviços por força de decisão judicial. Se perder algumas destas cidades, a Casan pode se inviabilizar.

Os sindicalistas consideram "absurdo" o fato da Casan manter 11 diretorias no comando, além de duas diretorias adjuntas e quatro superintendências regionais, herança recebida da gestão Walmor de Luca. O governador Raimundo Colombo preencheu oito diretorias, deixando três vagas. O presidente Dalírio Beber informou que se os estudos recomendarem a eliminação de diretorias e se tiver o aval do governador, executará o corte. O Sintaema aponta deficiências de empregados na área operacional. E garante que cada diretoria extinta permitiria a admissão de cem funcionários para atuar na operação. A Casan vem distribuindo lucros e dividendos a seus diretores desde a administração do presidente Walmor de Luca.
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FONTE : http://www.portogente.com.br/ambiente/index.php?cod=42258

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A emissão de CO2 em São Paulo cresceu 58% entre 1998 e 2008

São Paulo aumenta em 58% a emissão de gás carbônico – A emissão de gás carbônico em São Paulo cresceu 58% entre 1998 e 2008, passando de 60,7 milhões de toneladas de gás carbônico por ano para 95,7 milhões de toneladas, segundo o 1º Inventário de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa Diretos e Indiretos do Estado de São Paulo divulgado ontem (20).

Os setores que mais contribuíram para as emissões do gás em São Paulo foram energia (78,5 milhões de toneladas), processos industriais e uso de produtos (4,5 milhões de toneladas) e agropecuária (1,9 milhão de toneladas).

O inventário reúne informações para reduzir em 20% as emissões até 2010, de acordo com o que determina a Lei Estadual de Mudanças Climáticas, aprovada pela Assembleia Legislativa em outubro de 2009 e em vigor desde o ano passado.

Os dados de 2005 serão a referência principal para se chagar à meta. O estado terá que reduzir em 17,7 milhões as emissões do gás por ano. São Paulo emitiu 88,8 milhões de toneladas do gás no em 2005.

A secretária executiva do Programa Estadual de Mudanças Climáticas, Josilene Ferrer, disse que com o inventário será possível avaliar as prioridades para cada segmento da economia. “Mas só o inventário não é suficiente, também é preciso estudos de projeção de emissão”.
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FONTE : teportagem de Flávia Albuquerque, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 21/04/2011.

terça-feira, 12 de abril de 2011

UM ALERTA SÉRIO À COMUNIDADE DO SAGUAÇÚ E ADJACÊNCIAS

Vamos fazer a nossa parte, vamos denunciar, vamos nos organizar para salvar o que resta do nosso morro do Boa Vista.

UM ALERTA SÉRIO À COMUNIDADE DO SAGUAÇÚ E ADJACÊNCIAS

Comunidade do Saguaçú e adjacências saibam que estão trabalhando silenciosamente para subtrair do nosso convívio, o último espaço verde da natureza localizado no Bairro Saguaçú, responsável pela nossa segurança e qualidade de vida.

A FUNDEMA através das suas ações burocráticas esta liberando um projeto para a construção de um empreendimento imobiliário denominado Condomínio dos Lagos, que irá abranger a referida área verde, contemplada com nascentes de água e uma rica biodiversidade da nossa região. O dito projeto tem como ponto de partida a divisa com a AABB, passando aos fundos de todos os terrenos da Rua Ágata, contornando a Rua Guilherme Elling, finalizando na Rua Água Marinha.

É mais uma atitude política de prevalência dos interesses econômicos para a construção de um empreendimento imobiliário em detrimento ao respeito à vida, respeito ao meio ambiente, respeito à segurança de toda a comunidade. A FUNDEMA ressalta que está cumprindo a COTA 40 prevista em Lei Municipal. ACOTA 40 é uma lei dos homens, mas, há de se respeitar o equilíbrio da COTA da natureza, da COTA da morada dos animais, da COTA das nascentes, da COTA dos sinais de alertas emitidos pela natureza frequentemente. É um local formado por uma variedade encantadora de fauna e flora com seus dias contados. O ADEUS a toda essa exuberância verde já tem data marcada, com início das obras para junho de 2011.

Os moradores das Ruas Ágata, do Ouro, Platina, Rio Negrinho, Rodeio, São Carlos, Berilo, Ametista, Guilherme Elling e Água Marinha são testemunhas presenciais da variedade de plantas, animais terrestres e pássaros que ainda se espremem para morar e se reproduzirem no pouco espaço que lhes resta. Temos nessa área: tucanos, aracuãs, arapongas, famílias de sagüis, entre outros animais que vivem em harmonia.

A Imobiliária, o Empresário do Condomínio, a Azimute Engenharia, a FUNDEMA e a família Aguiar representados por um dos membros da família Sr Osvaldo Aguiar, que mora em Campinas-SP, proprietário da empresa Rio Pardo Agro Negócios, sem qualquer compromisso com a cidade, desejam apenas vender.

Procurei-os por inúmeras vezes para tratar do assunto e em todas fui ignorado. É necessária uma mobilização da comunidade e dos nossos representantes mais próximos, para defendermos e mantermos essa área intacta, livre, permitindo acesso a todos. A justificativa apresentada para convencer-nos de que um condomínio desse porte vai valorizar nossas propriedades, ésubestimar demasiadamente a nossa capacidade de pensar. Desejamos uma área verde pública, livre de qualquer interferência humana, sem restrições de classe e poder econômico.

Um condomínio só trará benefícios para seus moradores. É uma forma de segregação, onde existirão os afortunados do lado de dentro e os excluídos do lado de fora.

A comunidade tem o direito sagrado de poder contemplar a área verde, com toda sua exuberância e biodiversidade, não um paredão de concreto, isolando-nos de um milagre da natureza que não pode ser exclusividade de poucos.

A argumentação de que o condomínio manterá a preservação ambiental do LADO DE DENTRO (quem sabe uns 30% da mata nativa e das nascentes) só confirma os escolhidos do Jardim do Éden.

ISTO POSTO, CONCLAMO TODA A COMUNIDADE DO SAGUAÇU E ADJACENCIAS, PARA NUM MANIFESTO DE REPÚDIO, MOVIMENTANDO-NOS SABIAMENTE, PARA SALVAR A ÁREA VERDE, AS NASCENTES E A MORADA DOS ANIMAIS.

COMO PRÊMIO, TEREMOS UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA, O ESPLENDOR DAS ARVORES, O COLORIDO DAS FLORES E, AINDA, A IMPORTANTE RETENÇÃO NATURAL DAS ÁGUAS DAS CHUVAS QUE ATÉ A PRESENTE DATA TEM NOS PROTEGIDO.
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FONTE : Sydney Frank Máximo, sydney.maximo@gmail.com
Notas :
a)- Professor Ademir Luiz Clemente MSc, em Engenharia de Produção da UNIVILLE, Empresário, mora há 41 anos no bairro Saguaçu.
b)- Para ver a área ameaçada, acesse: Google maps/ bairro saguaçu Joinville.

sábado, 9 de abril de 2011

SANTA CATARINA : Presidente da Fatma vistoria o Rio da Madre, na Guarda do Embaú

O presidente da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), Murilo Flores, agendou para a próxima segunda-feira, dia 11/04, às 14h30, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, reunião com o Movimento SOS Rio da Madre para conhecer “in loco” as reivindicações da comunidade.
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TEXTO DE Marcos Aurélio Gungel

Na ocasião, além do presidente do órgão ambiental catarinense, os secretários de Estado de Turismo, deputado Cesar Souza Jr. e de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis (SDR), deputado Renato Hinnig, parlamentares estaduais e municipais e assessores; representante da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa; autoridades municipais e imprensa também já confirmaram presença. Com o monitoramento da Polícia Ambiental, se o tempo permitir, será feito um "tour" no Rio da Madre, em direção a Paulo Lopes, onde estão localizadas as plantações de arroz.
O rio da Madre - Integra a Reserva Estadual da Serra do Tabuleiro e desagua no Oceano Atlântico pela praia da Guarda do Embaú e vem sofrendo sérias agressões ambientais. Entre elas, a retirada da mata ciliar de suas margens, a contaminação por agrotóxico produzido principalmente pelo cultivo de arroz em Paulo Lopes e o lançamento de esgotos, considerado este como um dos principais problemas atuais, pois afeta negativamente a economia, o turismo e a qualidade de vida da comunidade da Guarda do Embaú, em Palhoça.
O Movimento - Formado por moradores, surfistas, pescadores, comerciantes, empresários, artistas e amantes do Rio da Madre, criaram, no dia 11 de fevereiro de 2011, na Guarda do Embaú, o Movimento SOS Rio da Madre, atividade pacífica de conscientização para a preservação do rio e adjacências em função do descaso dos órgãos públicos e de pessoas insensíveis com o meio ambiente. Neste período, organizaram manifestações na Câmara de Vereadores de Palhoça (22/02), na Assembleia Legislativa (23/02), ato simbólico denominado Dia do Abraço (26/02), abaixo-assinado e encontros com parlamentares, presidente da Fatma, secretários de Estado e professores da UFSC e UNISUL.

Serviço

O QUÊ – Reunião e “tour” no Rio da MadreQUANDO – Dia 11/04 (segunda-feira), às 14h30ONDE- Centrinho da Guarda do Embaú (Palhoça/SC)

MAIS INFORMAÇÕES –
Plinio Bordin – Presidente do Movimento – (48) 9983-3843
Marcos Aurélio Gungel – Vice – Presidente do Movimento - (48) 9972-1713
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FONTE : Flora Neves no Eco Flora em 4/09/2011 09:17:00 PM

sexta-feira, 8 de abril de 2011

DR. FRANCISCO ALVARES PEREIRA : UM DISCURSO FUTURISTA (1963)

Transcrevo, na íntegra, o discurso pronunciado pelo prof. Francisco Álvares Pereira, paraninfo da turma de 1963, da Faculdade de Medicina, da Universidade Federal de Santa Maria, RS.
O Dr. Pereira era radiologista e foi prefeito da cidade também. Frequentei muito sua casa pois era muito amigo e colega de turma de ensino médio do Colégio Estadual Maniel Ribas (antigamente, Curso Científico) da sua filha Maria Cristina Pereira,hoje residindo em São Paulo. Ela que gentilmente me passou a cópia deste discurso.
Este discurso foi reproduzido no dia posterior à cerimônia no jornal "A CIDADE", sob a direção do jornalista Clarimundo Flores, uma das glórias do jornalismo gaúcho.
O discurso é surpreendente e visionário, pois o paraninfo da turma, Dr. Francisco Alvares Pereira, já em 1963 - há cerca de 48 anos atrás - falava premonitoriamente sobre Ecologia para uma turma de jovens médicos recém-formados.
NOTA DE JAMES PIZARRO
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“A moderna crise mundial, em um de seus aspectos fundamentais, decorre da não adaptação do homem e da sociedade às condições materiais criadas pelo progresso da máquina. Tão rápida e surpreendente está sendo a evolução revolucionária da técnica científica, que o espírito humano não teve o necessário tempo de se ajustar devidamente”

“Como dispor de visão global uma geração a que faltam os instrumentos ou a sensibilidade imaginativa para analizar e reconstruir o mundo em têrmos globais?” (A. Saint Pastous).

Estas palavras escritas pelo professor Saint Pastous em seu recente livro “A terra e os homens” a propósito do que êle denomina “consciência ecológica” põem-nos, senhores diretores das Faculdades, senhores professores, senhores e senhoras, na perspectiva da vida destes jovens médicos agora formados.
Nesta hora tão esperada e cheia de emoções para vós, prezados afilhados, todos nos congratulamos convosco. Vossos pais vêem se concretizar seus anseios e suas esperanças; vossas esposas e noivas divisam a realização de seus sonhos. Vossos professores, aqui presentes, sentimo-nos recompensados assistindo a cerimônia de conclusão de vosso curso médico.
Desejamos todos a cada um de vós uma vida profissional plena e feliz.
Vós pedistes que eu vos desse a última aula. Creio, porém, que nada mais há a acrescentar concernente ao ensino que habilite à atividade profissional. Há, porém, outro assunto que não consta nos currículos e contudo faz parte da sapiência de um médico, do novo médico, dos novos tempos: refiro-me à consciência ecológica, a que se refere o professor Saint Pastous.
Convido-vos, então, para fazermos algumas considerações que estabeleçam os elementos de diagnóstico da situação histórica brasileira, na qual se desdobrará a vossa vida de médicos.
Para formarmos uma idéia do que acontece hoje caracterizando o momento atual, deveríamos recordar a maneira de viver do homem desde que habitou a terra, isto há mais de trinta mil anos, e a evolução de sua mentalidade através dos séculos.
Quero ressaltar, entretanto, que com o advento da ciência experimental e da tecnologia a partir, sobretudo, do século XVIII, houve um substancial adianto no conhecimento das leis da natureza que deu, ao homem, uma nova consciêcia, e à humanidade uma nova visão do mundo e do lugar que por direito a vida nele ocupa.
Na época pré-industrial, o lugar dos indivíduos se definia em função do estar.
Em função das situações eram os indivíduos classificados, “emprateleirados” conforme a sua origem ou a profissão do pai, etc.
O homem medieval era um adorador de Deus, um admirador do Universo, a sua mentalidade era a de um vassàlo.
A História era encarada como um destino ou uma Providência que importava com virtude e resignação aceitar. E o trabalho, uma obediência ou um dever, se não uma expiação e uma pena.
Gradualmente, porém, sucedeu-se outra mentalidade. A ciência experimental trouxe a compreensão das coisas nos seus determinismos naturais. A possibilidade de combinar então êsses determinismos para a realização de efeitos novos a seu favor, deu ao homem um sentimento de autonomia, face ao desencadear-se dos acontecimentos, um sentimento de senhor da natureza, autor da própria existência.
Houve uma reviravolta de mentalidade, o homem de admirador submisso se transformou em criador, de espectador se tornou dono dos próprios destinos, adquiriu o conceito dinâmico da vida.
Do mesmo modo, a idéia e o sentimento dos direitos passa ao primeiro lugar na hierarquia dos valores, com tôda a sua força polarizadora. O Direito, o homem post-medieval passou a entendê-lo como do ser à vida e a vida igual para todos.
Esta reviravolta da mentalidade acontece onde intervém o fator tecnológico alterando a configuração cultural de uma comunidade.
No Brasil, pela revolução industrial, teve início o processo brasileiro onde as culturas se defrontam.
Em todos os setores brasileiros em desenvolvimento há confrontações de culturas e de civilizações. Não vivemos sòmente a cultura e a política nacional, os meios de comunicação, a alfabetização, o rádio, a imprensa transportam-nos todos para o universal.
Quando confrontamos a cultura brasileira, ainda em muitos aspectos limitada, cheia de improvisações e fantasias, com a cultura universal, evoluída, colocada em bases sólidas por uma civilização técnica e científica, sentimo-nos abalados nos alicerces.
Não é que devamos importar pré-fabricadas, lá de fóra, as soluções dos nossos problemas. Mas é decepcionante para nós, que muitos daqueles que irão solucioná-los, ainda sejam fabricados em série, na linha de montagem de um anfiteatro, sem a objetividade das nossas necessidades, e das nossas deficiências.
O homem, neste processo histórico, sente-se chamado a uma tarefa criadora, procura “reconstruir o mundo em termos globais”.
Também não foi encontrada uma solução social duradoura que satisfaça a maior parte dos brasileiros. É que para muitos, sobretudo os que gozam posições privilegiadas, não há interêsse em achar a solução verdadeira. Talvez lhes seja difícil compreender, talvez nunca compreenderão as aspirações e as necessidades dos outros. Raciocinando em têrmos de situações, situações ultrapassadas, não compreendem que aqueles que reclamam seus direitos, estão procurando construir um mundo melhor.
O conhecimento de que esta situação é uma conjuntura histórica na evolução da civilização brasileira, e que há de passar, nos dá uma esperança. Mas as elites devem ficar sabendo que nenhum estratagema, nenhuma violência deterá a evolução. É irreversível. Todos devem ter igual sentimento da realidade e definirem sua parte nesta cruzada nacional.
Caros amigos: quisera falar-vos francamente. Digo-vos que penso sòmente, pela estima que inspirais, no êxito de vossa vida profissional.
Eu me pergunto, então, se a vida de um médico, hoje e aqui no Brasil, não se coloca dentro de novo contexto histórico, com uma nova significação. Eu me pergunto, então, se a nossa felicidade, em particular, não se condiciona à consciência que tiverdes desse fato e da coragem com que assumirdes esta nova situação.
Sem uma profunda sintonia com seu tempo e sua terra, uma profissão que seja a do médico ou qualquer outra pode ser posta em dúvida como útil. Pode ser considerada inútil e nociva, sem razão até. Mas será útil e necessária se responde às exigências de sua terra naquele instante, e à indigência do homem de seu tempo.
Este é o elemento que amanhã, se não hoje, distingue médicos e médicos, supostos todos competentes no manipular das técnicas, mas alheios alguns à culturalização de sua ciência e de sua técnica.
Sempre julguei que a minha escolha de paraninfo tenha nascido da amizade e mútua simpatia, irmanados nas mesmas inquietudes e aspirações.
Dizem que uma geração vive suficientemente para ensinar a geração vindoura. Tenho as minhas dúvidas de que a atual geração brasileira esteja cumprindo esta missão. Entretanto, como colega mais velho quero que saibais que a vida e os fatos ligados à vida se situam em ordem dinêmica, diante das coordenadas da evolução. Sendo o existir um desenvolver-se, e desenvolver-se é superar-se, é ultrapassar-se. Continuem aperfeiçoando-se porque parar é estagnar-se. Que a conclusão de vosso curso seja o início de uma vida perfeita, uma vida onde podereis realmente mostrar vossa capacidade criadora”.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"PIONEIROS E HERÓIS - JESUS SANTIAGO MOURE, O PADRE DARWINISTA" - Paloma Oliveto, 13/01/2011

O religioso dedicou a vida à fé e à ciência, tornando-se em um dos maiores entomólogos do mundo. Seu trabalho inclui a publicação de 216 estudos e a descrição de 500 espécies ou gêneros


Com a batina preta de mangas compridas, padre Jesus Santiago Moure rezava cedo as missas na Igreja Matriz de Curitiba. Depois da bênção final, o velhinho de olhos estrábicos podia seguir para algum convento claretiano, ordem religiosa à qual pertencia, para ouvir confissões das freiras ou celebrar mais uma vez. Geralmente, porém, não era o que fazia. Deveres cumpridos com Deus, Moure dedicava-se a seu outro sacerdócio: o estudo das abelhas.

Cientista autodidata, Moure é considerado um dos maiores entomólogos do mundo, com 216 trabalhos publicados, 500 espécies ou gêneros de abelhas descritas e um arquivo de 12 mil itens, a “Bíblia” dos zoólogos. Além disso, é descrito como o “papa” da taxonomia numérica, uma metodologia de classificação das espécies. Ao trocar informações com colegas de todas as partes do globo, o padre ajudou a colocar a ciência brasileira nos meios acadêmicos internacionais, ainda na década de 1940. Visionário, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Morto aos 97 anos no último 10 de julho, vítima de falência múltipla de órgãos, o “padre das abelhas” — alcunha recebida no Paraná, onde viveu por quase sete décadas —, não via conflitos entre ciência e fé. Em 1990, ele deu uma entrevista à revista especializada Ciência Hoje, explicando seu ponto de vista. “Deus fez o mundo pela evolução; nós não descobrimos absolutamente nada. Estamos apenas procurando, na medida do possível, reescrever a história do mundo. A atitude que sempre tive em relação à natureza é a seguinte: descobrir como é que as coisas se fazem de acordo com a lei de Deus. E a lei de Deus é a lei da evolução correndo no tempo.”

O padre darwinista não escapou de críticas no meio religioso. Quando seminarista — Moure entrou para a ordem dos claretianos aos 12 anos de idade, em 1925 —, ganhou a antipatia de alguns professores sacerdotes, ao questioná-los diretamente. “Passei a pensar no assunto desde que comecei a observar diretamente os animais e verificar as profundas relações que havia entre eles. Entusiasmado com algumas leituras, tive muitas discussões nas aulas de filosofia provocadas pelas perguntas um tanto perturbadoras que eu fazia ao professor. Isso trouxe certos problemas no seminário”, confessou à Ciência Hoje.

Depois de ordenado, continuou defendendo que “as explicações sobre a evolução talvez ainda não estejam completas, mas a evolução em si é um fato histórico de tal ordem que não se pode contestar”. Por isso, teve sérios atritos com seus superiores. “Tanto que acabei sendo expurgado da direção da Ação Católica (conjunto de movimentos criados pela Igreja), a Juventude Universitária Católica e a Juventude Operária Católica”, contou o padre, certa vez. Segundo ele, dom Hélder Câmara “fez força” para que deixasse as entidades. “Tive com todos eles discussões mais ou menos acaloradas, pois não tinham qualquer noção do que era evolucionismo, julgando-o uma coisa inventada por alguns cientistas para atacar a religião. Foram problemas que me atingiram no início de minha carreira científica.”

Já entre leigos, Moure não suscitava a discussão. “Nos dois anos que tive de convívio com padre Moure, jamais ouvi dele alguma referência à religião dentro de sala de aula”, conta o agrônomo e ecologista James Pizarro, que foi amigo e aluno do sacerdote na pós-graduação de entomologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). No mesmo ano da fundação da instituição, 1938, Moure foi o responsável pela criação do Departamento de Zoologia.

Vocação
Jesus Santiago nasceu em Ribeirão Preto (SP), em 2 de novembro de 1912, dois meses depois que os pais, espanhóis, imigraram para o Brasil. O pai, Miguel, veio trabalhar como engenheiro nas ferrovias da extinta Companhia Mogianoa. Apesar do apego à família — mesmo idoso, não perdia uma festa de fim de ano —, resolveu ser padre e, ainda menino, começou os estudos no Seminário Claretiano de Curitiba. Mas, antes mesmo que percebesse a vocação sacerdotal, ele já havia desenvolvido o amor à história natural. Quando estudava as primeiras letras no interior paulistano, fazia excursões com os colegas de escola no bosque de Ribeirão Preto. Lá, caçava pedras, bichos e plantas.

A primeira pessoa a incentivá-lo foi o professor do grupo escolar, apelidado pelas crianças de Bigodinho de Arame. Nas idas ao bosque, o mestre dava aulas práticas de biologia aos alunos. “Era o melhor dia da semana”, contou o padre. No seminário, os estudos de teologia, latim, grego, espanhol e hebraico, entre outras disciplinas, afastaram Moure temporariamente dos insetos. Mas não demorou para que ele voltasse à primeira paixão da vida. Na década de 1930, na chácara dos claretianos em Rio Claro (SP), onde foi fazer os cursos superiores de filosofia, matemática, história natural e física, passou a colecionar um inseto conhecido como tesourinha. Foi a primeira de muitas coleções.

Já ordenado, Moure aproximou-se mais da ciência. Em 1937, em São Paulo, conheceu pesquisadores do Museu Paulista e ficou amigo de um deles, Frederico Lane. Os estudos de latim não foram úteis somente para rezar as missas que, naquela época, eram celebradas no idioma clássico. Graças ao conhecimento da língua, ele ajudou a traduzir textos de entomologia. Não demorou para que começasse a escrever artigos científicos, primeiramente com Lane, depois, como único autor.

A dedicação ao estudo das abelhas exigia de Moure horários rígidos. Mesmo já idoso, dormia três horas e meia por dia. Era um homem metódico, na descrição do ex-aluno James Pizarro, que conviveu com o padre na década de 1970. “Ele era assíduo, pontual, sumamente disciplinado, objetivo, direto no dizer e querer as coisas, exigente e extremamente crítico, inclusive sobre os colegas”, descreve. “A convivência era fácil, mas tinha extremada dificuldade de falar outros assuntos que não fossem aqueles pertinentes às suas abelhas, à entomologia em geral, à ciência e às teses”, conta.

Batismos
Entre uma discussão científica e outra, Moure era o “padre oficial” dos amigos cientistas. Além de batizar, realizava casamentos e dava bênçãos. “Quando fui fazer o curso em Curitiba, eu já tinha dois filhos e tive a terceira filha. Me empenhei para que ele fosse o sacerdote que batizou minha filha, o que realmente ocorreu. Tenho bem guardado nos meus arquivos a lembrança de batismo assinada por ele”, diz Pizarro.

As tarefas religiosas, porém, nunca o afastaram da devoção às abelhas. O primeiro trabalho sobre o tema foi publicado em 1940. Dez anos depois, começou uma série de viagens internacionais. Chegou a ser convidado para ser professor da Universidade da Califórnia, Berkeley, mas não quis deixar o Brasil. Nem com a aposentadoria compulsória, em 1982, ele abandonou a ciência.

Depois dos 90 anos, padre Moure continuava ativo, palestrando onde fosse convidado. No fim da vida, foi morar em Batatais, interior de São Paulo. Sentida pela comunidade científica, sua morte foi pouco comentada pela imprensa leiga. “Por não ser muito afeito à exposição pública, ele nunca procurou um lugar na mídia. Sinceramente, acho que ele foi um dos maiores especialistas mundiais em entomologia, sobretudo em abelhas africanas e em sistemática, a classificação de insetos. Sem medo de errar, acho que ele é muito mais conhecido no exterior do que no Brasil. ‘Santo de casa não faz milagre’”, sintetiza o amigo James Pizarro.

Fontes bibliográficas: Moure 90 anos: uma trajetória em imagens, de A. R. Melo e I. Alves-dos-Santos; Homenagem aos 90 Anos de Jesus Santiago Moure, Editora Unesc; Revista Brasileira de Entomologia, volume 54; Ciência Hoje, edição janeiro/fevereiro de 1990.
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FONTE : CORREIO BRAZILIENSE,Seção "Eu, estudante",13/01/2011,http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=16823