quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um milhão de plantas serão catalogadas

Um milhão de plantas serão catalogadasBotânicos britânicos e americanos anunciaram, ontem, o recenseamento de 1,25 milhão de denominações de plantas, o que constitui a primeira lista mais ampla, podendo ser consultada no site www.theplantlist.org, em inglês. O banco de dados, considerado uma contribuição essencial para a conservação das espécies, contém a designação das ervas mais simples a legumes, passando pelas rosas, samambaias exóticas, musgos e coníferas.
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FONTE : Diário Catarinense,30/12/2010.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AGAPAN : 40 ANOS !

Herdeira da União Protetora da Natureza – UPN, presidida por Henrique Luiz Roessler na década de 1950, a fundação da AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, em 27 de abril de 1971, marcou a história da ecologia no Rio Grande do Sul e no Brasil, sendo diretamente responsável por muitas conquistas sociais favorecendo a qualidade de vida e a conservação de sítios naturais.

Apenas cerca de cinco meses depois, foram fundados no Canadá o GreenPeace e a Rede Amigos da Terra Internacional (Friends of the Earth International) na Europa.

Na verdade, foram duas AGAPANs, uma em Porto Alegre e outra em São Leopoldo, esta com atuação mais local progredindo nos anos 80 até mudar de nome e tornar-se a UPAN – União Protetora do Ambiente Natural, nome que é uma mistura de homenagem à UPN e AGAPAN.

A primeira ganhou grande impulso com a atuação de nomes como José Lutzenberger, Fernando Sampaio, Augusto Carneiro e outros pioneiros, havendo repercussão das iniciativas na imprensa da Capital, e em todo o país, ajudando a ampliação do movimento no Estado.

Na Assembléia Geral de fundação da Agapan, em Porto Alegre (no auditório do INSS, na av. Borges de Medeiros), foi eleita a primeira diretoria liderada por José Antônio Lutzenberger que proferiu, na ocasião, a sua primeira palestra pública intitulada “Por uma ética ecológica“, publicada no Correio do Povo em 29/8/1971.
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FONTES : Agirazul e Preservando

TRATANDO O ESGOTO PELA RAÍZ

Simples, barato e ecologicamente correto, sistema utiliza plantas para recuperar efluentes domésticos e não poluir o meio ambiente

Coletar e tratar o esgoto de áreas rurais ou de pequenos municípios mais afastados dos grandes centros é hoje um dos maiores entraves à universalização do saneamento básico no Brasil. Só no Paraná, segundo o IBGE, mais da metade das cidades (57,9%) não possui rede de coleta de efluentes. No entanto, existem técnicas simples, relativamente baratas e ecologicamente corretas que ajudam a minimizar o impacto ambiental e reduzir o risco de doenças provocadas pelos dejetos lançados in natura nos rios.

As estações de tratamento de esgoto (ETEs) por zona de raízes são um exemplo disso. Neste caso, plantas fazem a filtragem do efluente antes de lançá-lo na natureza. Em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, a Chácara Harmonia adotou há um ano e meio esse sistema. Na frente da propriedade – que é toda autossustentável – não passa rede coletora. O esgoto, anteriormente jogado em um poço morto, agora vai para uma pequena ETE. “Qualquer um que tenha um terreno pequenininho pode fazer. E você não precisa construir a casa assim, pode adaptar o sistema que já existe”, explica Alessandra Seccon Grando, que mora na chácara com a mãe, Salete Seccon.

Fossas

No sistema adotado na residência, o efluente passa por duas fossas fechadas, que decantam a parte sólida e possibilitam sua decomposição. Em seguida, o esgoto vai para um tanque impermeabilizado que contém – de baixo para cima – camadas de pedra brita e areia. Em cima dessas camadas são inseridas macrófitas (plantas de áreas alagadas), que trabalham em simbiose com bactérias aeróbicas. Estas, por sua vez, decompõem as partículas orgânicas junto às raízes. Para isso, utilizam o oxigênio captado do ar pelas próprias plantas. Depois de tratada, a água que sobra cai no terreno e infiltra. “Dá para fazer um laguinho com peixes aqui”, planeja Salete.

“Basicamente, as fezes se transformam em plantas e em um lindo jardim, com bananáceas, juncos, papirus e aguapés”, resume o técnico em meio ambiente Thomás Moutinho, que construiu a ETE da chácara. Adepto da permacultura – ciência que valoriza práticas sustentáveis, inclusive em construções –, ele explica que a obra levou apenas dois dias para ser concluída e custou cerca de R$ 500. A ETE tem capacidade para tratar o esgoto produzido por 4 pessoas/dia. Em um sistema maior (para 12 casas), construído no interior de São Paulo, o custo foi de R$ 1 mil por casa, segundo Moutinho.

De acordo com a bióloga Tamara Van Kaick, professora adjunta do departamento de Química e Biologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a eficiência das ETEs por zona de raízes depende da combinação de fatores como o tipo de planta, a granulometria (tamanho) da brita e da areia e do tipo e volume de esgoto, entre outros. Ainda assim, na média, os resultados são muito bons. “Algumas avaliações identificam uma excelente redução em todos os parâmetros. Alguns, como coliformes fecais, chegam a ter redução de 99%”, destaca.

Além de não ter problemas com o mau cheiro e incrementar o jardim, a ETE praticamente não dá manutenção. “O que a gente tem de fazer, às vezes, é tirar o excesso de raízes”, explica Alessandra. Salete, por sua vez, toma alguns cuidados prévios. “Água sanitária não pode, então usamos somente sabão. Eu me preocupo em não colocar nada que vá matar as plantas”, justifica.

COMO FUNCIONA:

* O efluente que sai da residência vai para uma fossa séptica comum, impermeabilizada. Ali, o esgoto bruto decanta por ação da gravidade. As partículas mais pesadas vão para o fundo; as leves sobem. Neste estágio, ocorre a decomposição anaeróbica (sem oxigênio) do material orgânico.

* Ainda nesta etapa, pode-se acrescentar opcionalmente um tanque com carvão para absorver produtos químicos como sabões e água sanitária, que agem como biocidas, matando as bactérias nas raízes das plantas e comprometendo a eficiência do sistema.

* Na sequência, o efluente entra pela parte mais baixa de um tanque construído normalmente em ferro e cimento e impermeabilizado. No fundo desse tanque, acrescentam-se camadas de pedra britada – mais grossa no fundo e mais fina em cima. Quanto menor o espaço entre as camadas, mais eficiente será o tratamento. Depois, coloca-se areia, onde as plantas macrófitas são inseridas.

* A região onde as raízes avançam torna-se uma área aeróbica. As plantas têm capacidade de injetar o oxigênio em suas raízes, onde vivem microrganismos – zona conhecida como biofilme –, que decompõem as partículas orgânicas, liberando-as para as plantas.

* Finalmente, pode-se construir um pequeno lago para oxigenação do efluente que sai pela parte superior do tanque. Este lago pode ser habitado por sapos e até por pequenos peixes.
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FONTE : Thomás Moutinho/João Rodrigo Maroni/ECO-CONSCIÊNCIA,29/12/2010.

Papelão é alternativa rápida e limpa na construção civil

O uso deste material reciclável pode revolucionar a construção de casas térreas populares.

O uso do papelão na construção civil pode representar uma alternativa que proporcione mais rapidez na obra, e com um processo mais leve e salubre. Pesquisas com a utilização do produto estão sendo realizadas no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. De acordo com a arquiteta e doutoranda da EESC, Gerusa Salado, estudos com o material já vem sendo desenvolvidos no Japão. “No Brasil esse tipo de pesquisa ainda é inédita”, afirma.

A escolha do material levou em conta critérios como reciclagem e produção de celulose e papelão, uma matéria-prima abundante no Brasil. “O papelão, além do fato de poder ser reciclado várias vezes, não precisa de um grande processo de transformação para a reciclagem. Basta triturá-lo e misturar com água”, descreve Gerusa.

Para testar a eficácia do uso do papelão na construção, os pesquisadores construíram uma célula-teste. Esta “construção experimental”, como foi denominada, possui o formato de um cubo medindo cerca de 3x3x3 metros (m), equivalente a um volume de 27 metros cúbicos (m3). Em uma de suas paredes há uma janela. Na outra, uma porta. Gerusa explica que as outras duas paredes são “paredes cegas”, ou seja, sem qualquer tipo de abertura. Inicialmente, a pesquisadora desenvolveu na célula-teste as vedações, que são o objeto principal de sua pesquisa.

No seu trabalho de doutorado, Gerusa conseguiu construir uma parede de 1 m linear , com tubos de 10 cm de diâmetro, sem resina ou impermeabilizantes. A estrutura, segundo ela, resistiu até 5,0 toneladas. Utilizando a resina impermeabilizante, a mesma estrutura teve sua resistência aumentada, suportando até 6,0 toneladas. Esta mesma resina, também, torna o material resistente às chuvas e à umidade. “Nossa construção experimental (célula-teste) tem resistido a todas as fortes chuvas desses últimos tempos”, conta a pesquisadora.

Em relação ao fogo, ela alerta que o material ainda precisa ser avaliado em relação ao tempo que o papelão pode levar para ser incinerado e se o fogo pode se extinguir sozinho, os testes são realizados em laboratório e seguem normas técnicas nacionais e/ou internacionais. “Sabemos que todos os materiais de construção são passíveis ao fogo, mas neste caso, precisamos averiguar se o tempo de propagação de um incêndio acidental possibilita que os usuários desocupem a edificação”, diz Gerusa.

O estudos realizados já têm dado frutos, segundo a pesquisadora. “Já é certeza que a estrutura poderá ser aplicada em edificações térreas”. O intuito das investigações, segundo Gerusa, é que a estrutura possa vir a ser utilizada para habitações ou não, além de outros tipos de construções como edifícios, como uma possibilidade de substituição de materiais de alvenaria.

Vantagens
Entre as principais vantagens na utilização do papelão na construção civil, Gerusa destaca o uso de uma fundação apenas superficial e não subterrânea, pois a construção é leve. A construção de imóveis com este material é bem mais rápida do que os métodos convencionais porque é feita num sistema construtivo pré-fabricado. “Além disso, os tubos de papelão são ocos, facilitando a instalação dos sistemas hidráulicos e elétricos, não havendo necessidade de quebrar paredes. Todo o processo é limpo e salubre podendo ser desmontado e remontado a qualquer tempo”, garante a pesquisadora.

O custo de uma parede de papelão em relação à de alvenaria convencional por enquanto é proporcional, mas Gerusa lembra de alguns fatores que podem torná-lo um potencial material concorrente à alvenaria, como impostos adequados a construção civil, produção não só dos tubos, mas também de módulos pré-fabricados em larga escala.

A pesquisa de doutorado é orientada pelo professor Eduvaldo Paulo Sichieri e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
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FONTE : Reportagem de Sandra O. Monteiro, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 29/12/2010.

Invernos rigorosos no Hemisfério Norte estão diretamente ligados a mudanças climáticas

O aquecimento por trás do frio – O que as nevascas que assolam o Hemisfério Norte têm a ver com o aquecimento global? Tudo, de acordo com estudo publicado na “Journal of Geophysical Research”, da União Geofísica Americana.

De acordo com pesquisadores do Instituto Potsdam, da Alemanha, invernos rigorosos (e eventos extremos relacionados a eles) podem ter a frequência triplicada na Europa e no norte da Ásia. O estudo foi focado nesta região, mas seus resultados podem ser extrapolados para os EUA, que também enfrentam uma forte onda de frio.

A conclusão do estudo parece estranha, dada a projeção de que a temperatura global pode subir quase 6 graus Celsius até o fim do século. Reportagem em O Globo.

Mas, ao percorrer regiões livres de gelo do Oceano Ártico, cientistas descobriram que o calor causado pelo aquecimento global, responsável pelo degelo de calotas polares, paradoxalmente, aumenta a ocorrência de invernos severos na Europa e nos EUA.

O aumento da temperatura global reduziu a cobertura de gelo do Ártico em 20% nos últimos 30 anos. Existe o risco de que ela desapareça totalmente ainda este século, nos períodos de verão. Sem a cobertura de gelo, o calor deixa de ser refletido para a atmosfera, e a água, mais escura, passa a absorver o calor, ficando mais quente que o normal.

A água relativamente quente escapa para a atmosfera, cuja temperatura chega a 30 graus Celsius negativos.

- O oceano está muito mais quente que o ar ambiente nesta zona polar no inverno – explica Stefan Rahmstorf, pesquisador do Instituto Potsdam.

- Um fluxo quente, então, sobe para a atmosfera, o que não acontece quando tudo está coberto de gelo. É uma mudança extraordinária.

Forma-se, assim, um sistema de alta pressão. Os ventos gelados dali são empurrados da região polar para a Europa – que antes era contemplada apenas por leves correntes de ar oriundas do oeste.

- Isso não é algo que se esperava – admite Vladimir Petoukhov, outro pesquisador envolvido no estudo. – Quem pensava que o encolhimento da capa de gelo a uma longa distância não nos incomodaria está errado. Há conexões complexas no sistema climático.

Os pesquisadores usaram modelos de computador para mensurar o impacto do desaparecimento do gelo do Ártico, particularmente na região escandinava e na Rússia, que experimentaram perdas recordes de gelo durante o verão.

De acordo com o físico Vladimir Petujov, coordenador do estudo, o fim das calotas polares provocaria estragos generalizados e imprevisíveis no clima do Hemisfério Norte.

- Estas anomalias podem triplicar a probabilidade de haver invernos extremos na Europa e no norte da Ásia – alerta.

No artigo em que detalhou seu levantamento, Petoukhov concluiu: “Nossos resultados sugerem que vários episódios recentes de inverno rigoroso não conflitam com uma situação de aquecimento global, e, sim, complementam esta ideia.”

O artigo também menciona outras explicações que costumam ser dadas aos invernos atípicos, como a baixa da atividade solar e as mudanças na Corrente do Golfo. O papel atribuído a estes fatores, porém, é considerado “exagerado” pelos pesquisadores.

O gelo ártico está em processo de encolhimento nas últimas décadas, registrando perdas recordes em setembro de 2007. Sua recuperação natural durante o inverno também foi afetada, o que provocou perdas significativas das calotas polares durante a década passada.
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FONTE : EcoDebate, 29/12/2010.

Energia: Com miúdos de porco e esterco cidade sueca reduz dependência de óleo e carvão

Era uma meta ambiciosa quando, há uma década, esta cidade prometeu se livrar dos combustíveis fósseis.

Mas, hoje em dia, o município de Kristianstad, com 80 mil habitantes, praticamente não usa mais petróleo, gás natural ou carvão para aquecer lares e empresas. Só que este lugar do sul da Suécia não adotou a energia solar ou a eólica. Como convém a uma região voltada para a agricultura e o processamento de alimentos, ela aproveita ingredientes como cascas de batatas, esterco, óleo de cozinha usado ou tripas de porcos. Reportagem de Elisabeth Rosenthal, do New York Times.

Uma usina existente, há dez anos, usa um processo biológico para transformar os detritos em biogás, uma forma de metano. O gás é queimado para gerar calor e eletricidade ou é refinado e vira combustível para carros.

A cidade também queima o gás que emana de um antigo lixão e de tanques de esgoto e aproveita os restos de madeira da poda de árvores e das fábricas de pisos.

Nos últimos cinco anos, muitos países europeus passaram a usar mais a energia renovável. Só na Alemanha, há cerca de 5.000 sistemas de biogás gerando energia.

O uso do biogás em Kristianstad é parte de uma reformulação da matriz energética que levou a cidade a reduzir pela metade seu consumo de combustíveis fósseis e a cortar um quarto das suas emissões de dióxido de carbono.

O biogás gera emissões quando é queimado, mas menos do que o carvão e petróleo. E o biogás é renovável: é feito de dejetos biológicos que de outra forma seriam decompostos em lavouras e lixões, liberando metano (gás do efeito estufa), poluindo o ar e, possivelmente, afetando os mananciais.

Os gastos iniciais em Kristianstad, cobertos pela prefeitura e por repasses do governo sueco, foram consideráveis: o sistema centralizado de calefação por biomassa custou US$ 144 milhões, incluindo a construção de uma usina de incineração, a instalação dos dutos, a substituição de fornalhas e a instalação de geradores.

Mas as autoridades dizem que o retorno é significativo: Kristianstad gasta hoje cerca de US$ 3,2 milhões por ano para aquecer seus prédios públicos, em vez dos US$ 7 milhões que gastaria com petróleo e eletricidade. O biogás abastece carros, ônibus e caminhões da prefeitura.

As operações com biogás geram renda, pois fazendas e fábricas pagam para eliminar seus dejetos, e as usinas vendem calor, eletricidade e combustível para veículos.

Desde a década de 1980, a cidade possui dutos subterrâneos que distribuem vapor para aquecer as residências. O sistema, inicialmente, usava combustível fóssil. Mas, depois que a Suécia se tornou o primeiro país a impor um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis em 1991, a cidade passou a procurar alternativas.

Em 1993, já estava queimando restos de madeira e, em 1999, começou a usar o calor gerado pela nova usina de biogás.

Alguns prédios foram adaptados com fornalhas individuais que usam “pellets” (cilindros granulados) feitos com sobras de madeira.

Queimar madeira dessa forma é mais eficiente e produz menos dióxido de carbono do que a queima da lenha; esse tipo de calefação deu origem a um setor de produção de “pellets” no norte da Europa. Fornalhas para “pellets” recebem subsídios governamentais, e abastecê-las sai por metade do preço em relação ao petróleo, segundo o engenheiro Erfors.

As autoridades de Kristianstad esperam que até 2020 as emissões locais sejam 40% inferiores às de 1990, e que a administração municipal abandone totalmente os combustíveis fósseis e pare de emitir gases do efeito estufa.

O transporte responde por 60% do uso de combustíveis fósseis na cidade. As autoridades querem que os motoristas usem carros abastecidos com biogás local. Isso exigirá aumentar a produção.

Embora o combustível de biogás custe cerca de 20% menos que a gasolina, os consumidores relutam em pagar US$ 32 mil (cerca de US$ 4.000 a mais do que um carro convencional) por um veículo a biogás ou bicombustível, pois querem ter certeza de que a rede de abastecimento continuará crescendo, e que haverá mais postos disponíveis.

O engenheiro Martin Risberg é favorável a tal expansão. “Um tanque é suficiente para você andar o dia todo pela região”, disse Risberg abastecendo seu Volvo com biogás. “Mas é preciso planejar com antecedência.”
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FONTE : reportagem [With Peels and Pig Innards, a Swedish City Forgoes Coal and Oil] do New York Times, na Folha de S.Paulo. (EcoDebate, 29/12/2010).

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Degradação florestal da Amazônia aumenta 548% em novembro

A maior parte (51%) da degradação florestal ocorreu no Pará seguido por Mato Grosso (39%). Segundo o Imazon, degradação florestal são áreas florestais intensamente exploradas pela atividade madeireira ou por queimadas.


O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou os dados de novembro de 2010 do desmatamento e degradação florestal na Amazônia. O SAD, satélite utilizado pelo ONG, registrou um aumento de 548% na degradação florestal, somando 188 quilômetros quadrados. Em novembro de 2009 a degradação somou 29 quilômetros quadrados.

A maioria (51%) da degradação florestal ocorreu no Pará seguido por Mato Grosso (39%). Segundo o Imazon, degradação florestal são áreas florestais intensamente exploradas pela atividade madeireira ou por queimadas. É diferente do desmatamento, que é a supressão total da floresta com exposição do solo.

A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a novembro de 2010 totalizou 2.805 quilômetros quadrados. Isso representou um aumento expressivo (256%) em relação ao período anterior (agosto de 2009 a novembro de 2009), quando a degradação florestal somou 789 quilômetros quadrados.

Desmatamento

O SAD detectou 65 quilômetros quadrados de desmatamento, uma redução de 13% em relação a novembro de 2009, quando o desmatamento somou 75 quilômetros quadrados. Em novembro de 2010, os Estados com maior área desmatada foram Mato Grosso (38%), Pará (29%) e Rondônia (20%). O restante do desmatamento ocorreu em Roraima (5%), Amazonas (5%) e Acre (3%).

Os dados podem estar subestimados, já que só foi possível monitorar 30% da área florestal na Amazônia Legal. Os outros 70% estavam cobertos por nuvens, o que dificultou o monitoramento na região, principalmente no Amapá, Rondônia, Pará e Mato Grosso, os quais tiveram mais de 70% da área florestal coberto por nuvens.

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a novembro de 2010 somou 598 quilômetros quadrados. Em comparação com o período anterior (agosto 2009-novembro 2009), quando o desmatamento somou 757 quilômetros quadrados, houve redução de 21%.

Segundo o boletim, em novembro de 2010 o desmatamento detectado comprometeu 4 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que representa uma queda de 21% em relação a novembro de 2009. No acumulado do período (agosto - novembro 2010) o desmatamento comprometeu 36 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Isso representa uma redução de 23% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a novembro de 2009) quando o carbono florestal afetado pelo desmatamento foi cerca de 47 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
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FONTE : Amazônia.org.br - EcoAgência

2011 será o Ano Internacional das Florestas

Declaração da ONU tem por objetivo promover ações que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, mostrando à população mundial que a exploração das matas sem um manejo sustentável pode causar uma série de prejuízos.


Com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação das florestas para uma vida sustentável no planeta, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), declarou 2011, oficialmente, o Ano Internacional das Florestas. O tema da celebração é "Florestas para o Povo".

Segundo a entidade, a intenção é promover ações que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, mostrando à população mundial que a exploração das matas sem um manejo sustentável pode causar uma série de prejuízos, como a perda da biodiversidade, o agravamento das mudanças climáticas, migrações desordenadas para áreas urbanas e o crescimento da caça e do desmatamento ilegal.

A exploração predatória e o desrespeito ao ciclo de vida natural das florestas têm como consequência a ameaça da sustentabilidade econômica, das relações sociais e da vida humana no planeta. Isso acontece porque as floretas são a fonte, entre outros, de água potável e alimentos. Por outro lado, fornecem também matérias primas para indústrias essenciais como a farmacêutica e da construção civil, além de desempenhar um papel vital na manutenção da estabilidade do clima e do meio ambiente globais.

Atualmente, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), as florestas cobrem 31% da área terrestre total do planeta, abrigam o lar de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo e têm responsabilidade direta na garantia da sobrevivência de 1,6 bilhão de pessoas e de 80% da biodiversidade da Terra. Só em 2004, o comércio mundial de produtos florestais movimentou US$ 327 bilhões (algo em torno de R$ 588,8 bilhões).

Para saber mais, consulte o site oficial do Ano Internacional das Florestas (sem versão em português). Lá, o consumidor é convidado a divulgar ações que pretende promover no próximo ano em defesa das florestas.

No Brasil


O Brasil abriga 60% dos aproximadamente 5,5 milhões de km² da área total da Floresta Amazônica, a maior do planeta. A mata se estende por mais oito países: Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia é também a maior floresta úmida e com maior biodiversidade.

Dentro do Brasil, ela se estende por nove Estados: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.

Esta riqueza natural, no entanto, tem sido alvo de exploração predatória e ilegal, ameaçando assim o ciclo natural da reprodução dos recursos, bem como a subsistência das comunidades indígenas que habitam a região.

O estudo Quem se beneficia com a destruição da Amazônia, realizado em 2008 por iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, mostrou que as populações urbanas são as que mais se beneficiam dos recursos extraídos da floresta.

O levantamento cita dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apontam o Estado de São Paulo como o principal comprador da madeira extraída legalmente da Amazônia: "os paulistas absorvem 23% (12,7 milhões de metros cúbicos de madeira) do total que se extrai na floresta. A quantidade representa mais do que a soma do volume adquirido pelos dois estados que aparecem em segundo lugar, Paraná e Minas Gerais, ambos com 11%", diz o estudo.

No entanto, apesar dos esforços do poder público, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estimou, em 2008, que o volume de madeira ilegal da Amazônia que abastece o mercado pode chegar a 90% do total consumido no país. A indústria da construção civil, segundo o estudo, é a que mais se beneficia dessa matéria prima.

O título de maior exportador mundial de carne do Brasil também acarreta problemas para as florestas nacionais, já que a expansão das pastagens é um dos principais motivos para a derrubada das matas nativas. De acordo com o levantamento, "entre dezembro de 2003 e o mesmo mês de 2006, apenas 4% dos 10 milhões de novos animais adicionados às fazendas do país não estavam pastando sobre terrenos que um dia já foram floresta". Ou seja, "o crescimento da criação de bois fora da Amazônia é praticamente insignificante" conclui o levantamento.

Outra atividade listada por estar relacionadas ao desmatamento é o cultivo da soja. Na safra de grãos de 2008, a cultura de soja no país ocupou 21,3 milhões de hectares - o que corresponde a 45% de toda a lavoura brasileira de grãos - que também é formada por arroz, feijão e café, entre outros. No entanto, segundo o estudo, "5% da produção de soja brasileira era proveniente de terras localizadas no bioma amazônico". Além disso, os prejuízos aos rios e transtornos à população indígena são outras consequências indesejáveis da ocupação sojeira na Amazônia.

A divulgação desses dados resultou na criação, em 2008, dos pactos empresariais da madeira, da carne e da soja, iniciativa desencadeada por entidades da sociedade civil organizada, visando o combate à degradação da floresta amazônica. Ao assinarem os pactos, as entidades assumem a responsabilidade de não se beneficiar nem comercializar produtos provenientes da exploração predatória da Amazônia, além de adotar ações de combate à exploração ilegal da floresta.

Para saber se determinado produto ou empresa assinou cada um dos pactos, o consumidor pode consultar a lista das empresas e entidades que assinaram os Pactos Setoriais da Madeira, da Soja e da Carne.

Outro problema relacionada à exploração da Amazônia diz respeito à utilização de mão-de-obra escrava. Para se informar se determinado produto envolve o trabalho escravo em sua cadeia produtiva, antes de comprar, o consumidor pode consultar a Lista Suja do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho. A relação lista as empresas e pessoas autuadas por exploração do trabalho escravo.

O Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo, formado por empresas, associações e entidades da sociedade civil, disponibiliza para consulta pública, uma lista das entidades que se comprometeram e não se beneficiar do trabalho escravo.
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FONTE ; Rogério Ferro (AKATU/EcoAgência).

MATA ATLÂNTICA NO PARANÁ : PESQUISA E ECOTURISMO (Parte 1)

Além de viver de pesca, a população de Guaraqueçaba – município paranaense de 8 mil habitantes e com jeito de vila de pescadores –, trabalha em fazendas de palmeira imperial, em órgãos públicos, no comércio e no turismo. No entanto, há quem pratique a extração ilegal de palmito nativo jussara e caça.

Para afastar os moradores das atividades ilícitas, cooperativas têm sido as melhores alternativas. Com apoio do governo do Paraná, a cooperativa de artesãos de Guaraqueçaba, formada, em sua maioria, por mulheres de pescadores, comercializa produtos biossustentáveis, feitos com fibras de banana, cipós, juncos e outros materiais naturais.

As flores de escamas de peixes são o cartão de visita do centro de compras, que conta com 33 cooperados. Mulher de pescador, Rosilda Américo Cunha, 45 anos, quer aprender a função para complementar a renda familiar, apesar de seus seis filhos já terem deixado Guaraqueçaba rumo a Paranaguá e Curitiba em busca de melhores condições para o estudo e para o trabalho:

– Quero ficar. Aqui a gente vive tranquilo, não tem violência, não tem nada. Só vamos para Curitiba em caso de doença.
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 28/12/2010.

MATA ATLÂNTICA NO PARANÁ : PESQUISA E ECOTURISMO (Parte 2)

Pasto de búfalos virou floresta.

O Boticário investe 1% da receita líquida para a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. O objetivo não é a pesquisa para desenvolvimento de novos produtos à base de recursos naturais, como muitos pensam. A ideia inicial do fundador e presidente da empresa, Miguel Krigsner, era plantar uma árvore para cada perfume vendido, plano que se tornou inviável diante da dimensão que a empresa atingiu.

Decidiu-se, então, desenvolver projetos ambientais e promover o reflorestamento. Mais de 80 trabalhos de pesquisadores foram apoiados somente na Reserva do Morato. A fundação mantém também a Reserva Natural Serra do Tombador, em Cavalcante (GO), desde 2007. Ambas são Reservas Particulares do Patrimônio Nacional (RPPN), cujo objetivo é a conservação.

Quando a Fundação O Boticário comprou a área de 980 hectares na comunidade de Morato, em Guaraqueçaba, ela era uma fazenda de búfalos. Hoje, o que era pasto voltou a ser floresta, e o tamanho da reserva deve chegar a 2.340 hectares, assim que algumas compras forem finalizadas. A Reserva do Morato tem alojamento com laboratório para estudantes e pesquisadores, e duas novas espécies de peixes já foram descobertas: a Listruta boticário (tipo de bagre) e a Trichomycterus guaraquessaba. Além da pesquisa, a educação ambiental é promovida com cursos e com o ecoturismo.


Como chegar

Por terra
- Por terra, o percurso de Curitiba até a comunidade do Morato, em Guaraqueçaba, pode ultrapassar três horas de viagem de carro. Pela BR-277, saindo de Curitiba em direção ao litoral norte do Paraná, pegue a PR-408, que passa por Morretes, no km 30. Antes de chegar à cidade de Antonina, entre na PR-440 e siga as placas indicando Guaraqueçaba. Em seguida, pegue a PR-405. Outra opção é ir pela BR-116, partindo de Curitiba em direção a São Paulo, até a estrada da Graciosa (km 60). Em Antonina, entre na PR-440 e, em seguida, na PR-405.

Por mar
- Quem optar por pegar um barco em Paranaguá economiza tempo e admira uma bela paisagem (dá até para ver golfinhos), mas não dinheiro. Em cerca de uma hora, chega-se a Guaraqueçaba. O aluguel de uma lancha com capacidade para mais de 10 pessoas pode sair por até R$ 500. Dá também para embarcar em barcos urbanos, que saem diariamente da frente do Mercado Público de Paranaguá, por R$ 15. Há apenas dois horários, um de ida pela manhã e outro de volta à tarde. Um táxi costuma sair em torno de R$ 100.
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 28/12/2010.

MATA ATLÂNTICA NO PARANÁ : PESQUISA E ECOTURISMO (Parte 3)

Pedacinho da Mata Atlântica no Paraná é reduto de pesquisa e de ecoturismo. Caminhar pela Reserva Natural Salto Morato, no litoral norte do Paraná, faz você encolher diante da grandeza do ecossistema local. Não só por conta da biodiversidade, mas pelo tamanho e pela quantidade de plantas, animais e cascatas, proporcionais ao que representa a Mata Atlântica no país, que chegou a ocupar 16% do território nacional.

Para conservar a porção de menos de 7% que restou, a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza comprou uma fazenda na localidade de Morato, em 1994, e a transformou em um reduto de pesquisa e de ecoturismo. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba concentra o maior remanescente contínuo de floresta atlântica do país. Nas trilhas dessa mata, plantas comuns de jardins, como as samambaias e as bromélias, são capazes de encobri-lo e fazê-lo imaginar-se em algum dos universos de Lewis Carroll (autor de Alice no País das Maravilhas).

Na reserva, há mais de 750 espécies de plantas catalogadas, inclusive a do gênero Lycopodium, do mesmo período dos dinossauros. E são mais de 520 bichos. Uma floresta tropical precisa de muita água: no Salto Morato, uma cascata de cerca de 130 metros de altura rega esse imenso jardim.

Para observar de perto as belezas naturais, o ideal é percorrer as duas trilhas abertas à visitação. São roteiros que podem ser feitos em um dia, mas muita gente prefere estender o passeio por um final de semana, já que a reserva oferece estrutura para camping.

O caminho que leva à cascata é o mais curto e bonito. Naturalmente, é o mais procurado. O percurso de cerca de 1,5 quilômetro é vencido facilmente por causa do terreno plano e do grande número de distrações da natureza, principalmente de pássaros que assinam a trilha sonora. As águas límpidas do Rio Salto formam um aquário natural, onde os turistas podem se banhar e relaxar, pouco antes de avistar a imponente cachoeira.

Macacos, gralhas azuis e quatis vivem no local

A Trilha da Figueira é 300 metros mais extensa do que a do Salto e sua principal atração é uma árvore gigantesca que emoldura um riacho repleto de pedrinhas verdes. No caminho, há um trecho em que é preciso atravessar o Rio Engenho com ajuda de cabos de aço. Não se preocupe: o riacho é raso, e a corda está a poucos metros do chão. Assim como na Trilha do Salto, pinguelas dão charme e emoção ao passeio.

Ao final de outra trilha, a da Onça, há uma árvore tão grande que seria preciso 14 pessoas para abraçá-la por completo. Como o lugar é de mata fechada, o caminho é vetado ao público. Porém, a fundação está analisando a possibilidade de liberá-lo para visitantes. Em outra árvore, ficou a marca das unhas de uma onça-parda. Aliás, avistar o animal, conhecido como puma e leão-baio no Rio Grande do Sul, não é comum na reserva.

Outros bichos exóticos, no entanto, costumam dar as caras, como macacos-prego e bugio, gralhas azuis, quatis e as indesejáveis cobras, como a coral. Para isso, é preciso ter sorte ou a paciência de um pesquisador.
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FONTE : jorn. Babiana Mugnol, Diário Catarinense, 28/12/2010 (A repórter viajou a convite da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza).

PALHOÇA, SC : PROIBIDA A RETIRADA DE AREIA DO RIO CUBATÃO

Prefeitura de Palhoça afirma que extração no local gera dano ambiental e pode provocar enchenteA empresa mineradora Arqueza teve as atividades de extração de areia do Rio Cubatão, em Palhoça, na Grande Florianópolis, suspensas na tarde de ontem. A determinação é do Tribunal de Justiça de SC (TJSC), que atendeu a pedido da prefeitura.

As autoridades municipais temem dano ambiental e desmoronamento das margens do rio, o que estaria colocando em risco famílias que moram na região da Guarda do Cubatão. Um oficial de Justiça comunicou a decisão de suspender as atividades de extração no começo da tarde. A Polícia Militar acompanhou o servidor. Também foram ao local o subprocurador do município e a diretora de Administração Tributária de Palhoça. O vereador Leonel José Pereira (PDT), um dos líderes comunitários do movimento contrário ao funcionamento da empresa no Rio Cubatão, ficou de longe observando.

Uma draga estaria em operação quando da chegada dos servidores, mas a extração foi paralisada em seguida. A empresa não foi lacrada. Os seus representantes, que estavam no local, foram embora e não quiseram conversar com a reportagem.

Num galpão havia uma faixa afirmando que a mineração feita no local é consciente. No portão de entrada, constava que a Arqueza tem guia de utilização do Departamento Nacional de Produção Mineral com vencimento em 24/06/2011 e liberação da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma).

– Há uma situação de irregularidades ambiental e fiscal na atuação da empresa, além da repercussão social que a erosão do rio está causando às famílias da região – disse Ezair Meurer, subprocurador de Palhoça.

O alvará municipal de funcionamento da empresa havia sido cancelado, mas a empresa operava com mandado de segurança. Com a decisão do TJ, manteve-se o cancelamento do alvará. Agora, a empresa deverá ficar sem operar até o julgamento coletivo pelo TJSC ou caso consiga decisão favorável em tribunais superiores.

A extração de areia no Rio Cubatão é alvo de polêmica há cerca de 15 anos. Moradores querem o fim das licenças às mineradores porque a atividade estaria provocando degradação ambiental – o que facilitaria enchentes e poderia causar alagamentos em casas da região.
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FONTE : jorn.DIOGO VARGAS, Diário Catarinense, 28/12/2010.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

HISTÓRIA DOS COSMÉTICOS

Riscos do uso de agrotóxicos são destaque no Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental

O modelo de agricultura baseado no agronegócio, com grande concentração de terras e uso massivo de agrotóxicos, foi um dos temas que mais norteou as discussões do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA). O evento foi realizado de 6 a 10 de dezembro em Belém do Pará, e reuniu, além de pesquisadores, também militantes de movimentos sociais e trabalhadores da área de saúde e meio ambiente. Ao final do encontro, os participantes aprovaram uma moção que vai contra o uso de agrotóxicos na agricultura e cobra a mudança do modelo de cultivo para uma plataforma agroecológica. Outra moção , também aprovada durante o encontro, questiona o processo de revisão da portaria 518/2004 do Ministério da Saúde sobre os procedimentos relativos ao controle e vigilância da água para consumo humano. A moção critica a tentativa de modificação do limite máximo de determinado agrotóxico na água potável e a falta de diálogo com os vários setores ligados à saúde ambiental durante o processo.

"O tema de agrotóxicos foi um dos mais prestigiados do Simpósio, as pessoas procuravam as oficinas e as mesas que tratavam do tema. Isso é também um reflexo da realidade, já que somos o país que mais consome agrotóxicos no mundo", avalia o professor do departamento de saúde coletiva da Universidade de Brasília (Unb) Fernando Carneiro, que também faz parte do GT de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), um dos organizadores do evento. Além do GT saúde e ambiente, também organizaram o Simpósio o Instituto Evandro Chagas e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz. "O Simpósio uniu pesquisadores, professores, organizações sociais e demais militantes da saúde ambiental, o que fez com que saíssem de lá contribuições muito ricas", destaca o professor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Alexandre Pessoa, que participou do encontro, junto com outros quatro representantes da Escola: Maurico Monken, André Burigo, Gladys Miyashiro e Edilene Pereira.

Agrotóxico e saúde


"Os pesquisadores, profissionais e demais militantes da saúde ambiental, presentes neste simpósio, reafirmam o compromisso e a responsabilidade em desenvolver pesquisas, tecnologias, formar quadros, prestar apoio aos órgãos e instituições compromissadas com a promoção da saúde da sociedade brasileira, e com os movimentos sociais no sentido de proteger a saúde e o meio ambiente na promoção de territórios livres dos agrotóxicos, e fomentar a transição agroecológica para a produção e consumo saudável e sustentável", afirma a moção ‘Contra o uso dos agrotóxicos e pela vida', aprovada durante o Simpósio.

Para Alexandre Pessoa, o simpósio mostrou que a academia e os movimentos sociais estão acompanhando sistematicamente os agravos à saúde coletiva decorrentes do uso de venenos. Ele lembra que cerca de 50 trabalhos apresentados traziam como tema os riscos dessa prática à saúde humana e aos ecossistemas. "Ficou claro lá que são o latifúndio e o agronegócio que têm a ganhar com o agrotóxico e que, portanto, temos que isolá-los. O pequeno agricultor só tem a perder e é papel da política pública promover uma saúde ambiental livre dos venenos", afirma o professor.

Tanto em 2008 quanto em 2009, o Brasil foi o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Em um hectare de soja, por exemplo, chega-se a usar 10 litros de agrotóxico. No total, no ano passado, o país consumiu 920 milhões de litros. Os dados são apresentados pelo professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Wanderlei Pignati, um dos palestrantes do Simpósio. "Isso vai levar uma série de prejuízos para a população, como intoxicações agudas, e o grande problema que fica menos visível, que são as intoxicações crônicas - que podem, por exemplo, provocar câncer. Vários agrotóxicos usados aqui no Brasil são cancerígenos e proibidos na União Europeia. Há outros também que causam má formação do feto, permitidos aqui e também proibidos na União Europeia, e ainda outros que causam desregulação endócrina, distúrbios psiquiátricos e neurológicos", alerta.

A moção contra o uso de agrotóxicos pede também que a Abrasco apóie a ‘Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida', que já conta com apoio de outras sociedades científicas, como Associação Latinoamericana de Sociologia Rural.


Glifosato na água


A portaria 518/2004 do Ministério da Saúde regulamenta quais e que quantidades de substâncias podem estar na água para consumo humano. Entre esses elementos, está o agrotóxico glifosato, mais conhecido como Roundup, nome comercial usado pela empresa Monsanto para comercializar o produto. De acordo com o professor Pignati, o glifosato é o agrotóxico mais consumido no Brasil, responsável por 40% da comercialização. Atualmente, na portaria 518 está especificado que a água para consumo humano pode conter até 500 microgramas (ug/L) desse elemento por litro. Entretanto, durante o processo de revisão da portaria, que está em curso, foi feita uma proposta de se elevar esse valor para 900 microgramas por litro (ug/L). A moção aprovada durante o Simpósio questiona a iniciativa. "Iniciado em 2009, o processo de revisão da referida portaria desembocou numa aprovação da minuta, pelo grupo de trabalho ministerial, que, durante as atividades do I SIBSA, concluiu pela possibilidade de permissão de substâncias anteriormente proibidas, como algicidas, bem como pela ampliação dos limites já estabelecidos, a exemplo do glifosato que, de 500 ug/L, passaria a 900 ug/L, na contramão dos princípios da precaução que norteiam a práxis da Saúde Ambiental", afirma o texto.

A moção pede ainda que seja ampliado o prazo da consulta pública para revisão da portaria e também que "seja criada uma comissão de diálogos envolvendo movimentos sociais, academia e órgãos do SUS que atuam na temática, para que seja avaliada e complementada a minuta produzida pelo GT". Para Pignati, o histórico das portarias de potabilidade da água no Brasil revela o quanto a legislação foi "legalizando a poluição". "Quando se analisam as três portarias sobre potabilidade da água feitas no país, a primeira - portaria nº 56/1977 -, a segunda - nº36/1990 - e a terceira - nº 51/2004, é possível ver a legalização da poluição e aonde chegamos com isso. A primeira portaria diz que pode ter na água para consumo humano dez metais pesados, nada de solventes, 12 agrotóxicos e nenhum produto de desinfecção doméstica, com exceção do cloro. Já na segunda portaria, editada 13 anos depois, os metais pesados passaram para 11, os solventes para sete, os agrotóxicos para 13 e os produtos de desinfecção passaram para dois. E na última portaria, os metais pesados já passaram para 13, os solventes para 13, os agrotóxicos para 22, e os produtos de desinfecção para seis. Então, vão poluindo, aumentando o uso de agrotóxico, de metais, de solventes, de desinfetantes e isso começa a ser permitido na água. Hoje, em um litro de água que nós estamos bebendo, pode-se ter esse volume todo de coisas. Então, é preciso fazer uma discussão no Brasil e no mundo sobre que tipo de água nós queremos. Será que isso é mesmo água?", questiona.


Práxis
O I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental contou com a participação de cerca de mil participantes, que afirmaram na carta final do evento - a carta de Belém - o compromisso com uma ciência cidadã, na qual se valorizem os processos coletivos de produção de conhecimento. Para André Burigo, também presente no evento, ainda que essa consciência precise avançar, muitos pesquisadores do campo da saúde ambiental têm apresentado um compromisso com esses princípios. "Foi manifestado durante o Simpósio que o papel do cientista comprometido com a agenda da saúde ambiental é o de fazer uma ciência que contribua para dar visibilidade às populações que não têm voz e têm sofrido os grandes impactos desse modelo de desenvolvimento econômico -, principalmente comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária", comenta.
Para o professor Fernando Carneiro, um grande desafio é fazer com que os pesquisadores se aproximem mais da análise da realidade de vida das pessoas. "Ao mesmo tempo em que no campo da saúde ambiental há estudos que privilegiam uma terminologia clássica muito ligada a uma toxicologia dura, que tem seu papel e sua importância, muitas vezes esses estudos não conseguem desnudar as injustiças ambientais, as desigualdades. As abordagens são muito reducionistas e não é feita uma análise mais integrada de como se dá o trabalho das pessoas, onde elas vivem e quais são suas culturas", diz.

Um exemplo de como a ciência pode estar próxima e contribuir para solucionar os problemas das populações foi exposto durante o simpósio. A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Raquel Rigotto, também membro do GT de Saúde e Ambiente da Abrasco, contou a experiência do núcleo de pesquisa Tramas - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a sustentabilidade - coordenado por ela. Há cerca de quatro anos, o grupo acompanha os problemas da população da região do baixo Jaguaribe, no Ceará. A professora explica que o campo de pesquisa é uma região de expansão recente da fruticultura irrigada para exportação, baseada na monocultura e no modelo químico-dependente, com padrão muito forte de exploração da força de trabalho e de degradação ambiental. "Quando chegamos lá, a comunidade do Tomé nos falou de um problema que era a pulverização aérea de agrotóxicos, especificamente no cultivo da banana, com fungicidas que são muito tóxicos e persistentes no meio ambiente. E essa pulverização atingia também as comunidades, já que as empresas foram instaladas justamente onde já havia muitas comunidades há muitos anos. Eles fizeram relatos de que as roupas que eles lavavam ficavam com cheiro de veneno no varal, que galinhas morriam e crianças passavam mal. E como estávamos fazendo um modelo de pesquisa que tenta dialogar com as comunidades e respeitar os saberes e as necessidades de conhecimento delas, nós incorporamos a pulverização aérea em nosso estudo e fizemos um acompanhamento dela durante dois anos", relata.
O acompanhamento foi feito durante os anos de 2008 e 2009, e durante esse período o grupo conseguiu informações que confirmaram as preocupações da comunidade. Amostras de água foram colhidas e, nelas, verificadas contaminação pelo mesmo veneno pulverizado e também por outras substâncias. A professora conta que os dados foram apresentados em um seminário na Universidade Estadual do Ceará no município sede da região, Limoeiro do norte. "As comunidades se mobilizaram muito para conseguir proibir a pulverização e, em novembro de 2009, uma lei municipal da Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte proibiu a pulverização aérea. Essa proibição tem uma importância muito grande porque a União Europeia também tinha proibido há dez meses a pulverização aérea", detalha.

Diante da lei municipal, as empresas reagiram fortemente dizendo que isso inviabilizaria a continuidade do cultivo no local. Na ocasião, uma audiência pública foi realizada na Câmara de Vereadores, quando diversas organizações e movimentos sociais referendaram a necessidade da proibição da pulverização e novos dados da pesquisa foram apresentados. "As empresas também tiveram voz e falaram que elas teriam um prejuízo de R$ 22 milhões caso a pulverização não fosse realizada. E nós questionamos o que são R$ 22 milhões para investidores diante da saúde de uma enorme população. Foi um momento de muito embate, um auditório com mais de 300 pessoas, durante sete horas", lembra Raquel. Poucos dias depois, em uma sessão realizada, segundo Raquel, "às escondidas", a Câmara de Vereadores de Limoeiro revogou a lei anterior e a pulverização aérea voltou a ser permitida na região. Atualmente o movimento social segue mobilizado e todos os dias 21, data em que José Maria - um dos ativistas do movimento organizado contra a pulverização, que foi assassinado -, a população faz manifestações. "Nós apresentamos isso no Simpósio, como grupo de pesquisa que busca ter uma prática científica comprometida com os processos históricos em curso nos locais onde a pesquisa está inserida. Aí existe todo um cuidado que vai desde a forma como nós definimos o objeto de estudo, como compomos a equipe de pesquisa, como definimos progressivamente, dinamicamente a metodologia de estudos, podendo inserir aí essas preocupações, esses saberes trazidos pelas comunidades, pelos sujeitos atingidos pelo problema que está sendo estudado", aponta Raquel.
A professora explica que outra preocupação é criar um processo de comunicação que também busque, mesmo antes da finalização da investigação, beneficiar o sujeito da pesquisa com alguns resultados, ainda que parciais, como recomenda o código de ética de pesquisa em saúde, em resolução do Conselho Nacional de Saúde. "Percebemos o quanto essa pesquisa foi enriquecida por estabelecer uma relação profunda de confiança, de respeito e de troca com os movimentos sociais e com as comunidades locais. Isso mostra uma possibilidade de acesso ao real vivido muito maior do que quando a pesquisa se coloca de forma distanciada", observa. A apresentação da experiência do núcleo Tramas durante o Simpósio foi aplaudida de pé. "Isso significou muito para nós. Estamos buscando, de uma forma muito humilde, tímida, dar passos no sentido de uma práxis e no sentido do que temos conversado nos ambientes acadêmicos sobre a ecologia dos saberes, a interdisciplinaridade. E se estamos ousando fazer isso, muitas vezes com muita insegurança, nós recebemos neste simpósio um referendo da comunidade acadêmica e científica de que este caminho é válido, é relevante e que é importante continuar tentando", destaca.
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FONTE : FIOCRUZ, Rio de Janeiro. (http://www.epsjv.fiocruz.br/index.php?Area=Noticia&Num=452).

“Desta vez não haverá Arca de Noé”

A tarefa coletiva da humanidade é buscar o equilíbrio com a natureza. Cada um tem de fazer sua parte, ser mais com menos. O problema não é o dinheiro, afirma nesta entrevista exclusiva o escritor e teólogo brasileiro Leonardo Boff.

“O mercado não resolverá a crise ambiental” afirma o teólogo e ecologista Leonardo Boff, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A solução, insiste, está na ética e na luta dos povos originários para mudar a relação com a natureza. Boff, que ensina ética, filosofia da religião e ecologia, é um dos principais representantes da Teologia da Libertação, corrente progressista da Igreja Católica na América Latina, escreveu mais de 60 livros e dedicou os últimos 20 anos a promover o movimento verde.

Foi um dos 23 incentivadores da Carta da Terra em 2000 e, um ano depois, recebeu o Right Livelihood Award, conhecido como Prêmio Nobel Alternativo, concedido a personalidades destacadas na busca de soluções para os problemas globais mais urgentes. “Se não mudarmos, vamos ao encontro do pior... Ou nos salvamos ou pereceremos todos”, disse Boff em uma entrevista concedida ao Terramérica na capital mexicana, após assistir como observador a 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada este mês em Cancún.

Terramérica: Como avalia a COP 16?

Leonardo Boff: O que predominou, salvo nos últimos dois dias, foi um clima de decepção, de fracasso. No entanto, surpreendentemente, houve três convergências: o compromisso de lutar para a temperatura mundial não subir dois graus, a criação do Fundo Climático Verde de US$ 30 bilhões (para 2012) a fim de ajudar os países mais vulneráveis, um sinal de solidariedade interessante, e a criação de um grande fundo para a redução do desmatamento e da degradação das florestas, porque aí está a causa principal do aquecimento global.

Terramérica: Como entender a posição da Bolívia, único país que não aceitou esses compromissos?

LB: A Bolívia parte da tese de que a Terra é Pachamama, um organismo vivo que deve ser respeitado, cuidado, e não apenas explorado. É uma visão contrária à dominante, que está no contexto da economia: vender bônus de carbono, por exemplo, que significa ter direito de contaminar. As sociedades dominantes veem a Terra como um baú de recursos que podem ser usados infinitamente, embora seja preciso fazer isso com sustentabilidade, porque são escassos. Não reconhecem dignidade e direito aos seres da natureza, os veem como meios de produção e sua relação é de utilidade. Estes são temas que não entram em Cancún, nem em nenhuma COP.

Terramérica: Por que teriam que entrar?

LB: Porque o sistema que criou o problema não vai nos tirar dele. Se cada país tem de crescer um pouco ao ano e ao fazê-lo degrada a natureza e aumenta o aquecimento, então este sistema é hostil à vida.

Terramérica: O argumento é que é necessário para o desenvolvimento...

LB: O que significa crescer? Explorar a natureza? Exatamente este tipo de crescimento e desenvolvimento pode nos levar a um abismo, porque os seres humanos estão consumindo 30% mais do que a Terra pode repor. Aí está um ciclo vicioso. A China não pode contaminar 30%, como faz, porque a poluição não fica só a China e entra no sistema global. O problema é a relação do ser humano com a Terra, porque é violenta, de punho fechado... Enquanto não mudarmos isso, vamos ao encontro do pior. E desta vez não há uma Arca de Noé. Nos salvamos ou perecemos todos.

Terramérica: É tão grave?

LB: Há regiões do mundo que mudaram tanto que já são inabitáveis. Por isto, há 60 milhões de refugiados na África e no sudeste da Ásia, que são os mais afetados e os que menos contaminam. Se não pararmos isso, nos próximos cinco ou sete anos serão cem milhões de refugiados climáticos, e isso vai criar um problema político.

Terramérica: Qual o papel da América Latina?

LB: É a região que mais possibilidade tem de uma contribuição positiva para a crise ecológica: tem as maiores florestas úmidas e reservatórios de água, a maior biodiversidade e, talvez, as maiores áreas para colheitas. Porém, ainda há uma insuficiente consciência ecológica em grande parte da população. E, por outro lado, existe uma invasão muito perigosa de grandes empresas que estão se apropriando de vastas regiões. É uma apropriação de bens comuns em função de benefícios particulares. No Brasil, Chile, Argentina e Venezuela, aos poucos, se dão conta do novo jogo do capital: uma grande concentração de meios de vida para garantir o futuro do sistema.

Terramérica: Quais as opções?

LB: Temos dinheiro e tecnologia. Falta vontade política e a sensibilidade com a natureza e a humanidade que sofre. Isto deve ser resgatado. E, junto com a ética do cuidado, segue a ética da cooperação. Agora se impõe a cooperação de todos com todos.

Terramérica: É possível? O que deve ser feito?

LB: Existem movimentos, especialmente em grupos que veem como suas terras são divididas, como a Via Camponesa e os Sem-Terra do Brasil. E os indígenas, que não veem a Terra apenas como um instrumento de produção, mas como uma extensão de seu corpo, e dela necessitam para garantir sua identidade. Estamos buscando o equilíbrio e esta é a tarefa coletiva da humanidade que o mercado e a economia não vão resolver. Cada um tem de fazer sua parte, ser mais com menos, ter um senso da justa medida. O problema não é de dinheiro.

LINKS

Decisões climáticas difíceis ficam para depois
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=84684&edt=33

Um drama que não entendemos
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3678

Combustíveis fósseis impunes em Cancun
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3671

O longo exílio da Terra
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3246

Às vésperas do Apocalipse?
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1832

Uma nova ética planetária
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=535

A Terra tem direitos?
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=70677&edt=

Clima: Cada vez mais quente – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/cclimatico/index.asp

Entrevistas cara a cara – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/entrevistas/index.asp

Site oficial de Leonardo Boff, em português, espanhol e inglês
http://www.leonardoboff.com/

Via Camponesa, em espanhol, inglês e francês
http://viacampesina.org/sp/
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FONTE : Daniela Pastrana (Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde).(Envolverde/Terramérica).

Novas medidas fitossanitárias

Os problemas fitossanitários podem se transformar drasticamente nas próximas décadas em razão da mudança climática. Um projeto brasileiro dedica-se a investigá-los e oferecer soluções.

A agricultura, já afetada por secas, calor excessivo e eventos meteorológicos extremos, deve se preparar para as novidades que o aquecimento global trará em matéria de pragas e doenças. No Brasil, o projeto Impacto da Mudança Climática Global sobre Problemas Fitossanitários (Climapest) reúne 134 pesquisadores de 37 instituições, dedicados a avaliar possíveis efeitos e riscos futuros e a orientar políticas e alternativas de adaptação para esta potência agrícola sul-americana e mundial.

As mudanças “não necessariamente agravam as doenças” agrícolas. O aumento da temperatura ou do gás carbônico pode favorecer, ou não, a proliferação de certos micro-organismos, mas é importante prever cenários futuros, já que “gerar soluções exige tempo”, explicou Raquel Ghini, líder do projeto. Os pequenos problemas de hoje podem se converter em causa de grandes perdas nas futuras condições, disse ao Terramérica Raquel, agrônoma e fitopatologista do Centro de Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Os fungos, vírus e outros agentes de danos agrícolas estão entre os organismos que reagem com maior rapidez às mudanças, por seu curto ciclo de vida e sua capacidade de multiplicar-se em grande velocidade. O Climapest começou em janeiro de 2009 e tem prazo de quatro anos para estudar 85 problemas fitossanitários de 16 cultivos, entre eles produtos de grande exportação, como café, soja, frutas (banana, maçã e uva), e palma africana e rícino, que começam a ganhar importância como matéria-prima do biodiesel.

Os aspectos a serem avaliados são os efeitos do aumento do dióxido de carbono atmosférico, da temperatura e da radiação ultravioleta B sobre micro-organismos, doenças, pragas e espécies invasoras. A futura distribuição geográfica e temporal destes inimigos da produtividade agrícola é outro objeto das pesquisas. Por exemplo, as áreas com tendência à doença que mais afeta o rendimento da banana diminuirão de forma gradual no Brasil – especialmente na hipótese mais pessimista de aumento dos gases-estufa –, disse Raquel. Isto porque haverá menos umidade, necessária para o fungo que a provoca, a sigatoka negra (Mycosphaerella fijiensis), explicou.

Por outro lado, o nematóide Meloidogyne incognita e outra praga conhecida como bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) se tornarão mais daninhos para o café, porque o aumento da temperatura fará com que tenham gerações mais curtas e, portanto, uma infestação mais intensa. O projeto está elaborando mapas que indicam a evolução geográfica dos inimigos de cada cultivo, segundo os melhores e piores cenários climáticos traçados para 2020, 2050 e 2080, a partir dos cinco modelos globais do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC).

Para o final de 2012, o Climapest espera dispor de um conjunto de mapas e informações sistematizadas sobre riscos fitossanitários, para orientar estratégias de tomada de decisão dos diferentes setores, afirmou Emília Hamada, vice-líder do projeto e encarregada de cenários futuros. Estes materiais são importantes também para “dirigir pesquisas complementares” e para o melhoramento genético destinado a gerar resistência às pragas e doenças mais graves, disse ao Terramérica Emília, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

Investigar, “um por um”, os principais problemas fitossanitários de cada cultivo e sua evolução de acordo com as hipóteses climáticas tem sua complexidade. Em geral, a temperatura em aumento favorece as pragas, mas pode haver “exceções se determinado limite é ultrapassado”, observou Emília. No caso do curuquerê (Alabama argillacea), uma praga que ataca o algodão, ainda se estuda como reage ao aquecimento, se este acelera, ou não, seus ciclos vitais e, portanto, sua reprodução, afirmou.

A resposta às migrações e modificações das pragas, doenças e espécies invasoras será recorrer em primeira instância aos agroquímicos, porque são os produtos disponíveis, mas “no longo prazo” deve-se desenvolver o controle biológico, que faz parte da “nova cultura” e da tendência ambiental, reconheceu Raquel. Às vezes, consegue-se soluções criativas de “controle alternativo”, como o uso de leite diluído em água contra o oídio, uma praga provocada pelo fungo Sphaerotheca fugilinea. É um método “mais barato do que os fungicidas, com a vantagem de não gerar resistência”, destacou.

O fungo é vulnerável aos micro-organismos presentes no leite de vaca, e basta uma mistura de 5% com 95% de água para evitar a enfermidade que branqueia as folhas da videira, das leguminosas e de várias hortaliças, enfraquecendo as plantas por reduzir sua capacidade de fotossíntese, explicou Raquel. O oídio é “a enfermidade da mudança climática”: se espalha com o aumento da temperatura e a menor umidade das folhas, mas encontrou um antídoto muito barato e de fácil acesso, que já foi adotado em vários países. Além disso, como não tem patente, seu uso é livre.

A questão do clima é uma prioridade da Embrapa, um sistema de 42 centros de pesquisa distribuídos pelo Brasil que, em seus 37 anos de existência, contribuiu de forma decisiva para o rendimento deste país que é um gigante agropecuário, abrindo fronteiras para cultivos antes considerados inadequados ao clima tropical, como a soja. Contudo, em suas pesquisas falta estudar o papel dos agrotóxicos na expansão e proliferação das pragas, ao fomentar a resistência de fungos e outros micro-organismos aos mesmos venenos químicos, disse Jean Marc, coordenador da organização não governamental Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa.

Os efeitos do clima alterado se apresentam em uma “natureza com desequilíbrios provocados pelos agrotóxicos” que retroalimentam problemas fitossanitários, tratados, por sua vez, “com mais agrotóxico”, explicou ao Terramérica o economista e defensor da agroecologia Jean Marc. O mesmo controle biológico desenvolvido pela Embrapa, embora bem-vindo, “tem o vício de tornar-se um agrotóxico limpo”, ao introduzir novos micro-organismos na natureza, alertou Jean Marc. “A melhor prevenção é manter o equilíbrio natural, que reduz riscos e danos”, concluiu.

LINKS

Praga bíblica assola a África
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1451

Mariposas peludas invadem norte venezuelano
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1384

De praga a matéria-prima artesanal
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1723

A guerra da banana contra os fungos, em espanhol
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=esp&idnews=1961&olt=253

Clima: Cada vez mais quente – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/cclimatico/index.asp

Projeto Climapest, em português e inglês
http://www.macroprograma1.cnptia.embrapa.br/climapest

Centro de Meio Ambiente da Embrapa, em português e inglês
http://www.cnpma.embrapa.br/

IPCC, em inglês, espanhol, francês e outros
http://www.ipcc.ch/

Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
http://www.aspta.org.br
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FONTE : Mario Osava (Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde).(Envolverde/Terramérica).

domingo, 26 de dezembro de 2010

MPF/SP pede indenização por morte e maus-tratos a animais silvestres

O Ministério Público Federal em São Paulo (MFP/SP) propôs ação civil pública de responsabilidade por danos ambientais em virtude de morte e maus-tratos de mais de dois mil animais silvestres abrigados pelo Centro de Estudos e Manejo de Animais Silvestres (Cemas), entre os anos de 2003 e 2004. Pleiteia-se indenização, destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, em valor a ser arbitrado judicialmente, por danos materiais e morais causados ao meio ambiente.

A ação pede a responsabilização conjunta de dois coordenadores do Cemas, da Fundação para Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo, órgão a quem o Cemas estava subordinado administrativamente, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a quem cabia a fiscalização da atividade.

A atuação do Cemas começou a ser investigada pelo MPF em outubro de 2004, a partir de uma denúncia. “Havia no Centro um surto de 'clamydia', 'coccídia' e 'giardia', e os animais não estavam sendo devidamente medicados, sendo que muitos já teriam morrido devido a doenças. Além disso, foi informada a existência de um esgoto a céu aberto, sem qualquer espécie de tratamento”, relatam as procuradoras Rosane Cima Campiotto e Ana Cristina Bandeira Lins, que assinam a ação.

Em outubro de 2004, logo após a demissão dos coordenadores do Cemas – apontados na ação como “negligentes no trato com os animais” - foi apresentado um Relatório de Diagnóstico Técnico de Vistoria do Ibama ao Cemas, com inúmeras irregularidades na estrutura física do órgão, o que colocava em risco a vida dos 660 animais ali existentes, distribuídos em 87 espécies diferentes, das quais dez estavam incluídas na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção e 22 estavam na Lista de Espécies Ameaçadas do Estado de São Paulo.

Também foram encontrados 1.549 animais mortos, distribuídos em pelo menos 121 espécies diferentes, das quais nove constavam da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção e 20 estavam na Lista de Espécies Ameaçadas do Estado de São Paulo. Nas geladeiras e freezers onde os animais mortos eram acondicionados, havia animais em pacotes coletivos ou sem qualquer invólucro. Além disso, a inadequada temperatura da geladeira dificultava a conservação das carcaças, de forma que algumas se encontravam em estado de putrefação.

Melhoras – Após as denúncias, a Fundação Florestal adotou medidas para solucionar o problema e já em 2005 relatórios apresentavam “significativa melhora no tratamento dos animais”, então sob o comando de uma nova coordenação do Cemas.

Ação civil pública nº 0023974-31.2010.4.03.6100, distribuída à 14ª Vara Federal Cível
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FONTE : MFP-SP/EcoAgência

Agropecuária é condenada a pagar R$ 150 mil por dano ambiental

O TJMG considerou o princípio do poluidor-pagador, segundo o qual quem explora atividade potencialmente poluidora tem o dever de reparar os danos decorrentes dessa atividade.

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação de uma fazenda agropecuária mineira pelo uso de agrotóxico ilegal. O Furadan teria provocado a morte de centenas de pássaros na região, fazendo com que o Ministério Público estadual propusesse ação civil pública por dano ambiental contra a empresa. Na ação, a agropecuária foi condenada ao pagamento de indenização no valor de R$ 150 mil pela morte de 1.300 pássaros da fauna silvestre.

A condenação da agropecuária foi determinada em primeira instância e mantida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em seu acórdão, o tribunal afirmou que a responsabilidade por dano ambiental é objetiva e implica prejuízo a toda a coletividade. O TJMG considerou o princípio do poluidor-pagador, segundo o qual quem explora atividade potencialmente poluidora tem o dever de reparar os danos decorrentes dessa atividade.

No recurso ao TJMG, a agropecuária tentou reverter a decisão, alegando que houve falta de fundamentação da petição inicial, que não delimitou a responsabilidade da empresa nem o valor do dano a ser reparado. A fazenda ainda tentou descaracterizar o episódio como dano ambiental, além de argumentar que teriam morrido 300 aves, sem haver comprometimento do meio ambiente.

Como o pedido de apelação não foi aceito, a agropecuária ingressou com recurso especial no STJ. Apontou que o Ministério Público teria restringido a ação ao meio ambiente local, mas que a sentença extrapolou esse pedido, ao condená-la pela morte de pássaros de várias espécies em região muito ampla. Também se manifestou pela necessidade de perito para que o juiz pudesse quantificar o valor da condenação. Além disso, pedia a revisão do valor para que fosse revertida na compra dos pássaros.

Para a Segunda Turma, a decisão do TJMG não foi omissa ou obscura. Segundo o relator, ministro Castro Meira, a decisão, mesmo não fazendo referência ao temo “local”, apontou a existência de dano ao meio ambiente causado pela atividade da agropecuária. “O entendimento contrário implicaria compartimentar o meio ambiente em áreas estanques, possibilitando que, eventualmente, uma redação imprecisa na petição inicial viesse a inviabilizar o cumprimento do ditame constitucional de garantia fundamental de gozo de um meio ambiente equilibrado”, diz em seu voto.

Em relação à possível irregularidade na fixação do valor da indenização pelo juiz de primeiro grau, a Turma rejeitou essa tese. Segundo os ministros, o magistrado poderia fixar o valor com base nos elementos do processo e seguindo os critérios da Lei n. 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais).

O ministro Castro Meira afirmou que a punição pelo dano ambiental tem natureza educativa e o intuito de evitar a repetição da falha. Sobre a revisão da indenização, a Turma julgou não ser possível considerar apenas o valor unitário de cada pássaro. “A mensuração do dano ecológico não se exaure na simples composição numérica dos animais mortos, devendo-se também considerar os nefastos efeitos decorrentes do desequilíbrio ecológico decorrente da ação praticada”, explicou o ministro Castro Meira.
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FONTE : Superior Tribunal de Justiça (STJ/EcoAgência).

A ilha do tesouro exposta a piratas

O sucesso de pesquisadores da Jamaica no aproveitamento de plantas nativas para uso medicinal colocou sobre a mesa a insuficiência de leis locais para proteger a rica diversidade biológica da ilha. Dois dias depois de o zoólogo Laurence Williams, anunciar uma patente internacional para um composto anticancerígeno derivado da erva guiné (Petiveria alliacea), outro cientista local, Henry Lowe, informou que fará testes clínicos com um composto extraído de um musgo jamaicano também com propriedades contra o câncer.

São apenas duas das 334 plantas desse país pesquisadas por suas propriedades medicinais. Laurence, do governamental Centro de Pesquisa Científica (SRC), descobriu um complexo de proteínas – dibensyl triulphide – com capacidade de matar vários tipos de câncer, incluindo o melanoma, de pulmão e de mama, disse à IPS.

Os iminentes testes clínicos de um nutracêutico (alimento ou composto benéfico para a saúde humana) gerado a partir de um musgo conhecido como barba-de-velho (Tillandsia recurvata), para tratar câncer de próstata, foram recebidos com entusiasmo e algum ceticismo. Por trás da iniciativa está Henry, um bioquímico jamaicano, e outro pesquisador, Joseph Bryant.

Até agora, a planta é relacionada pela maioria dos jamaicanos como um parasita, que invade árvores e afeta cabos de eletricidade. Muitos pensam que estas plantas nativas podem produzir compostos de alta qualidade medicinal ou nutracêuticos, muito similares ao café, coco, gengibre e pimenta jamaicana.

“Não há nada para proteger as plantas. Não temos Lista Vermelha”, disse à IPS o biólogo Andreas Oberli, referindo-se à falta de informação recente para a lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A Autoridade para a Conservação dos Recursos Naturais da Jamaica e as leis de proteção da vida silvestre, que regem a preservação dos recursos biológicos da ilha, quase não falam de espécies de plantas.

Somente as plantas que no passado foram incluídas pela UICN estão cobertas, e a flora das terras privadas não se beneficia da limitada proteção das leis. O resultado, segundo Andreas, é que “muitos dos tesouros biológicos da ilha estão sendo perdidos, especialmente nas áreas costeiras onde as florestas virgens e as cavernas estão sendo destruídas para construção de hoteis”. No interior, os agricultores destroem as florestas, afirmou.

A rica diversidade biológica da Jamaica coloca este país em quinto lugar no mundo em termos de endemismo, isto é, exclusividade de determinadas espécies em um determinado espaço geográfico. Entretanto, estão catalogadas apenas 200 das mais de 3.300 espécies de plantas com flores. Segundo a Agência Nacional de Meio Ambiente e Planejamento (Nepa), encarregada de preservar a biodiversidade da ilha, aproximadamente 923 das plantas conhecidas no mundo estão presentes apenas na Jamaica.

No contexto da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), a Nepa só outorga permissões a equipes de pesquisadores que tenham um especialista jamaicano. A Agência também exige que as mostras utilizadas sejam conservadas no Instituto da Jamaica, explicou o zoólogo Karl Aiken, da Universidade das Índias Ocidentais (UWI).

Com a quantidade de espécies de plantas ainda desconhecidas e com as novas variedades que são descobertas a cada dia, os cientistas locais dizem que o valor da diversidade biológica da ilha é infinitamente ignorado. Muitos estão interessados em realizar avaliações econômicas dos setores com altos níveis de endemismo, mas até agora apenas limitados projetos seguiram esse caminho.

Andreas está preocupado porque a grande biodiversidade da Jamaica não está sendo desenvolvida, e perde-se antes que possa ser registrada ou descoberta. Ele descreveu as reservas naturais declaradas pelo governo como “parques de papel”. Um exemplo é a protegida península Palisadores, onde uma estrada está sendo construída no único hábitat conhecido de um raro cacto endêmico.

As pesquisas relacionadas a medicamentos na Jamaica frequentemente derivam de remédios tradicionais, como a Cannabis sativa (maconha), que, afirma-se, melhora a visão dos pescadores ou é usada por avós para aliviar a asma em crianças. Também uma variedade de melão-de-São-Caetano (Momordica charantia), usada há muito tempo para tratar diabete e curar dor de estômago, entre outros males. A árvore da fruta-pão serve para tratar hipertensão.

A pesquisa com plantas na Jamaica remonta a 129 anos, mas a pesquisa de produtos naturais começou em 1948 com a fundação da UWI. Desde então, os cientistas testaram o conhecimento dos curandeiros locais, estudando o valor medicinal de centenas de espécies e testando 193, incluindo 31 endêmicas por seus componentes bioativos e químicos que permanecem estáveis durante o processo. O Grupo UWI informou que cerca de um quarto das plantas endêmicas examinadas possuíam componentes bioativos.

Em 1987, o professor de farmacologia Manley West e seu companheiro, o oftalmologista Alfred Lockhart, desenvolveram com sucesso o Canasol, para tratamento de glaucoma, o Asmasol, para asma bronquial, e o Canavert para enjoo. Todos derivados de variedades de Cannabis sativa cultivadas localmente, conhecidas como ganja. Em 2008, a dupla novamente teve sucesso com outro remédio derivado da cannabis, o Centimal, também para tratar glaucoma.

Com a criação de outras universidades locais, e agora do Instituto de Pesquisa Biotecnológica e Desenvolvimento, uma colaboração entre as três universidades mais antigas (UWI, Universidade de Tecnologia e Universidade do Norte do Caribe - NCU) junto com o SRC, conseguiu-se mais êxitos ainda. Na NCU, cientistas pesquisam as propriedades do hibisco (Hibiscus sabdariffa) para combater o câncer, conhecido também como flor da Jamaica e usado para elaborar a tradicional bebida de Natal deste país.

Cultivada em três variedades, a produção de hibisco fornece um composto que, segundo os pesquisadores, permitiria grandes avanços no tratamento do câncer de pulmão e fígado. A NCU também descobriu que o alho faz as células cancerígenas de pulmão e fígado diminuírem e eventualmente morrerem.

Pesquisadores da UWI estudam os efeitos de ervas locais em doenças como hipertensão, diabete e glaucoma. As taxas de câncer de próstata e diabetes na Jamaica estão entre as mais altas do mundo. O problema que os cientistas jamaicanos enfrentam agora “é estar diante da competição”, disse Henry no dia 2, durante o lançamento de uma nova entidade de pesquisa na ilha.

Ao batizar as plantas de onde são extraídos os compostos, Henry e outros estão preocupados porque grandes companhias produzirão versões comerciais antes deles. Por exemplo, a vincapervinca foi tradicionalmente usada para tratar diabete durante muitos anos, até que os cientistas locais isolaram um composto para tratar câncer. Seu trabalho foi usado para desenvolver os atuais medicamentos líderes no mundo contra leucemia (Vinblastine e Vincristine), sem o reconhecimento da propriedade intelectual jamaicana.

Apesar dos desafios decorrentes da limitação de recursos, dos altos valores das patentes e inadequada proteção dos recursos biológicos, os pesquisadores estão tomando a dianteira e esperando que a legislação se modernize.
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FONTE : Zadie Neufville, da IPS (Envolverde/IPS)
* Este artigo é parte de uma série de reportagens sobre biodiversidade produzida por IPS, CGIAR/Bioversity International, IFEJ e Pnuma/CDB, membros da Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (http://www.complusalliance.org).

Farra do boi causa confronto entre policiais e farristas e termina com 12 presos em Florianópolis

Participantes teriam colocado fogo em pneus para dificultar trabalho da PM.


Uma farra do boi na noite de sábado provocou confronto em policiais e farristas na Costa da Lagoa, em Florianópolis. A Polícia Militar (PM) foi ao local por volta de 23h50min e encontrou os farristas e o animal solto.

Ao perceberem a chegada dos policiais, os participantes da farra teriam colocado fogo em pneus. Durante a perseguição, o boi atingiu a viatura da polícia, causando danos. A confusão terminou por volta de 1h30min, com 12 pessoas presas. Elas foram encaminhadas para a 10º Delegacia de Polícia. O animal foi apreendido e levado por um guincho.

Outra farra do boi foi registrada na madrugada de domingo, na rua deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal, em Florianópolis. Os policiais militares foram chamados à 0h54min por moradores e precisaram atirar para o alto para dispersar os participantes. A situação foi controlada cerca de duas horas depois. Ninguém foi preso, e o animal foi levado para um local seguro.

Rio Vermelho

Nesta manhã, por volta de 10h, a PM também recebeu denúncia de farra do boi no bairro Rio Vermelho. O animal teria sido solto no mato, na Estrada Geral, onde estaria reunido um grupo de cerca de 20 pessoas. Os policiais foram ao local, mas não encontraram farristas.
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 26/12/2010.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A água invisível

“As futuras gerações nos lembrarão e abençoarão por nosso clarividente patriotismo e sobre nós será dito, como há muito tempo disse Isaías: eles fizeram um caminho na terra virgem e rios no deserto” (primeiro-ministro John Forrest, 1903) (1). A abertura da tubulação de água Kalgoorie Goldfields, na Austrália Ocidental, em 1903, foi, então, um acontecimento para ser comemorado. Esse triunfo da engenharia, de 557 quilômetros de comprimento, fornecia água de rios represados e de bacias hidrográficas nos arredores de Perth à mineração e à população, por meio de uma infraestrutura realizada como se fosse arte.

Pode-se, talvez, compreender a poética confiança do primeiro-ministro Forrest na capacidade da engenharia e da indústria para criar rios no deserto. A mesma confiança levou engenheiros como Sir Arthur Cotton a supervisionarem projetos na Índia e no Paquistão, que em 1974 deixaram uma herança de cem mil quilômetros de canais criados para desviar água para irrigação.

Agora, 40 mil hectares de terras de cultivo arruinadas pelo sal são abandonadas anualmente no Paquistão, e o Rio Murria, na Austrália, luta para chegar ao mar (2). Hoje, nos damos conta da destrutiva ingenuidade desses primeiros defensores da indústria. O que permitiu essa mudança na percepção foi a entrada do problema da água na consciência social, a compreensão sobre a fragilidade e a situação crítica dos sistemas hidrológicos. Entretanto, esta mudança na consciência ainda não foi suficientemente longe. Qualquer um que use torneiras e banheiros compreende isso.

Elizabeth Shove, destacada socióloga britânica, propõe uma evolução conjunta tanto dos objetos (como torneiras e acessórios de banheiro) e sistemas vinculados ao uso da água quanto dos hábitos dos usuários (3). A pura comodidade de usar uma torneira e a eficiência de nosso serviço local criam a ilusão de que a água é inesgotável. Só quando não sai água da torneira, quando sai de cor marrom ou quando o banheiro entope, então a água entra em nossa consciência.

A este respeito, as empresas não são diferentes das pessoas. No meio empresarial a consciência sobre os recursos locais de água está recém-nascendo em algumas das maiores empresas. Porém, na medida em que se faz mais destacada a tensão do tema e as empresas devem competir com outros usuários dos recursos locais de água, esta começa a penetrar na consciência empresarial.

Nas próximas duas décadas, prevê o 2030 Water Resources Group, o fornecimento local de água atenderá apenas 75% da demanda na China e 50% da demanda na Índia (4). Isso colocará as empresas que fazem uso intensivo de água, como a unidade da Intel Corp. na China e as unidades de engarrafamento da Coca-Cola Co., em direta competição com os 1,6 bilhão de pessoas já em dificuldade com o abastecimento de água nessas regiões.

A novidade do problema da água para algumas companhias e a falta de dados sobre como lidam com ele inspiraram a criação do novo programa do Carbon Disclosure Project, o chamado CDP Water Disclosure, que este ano distribuiu um questionário apoiado por 137 investidores que representam U$ 16 bilhões em ativos, perguntando a 302 corporações sobre administração da água, dos riscos e das oportunidades neste campo. Das respostas, 50% diziam que a água está na agenda dessas empresas que fazem uso intensivo da água (5).

Entretanto, os resultados indicam os diferentes comportamentos das companhias. Por exemplo, 100% das pertencentes ao setor químico responderam ao questionário, enquanto as de alimentos, bebidas e tabaco informaram que possuem metas especificas na utilização e no rendimento industrial da água. Outros setores responderam que precisam se preparar sobre o assunto. Apenas 29% do setor de hidrocarbonos respondeu e somente um entrevistado disse ter meta específica vinculada com a água.

A água virtual é a água usada para criar um produto e pode ser inesperadamente alto. Uma camiseta de algodão, por exemplo, consome 2.700 litros. A quantidade de água virtual para usos produtivos é frequentemente tão considerável como a correspondente ao uso direto e pode proporcionar os meios para que regiões com escassez de água possam atender suas necessidades por meio da importação, em lugar de produzir bens que exijam uma utilização intensiva do recurso.

No entanto, mais da metade dos entrevistados do setor de vendas não conseguiu identificar a quantidade do consumo procedente de regiões com problemas de fornecimento de água. Se o modo como usamos água diretamente é oculto, a água vinculada à produção de bens é verdadeiramente invisível.

Apesar dos resultados desiguais, há também grandes êxitos. Entre estes estão a Anglo-American, que reduziu o uso de água potável em 11% em 2009, a Colgate-Palmolive, que reduziu o uso absoluto de água em 29,8% entre 2002 e 2009, e a Ford Motor, que reduziu em 62, 4% desde 2000.

Além disso, a PG&E promove a Iniciativa da Cadeia de Fornecimentos Ecológicos, enquanto a General Electric faz grandes progressos em sistemas de alta tecnologia para medição da água, e a Taiwan Semiconductor Manufacturing avança na qualidade da água por seu cuidadoso manejo das técnicas de reciclagem e purificação desse recurso.

É por esta capacidade da água de entrar na consciência empresarial e social e pela habilidade das companhias em mostrar liderança no manejo da água que acredito que será possível evitar que as futuras gerações nos olhem como olhamos agora as tentativas de Forrest e Cotton de fazer rios no deserto. Envolverde/IPS

(1) Citado em Sofoulis, Z. (2005) ‘Big Water, Everyday Water: A Sociotechnical Perspective’ Continuum. 19:4, 445-463.

(2) Pearce, F. (2006) When the Rivers Run Dry, Eden Project Books, Londres.

(3) Shove, E. (2003) Comfort, Cleanliness and Convenience: The Social Organization of Normality. Berg, Oxford.

(4) 2030 Water Resources Group (2009) Charting our Water Future: Economic frameworks to inform decision-making.

(5) Water Footprint Network 2010 Water Footprint Product Gallery. Accessed online http://www.waterfootprint.org/?page=files/productgallery&product=cotton
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FONTE : Chris Hedemann é account manager da CDP Water Disclosure (http://www.cdproject.net/en-US/Programmes/Pages/cdp-water-disclosure.aspx)
**este artigo é parte de uma série de artigos de opinião e entrevistas sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas, patrocinada por Anheuser-Busch InBev. (IPS/Envolverde).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Amazônia atingiu apenas um dos oito Objetivos do Milênio

A Amazônia atingiu apenas um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos pela ONU no ano 2000, de acordo com estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon.

Os Objetivos do Milênio incluem metas e indicadores para medir e orientar melhorias nas condições socioeconômicas (pobreza, educação, saúde, desigualdade entre os gêneros, mortalidade infantil e materna) e ambientais em regiões pobres e em desenvolvimento do mundo.

A publicação “A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010” avalia a evolução desses objetivos e metas no contexto da Amazônia através da análise de 25 indicadores, em relação às metas propostas para 2015. Essa publicação atualiza o estudo do Imazon apresentado em 2007.

Na Amazônia houve progressos no que se refere à maioria dos indicadores analisados se compararmos a situação em 2009 à de 1990. Entretanto, em geral, essa melhoria é insatisfatória e a região está abaixo da média nacional. A situação é crítica no caso da pobreza, da incidência de malária, Aids, mortalidade materna e do saneamento básico. Os avanços foram tímidos na busca da igualdade entre os gêneros, sendo que as mulheres têm pouca participação na política e são desfavorecidas no mercado de trabalho. Além disso, a região tem altos índices de violência.

Por outro lado, houve queda na mortalidade infantil (embora haja fortes indícios de sub-registros nas estatísticas oficiais) e o acesso à educação aumentou (contudo, melhorar a qualidade ainda é um desafio).

A região avançou também na criação de Áreas Protegidas (Terras Indígenas e Unidades de Conservação), que ocupavam pouco mais de 8% do território da Amazônia em 1990, saltando para cerca de 44% em 2010. Além disso, o desmatamento caiu expressivamente nos últimos anos, registrando em 2010 a menor taxa da história (6.451 km2).

Entraves sociais

Para Danielle Celentano, uma das autoras da publicação, os avanços na área ambiental precisam ser acompanhados por melhores resultados na área social. “A criação de Áreas Protegidas e a queda do desmatamento são ótimas noticias, mas agora é o momento de olharmos mais para as pessoas que vivem na Amazônia”, pondera.

Para Daniel Santos, pesquisador do Imazon e co-autor do estudo, este trabalho tem o mérito de apontar os entraves sociais críticos da Amazônia. “Solucioná-los significa alcançar uma nova era de desenvolvimento para a população dessa região. Trabalhar na melhora dos indicadores em situação crítica seria uma “receita de sucesso” para a Amazônia e cada um dos seus nove Estados”, comenta.

Veja dados incluídos no estudo:

Pobreza Extrema - Entre 1990 e 2009 a pobreza extrema (população com renda inferior a um quarto do salário mínimo) diminuiu de 23% para 17% na Amazônia, mas ainda falta reduzir 7 pontos percentuais para atingir a meta brasileira para 2015 (10%).

Ensino Básico Universal - A população com mais 15 anos de idade analfabeta diminuiu de 20%, em 1990, para 11% em 2009 na Amazônia, no entanto ainda persiste um alto analfabetismo funcional na região (23% da população com mais 15 anos de idade).

Mortalidade infantil - A mortalidade de crianças até 1 ano caiu 52% na Amazônia entre 1991 e 2009, ou seja, passou de 51 para 25 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos. Mantida a taxa atual de queda, essa meta poderá ser atingida na Amazônia até 2015. Porém, há indícios de que há um forte sub-registro de mortalidade infantil na região .

HIV/Aids, malária e outras doenças - A taxa de incidência de Aids aumentou exponencialmente entre 1990 e 2008 na Amazônia, enquanto a taxa brasileira apresentou sinais de redução. Em 2009 foram registrados mais de 306 mil casos novos de malária na região, o que representa uma queda em relação aos anos anteriores. A taxa, porém, continua elevada. Outras doenças, como a hanseníase (a Amazônia é líder mundial em incidência) e leishmaniose (taxa quase sete vezes maior que a brasileira) estão em situação crítica.

Sustentabilidade Ambiental - Em 2009, a área florestal desmatada na Amazônia foi de 7.464 quilômetros quadrados, o que representou uma queda de 42% em relação ao ano anterior. Em 2010, o desmatamento caiu novamente, apresentando seu número mais baixo nos últimos 20 anos. Além disso, 44% da região está protegida por Unidades de Conservação e Terras Indígenas. A má noticia é que o saneamento básico continua precário na Amazônia: por exemplo, pequena parte (10%) da população é servida por rede de coleta de esgoto e a maioria (58%) do lixo produzido é depositada em lixões a céu aberto.

Acesse o estudo na íntegra: "A Amazônia e os Objetivos do Milênio 2010" (http://www.imazon.org.br/novo2008/publicacoes_ler.php?idpub=3772)
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FONTE : (Envolverde/Amazônia.org.br)

Plásticos biodegradáveis não fazem milagres

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis

Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?

Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.
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FONTE : Leticia Freire, do Mercado Ético. (Envolverde/Mercado Ético).