terça-feira, 30 de novembro de 2010

SANTA CATARINA : Estado cresce acima da média nacional

Número de moradores em SC subiu 16,68% na última década, enquanto que no Brasil a elevação foi de 12,3%.

Com mais de 6,2 milhões de habitantes, Santa Catarina teve um crescimento de 893 mil pessoas nos últimos 10 anos, segundo revelou o Censo 2010. A elevação de 16,68% ficou um pouco acima da média nacional. No Brasil, o número de habitantes chega a 190,7 milhões, com aumento de 20 milhões de pessoas em relação ao Censo 2000, o que representa 12,3% de crescimento.

O Estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional no crescimento populacional. O resultado final do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ontem, aponta também que Itapema, localizada no Litoral Norte do Estado, é o município catarinense que mais cresceu.

São 19,9 mil pessoas a mais na cidade, que tem hoje mais de 45 mil habitantes e aponta crescimento de 77,1% entre 2000 e 2010. A cidade, de colonização açoriana, fica a 60 quilômetros da Capital e tem o turismo a principal atividade econômica.

Com os novos dados, São João Batista, na Grande Florianópolis, cai para a segunda posição, com crescimento de 76,7%, e Itapoá fica em terceiro, no Norte do Estado, com 67,16% de aumento no número de habitantes.

No país, Amapá, Roraima e Acre são os Estados que mais tiveram aumento. O Estado menos populoso é Roraima, com 451 mil pessoas.

O Censo 2010 também mostra que a população está mais urbanizada do que há 10 anos. Em 2000, 81% dos brasileiros viviam em áreas urbanas, agora são 84%. Em Santa Catarina, 78,5% dos catarinenses viviam em áreas urbanas em 2000. Agora, o índice é o mesmo da média nacional: 84%. O restante, 16%, vive em áreas rurais. Entre as cidades catarinenses com 100% das pessoas vivendo em área urbana estão Balneário Camboriú, Bombinhas e Imbituba. O município que apresenta maior população na área rural é Bela Vista do Toldo, no Planalto Norte, com 85,9%.

Mulheres são em maior quantidade

O levantamento realizado pelo IBGE informa ainda que existem mais mulheres do que homens no Estado. Os resultados mostram que há 98 homens para cada 100 mulheres.

De acordo com o Censo, a maior porcentagem de homens fica em São Pedro de Alcântara (63,57%), e das mulheres, em Balneário Camboriú, com 52,46%. Em Florianópolis, as mulheres também superam, com 51,78%.

Os dez maiores municípios do Estado continuam os mesmos. Houve mudanças apenas em duas posições, com Lages (indo de 6º para 8º), e Chapecó (indo de 8º para 6º).

No Brasil, foram recenseados 67,6 milhões de domicílios. Em Santa Catarina, 2,4 milhões de casas receberam a visita dos recenseadores do IBGE.

Em abril de 2011, estão previstas novas divulgações sobre o Censo 2010. Mais dados sobre as características da população brasileira como o grupo de idade e informações sobre domicílio serão apresentados.

Segundo o IBGE, também serão divulgados dados sobre a situação do entorno dos domicílios como acessibilidade, calçamentos e iluminação. O levantamento feito por 191 mil recenseadores no país será apresentado durante todo o ano que vem e segue também ao longo de 2012.
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FONTE : jorn. VANESSA CAMPOS, Diário Catarinense, 30/11/2010.

População brasileira deve somar 206,8 milhões em 2030

A população brasileira deve atingir o pico em 2030, somando 206,8 milhões de pessoas. A partir de então, a expectativa é que comece a diminuir em números absolutos, e em 2040 seja de 204,7 milhões. A conclusão faz parte de um estudo apresentado ontem (13) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE).

De acordo com a análise do Ipea, a desaceleração do ritmo de crescimento populacional, tendência verificada no país desde a década de 1970, pode ser explicada pela redução da mortalidade acompanhada pela queda na fecundidade. Esse movimento deve provocar importantes mudanças em sua estrutura etária, que “poderá diminuir a partir de 2010 e apresentar uma população superenvelhecida, reproduzindo a experiência de vários países da Europa Ocidental, da Rússia, do Japão etc.”. O estudo ressalta que esse movimento ocorre no Brasil em “velocidade acelerada”.

A taxa de fecundidade em 2009 manteve os níveis observados nos dois anos anteriores, de 1,8 filho por mulher, bem abaixo do chamado patamar de reposição (2,0). Os técnicos do Ipea estimam para esta década uma taxa média de crescimento da população de 0,9% ao ano, menos de um terço da observada para o período 1950-1970 (3,0% ao ano), quando a população brasileira registrou as mais elevadas taxas de crescimento.

Segundo o levantamento, a redução na fecundidade foi observada de maneira generalizada, em todas as regiões do país, em todos os grupos sociais, e nos variados níveis de escolaridade, embora com ritmo diferenciado. Entre os anos de 1992 e 2009, a diferença entre a fecundidade das mulheres nordestinas (taxa mais elevada naquele ano) e a das residentes na Região Sudeste caiu de 1,2 filho para 0,3 filho. Esses diferenciais também estão caindo na comparação entre as camadas de renda. Em 1992, as mulheres com renda mais baixa tinham 3,4 filhos a mais do que aquelas de renda mais alta. Em 2009, o diferencial havia caído para 2,4 filhos.

O estudo destaca que as brasileiras com rendimentos mais elevados apresentam taxas de fecundidade “extremamente baixas” (1,0 filho por mulher), inferiores às de países como a Itália, Espanha e o Japão.

Entre as adolescentes com idade entre 15 e 19 anos, também houve queda no nível de fecundidade, passando de 91 filhos nascidos vivos em cada mil mulheres, em 1992, para 63, em 2009. A redução nessa faixa etária foi observada em todas as regiões do país, sendo que os decréscimos mais intensos foram verificados no Sul e no Nordeste.

Quando se compara o movimento entre as camadas sociais, o estudo revela que as taxas mais elevadas continuaram sendo observadas entre as de classes mais baixas, enquanto as taxas mais reduzidas foram constatadas entre aquelas com rendimentos superiores.

O levantamento do Ipea destaca, ainda, que entre as adolescentes que tiveram filho, a maior parte vivia com um companheiro. A proporção de mães cônjuges, no entanto, caiu de 55,8%, em 1992, para 40,3%, em 2009. Já a proporção de mães adolescentes que viviam na casa dos pais ou dos avós aumentou nesse período, atingindo 51,5% das mães adolescentes em 2009. Entre elas, também aumentou as que chefiavam famílias, chegando a 6,2% em 2009, ou seja, 53,7 mil adolescentes eram mães e responsáveis por suas famílias.
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FONTE : Reportagem de Thais Leitão, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 14/10/2010.

O censo e as estimativas da população brasileira - José Eustáquio Diniz Alves

Foi divulgado, no dia 29 de novembro, o resultado do censo demográfico de 2010 para a contagem da população brasileira. Segundo o IBGE, o país possuía um total de 190.732.694 habitantes, no dia 01 de agosto de 2010. Na página do IBGE, no acompanhamento da supervisão do censo indicava, na sexta-feira, dia 26 de novembro, 187.994.019 de habitantes.

A novidade do censo 2010 foi incluir no resultado final uma imputação das pessoas morando em domicílios fechados (901 mil unidades fechadas no corrente ano). Se este procedimento tivesse sido adotado no censo 2000, a população de 169,9 milhões de habitantes, com uma média de 3,8 moradores por domicílios teria aumentado em 2 milhões de habitantes, pois havia 528.683 domicílios fechados no país, segundo o censo 2000.

Mesmo com a imputação, o número de 190,7 milhões de habitantes está abaixo das estimativas do próprio IBGE que, em documento de dezembro de 2008, estimava uma população de 193.252.604 habitantes, em 2010. O que aconteceu? Houve sobre-enumeração da estimativa? Subenumeração do censo? Ou os dois?

De fato, as taxas de fecundidade das mulheres brasileiras vêm declinando a partir de meados da década de 1960 e, desde então, o ritmo de crescimento da população vem se desacelerando. A dúvida que ainda existe é sobre o ritmo de declínio da fecundidade e em qual data a população brasileira vai começar a encolher.

Na década de 1970 as projeções populacionais do IBGE indicavam um montante de 201 milhões de habitantes no ano 2000. Contudo, os dados do censo da virada do milênio indicaram cerca de 170 milhões. Esta diferença de 31 milhões se deveu, por um lado, ao declínio da fecundidade, e por outro, devido à sobre-estimação da projeção daquela época.

A projeção populacional oficial do IBGE, feita em 2004, indicava que a população brasileira alcançaria 198 milhões de habitantes, em 2010. Mas o rápido declino das taxas de fecundidade fez com que o nível de reposição (2,1 filhos por mulher) fosse alcançado entre 2004 e 2005 e chegasse a 1,9 filho por mulher entre os anos de 2007 e 2009, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD. Com esta nova realidade, o IBGE refez as projeções oficiais em 2008, indicando a estimava de 193,3 milhões de habitantes em 2010.

Porém, o censo 2010 indicou 190,7 milhões de habitantes. O que aconteceu?

Uma hipótese é que as taxas de fecundidade tenham caído em ritmo mais acelerado do que indicaram as PNADs, do IBGE. Em reforço a esta hipótese, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS-2006), do Ministério da Saúde, apontou uma taxa de fecundidade de 1,8 filho por mulher, em 2006. Se isto for verdade, será preciso reponderar as estimativas populacionais das PNADs e recalcular os diversos indicadores econômicos e sociais do país.

Outra hipótese é que a diferença de cerca de 3 milhões de pessoas, entre a estimativa e o resultado do censo demográfico (mesmo após a imputação da população dos domicílios fechados), tenha ocorrido devido ao erro de cobertura. Sem dúvida, qualquer que seja o país é praticamente impossível que os recenseadores encontrem 100% da população. Um grau estimado de subenumeração em torno de 2 a 3% não é nenhuma anomalia. Portanto, mesmo o resultado do censo indicando 190,7 milhões de habitantes, a população brasileira já pode ter atingido algo entre 193 e 194 milhões de pessoas.

Só uma avaliação mais demorada, criteriosa e aprofundada do censo demográfico 2010 poderá dar uma resposta mais definitiva sobre o tamanho real da população e sobre o grau do erro da cobertura censitária.

Todavia, uma coisa está clara: com as taxas de fecundidade em torno de 1,9 filho por mulher, ou algo um pouco abaixo disto, a data para se alcançar o máximo populacional não deve mesmo passar de 2040. A população brasileira deve chegar ao máximo de 210 ou 220 milhões de habitantes, antes de estabilizar ou iniciar uma fase de declínio. Porém, se as taxas de fecundidade continuarem caindo e se não houver um fluxo significativo de imigração internacional, o início do encolhimento populacional do Brasil pode ser antecipado para uma data em torno de 2030.

Referência: IBGE, Censo 2010: população do Brasil é de 190.732.694 pessoas
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FONTE : José Eustáquio Diniz Alves, articulista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição. (EcoDebate, 30/11/2010).

Síntese do Censo 2010: população do Brasil é de 190.732.694 pessoas

Após cerca de quatro meses de trabalho de coleta e supervisão, durante os quais trabalharam 230 mil pessoas, sendo 191 mil recenseadores, o resultado do Censo 2010 indica 190.732.694 pessoas para a população brasileira em 1º de agosto, data de referência. Em comparação com o Censo 2000, ocorreu um aumento de 20.933.524 pessoas. Esse número demonstra que o crescimento da população brasileira no período foi de 12,3%, inferior ao observado na década anterior (15,6% entre 1991 e 2000). O Censo 2010 mostra também que a população é mais urbanizada que há 10 anos: em 2000, 81% dos brasileiros viviam em áreas urbanas, agora são 84%.

A região Sudeste segue sendo a região mais populosa do Brasil, com 80.353.724 pessoas. Entre 2000 e 2010, perderam participação as regiões Sudeste (de 42,8% para 42,1%), Nordeste (de 28,2% para 27,8%) e Sul (de 14,8% para 14,4%). Por outro lado, aumentaram seus percentuais de população brasileira as regiões Norte (de 7,6% para 8,3%) e Centro-Oeste (de 6,9% para 7,4%).

Entre as unidades da federação, São Paulo lidera com 41.252.160 pessoas. Por outro lado, Roraima é o estado menos populoso, com 451.227 pessoas. Houve mudanças no ranking dos maiores municípios do país, com Brasília (de 6º para 4º) e Manaus (de 9º para 7º) ganhando posições. Por outro lado, Belo Horizonte (de 4º para 6º), Curitiba (de 7º para 8º) e Recife (8º para 9º) perderam posições.

Os resultados mostram que existem 95,9 homens para cada 100 mulheres, ou seja existem mais 3,9 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. Em 2000, para cada 100 mulheres, havia 96,9 homens. A população brasileira é composta por 97.342.162 mulheres e 93.390.532 homens.

Entre os municípios, o que tinha maior percentual de homens era Balbinos (SP). Já o que tinha maior percentual de mulheres era Santos (SP). O Censo 2010 apurou ainda que existiam 23.760 brasileiros com mais de 100 anos. Bahia é a unidade da federação a contar com mais brasileiros centenários (3.525), São Paulo (3.146) e Minas Gerais (2.597)

O Censo Demográfico compreendeu um levantamento exaustivo de todos os domicílios do país. Foram visitados 67,6 milhões de domicílios e ao menos um morador forneceu informações sobre todos os moradores de cada residência. A partir do dia 4 de novembro, o IBGE realizou um trabalho de supervisão e controle de qualidade de todo material coletado, em conjunto com as Comissões Censitárias Estaduais (CCE) e das Comissões Municipais de Geografia e Estatística (CMGE,) em todas as 27 Unidades da Federação e nos municípios brasileiros. As comissões funcionaram como um canal de comunicação entre o IBGE e a sociedade e participaram de todo o processo de realização do Censo.

Do total dos 67,6 milhões de domicílios recenseados, os moradores foram entrevistados em 56,5 milhões de domicílios. Foram classificados como fechados 901 mil domicílios, em que não foi possível realizar as entrevistas presenciais, mas havia evidências de que existiam moradores. Nesses casos, o IBGE utilizou uma metodologia para estimar o número de pessoas residentes nesses domicílios fechados. Esta é uma prática já adotada por institutos oficiais de estatísticas internacionais de países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, México e Nova Zelândia, igualmente já utilizada na Contagem de 2007 realizada pelo IBGE. A metodologia consiste em atribuir a cada domicílio fechado o número de moradores de outro domicílio, que havia sido inicialmente considerado fechado e depois foi recenseado. A escolha foi aleatória, levando em conta a unidade da federação, o tamanho da população do município e a situação urbana ou rural.

O Censo Demográfico encontrou ainda 6,1 milhões domicílios vagos,ou seja, aqueles que não tinham morador na data de referência, mesmo que, posteriormente, durante o período da coleta, tivessem sido ocupados. Casas colocadas à venda (ou de aluguel) e abandonadas são exemplos de domicílios vagos. Os domicílios de uso ocasional, que somaram 3,9 milhões, são aqueles que servem ocasionalmente de moradia, usados para descanso de fins de semana, férias ou outro fim. Já o número de domicílios coletivos (hotéis, pensões, presídios, quartéis, postos militares, asilos, orfanatos, conventos, alojamento de trabalhadores, etc) foi de 110mil. Em 2000, do total de 54,2 milhões de domicílios, 45 milhões eram ocupados, 528 mil fechados, 6 milhões vagos e 2,7 milhões de uso ocasional.

Iniciado em 1º de agosto de 2010, os 191 mil recenseadores percorreram os 5.565 municípios brasileiros e as entrevistas implicaram no recenseamento da população por meio de três métodos: entrevista presencial, questionário pela Internet e, por fim, a estimação do número de moradores em domicílios fechados.

Em suma, o Censo Demográfico 2010 consiste na visita exaustiva de todos os domicílios e entrevistas. O IBGE agradece aos participantes das Comissões Censitárias Estaduais (CCE) e das Comissões Municipais de Geografia e Estatística (CMGE) e à população pelas informações prestadas. O IBGE espera que os dados coletados sirvam de base para o planejamento público e privado, em favor da melhoria das condições de vida da sociedade brasileira.

Amapá se destaca no crescimento populacional

Embora com perda de participação, os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro representam 40,28% no total da população em 2010 (frente aos 40,82% em 2000). Em dez anos, os destaques de crescimento foram verificados no Amapá (40,18%), Roraima (39,10%) e Acre (31,44%). Por outro lado, os menores percentuais ocorreram no Rio Grande do Sul (4,98%), Bahia (7,28%) e Paraná (9,16%).

Brasília e Manaus mudam de posição entre os 10 maiores.

Houve mudanças nos rankings tanto dos 10 municípios mais populosos quanto dos de menor população. Na parte de cima, Belo Horizonte, Curitiba e Recife perderam posição frente aos números de 2000. Por outro lado, Brasília e Manaus subiram de posição, cada um, na lista dos mais populosos.

Já entre os de menor população, André da Rocha (RS) e Nova Castilho (SP) elevaram sua posição. Lavandeira, Rio da Conceição, Tupirama e Ipueiras, todos municípios de Tocantins, saíram da lista dos menos populosos; cederam lugar a Miguel Leão (PI), Uru (SP), Cedro do Abaeté (MG), Araguainha (MT).

População urbana sobe de 81,25% para 84,35%

Já em 2010, apenas 15,65% da população (29.852.986 pessoas) viviam em situação rural, contra 84,35% em situação urbana (160.879.708 pessoas). Entre os municípios, 67 tinham 100% de sua população vivendo em situação urbana e 775 com mais de 90% nessa situação. Por outro lado, apenas nove tinham mais de 90% de sua população vivendo em situação rural.

Em 2000, da população brasileira 81,25% (137.953.959 pessoas) viviam em situação urbana e 18,75% (31.845.211 pessoas) em situação rural. Entre os municípios, 56 tinham 100% de sua população vivendo em situação urbana e 523 com mais de 90% nessa situação. Por outro lado, 38 tinham mais de 90% vivendo em situação rural e o único município do país a ter 100% de sua população em situação rural era Nova Ramada (RS).

Em dez anos 19 municípios dobraram população

Desde 2000, 19 municípios mais que dobraram sua população – o de maior crescimento foi Balbinos (SP), com 199,47% de crescimento; seguido por Rio das Ostras (RJ), com 190,39%; e Pedra Branca do Amapari (AP), com 168,72%.

Por outro lado, 1.520 municípios registraram população inferior à existente em 2000.

Em 2010, os municípios com maior proporção de homens são: Balbinos (SP), Pracinha (SP) e Lavínia (SP).

Já entre os de maior proporção de mulheres em 2010 se destacam: Santos (SP), Recife (PE) e São Caetano do Sul (SP).
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FONTE : www.ibge.gov.br.(Informe da Comunicação Social, IBGE). (EcoDebate, 30/11/2010).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PARA QUEM QUEM TEM MAIS DE 60 ANOS !

Arnaldo Lichtenstein (46 anos), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
É de sua autopria este útil texto :

" Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

-Quais as causas que mais fazem pessoas com mais de 60 ANOS terem confusão mental?

Alguns arriscam: "Tumor na cabeça".
Eu digo: "Não".

Outros apostam: "Mal de Alzheimer".
Respondo, novamente: "Não".
A cada negativa a turma espanta-se.

E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero os três responsáveis mais comuns:

- diabetes descontrolado;
- infecção urinária;
- a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os familiares mais velhos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é.
Constantemente, sem sentir sede, deixamos de tomar líquidos.
Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.
A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.
Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira.

A partir dos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo.
Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.

Portanto, menor reserva hídrica..
Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água,

Pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão:
Pessoas com mais de 60 anos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo.
Mesmo que a pessoa seja saudável, fica prejudicado o desempenho

Das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

O primeiro é para os MAIORES DE 60 ANOS:

Tornem voluntário o hábito de beber líquidos.
Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite.
Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi,

Laranja e tangerina, também funcionam.

O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro.
Lembrem-se disso!

Meu segundo alerta é para os familiares:

Ofereçam constantemente líquidos aos familiares com mais de 60 anos.
Ao mesmo tempo, fiquem atentos.

Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro,

Ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção.

É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.
"Líquido neles e rápido para um serviço médico".

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FONTE : Arnaldo Lichtenstein, médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O MILAGRE DA VIDA, ACIMA DE TUDO !!!

L'Odyssée de la vie - Genesis from Genitori Channel on Vimeo.

Video di nascite dolci anche di gemelli e podalici from Genitori Channel on Vimeo.

Planeta está aquecendo mais rápido do que o estimado, afirma serviço meteorológico britânico

Um relatório do Met Office divulgado nesta sexta-feira (26) afirma que o aquecimento global está acontecendo de uma maneira mais veloz que a projetada na última década e que as evidências de que o homem é responsável por boa parte desse fenômeno são maiores do que nunca.

O documento demonstra que as temperaturas na superfície dos oceanos, por exemplo, estão na realidade mais quentes do que o que se acreditava, isso porque houve avanços nas tecnologias de medição depois do ano 2000.

Essas novas medidas são importantes porque de certa forma explicam o porquê se registrava uma taxa de aquecimento menor entre 2000-2009 com relação à média de 0,16º C anuais desde 1970. Agora a taxa para o período ficou mais próxima à média.

Segundo Vicky Pope, do Met Office, não há dúvidas de que a década passada foi mais quente que os anos 1990. Além disso, 2010 deve bater todos os recordes de média de temperaturas já registradas.

Mesmo se novembro e dezembro forem incrivelmente frios, o atual ano deve ocupar pelo menos o terceiro lugar entre os mais quentes desde 1850.
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FONTE : Fabiano Ávila, da Carbono Brasil. (Envolverde/Carbono Brasil).

A reciclagem ganha terreno na América Central

A reciclagem de lixo como prática para economizar custos, gerar emprego e cuidar do meio ambiente abre caminho na América Central, onde atualmente são comercializadas centenas de toneladas de papel, plástico, latas e outros produtos por meio de novas iniciativas. Uma delas é a Bolsa de Resíduos Industriais da América Central e do Caribe (Borsicca), que entrou em operação em agosto de 2009 para apoiar o intercâmbio de resíduos, com um sistema eletrônico de comercialização que permite o aproveitamento ou a reincorporação de dejetos nas cadeias produtivas.

“Surgiu uma consciência ambiental e cada vez mais empresas se aproximam para nos perguntar o que fazer com seu lixo”, disse à IPS René Silva, do não governamental Centro Nacional de Produção Mais Limpa e operador da Borsicca, integrada até agora por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Dez meses após sua criação, a Borsicca havia comercializado 8,2 toneladas de dejetos, principalmente papel, papelão e plástico. O empreendimento foi promovido pela Comissão Centro-Americana de Meio Ambiente e Desenvolvimento (CCAD). Por trás também há uma economia de custos.

“O meio ambiente não está separado da economia. Para contaminar são necessários recursos, pois deve ser adquirida matéria-prima para fazer isso. E, quando se evita uma contaminação, também se evita a perda de dinheiro”, disse René. A ideia de comercializar resíduos por meios eletrônicos não é nova na região, mas mostra a expansão desta indústria. “Desde 2004, funciona na Costa Rica o Mercado de Resíduos e Subprodutos Industriais que comercializa entre 100 e 120 toneladas de resíduos semestralmente”, disse à IPS Akira Hidalgo, desta entidade.

Como a Borsicca, o mecanismo interinstitucional costarriquenho conta com um site onde os interessados publicam suas ofertas e demandas de resíduos para serem comercializados ou trocados, enquanto a organização funciona como facilitadora. As vantagens da reciclagem vão muito além, a ponto de esta prática chegar a ser um importante gerador de divisas e emprego para o istmo.

“A Nicarágua havia exportado, até outubro deste ano, cerca de US$ 40 milhões em material reciclável, principalmente ferro, enquanto em 2009 obtivemos US$ 24 milhões”, disse à IPS Carlos Marín, presidente da Associação de Recicladores da Nicarágua. A comercialização de resíduos é relativamente recente nesse país. “O auge da reciclagem da Nicarágua coincidiu com o da China e da Índia quando, em 2003 e 2004, estes países começaram a comprar materiais recicláveis em grande quantidade”, explicou o empresário.

Esta indústria beneficia, além do meio ambiente, cerca de 25 mil famílias nicaraguenses de trabalhadores cujos empregos a atividade gera de forma direta ou indireta, explicou Carlos. As vantagens ambientais também devem ser consideradas, segundo o empresário. “É difícil medir o impacto da reciclagem sobre o meio ambiente, mas em nosso país as pessoas não costumam utilizar lixeiras públicas e o lixo é jogado no chão, e estes acabam nos rios”, afirmou. Para evitar esta situação, “ajudaria se os governos oferecessem incentivos para que as empresas que vendem produtos envasados recolham as embalagens, uma vez que os distribuem no mercado, bem como para as companhias recicladoras”, disse Carlos.

O problema do manejo errado do lixo sólido vai mais além. Raúl Bonilla, da empresa guatemalteca Amigos da Natureza, disse à IPS que há um problema de falta de educação, devido ao desinteresse da população em proteger os recursos não renováveis. Por isso esta organização, criada em 2006, dedica-se à capacitação de empresas e grupos no manejo adequado de resíduos sólidos, além de coletar resíduos recicláveis na Guatemala. Sua atividade está em progresso. “Em 2006, recolhemos 96 toneladas métricas de resíduos recicláveis, enquanto até outubro deste ano foram 1.250”, disse.

A economia de custos, a coincidência ambiental e novas regulações legais impulsionam o auge da reciclagem, segundo Raúl. Sobre este ponto, o empresário disse que padrões internacionais como as normas ISO 14000, da Organização Internacional para a Padronização (ISO, em inglês), ajudaram a conseguir um “manejo verde” de resíduos. A ISO 14001, por exemplo, é uma norma criada para equilibrar a manutenção da rentabilidade e a redução dos impactos ambientais. Contudo, além destes esforços, há muito a ser feito para melhorar a qualidade do manejo de resíduos na região centro-americana.

A Guatemala produz anualmente 1,26 milhão de toneladas de lixo, segundo o Centro de Estudos Urbanos e Regionais e o Sistema de Informação Municipal. Entre 60% e 70% dos resíduos são reutilizáveis, mas não há regulações sobre a separação de dejetos para a reciclagem. É o que destaca o estudo Perspectivas do Meio Ambiente 2004 realizado pela CCAD e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que declarou como prioritário o “manejo, coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos domésticos, industriais e hospitalares” na região.

De fato, Belize, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Honduras e Panamá, que integram o istmo centro-americano, compartilham problemas semelhantes nessa área: a falta de coleta, reciclagem e regulações. Uma situação que propicia a contaminação das fontes de água, segundo o estudo. ************************
FONTE : Danilo Valladares, da IPS. (Envolverde/IPS).

Ciência climática busca o saber camponês

A percepção que indígenas e camponeses têm da variabilidade climática, pelo menos em uma região da Colômbia, coincide quase matematicamente com os registros obtidos pelos instrumentos técnicos. É o que afirma o especialista Andrés González, coordenador do Programa Conjunto Integração de Ecossistemas e Adaptação à Mudança Climática no Maciço Colombiano, executado há quase três anos por agências da Organização das Nações Unidas.

No departamento de Valle del Cauca, indígenas e cientistas trabalham juntos na adaptação à mudança climática, um caso raro na América Latina. Este ano foi estabelecida ali uma rede de custódia de sementes de tubérculos, milhos, frutas, espécies forrageiras, quinoa e amaranto, entre outros alimentos de alto poder nutritivo, com a finalidade de promover a troca entre as comunidades dos resguardos (jurisdições indígenas) Puracé, Paletará, Coconuco, Quintana e Poblazón.

Também foram criadas parcelas para aclimatar as sementes e seis “Escolas de Campo”, onde profissionais e camponeses estudam e discutem segurança alimentar, produção sustentável, gestão de riscos e contextos saudáveis. Participam cerca de mil famílias dos municípios de Popayán e Puracé. Na área de impacto direto do programa nessa região do Cauca, habitam aproximadamente 11 mil pessoas, mas estima-se que as beneficiadas sejam mais de 240 mil. Andrés espera que o projeto, que terminará em seis meses, seja renovado.

Em um contexto histórico de conflito pela terra, entre os resguardos indígenas, os pequenos agricultores e os latifundiários da região, foram assinados os Pactos de Convivência entre estes atores e elaborados calendários produtivos e listas de espécies resistentes a diferentes condições. No entanto, “falta muito. É um desafio importante estabelecer este diálogo, para que possamos entender a lógica (de camponeses e indígenas) e eles a nossa", disse Andrés à IPS.

A equipe que dirige este projeto, patrocinado pelo Fundo para o Sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, conta com representantes de comunidades nativas, “nos quais se espelham nossos técnicos e profissionais, que velam para que sua concepção e sua visão do mundo estejam garantidas no programa”, afirmou Andrés. Os indígenas e camponeses não poderiam estar ausentes, pela exatidão que mostram suas percepções e observações empíricas.

A produção agropecuária é responsável por aproximadamente 30% dos gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, lançados na atmosfera pelos países da América Latina. Principalmente por mudanças no uso do solo, na utilização de fertilizantes e decomposição dos dejetos do gado. E a agricultura é um dos setores que já sente os efeitos da mudança climática: maior intensidade e frequência de fenômenos extremos – inundações, geadas e secas –, aparição de novas pragas, mudanças na disponibilidade de água por derretimento de geleiras e deslocamento de cultivos.

A isto, somam-se os fatos de mais de 50% da população rural da América Latina e do Caribe ser pobre e quase um terço viver em condições de indigência, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), com sede em Santiago. “O agricultor sabe da variabilidade climática porque a agricultura é isso: manejar o clima”, disse à IPS Laura Meza, coordenadora da Equipe Multidisciplinar de Mudança Climática e Meio Ambiente para a América do Sul da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Incentivar o diálogo entre a academia e o saber tradicional é “um dos desafios que temos como região”.

“Na Austrália, sabemos que há um vínculo muito estreito entre o agricultor, o cientista e o tomador de decisão. Os três estão trabalhando juntos”, assegurou a especialista da FAO, cujo escritório regional também fica em Santiago. “Aqui são compartimentos estanques, estão separados. Falta muito diálogo”, enfatizou Laura. Também é necessária a comunicação entre países, “porque falamos de um fenômeno que não conhece fronteiras”, afirmou à IPS Adrián Rodríguez, oficial encarregado da Unidade de Desenvolvimento Agrícola da Divisão de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da Cepal.

“É hora de se valorizar o conhecimento ancestral que possuem camponeses e indígenas”, disse à IPS a quechua Rosa Guamán, da equatoriana Associação de Produtores de Plantas Medicinais Chimborazo-Jambi Kiwa, uma pujante empresa comunitária formada por mulheres indígenas que exporta ervas para o Canadá e países europeus. Como dirigente indígena e da associação, Rosa contou que teve que derrubar muitos preconceitos para validar seu saber porque não possui formação acadêmica.

“Não creio que haja uma receita” para garantir um diálogo efetivo, disse à IPS Holm Tiessen, diretor do intergovernamental Instituto Interamericano para a Pesquisa da Mudança Climática, com sede em São Paulo, no Brasil. “O que ocorre muitas vezes é que a ciência produz respostas para problemas que ninguém tem. Então, é importante, em algum momento do planejamento e da busca por financiamento (para projetos de pesquisa), falar com as pessoas do campo. Entretanto, não há mecanismos estabelecidos”, ressaltou. “Como órgão financeiro, temos de forçar os pesquisadores a abrirem seus olhos, a falar, dialogar com os produtores para tornarem sua ciência mais eficiente”, acrescentou. O Instituto financia estudos que incluem mais de um país.

Para Laura, as políticas públicas têm de estar voltadas, com urgência, para a melhoria do conhecimento sobre o clima, fortalecendo as redes meteorológicas, e é preciso difundir esta informação entre as autoridades e os agricultores. Esta base permitirá tomar decisões importantes, como “contratar seguros, usar variedades de curta duração que demandam menos água para enfrentar um período de seca, conservar matéria orgânica no solo para gozar de mais umidade, ou construir estábulos para animais”, entre outras medidas práticas.

O Brasil, por exemplo, lidera o processo de “zoneamento agroecológico”, que define as áreas e temporadas aptas para produzir determinados cultivos. Outros países avançam no manejo de bacias, sistemas de irrigação e gestão de conflitos. “Entretanto, falta muito. A mudança climática é vista como algo muito distante e este é um problema, porque os tomadores de decisão, os agricultores e a sociedade em geral não dão importância à urgência de agir”, concluiu Laura.
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FONTE : Daniela Estrada, da IPS. (Envolverde/IPS).

Por uma ecologia profunda e revolucionária : entrevista com Bianca Kölling Turano

Para a advogada e ativista pelos direitos animais humanos e não humanos Bianca Turano, “o consumo de carne é o maior responsável pelo desmatamento e pelas queimadas em vastas áreas de floresta, além do enorme consumo de água doce, poluição de rios e lençóis freáticos, gastos de energia, produção de metano, e da latente desertificação dos oceanos, devido à captura dos animais aquáticos”. Bianca explica, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, que “quando ocorre em um indivíduo uma mudança paradigmática e este resolve adotar uma dieta vegetariana, ou seja, passa a consumir produtos sem quaisquer ingredientes de origem animal, tais como carnes, leite, ovos, mel e seus subprodutos, ele passa a respeitar os animais e, também, a ideia de meio ambiente enquanto um organismo dotado de valor intrínseco e não como um bem, a ser utilizado tão somente pelos seres humanos”. Na visão de Bianca, “uma nova economia estimulará a recuperação de produtos desperdiçados, no transporte ecológico e gratuito, nas redes de trocas solidárias, no freeganismo, na reciclagem, dentre outros aspectos de suma importância”.
Bianca Kölling Turano é graduada em Ciências Jurídicas na Universidade Estácio de Sá – Unesa e pós-graduanda em Direito Ambiental pelo Instituto Superior do Ministério Público – AMPERJ. Trabalha como Colaboradora do Instituto Ipanema – Instituto em Pesquisas Avançadas em Economia e Meio Ambiente. Ativista pelos direitos animais humanos e não humanos, Bianca coordena o Grupo Rio da Sociedade Vegetariana Brasileira, bem como o seu Departamento Nacional de Ativismo. Atualmente enfrenta duas ações judiciais, sendo a responsável pela primeira sentença nacional favorável ao ativismo pelos direitos animais.
Bianca Kölling Turano é coordenadora do Grupo-Rio da Sociedade Vegetariana Brasileira e coordenadora do Departamento Nacional de Ativismo da Sociedade Vegetariana Brasileira (www.svb.org.br).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais os desafios que a questão do vegetarianismo impõe ao direito ambiental?


Bianca Turano - A concepção de direito ambiental pela doutrina majoritária mundial, baseada numa visão antropocêntrica de modelo capitalista, pressupõe a natureza enquanto um bem instrumental a serviço do ser humano. Entretanto, esta civilização parece ter percebido os enormes estragos causados por esta visão egoísta e sem limites da natureza e, para tanto, vem adotando práticas de bem-estar, preconizando um uso sustentável e adequado para o uso desses ditos bens ambientais que, na Constituição Federal de 1988, mereceu status de direitos fundamentais, através do seu artigo 225. Penso que, quando ocorre em um indivíduo uma mudança paradigmática e este resolve adotar uma dieta vegetariana, ou seja, passa a consumir produtos sem quaisquer ingredientes de origem animal, tais como carnes, leite, ovos, mel e seus subprodutos, ele passa a respeitar os animais e, também, a ideia de meio ambiente enquanto um organismo dotado de valor intrínseco e não como um bem a ser utilizado tão somente pelos seres humanos. Esta concepção também se estende aos animais não humanos, vez que o vegetarianismo é uma dieta alimentar que pressupõe o respeito a todos os animais (humanos e não humanos) e ao próprio planeta Terra. Isto sem falar nas implicações ambientais, hodiernamente propagadas pelos organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO, a respeito dos impactos da criação de animais para o meio ambiente. O consumo de carne é o maior responsável pelo desmatamento e pelas queimadas em vastas áreas de floresta (digo, aí, a atividade pecuária em si e as plantações de soja que virarão alimento para esses animais), além do enorme consumo de água doce, poluição de rios e lençóis freáticos, gastos de energia, produção de metano, além da latente desertificação dos oceanos, devido à captura dos animais aquáticos. Também lembro aqui o assassinato, em massa, de centenas de milhares de criaturas sencientes que levam uma vida de intenso e contínuo sofrimento em matadouros, granjas, viveiros, tanques, etc. A esperança é que tudo isto é completamente desnecessário e pode ser interrompido, assim que alguém decide optar por uma dieta vegetariana. Uma dieta gostosa, simples, saudável, ética, ecológica e muito econômica. Outrossim, vivemos, atualmente, a etapa do neoconstitucionalismo, uma época em que os princípios constitucionais vêm ganhando grande importância em detrimento do positivismo normativo. Assim, o direito ambiental merece ser interpretado de acordo com valores biocêntricos, de respeito para com a natureza, percebendo-a e defendendo-a como parte de nós e nós como parte dela e não ela como um bem para o uso exclusivo da raça humana. Daí a importância do crescimento do estudo acerca dos direitos animais, bem como da ecologia profunda ou revolucionária.

IHU On-Line – Como o vegetarianismo se coloca em relação ao binômio economia e meio ambiente?


Bianca Turano – O vegetarianismo é (e pretende vir a ser) a dieta alimentar do vegano, ou seja, daquele que acredita que animais não humanos também sejam sujeitos de direitos fundamentais, tais como vida, dignidade e liberdade, e que tais direitos merecem ser respeitados, assim como aqueles garantidos aos humanos (embora estes estejam longe de serem devidamente respeitados). Particularmente, penso que, a partir do momento em que as pessoas passem a repudiar o especismo, bem como o racismo, o sexismo, a homofobia, a xenofobia e outras formas de preconceitos igualmente odiosas, um novo modelo de vida humana na Terra se iniciará. E este será muito diferente do atual, que tem em sua base o capital, a exploração de humanos e não humanos, da natureza, dos territórios, o industrialismo, o progressismo e a domesticação de animais e plantas. É claro que os modelos econômicos atuais não mais servirão para uma sociedade baseada na autogerência, no reequilíbrio da quantidade de humanos, no anticonsumismo, no respeito a todas as espécies e na plenitude de uma vida livre, sem hierarquias. Assim, uma nova economia – digamos assim – estimulará a recuperação de produtos desperdiçados, no transporte ecológico e gratuito, nas redes de trocas solidárias, no freeganismo, na reciclagem, dentre outros aspectos de suma importância. Faz-se necessário que discutamos este assunto para que o discurso seja realmente praticável e não termine em uma folha de papel ou em uma tela de computador. É sempre hora de tentar.

IHU On-Line – Quais as principais demandas hoje na área dos direitos animais humanos e não humanos?


Bianca Turano – O veganismo carece, hoje, de uma maior divulgação por parte da mídia. Mas com uma divulgação honesta, que realmente leve à população as informações claras e condizentes com o respeito aos animais. O veganismo carece de maior número de decisões judiciais favoráveis e, para isto, é necessário que as pessoas se utilizem do Judiciário na defesa daqueles que não podem pleitear pela sua vida e dignidade. O veganismo carece de maior participação na vida política, na vida acadêmica, de união com outros movimentos que também acreditem na igualdade e na liberdade. Para tanto, é preciso que se discutam os pilares desta civilização. É preciso que entendamos o contexto, com uma visão sistêmica, holística da coisa, para que não excluamos ninguém desse processo, que é emergencial, premente e inevitável para a continuação da vida e pela realização dos anseios de paz, tão longamente clamados pela humanidade.

IHU On-Line – Em que consiste o trabalho do Grupo Rio da Sociedade Vegetariana Brasileira?


Bianca Turano - A SVB-RIO é um grupo de conscientização, que vem atuando em conjunto com outros grupos de todo o Brasil e, também, com ativistas independentes. Já que não temos uma sede, resolvi dedicar meu tempo com a manutenção de uma barraquinha, que fica aberta todos os sábados na Feira Orgânica e Cultural da Glória (rua do Russel, em frente ao n. 300, na Glória), das 9h30min às 14h. Ali, vendemos materiais diversos, tais como blusas, adesivos, bótons, livros de receita, doutrina, produtos de higiene que não testam em animais, além de distribuirmos panfletos, recolhermos abaixo-assinados e conversarmos com as pessoas acerca do veganismo. A barraquinha, que existe desde 2006, com a continuidade, acabou por virar um ponto de encontro de ativistas que lá se reúnem para conversar, para as reuniões, para fazer faixas para protestos, para piqueniques, como também feitura de festas e bazares beneficentes. Com o dinheiro, investimos em mais materiais e juntamos uma graninha para bancar o material do ativismo. A SVB-RIO também atua em protestos, distribuição de comidas vegetarianas gratuitas nas vias públicas, panfletagens, manifestações, campanhas (Natal, Dia das Mães, Dia Internacional dos Direitos Animais – DIDA, Meatless Day etc.), ações judiciais e em auxílio àqueles que desejam aderir ao vegetarianismo-veganismo.

IHU On-Line – Que relação pode ser estabelecida entre o vegetarianismo e o direito dos animais?


Bianca Turano – O vegetarianismo, por ser uma dieta alimentar que pressupõe a não utilização de produtos animais na alimentação, acaba por não compactuar com a escravidão dos animais utilizados para alimentação humana. Conheço pessoas que dizem amar animais, mas que, na hora da refeição, não dispensam um peixinho ou uma porção de queijo. A intenção pode ser das melhores, mas estas pessoas só passarão a respeitar os animais, de fato, a partir do momento em que elas lhes garantirem direitos, que é de não serem usados, de não serem explorados.

IHU On-Line – Você pode explicar brevemente o objeto das duas ações judiciais que atualmente você enfrenta, e como foi a primeira sentença nacional favorável ao ativismo pelos direitos animais em que você esteve à frente?


Bianca Turano – O “Caso Shakira”, como ficou conhecido, foi uma grande surpresa para mim, pois sempre estive envolvida com os animais geralmente destinados à alimentação, entretenimento e pesquisas científicas. Mas fui testemunha ocular de um caso em que uma boxer ficava dia e noite presa em uma sacadinha de 12m2. Como tenho formação jurídica, decidi fazer exatamente o que a faculdade e o bom senso me ensinaram: enviei uma cartinha ao proprietário do imóvel dizendo que a cachorrinha estava muito depressiva, me comprometendo a passear com ela se ele não pudesse e tal. Entretanto, o proprietário do imóvel jamais me respondeu. Fui, então, ao Ministério Público – vez que a tutela dos animais é de sua responsabilidade – e formulei uma representação. Infelizmente, ela foi parar no Juizado Especial Criminal – Jecrim e a promotora em questão não prosseguiu com a ação. Ela chegou a me perguntar se eu tinha carro e se queria que me tirassem o carro por eu não tratá-lo bem, comparando o carro à cachorra. Daí, saí de lá junto com a minha vizinha, também testemunha, muito desesperançosa. Foi marcada uma manifestação na rua em frente ao imóvel onde se encontra ainda a Shakira e a minha vizinha acabou entrando na Justiça, pedindo a guarda do animal que, em sede liminar, foi concedida. Shakira foi, então, conduzida à casa de minha vizinha. Daí, a liminar foi cassada, o processo foi extinto e a cadela teve que voltar para a sacadinha. Foi então que a proprietária do imóvel, bem como o seu advogado, resolveram me processar, requerendo danos morais por eu ter tornado público o caso da cachorra e, claro, alegando que tudo o que eu havia dito a respeito das suas condições não eram verdade. Daí, houve um movimento mundial de apoio à minha situação. Recebi cartas de Portugal, da Nova Zelândia, mensagens de apoio de pessoas maravilhosas e solidárias e agradeço muito por todos os ativistas e pessoas que me estenderam a mão naquele momento. Felizmente, obtive ganho em todas as ações. Entretanto, as mesmas não terminaram, pois estão em fase recursal.

IHU On-Line – Qual a particularidade do vegetarianismo em relação ao ativismo judicial?


Bianca Turano – O ativismo judicial, neste caso, nada tem a ver com aquele em que há o controle constitucional por parte dos juízes. Ativismo judicial dentro do ativismo pelos direitos animais é na capacitação do ativista para que ele saiba exatamente como colher meios de prova, quando ciente de um ato de abuso e/ou maus-tratos em face de um animal. E que esses meios de prova sejam levados ao Ministério Público, sejam levados ao Judiciário para que obtenhamos sucesso em nossos pleitos.
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FONTE : (Ecodebate, 29/11/2010) Entrevista realizada por Graziela Wolfart e publicada pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

São Paulo: O lixo, afinal, no rumo certo, artigo de Washington Novaes

Anuncia-se decreto com base no qual, cumprindo uma lei de 2002, a Prefeitura de São Paulo afinal vai cassar os alvarás de bares, restaurantes, lojas e outros estabelecimentos que deixarem de contratar empresas privadas para recolher seu lixo, se produzirem mais de 200 quilos (equivalentes a três sacos) por dia. Não há outra solução para as 4.147 empresas cadastradas como “grandes geradoras”, diz a Prefeitura, embora já haja mais de 5 mil com cadastro vencido e se estime que o total de grandes geradoras seja de mais de 100 mil (entre 1 milhão de empresas). Também órgãos públicos (com exceção de escolas) terão de se enquadrar. A decisão tem forte apoio das empresas que hoje coletam todo o lixo, já que, por receberem valores fixos (e não por tonelada), terão seu trabalho reduzido. E a Prefeitura acaba de prorrogar por um ano o contrato de varrição com cinco empresas, por R$ 437 milhões.

Também não há outra solução para a área de resíduos a não ser cobrar de quem os gera os custos de coleta e destinação. É assim em todos os lugares do mundo onde melhores soluções foram encontradas. São Paulo chegou a ensaiar um projeto nessa direção há alguns anos, criando uma taxa na administração Marta Suplicy – que acabou voltando atrás e dizendo que fora um grave erro político. Por essa e outras, a cidade continua sem solução para as 17 mil toneladas diárias de lixo que gera, com seus aterros esgotados e passando por usinas de triagem apenas 5% do lixo total, que tem algum aproveitamento. Mas a cidade, segundo a Sabesp, chega a despejar 400 toneladas de lixo por dia na Represa Billings.

Na verdade, é uma situação comum na maior parte das grandes cidades brasileiras, todas com seus aterros esgotados, sem novas soluções, pagando fortunas para transportar e depositar seu lixo a grandes distâncias. É assim em Belo Horizonte, em Curitiba, no Rio, no Recife (que paga R$ 1,2 milhão por mês por 1.700 toneladas diárias). Brasília não tem solução para o seu lixo, que em grande parte continua a ser depositado num lixão. Em Goiás, esgotou-se o prazo dado pelo Ministério Público para que 132 de seus 246 municípios apresentassem alternativas para os lixões onde depõem os seus resíduos.

Em São Paulo, restaurantes, bares e outros estabelecimentos comerciais já anunciam que vão cobrar de seus clientes os custos da contratação de empresas transportadoras do lixo. É justo que seja assim: o ônus, o custo, deve caber a quem o gera; não deve ser transferido para toda a sociedade, indiscriminadamente, em impostos ou taxas genéricos. E em quase todo o mundo o princípio é esse. Um dos países onde o sistema deu mais certo – inclusive porque vai até mais além – é a Alemanha, que criou o sistema Green Dot (Ponto Verde). Ele estabelece que os custos com os resíduos cabem a quem os gera, desde a indústria até o gerador domiciliar. Com base nele, implantou-se no país um sistema de coleta dupla: o poder público recolhe nas residências e nos estabelecimentos comerciais o chamado lixo orgânico e dá-lhe destinação (compostagem ou incineração); o gerador domiciliar ou comercial de lixo paga uma taxa proporcional ao volume da lata ou contêiner que utilize (10 litros, 20 litros, etc.). O chamado lixo seco (papel, papelão, latas, vidros, etc.) é separado à parte e recolhido pelo sistema Green Dot, que também lhe dá destinação (reutilização, reciclagem ou incineração). Grandes volumes exigem coletas especiais, pagas separadamente das taxas.

Com a introdução desse sistema, os produtores industriais daquilo que se pode transformar em lixo tiveram interesse em reduzir suas dimensões, seu peso e número – já que pagam ao Green Dot proporcionalmente. E com isso o volume de lixo seco na Alemanha se havia reduzido em 15% em oito anos, quando o autor destas linhas lá esteve documentando o sistema para uma série na TV brasileira. Não é pouco.

Em todos os países da Escandinávia vigoram sistemas semelhantes, sempre com o mesmo princípio: os custos da coleta e destinação cabem a quem os gera. Em alguns deles, entretanto, as regras são mais fortes, chegam a proibir a utilização de determinados materiais, para evitar o aumento do lixo. Mas as pressões industriais são sempre muito fortes, há avanços e recuos.

Onde as regras são mais consolidadas e avançadas, como na Suécia, há sistemas sofisticados de reciclagem até de veículos. Ali, o comprador de um veículo novo paga, nesse momento, uma taxa de reciclagem, pela qual recebe um certificado – que passa adiante no momento em que se desfaz do veículo. A taxa vai de mão em mão até o último proprietário, que julga não ter o veículo mais condições. Leva-o, então, a uma empresa de reciclagem autorizada e dela recebe o valor da taxa que acompanhou o veículo. A empresa recicladora, primeiro, recolhe todos os fluidos do veículo, destina-os a sistemas especiais de reciclagem. Em seguida, retira tudo o que ainda pode ser utilizado – vidros, pneus e outros materiais -, que revende, dando certificados de garantia.

A carcaça restante é recolhida por outra empresa, que a submete a prensagem e encaminha a uma terceira, que a pica e destina os materiais resultantes a siderúrgicas (para serem queimados em altos fornos) ou à substituição de brita, quando é o caso. A Suécia espera que no final desta década já esteja reciclando 100% dos veículos.

Soluções existem. Mas em quase todos os lugares no Brasil os administradores públicos fogem delas, por temerem a impopularidade com a cobrança de taxas específicas. Pensam eles que, diluído o custo por todos os contribuintes, sem identificá-lo, não haverá protesto. Mas é muito injusto. Favorece quem já pode mais e gera mais lixo – e ainda vai pagar menos impostos. Dificulta o controle das contas. E estimula a geração de mais resíduos, que não terão onde ser dispostos. Estimula a degradação urbana.
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FONTE : Washington Novaes é jornalista. (Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo). (EcoDebate, 29/11/2010).

Sistemas, Riqueza e a Biodiversidade - Roberto Naime

Um sistema é um conjunto de objetos ou atributos e das relações que se encontram organizadas para executar uma função particular (THORNESS e BRUNSDEN, 1977). O corpo humano é organizado em sistemas (sistema digestivo, respiratório, cardiovascular, etc). E a natureza também é organizada em sistemas (ecossistemas) ou biomas que representam ecossistemas específicos, que apresentam conjuntos de relações hierarquizadas entre elementos físicos, biológicos e antrópicos, como Cerrado ou Pantanal.

Um sistema é um conjunto de unidades com relações entre si. Como um casamento ou uma relação empregatícia estabelecem determinados tipos de relações entre indivíduos, e neste sentido podem ser interpretados como sistemas ou subsistemas.

A palavra “conjunto” implica que as unidades possuem propriedades comuns. O estado de cada unidade é controlado, condicionado ou dependente do estado das outras unidades (MILLER, 1965). Exemplificando, o mau humor de uma chefia pode contaminar uma organização ou o mau humor de um componente de um casal pode e acaba influenciando o próprio casamento.

A poluição de um recurso hídrico, ou qualquer recurso ambiental acaba contaminando as condições do meio ambiente naquele local.

A riqueza da humanidade pode ser de várias naturezas: material, cultural, biológica e outras.

A riqueza material corresponde aos conjuntos de materiais disponibilizados para serem transformados em modos de sustento ou acumulação de riquezas.

A cultura corresponde ao conjunto de significados que os serem humanos atribuem a suas experiências de vida.

E a riqueza biológica é representada pela biodiversidade, que por ser pouco conhecida, é pouco compreendida em toda a sua extensa importância. A expressão biodiversidade tem um significado. Engloba a variabilidade genética, que é a diferença existente entre indivíduos da mesma espécie, como a cor dos olhos, por exemplo.

Expressa também a diversidade biológica que significa a quantidade de espécies e por conseqüência de genes e cadeias genéticas.

A biodiversidade também integra o conceito de processo ecológico, que descreve todas as reações que ocorrem dentro de uma cadeia de vida. Ecossistema pode ser definido como a aplicação da teoria geral dos sistemas do biólogo alemão do século XIX Ludwig Von Bertallanfy, a ecologia. Desta forma significa todas as relações entre os indivíduos e seus atributos, envolvendo matéria, energia e informação.

De todos estes aspectos, a diversidade genética talvez represente a expressão maior do patrimônio natural, representando milhões de anos de evoluçõ, concentrados no espaço e no tempo, e que podem representar um patrimônio imensurável e intangível de codificações genéticas com suas devidas atribuições.

Um exemplo de utilização da biodiversidade pode ser descrito como a praga que assolou os arrozais asiáticos na década de 70 e devastou populações asiáticas por falta de alimento.

Pouco tempo depois, cientistas descobriram que o cruzamento com espécies de arroz não-utilizadas para plantio nas monoculturas atribuía resistência ao cereal. Esta é uma boa forma de avaliar o potencial da biodiversidade.
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FONTE : Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS. (EcoDebate, 29/11/2010).

sábado, 27 de novembro de 2010

SANTA CATARINA : Será o Rio de hoje a Florianópolis de amanhã ? (PARTE 1)

Para PF, Comando Vermelho pode desembarcar em SC. Polícia Civil acha que este risco é muito remotoSe a sintonia na visão dos riscos é importante para o enfrentamento do crime organizado, as polícias Federal e Civil já começam mal em Santa Catarina. Enquanto uma diz que o desembarque do Comando Vermelho por aqui é muito provável, outra considera o risco remoto. Menos mal que ambas entendem que é preciso ficar alerta.

No mês passado, um policial federal estava numa joalheria de Curitiba quando um assalto foi anunciado. Ele reagiu e acabou morto. Não percebeu que eram cinco bandidos com coletes à prova de balas e fortemente armados. A investigação da Polícia Federal revelou o motivo de tanta estrutura: os bandidos eram do Comando Vermelho, organização criminosa que controlava a Vila Cruzeiro até quinta-feira, quando seus integrantes foram expulsos pela polícia do Rio.

O delegado da Polícia Federal (PF) catarinense Ildo Rosa diz que interceptações telefônicas feitas para localizar os assaltantes revelaram o interesse da facção criminosa por Santa Catarina. Os grampos teriam mostrado líderes da organização no Rio de Janeiro falando em criar conexões aqui no Estado. A meta: dominar pontos de venda de drogas.

Toda a estrutura necessária seria colocada à disposição pelos chefes dos morros cariocas, inclusive armas para eventuais confrontos, para concretizar o objetivo em terras catarinenses. O delegado acredita que, se este projeto for posto em prática, haverá resistência de traficantes locais, o que pode ser mais um ingrediente para enfrentamentos.

O diretor estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Cláudio Monteiro, entende que o maior atrativo catarinense para os criminosos de outros estados é o mercado consumidor. Ele afirma que a Grande Florianópolis e o Litoral Norte são as principais regiões de comércio de drogas.

O delegado da PF diz que, para evitar a entrada da organização criminosa, é preciso copiar o que a polícia do Rio de Janeiro fez na última semana: ocupar áreas de atuação dos traficantes. Ele lembra que a Secretaria de Segurança Pública de SC não tem contingente suficiente para povoar todas as regiões. Por isso, sugere a presença nos locais mais complicados, não só pela força, mas com ações de educação, saúde e lazer.

Para identificar se membros do Comando Vermelho ou de outra organização criminosa migrarão do Rio de Janeiro para Santa Catarina, o delegado da PF sugere manter o foco nos bandidos locais, que vão demonstrar se houver invasão por grupos de fora.

Outra recomendação é prestar atenção às informações repassadas pelas comunidades, como as ligações para o disque-denúncia. O trabalho dos soldados que atuam nas áreas de risco também é importante. Policiais militares obtêm informações, e é preciso garantir que elas cheguem ao setor de inteligência.

O diretor de Informação e Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, delegado Fernando Caieron, não acredita que os integrantes do Comando Vermelho vão optar por Santa Catarina. Diz que estudos já comprovaram que quando a situação aperta no Rio de Janeiro, aumenta a criminalidade em Minas Gerais e no Espírito Santo. Ele assegura que se os bandidos vierem para o Estado, haverá reação das polícias Civil e Militar.

O secretário de Segurança Pública, André Mendes da Silveira, referenda a afirmação do delegado Fernando Caieron. Ele afirma que o monitoramento feito pela Diretoria de Inteligência do sistema prisional revela que as relações dessas facções são maiores com criminosos de outros estados, onde a rede de contatos também é mais ampla.

Histórico do Rio mostra o que não se pode fazer

O especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Guaracy Mingardi, diz que a situação do Rio de Janeiro é fruto de vários e antigos fatores. A mudança da capital federal para Brasília, nos anos 1960, foi o primeiro complicador, porque levou os melhores policiais civis e militares para o Planalto Central. O governo do Estado ficou com a missão de reestruturar as corporações trabalhando com profissionais de qualidade questionável.

O tempo passou e, segundo Mingardi, o Rio continuou errando. O grau de autonomia exagerado que as favelas sempre tiveram permitiu que grupos se organizassem. A geografia acidentada ajudou a bandidagem. Novo impulso para a formação das organizações criminosas ocorreu quando o governo militar misturou presos políticos com assaltantes de bancos comuns, na década de 1970.

Os bandidos saíram da cadeia na mesma época em que houve o incremento do abastecimento de cocaína, em 1977. A conjunção dos fatores permitiu o crescimento da então Falange Vermelha. Mingardi lembra que a demonstração de força que ocorreu em 1986, quando a organização criminosa tomou o Morro Dona Marta, serviu como afirmação.

Ele diz que o poder público falhou ao não tratar o problema com a importância devida nas décadas de 1980 e 1990. Outro erro foi a forma como a Polícia Militar agiu. O especialista lembra que a corporação era o único braço do Estado a subir as favelas, e aparecia sempre para oprimir. A política de invadir barracos sem mandados de busca e apreensão opôs moradores e policiais. O especialista lembra que o ex-governador Leonel Brizola ficou estigmatizado por proibir a prática do “pé na porta”.

– Criou-se a falsa impressão de que ele foi conivente com o crime.

A falta de credibilidade da polícia chegou a um ponto em que, na década de 1990, a população dos morros procurava os traficantes quando tinha alguma questão para resolver. Eles passaram a ser a lei a e substituir o poder público. A corrupção também atrapalhou. Mingardi diz que não existe crime organizado sem conivência do Estado.

Por estes motivos, as invasões de soldados em favelas não produziram resultados duradouros. Para o especialista, polícia sem confiança é igual a tropa de ocupação. Não muda nada e é vista com hostilidade. Ao tentar resgatar a credibilidade de sua polícia com as ações dos últimos dias, talvez o Rio esteja começando a reparar erros históricos.
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FONTE : jorn. FELIPE PEREIRA, Diário Catarinense, edição de 28/11/2010.

SANTA CATARINA : Será o Rio de hoje a Florianópolis de amanhã ? (PARTE 2)

Além de semelhanças na geografia e nas belezas, as duas capitais têm em comum a ameaça da violência e do tráficoFlorianópolis, uma maravilha de cidade. Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Semelhanças geográficas marcam a capital dos catarinenses e a ex-capital do país. A Baía Norte, a Avenida Beira-Mar, o Túnel Antonieta de Barros encravado no Maciço do Morro da Cruz. A Baía da Guanabara, a Avenida Atlântica, o Túnel Dois Irmãos no pé do Maciço Carioca. Aqui e lá, os morros, as praias, o culto ao corpo, o gosto pela música. A paixão pelo Carnaval, seja na Nego Quirido ou na Marquês de Sapucaí. Florianópolis e Rio de Janeiro, duas cidades marcadas por semelhanças que encantam e assustam.

Na quinta-feira, enquanto, em Florianópolis, ainda se ouviam rojões pelo retorno do Figueirense à Série A do Campeonato Brasileiro, na capital fluminense estouravam bombas. Na semana em que, como estampou o The New York Times, a polícia atingiu o coração do crime organizado e expulsou os traficantes de morros dominados por criminosos, uma pergunta voltou a incomodar 1.144 quilômetros ao sul do Rio de Janeiro:

– Será o Rio de Janeiro de hoje a Florianópolis de amanhã?

As opiniões se dividem. Lúcia Dellagnelo, coordenadora-geral do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom), acha que não:

– As comunidades daqui não têm a mesma extensão das favelas cariocas, onde áreas como a Rocinha se transformaram em verdadeiras cidades, com uma população de 300 mil moradores, enquanto Florianópolis inteira tem 400 mil moradores.

A doutora em Educação e Desenvolvimento Humano pela Universidade de Harvard e consultora de organizações nacionais e internacionais em projetos de educação e desenvolvimento social observa, ainda, que a dimensão e o distanciamento do poder público deram margem para que um poder paralelo se instalasse no Rio.

Tamanho à parte, o poder público municipal não pode descuidar.

O relatório batizado Sinais Vitais, que será divulgado em 6 dezembro pelo ICom, vai mostrar o número de adolescentes envolvidos com o tráfico de drogas na cidade. O estudo alerta que estes jovens não têm onde cumprir medida socioeducativa, pois os centros de internação, como o São Lucas, estão totalmente desestruturados. Local para tratar a dependência também não há.

A especialista chama a atenção para outro fator: muitas vezes o poder público não reconhece o trabalho da sociedade civil que está lá dentro, no miolo da comunidade, atendendo a população vulnerável:

– É preciso ser parceiro de fato e não apenas nos discursos. Florianópolis tem sete abrigos para crianças e adolescentes em situação de risco, mas o valor repassado não cobre as despesas, e os dirigentes têm que se virar para cumprir uma obrigação que é do poder público – observa Lúcia Dellagnelo.

Marcelo da Silva é músico e militante do Movimento Negro Unificado. Para ele, é um erro descartar comparações entre as realidades de Florianópolis e Rio de Janeiro tomando por base o aspecto quantitativo:

– É claro que aqui há menos assaltos, menos roubos e menos mortes. Mas o crime em si é igual, só muda a quantidade porque lá a população é muito maior – diz ele, que busca um exemplo próximo para defender a tese de que “as semelhanças são muitas”:

– Amigos de infância, colegas que brincaram e cresceram comigo deram ordem para queimar pessoas no micro-ondas (em Florianópolis). Alguém vai dizer que no Rio isso acontece sempre. Mas o que nos diz respeito é que aqui também acontece e cada vez será em maior número se o Estado se omitir – adverte Silva.

Edson Amaral é coordenador da Central Única da Favela (Cufa) em Santa Catarina e sugere uma ampliação do olhar sobre o que acontece no Rio e em Florianópolis:

– Isso chama-se falta de políticas públicas. É um problema nacional que mostra a incapacidade do Estado em trabalhar a prevenção do jovem que se torna vulnerável ao comércio ou uso de drogas.

Além disso, sugere o educador, prevenção não deve ocorrer só no campo da segurança, mas também na educação e na saúde.

– Aqui, assim como no Rio de Janeiro, a organização criminosa tem a mesma estrutura. Temos as chamadas pequenas bocas e aquelas articuladas e com maior expressão – avalia Edson.

Para impedir que as ações cresçam ainda mais e ganhem proporções ao estilo dos morros cariocas, é necessário um enfrentamento que leve em conta a prevenção e não apenas a repressão:

– Em Florianópolis, estamos muito aquém de parcerias. A gente tem que provar que o trabalho social é necessário. Pintamos a cidade como uma maravilha, como um lugar lindo, e negamos os problemas que atingem a população das periferias.

Graça Carneiro é coordenadora do Caeira 21. É arte-educadora, nascida no Rio de Janeiro, e desde 1989 moradora de Florianópolis. Há 21 anos que está à frente do projeto, braço social da Escola de Samba Consulado.

– Apesar das semelhanças geográficas, creio que parte destas comparações tem mais a ver com o plano cultural e pelo encantamento que o manezinho (nome popular dado a quem nasce em Florianópolis) tem pelo jeito carioca de ser – entende.

Ela acredita que os governantes devem atentar para o inchaço das comunidades, especialmente aquelas onde não existe infraestrutura para atender às demandas. Segundo a arte-educadora, é preciso planejar a ocupação para organizar o espaço.

Oficialmente, lembra Graça, a Caeira não é bairro, e sim uma comunidade pertencente ao Saco dos Limões. Um levantamento de agentes do posto de saúde aponta para 1,4 mil famílias moradoras. Isso representa cerca de 6 mil pessoas. Perto de 47% deste grupo tem entre zero e 19 anos. O Caeira 21 abraça 156 crianças e adolescentes, sendo que 22 estão no Pró-Jovem, da prefeitura.

– É ainda um número pequeno se comparado com o total que vive na área, mas temos atividades diversas e muita coisa boa está sendo feita como contraponto – observa.

Mas será que a reação do Estado aniquila o crime organizado no Rio de Janeiro ou em outros pontos do país? A professora de Arquitetura da UFSC e doutora em Planejamento Urbano pela Sorbone, Margareth de Castro Pimenta, acredita que os traficantes não irão desaparecer. Irão mudar de área. Ela não concorda que a violência é resultado da miséria, e lembra que a Índia é um dos países mais pobres do mundo e nem por isso tem índices semelhantes aos brasileiros.

– O Brasil precisa distribuir renda e oferecer perspectivas de ascensão social a toda população. Hoje, existe uma concentração de riquezas muito grande.

A professora avalia que existem medidas regionais que devem ser tomadas. A primeira é garantir que os moradores do meio rural possam ter uma vida digna no campo para não engrossarem os bolsões de pobreza das maiores cidades catarinenses. Ela acredita que o modelo agroindustrial implantado no Oeste não funciona porque a remuneração é muito baixa e, por atender um único cliente, não há condições de barganhar melhores valores. O cenário inviabiliza a manutenção dos jovens na zona rural.

O sistema educacional, considerado falido pela arquiteta, também explica o nível de criminalidade crescente:

– O padrão de ensino é tão baixo que existe uma defasagem entre as necessidades do mercado e a capacidade do trabalhador.

Margareth lembra que, no passado, a escola tinha um papel de transmitir civilidade ao estudante. Ela defende que o modelo deve formar uma sociedade solidária e com dignidade. Cita o exemplo da França pós-guerra, que usou as salas de aula para educar as crianças e os pais.

A arquiteta assinala que Florianópolis vive uma ocupação desordenada dos morros desde a década de 1990. Para Margareth, “o poder público chancela estas invasões quando abre ruas para facilitar o acesso às casas construídas de forma ilegal e sem condições de dignidade”.

– O outro lado da moeda é a concentração de riqueza que permite pagar R$ 6 milhões numa mansão de Jurerê Internacional. A extrema disparidade aliada à falta de perspectiva de ascensão social levam a uma cidade de confronto, quando o correto é uma cidade de convívio – alerta a estudiosa.

Especialista em Planejamento Urbano, a professora da UFSC reclama da falta de políticas habitacionais. Para ela, o Programa Minha Casa Minha Vida não resolve o problema porque não cabe no orçamento das populações mais necessitadas e os juros não são acessíveis. Outra falha, para ela, é tratar a moradia como algo de cada família, o que não resolve o problema de uma região. Ela sugere o modelo europeu, onde são construídos prédios de médio porte. O padrão de qualidade é mantido e por concentrar um grupo maior de pessoas os gastos com a água, esgoto, transporte público, iluminação e outros ficam mais baixos que levar esta estrutura a várias casas.

– Devemos evitar blocos habitacionais imensos, longe de centros urbanos. Isso serve para formar áreas como a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, isolando pessoas sem os serviços básicos – explica.

O delegado da Polícia Federal Ildo Rosa lembra o caso da Vila União, Norte da Ilha de Santa Catarina. A comunidade foi retirada de uma favela que ficava às margens da BR-282, rodovia de acesso a Florianópolis, e foi levada para um terreno em direção às praias. No antigo local, foram construídos os prédios da comunidade Chico Mendes. O problema, segundo Ildo, é que os gestores não levaram em conta que os moradores transferidos sobreviviam da reciclagem de materiais.

No Norte da Ilha, conseguiam dinheiro durante o verão, mas terminada a temporada ficavam sem dinheiro. Como tinham contato com criminosos da comunidade onde viviam antes, muitos cometeram furtos em casas de veraneio que estavam vazias e assaltaram mercados do bairro.

– Sem perspectivas, outros arrancaram vasos sanitários, torneiras e encanamento para vender no ferro-velho e fazer dinheiro.

O delegado sente que a questão segurança deve ser tratada em Florianópolis não apenas do ponto de vista da repressão. O tratamento deve incluir a educação. Ele critica o sistema de aprovação automática, implantado pela Secretaria de Educação de Santa Catarina:

– O sistema faz que mesmo o aluno com notas ruins passe de ano. O estudante não acompanha os colegas e ainda atrapalha o grupo. A consequência é a perda do interesse e facilidade para ser aliciado pelo crime.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, não acredita que os acontecimentos no Rio de Janeiro possam se espalhar por outras cidades. Barreto disse isso na sexta-feira, quando esteve em Florianópolis:

–É uma situação típica do Rio de Janeiro, mas nós temos que tratar de Segurança Pública no Brasil de maneira integrada.

Entre as ações integradas referidas pelo ministro, se destacam as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que de acordo com análises do Ministério da Justiça, foram responsáveis pelo descontentamento e pelas ações dos bandidos no Rio de Janeiro.

Para o instrutor Rodrigo Schneider, da Polícia Civil de Santa Catarina, outras medidas devem agir no combate ao crime.

– Não adianta só entrar na favela e prender o traficante. Tem que colocar fim à cadeia econômica que financia o crime. E isso, muitas vezes, se encontra em uma casa de luxo nos balneários, em grandes restaurantes, casas noturnas. O negócio não está só nas favelas – afirma Schneider.

Isso vale para qualquer lugar. Seja para maravilha de cidade, como Florianópolis é identificada. Ou para o Rio de Janeiro, lugar que os brasileiros desejam voltar a chamar de Cidade Maravilhosa.
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FONTE : jorn. ÂNGELA BASTOS, Diário Catarinense, edição de 28/11/2010.

SANTA CATARINA : Procura-se a "magia" de Florianópolis

As belezas na ilha são inúmeras, sejam naturais ou não, a Ilha de Florianópolis contempla expressiva beleza em todo seu arquipélago. Porém, visivelmente percebemos, também, que estamos acabando com a mesma. É nessa perspectiva que falaremos da Via Expressa Sul – ou como nós manézinhos chamamos “Beira-Mar Sul”. Ela é dona de um grande potencial, conquanto hoje apresenta diferentes desníveis visuais quanto sua aparência e estrutura.

Caminhar com a família ou com os animais de estimação ao som de pássaros e, apreciando belas paisagens, está cada vez mais difícil. Hoje, infelizmente, deparamo-nos com lixos por todos os lados, queimadas, calçadas quebradas, cacos de vidros, depósitos de entulhos, postes sem iluminação, passarelas totalmente detonadas, falta de segurança, e o principal e mais triste o abandono das partes responsáveis.

Ao caminharmos pela Beira-Mar Sul percebemos que a perde de seu encanto e beleza, um dos lugares “mágicos” da Ilha parece ter se transformado numa área abandonada e ignorada por todos aqueles que passam ou frequentam. Fora esquecida a importância desta passagem da capital, afinal suas vias ligam o centro às lindas praias do sul e ao aeroporto.

Onde está a população florianopolitana? Precisamos tomar uma atitude, não podemos deixar os vândalos destruírem e tomarem nossos lugares de lazer. Vamos cobrar mais atitudes dos responsáveis, fazendo valer a nossa parte também. Precisamos começar a mudança por nós e, pois assim ela chegará aos “superiores”.
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FONTE : Fábio Garcia Trilha, Diário Catarinense on-line, edição de 13/11/2010, às 14:46 horas.

SANTA CATARINA : Descaso com a vida em Florianópolis

Inacreditável pensarmos que em pleno ano de 2010 alguns absurdos em nossa cidade de Florianópolis, capital de um estado da Região Sul (considerada uma região "rica" do país) vivencie situações, como dito anteriormente, absurdas.

Para exemplificação cito dois exemplos, um com consequências de danos a longo prazo e outro com danos violentamente ocorridos no cotidiano:

1) a utilização de fossas, em grande quantidade, ao invés de esgoto tratado;

2) a falta de sinalização adequada ou mínima em bairros, como os Ingleses, um dos maiores em extensão e população. Não há sequer um semáforo no bairro e as poucas faixas de pedestre são insuficientes para garantir o mínimo de segurança.

No dia 4 de novembro, o cruzamento da rua Intendente João Nunes Vieira com o início da Rodovia João Gualberto Soares foi local de mais um atropelamento (como outros tantos que inclusive ocorreram neste ano e que vitimou violentamente vidas).

Denúncias sobre a necessidade de sinalização no local e em outros já foram feitas na ouvidoria da prefeitura, mas sequer a mesma foi capaz de dar respostas. As pessoas que lá estão e deveriam zelar por tal sinalização de segurança recebem seus salários pagos pelos impostos dos mesmos cidadãos que estão perdendo a vida por falta de segurança no uso das vias urbanas sem sinalização.

Os gastos com um resgate são muito maiores do que o dinheiro que gastariam investindo em prevenção. Até quando vidas serão perdidas? Tenham um mínimo de humanidade e façam jus ao salário que recebem!
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FONTE : Paula Pereira Rotelli,Diário Catarinense on-line em 13/11/2010, às 14:43 horas.

SANTA CATARINA : Projeto Ambiental

A situação do meio ambiente no globo nos desafia a preservar os recursos naturais e, ao mesmo tempo, possibilitar um desenvolvimento social justo, permitindo que as sociedades humanas atinjam uma melhor qualidade de vida em todos os aspectos. A necessidade de consolidar novos modelos de desenvolvimento sustentável no país exige a construção de alternativas de utilização dos recursos, orientada por uma racionalidade ambiental e uma ética de solidariedade.

Como instrumento para a preservação ambiental, o ser humano tem as leis que regem a forma de agir com o meio ambiente. Embora muitas vezes estas leis sejam desobedecidas, temos que utilizar os meios existentes a fim de manter os recursos e ambientes naturais remanescentes.

As leis que regem o comportamento de uma sociedade ou de um indivíduo nem sempre são consideradas justas. Inúmeras vezes nos vemos diante de afirmações populares como "tal lei serve para todos, mas não se aplica a alguns".

A legislação brasileira avançou muito nos últimos anos. O Brasil expôs ao mundo a importância de se conservar os recursos bióticos e naturais presentes nas florestas para a manutenção da qualidade ambiental do planeta.

Neste sentido, a Plantanense Distribuidora de Insumos Agrícolas Ltda. de Campo Erê, iniciou nesta manhã o plantio de aproximadamente oito mil mudas de árvores nativas. A empresa vai implementar essa atividade em todas suas unidades. Em Campo Erê onde foi feita a abertura oficial o plantio foi as margens do rio Bicudo, rio que fornece água para o abastecimento da cidade. Ainda ocorreu o plantio na nascente do rio Marmeleiro. Esse rio nasce na divisa de Campo Erê com Marmeleiro PR e como nos outros locais os trabalhos de reflorestamento tem o objetivo de proteger os mananciais de sua área de abrangência.

O projeto foi desenvolvido pelos funcionários da empresa que alem de participar do projeto são eles que estão fazendo o plantio.

Na abertura o diretor da empresa Jucemar Borcioni destacou a importância da execução do projeto e das parcerias que aderiram o mesmo.

Já o proprietário da área que recebeu o plantio Victor Hugo Begrow destacou a sua preocupação com a proteção, e disse que 23,5% de sua área de terras esta reflorestada, principalmente as margens do rio.

O projeto Ambiental Força Verde da Plantanense continuara até que seus objetivos forem alcançados, informou Renato Turratti, que num prazo de quatro anos serão aplicados R$ 12 mil.
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FONTE : JANDIR SABEDOT (Diário Catarinense,edição on-line de 26/10/2009, às 19:57 horas).

SANTA CATARINA : Um exemplo do legado da política ambiental brasileira nos últimos 30 anos

Considero o melhor exemplo da ideologia ambiental brasileira, com finalidade de estudar os resultados alcançados até agora com política, leis e o resto, o exemplo da evolução (neste caso, regressão) ecológica do parque da serra do Tabuleiro.

Sou frequentador, surfista, da área da Guarda do Embaú desde os anos setenta, quando o ambientalismo como o entendemos hoje em dia (uma mistura de politicagem, demagogia, corrupção e autoritarismo, ingredientes de toda sociedade fascista ou comunista que se preze, pois são iguais), estava apenas nascendo. Naquela época, era comum desmatar, aterrar, queimar, matar animais e todo o resto. O grande fator controlador do desastre ambiental era a falta de recursos da população, que não tinham carros, ferramentas e infra estrutura suficiente para destruir em grande escala, e a população não era tão grande ainda.

Com o aumento da população, do poder aquisitivo e da tecnologia, onde a maioria já poderia ter um carro, começou então a primeira onda de destruição em massa. Paraísos idílicos como Bombinhas, Quatro Ilhas, e várias outras praias do Litoral Norte catarinense foram as primeiras a cair. Hoje se transformaram em infernos irreconhecíveis. A destruição se espalhou como como fogo na palha, destruindo Florianópolis, Laguna, Imbituba, e muitas outras, com algumas que resistiram como joias de exceção protegidas pelo capital dos investidores, tipo Garopaba, praia do Rosa.

A Guarda do Embaú e a Pinheira, apesar de estarem dentro do parque da serra do Tabuleiro e com o potencial de se transformarem em exemplos de conservação, foram vítimas de uma administração altamente incompetente, destrutiva e perniciosa, que conseguiu finalmente no ano passado dar seu golpe de misericórdia, ao remarcar a área do parque, excluindo vasta área de beleza única, entregando de bandeja aos interesses comercialistas do município da Palhoça.

O personagem icônico desta administração destrutiva não poderia ser mais evidente na pessoa do promotor ambiental José Eduardo Cardoso. A pesquisa mais simples no Google revela um dos motivos desta desgraça: inúmeros , intermináveis e frívolos processos, secando todos os fundos disponíveis pelo banco mundial para a conservação do parque e destruindo a credibilidade do promotor e consequentemente, a do parque. A insistência do promotor em antagonizar a todos, se posicionando como o 'dono da verdade e da lei', abrindo mão de cooperativismo valioso com os moradores e investidores, o desdém por idéias que não fossem as suas ao se fechar ao diálogo e muitas outras barbaridades, ilustrando brilhantemente a filosofia da lei no Brasil. No final me pergunto: que time que jogava este promotor — ele quer mesmo conservar o meio ambiente ou está jogando para os interesses comerciais de terceiros?

Agora só me resta sonhar com o que poderia ter sido feito e esperar pelo pior. As prefeituras catarinenses são famosas por suas péssimas administrações, corrupção, falta total de visão para prever o crescimento populacional e turístico, não querem investir em nada nunca que não o populismo de políticos com obras ineficazes e inacabadas. Ao atravessar o rio da Madre, na Guarda do Embaú, agora completamente poluído por esgoto, ao ficar horas tentando chegar na praia pela trilha lotada de turistas que estacionam seus ônibus em qualquer lugar e não pagam nada, a água mal tratada oferecida pelo município, admiro então que pelo menos ainda não chegaram os prédios de 12 andares prometidos pela prefeitura. A casas continuam construídas irregularmente, sem leis, clandestinizadas pelo promotor autoritário, e consequentemente, assustando aqueles que possuem o capital para melhorar o a cidade mas tem medo de investir em um lugar tão sem lei e corrupto, favelando ainda mais o que sobrou.

Pelo menos tive o gosto de ver a beleza que foi Santa Catarina apenas 30 anos atrás, o que nunca mais será recuperado. E isto tudo vale para o Brasil inteiro, hoje em dia pode se contar nos dedos os lugares no litoral que não foram favelizados e destruídos por administradores públicos e especuladores.
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FONTE : Angelo Diniz (Publicado no Diário Catarinense, edição on-line, em 14/06/2010 às 19 horas).

SANTA CATARINA : Recolhimento de Embalagens Vazias de Agrotoxicos

Recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos na cidade de Guaramirim -SC.

A produção de alimentos para uma população em constante crescimento é hoje o desafio básico da agricultura, que passa necessariamente pelo compromisso com a utilização de procedimentos e tecnologias capazes de assegurar o respeito pela saúde humana e pelo meio ambiente e também a sustentabilidade da agricultura.

Segundo o Instituto Nacional de processamento de Embalagens Vazias (Impev), em 2008, a taxa de retorno no Brasil chegou a 95%, bem superior a de outros países que têm programas semelhantes.

O instituto também informa que aproximadamente 95% das embalagens recolhidas no Brasil são recicladas e as restantes incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico.

Depois de utilizados os defensivos agrícolas, suas embalagens devem ser devolvidas corretamente, e poderão ter dois destinos: reciclagem ou incineração. Jogados nos campos e nos rios essas embalagens causam danos ao ambiente e á saúde humana e animal.

Sempre que um produtor compra um agrotóxico, ele assume a responsabilidade de devolver a embalagem vazia e tríplice lavada na loja onde comprou, o problema é que, muitas vezes voltar até a loja para fazer a devolução custa tempo e dinheiro.

Diante do exposto, a Secretaria da Agricultura e Pecuária e o Governo Municipal de Guaramirim, com o apoio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Condag), Associação dos Comerciantes de Defensivos Agrícolas do Planalto Norte (Acodeplan), e das agropecuárias do município, dará início a campanha anual de recolhimento de embalagens de agrotóxicos.

Campanha esta, a divulgação está muito boa e a aceitação entre os agricultores está ótima. Os dias de recolhimento acontecerão em junho nos dias 16, 17 e 18.Queremos conscientizar o agricultor que estes vasilhames tem um destino diferente dos vasilhames comuns, um Destino Certo.
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FONTE : Vanderlei Edson da Rosa (publicado em: 15/06/2010, às 16:00, na edição on-line do Diário Catarinense).

SANTA CATARINA : Cerco do Ibama já localizou 218 aves através da "Operação Batendo Asas"

Operação Batendo Asas foi realizada em cinco cidades de Santa Catarina.
No cerco que o Ibama está fazendo aos criadores ilegais de pássaros em Santa Catarina, mais uma grande apreensão aconteceu ontem. A operação Batendo Asas foi realizada simultaneamente em Três Barras, no Norte, Bom Retiro, no Planalto Serrano, e Alfredo Wagner, Blumenau e Pomerode, no Vale do Itajaí.

Durante uma semana de operação foram 218 pássaros apreendidos. Entre as aves recuperadas, há cinco pixoxós, espécie ameaçada de extinção, dez pintassilgos, cinco graúnas, três bicos-de-pimenta, oito tico-ticos, 11 canários, 14 coleirinhos, 16 sabiás, 19 azulões e 21 trinca-ferros.

Todos os bichos estavam com anilhas (anéis colocados nas animais de criação recém-nascidos, onde consta sua procedência) adulteradas ou falsificadas. Havia também um pintassilgo venezuelano, espécie silvestre exótica sem autorização do Ibama. Foram emitidos oito autos de infração, duas notificações e R$ 195 mil em multas, até agora.

Além de responder por crime ambiental, o infrator que adultera ou falsifica anilhas, se condenado, cumpre pena de dois a seis anos de prisão, além do pagamento de pesadas multas. Cada pássaro apreendido origina penalidade de R$ 500 e, se estiver ameaçado de extinção, o valor passa para R$ 5 mil por animal.

Os interessados em ajudar no combate a crimes ambientais, podem fazer denúncias na Linha Verde, no telefone 0800-618080. O denunciante não precisa se identificar.
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FONTE : Diário Catarinense, 27/11/2010.

NO SEU ANIVERSÁRIO A AGAPAN HOMENAGEIA AUGUSTO CARNEIRO.

“Comemorando esses 38 anos de ativismo, vamos homenagear Augusto Carneiro que, apesar dos seus 87 anos, segue incansável na militância ambiental, participando ativamente nos problemas ecológicos locais, regionais, nacionais e planetários, vendendo livros, distribuindo artigos, interagindo com as pessoas, comunicando-se, canalizando e passando informações ecológicas importantes. Isto é o que o Carneiro há dezenove anos vem fazendo todos os sábados de manhã, na Feira dos Produtores Ecológicos, no bairro Bonfim, em Porto Alegre”, explica Edi Fonseca, presidente da entidade.

CARNEIRO: A MILITÂNCIA ECOLÓGICA COMO TRABALHO DE FORMIGA.

Augusto Carneiro e José Lutzenberger formaram uma dupla decisiva no processo de criação da Agapan e nos rumos tomados pelo movimento ecológico gaúcho e brasileiro. Enquanto Lutzenberger trilhava o caminho que o levou a ser um dos ecologistas mais conhecidos do mundo, Carneiro fazia o seu trabalho de formiga na retaguarda, mandando materiais por correspondência, preparando contatos, atendendo às necessidades burocráticas, administrativas e contábeis da Agapan, enfim dando cobertura à atuação pioneira de José Lutzenberger e fazendo sua atuação ecológica própria. Este, nos tempos heróicos do movimento ecológico, uma vez demonstrou cientificamente para a Hilda Zimermann a importância ecológica das formigas nos processos de mineralização do solo. Diferentemente do Lutz, o Carneiro tem passado ensinando com o próprio exemplo importância ecológica não da formiga mas do trabalho de formiga. Neste grande formigueiro que se transformou a civilização, as vidas Lutzenberger e de Carneiro nos ensinam a valorizar a importância ecológica da ação individual. Normalmente a gente tende a se considerar impotente em termos individuais diante da complexidade e da possível irreversibilidade da crise ecológica. Lutzenberger dizia que mesmo que ele soubesse que o mundo iria acabar em três dias, ele continuaria fazendo tudo o que vinha fazendo ao longo de toda a sua vida: o que ele considerava certo, digno e correto como expressão de sua consciência ecológica. Como Lutz, o que Carneiro nos ensina com seu exemplo é uma lição de coragem, dignidade e coerência: cada cidadão expressa um poder imenso, possivelmente o único capaz de enfrentar a crise ecológica, fazendo o que pode e deve ser feito, sem se preocupar com os resultados. Cada cidadão é uma formiguinha indispensável. Ela conta muito mais do que se costuma pensar para a consciência da soberania e a vida do formigueiro… Hoje, depois de 38 anos, cabe perguntar: “Será que o movimento ecológico, a Agapan e Lutzenberger teriam existido sem as décadas de trabalho voluntário realizado pelo Carneiro ?” A simples constatação de que esta pergunta faz sentido, dá a medida do poder e da responsabilidade de cada um de nós. Esta é a lição deste ecologista gaúcho e cidadão do mundo. Carneiro age fazendo educação ecológica, que é muito mais ampla e radical do que a chamada educação ambiental. E educação se faz com exemplo e com o testemunho histórico de uma coletividade.

CARNEIRO: MEMÓRIA VIVA DA CIDADE

O Carneiro é um profundo observador da natureza. Instituiu a prática educativa de fazer viagens e passeios para observar in loco as maravilhas da nossa natureza e os horrores que a sociedade de consumo vem fazendo. Ele gosta muito de conversar e é um banco de dados insubstituível para a ecologia urbana, cultural e natural de Porto Alegre. Na sua condição de octogenário absolutamente lúcido, ele pode nos falar com riqueza de detalhes, por exemplo, da época em que os morros de Porto Alegre eram cobertos de matas, havia pacas e quatis no bairro da Glória e capivaras à beira do Guaíba no Menino Deus. Ele ainda se lembra perfeitamente da época em que ainda não existia o serviço municipal de recolhimento do lixo doméstico em Porto Alegre. Espantem-se ao ouvir ele contar: “Não havia nada de lixo procedente de embalagens, não havia papéis nem plásticos. Todo o lixo orgânico de Porto Alegre, era dispersado e decomposto nos pátios das próprias casas. Os restos de comida eram alimentação para cachorros, galinhas e gatos… Naquela época havia muita mosca em Porto Alegre… sinal de que não havia uma preocupação em controlar os detritos domésticos com a finalidade de prevenir a proliferação destes insetos.” O envolvimento de Carneiro com a questão do lixo o levou a representar a Agapan por muitos anos no Conselho Deliberativo do Departamento Municipal de Limpeza Urbana da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, DMLU. Nesta condição sempre lutou na defesa dos papeleiros e do seu trabalho de reciclagem de papel e papelão, bem como da reciclagem de latas e garrafas plásticas.

CARNEIRO E A MEMÓRIA DE ROESSLER

Entre os grandes feitos da sua carreira de ecologista, Carneiro foi o grande divulgador da figura e da obra pioneira de Roessler. O movimento ecológico gaúcho, brasileiro e mundial teve como um dos seus precursores o gaúcho Henrique Luís Roessler (1896-1963), ativista que nasceu e viveu em São Leopoldo (RS) e atuou no Rio Grande do Sul. Numa época de total inconsciência, Roessler se sensibilizou profundamente com os crimes e agressões à natureza que ele via em toda a parte, tais como a caça e a pesca predatórias, o desmatamento, as queimadas florestais e a poluição dos nossos rios pelas indústrias e esgotos domésticos. O primeiro ecologista brasileiro publicou 301 crônicas semanais no Suplemento Rural do Correio do Povo, no período de 15 de fevereiro de 1957 a 8 de novembro de 1963. A história e a obra deste pioneiro foi resgatada em 1986 por Augusto Carneiro, através da edição e publicação do livro “O Rio Grande do Sul e a Ecologia – Crônicas Escolhidas de Um Naturalista Contemporâneo”, uma antologia dos principais textos publicados por Roessler. A Fepam, Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler, órgão executivo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RS, ostenta no seu próprio nome a homenagem pública e oficial a este gaúcho, pioneiro mundial da ecologia. Mas é necessário lembrar que sem o trabalho editorial meticuloso do Carneiro, certamente o nome de Roessler hoje estaria esquecido.

A atuação de Roessler na imprensa originou as bases de onde surgiram a Agapan e o movimento ecológico gaúcho. Em 1971, graças à iniciativa de Carneiro e de alguns admiradores, foi fundada a Agapan sob a liderança de José Lutzenberger, dando continuidade à obra iniciada por Roessler. Mas por trás de toda esta história temos este trabalho incansável de formiguinha sem o qual nada teria acontecido. Por estas razões, no próximo dia 27 de abril, a Agapan estará comemorando seus 38 anos de lutas e homenageando Augusto Carneiro.
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FONTE : Blog AGIR AZUL, 274/2009.

PORTO ALEGRE : 21 Anos da pioneira Feira Ecológica

Fruto da visão de Nelson Diehl, Glaci Campos Alves, Jacques Saldanha, e outros, há 21 anos, no canteiro central do final da av. José Bonifácio, em Porto Alegre, iniciou-se, timidamente, a Feira Ecológica da Coolméia. Os produtores da Coolméia, cooperativa pioneira fundada em 1978 e que por isso e muito mais fez história no Brasil, já produziam mais do que o entreposto podia comercializar - os consumidores de comida sem agrotóxicos pediam mais e mais quantidade e diversidade. As primeiras feiras foram mensais, depois quinzenais e depois semanais. No canteiro, aos sábados, a Coolméia foi a primeira a ocupar o espaço…apenas aos domingos existia o Bric da Redenção e a Feira de Antiguidades. Mas aos sábados, não havia nada. A Feira ocupava exatamente o mesmo espaço da atual. E mais não pode ocupar porque alguns anos depois de iniciar a Prefeitura Municipal resolveu adonar-se dos outros espaços com o apoio de uma cooperativa criada praticamente para isto, com produtores da zona sul da capital. E o inacreditável é que os produtores são na maioria exatamente os mesmos que resolveram acreditar na idéia desde o início. A eles e ao Nelson, a Glaci, Jacques e outros, os nossos cumprimentos.

Abaixo um texto sobre a própria Coolméia, entidade que hoje está na História, a raiz de tudo:

A COOLMÉIA FOI CRIADA NA ERA DE AQUARIUS
O depoimento de uma fundadora
(por João Batista Santafé Aguiar, jornalista, agosto 2002)

Um mapa astrológico definiu a data e o horário de fundação da Coolméia - Cooperativa Ecológica, em 23 de janeiro de 1978, às 11h30min. No início do signo de Aquário a Cooperativa foi articulada por 23 pessoas, a maioria participantes da Grande Fraternidade Universal, Fundação Dr. Serge Raynaud de la Ferrière, com sede mundial em Caracas, Venezuela. A Coolméia teve um berço espiritualista e tem como destino viver e realizar uma das caracteristicas da Nova Era que é a "Cooperação" entre os seres, em vez da "competição".

Zuleica Degani, sócia fundadora de nº 23, na época com 29 anos de idade, Administradora de Empresas e grande articuladora comunitária chegou a fazer uma especialização em Cooperativismo na UNISINOS, para aprender como fazer acontecer uma cooperativa.

A Coolméia recebeu influências de várias dimensões, explica Zuleica. Da GFU, refletiu no seu Estatuto a valorização da Educação Integral, pois o grande diferencial do sistema cooperativista de outros sistemas econômicos é a aplicação de parte do resultado das operações em um fundo destinado à educação dos membros da cooperativa. O Sistema Cooperativo está portanto em perfeita harmonia com a nova Era de Aquárius cuja palavra chave é o SABER.

O estatuto da Coolméia foi levado em mãos para o INCRA, em Brasília, para um professor da UNISINOS que lá trabalhava, com a intenção de que fosse aprovado sem cortes, permitindo assim, à Cooperativa, atuar nas 3 áreas: produção, consumo e serviço. O sistema cooperativista não era bem visto pela ditadura porque explicitamente se propõe a educar para a democracia. A exigência de registro das cooperativas junto ao Governo Federal caiu apenas na Constituição de 1988.

O pensamento de José Antonio Lutzenberger, fundador da AGAPAN, também significou uma importante influência no início da Coolméia. Alguns sócios fundadores freqüentavam as históricas reuniões das segundas-feiras da Agapan quando Lutzenberger alertava sobre os malefícios dos agrotóxicos. "Compreendemos, então, o estado de intoxicação do planeta e a urgente necessidade de viabilizar a agricultura orgânica e de divulgar massivamente os seus princípos e práticas para o bem da coletividade", afirma Zuleica.

Ela lembra que a questão da alimentação sempre foi ressaltada na GFU, não de forma dogmática, mas como um motivo de estudo e pesquisa. Naquela época era muito difícil ser vegetariano pois os produtos integrais e naturais não eram facilmente encontrados, como hoje em dia.

Assim, a Coolméia nasceu também com a motivação de viabilizar os gêneros alimentícios aos seus associados, fomentando os produtores de alimentos orgânicos e a rede de solidariedade, respeito mútuo e comprometimento entre produtor e consumidor.

Outra motivação, lembra, é que o sistema cooperativista representa também uma opção para um país como o Brasil. Naquela época, a República Cooperativa do Suriname era um exemplo de como o cooperativismo pode significar uma opção para o sistema econômico de toda uma nação. A divulgação da existência deste modelo "alternativo" não interessa aos meios de comunicação convencionais, diz.

"Quando em 1975 visitamos um restaurante vegetariano de uma Cooperativa de Bogotá, do tamanho de um RU, pensamos que no Brasil poderíamos fazer o mesmo em muitas cidades, se os brasileiros tomassem consciência do seu "poder como consumidores" e se organizassem, unindo o produtor ao consumidor, ganhando em qualidade e viabilizando a vida no campo", afirma. "Tenho a certeza que a Coolméia é uma semente para isto”.

Na época da fundação foi feito o mapa astrológico. Zuleica afirma que o Mapa Natal da fundação da Coolméia indicava o Sol ajudando a projeção social e a missão pública; o Mercúrio, a boa comunicação, e também emprestando um aspecto intelectual à missão; a conjunção do Sol com Vênus, este regendo a segunda casa, ajudando as economias. Como é dificil ter um mapa perfeito, a Lua em Câncer ajuda a Coolméia a ter um lugar de boa comida, onde todos se sentem em casa, mas também traz aquele sentido maternal que, as vezes pode dar pouca firmeza na fiscalização e controle em geral.

Como no ano que vem, nossa Cooperativa comemorará suas bodas de prata, Zuleica conclama a pensar-se em uma sede própria, e à união para viabilizar este projeto. "Uma sede abriria, com certeza, novas possibilidades de ampliar as atividades dentro de suas três áreas de atuação (produção, consumo e serviços) para melhor atender todas as necessidades de produtos e serviços, dos sócios e da comunidade, dentro de um enfoque ético, sustentável e educativo que sempre caracterizou sua atuação", conclui.
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FONTE : Blog AGIR AZUL, http://blog.agirazul.com.br/, 9/11/2010.